Without You
1 Capítulo Único - White Winter
Notas iniciais
-- JAEJOONG POV --
Já faz três meses desde que vivo sem ter seu olhar. Sempre que chega essa época que tanto temo aqueles momentos retornam a minha mente e tudo o que posso fazer é deixar que as lágrimas assolem meu rosto enquanto meu coração pede por algum descanso que não logo virá.
A neve continua a cair impiedosamente e cristaliza minhas lembranças mais uma vez. Pela janela enxergava os últimos minutos em que estivemos juntos. Revivia tudo como se acontecesse naquele exato momento. Se eu tivesse resistido... Se eu tivesse dito não... Você ainda estaria aqui ao meu lado? Neste momento repasso mentalmente aquele dia que quero tanto esquecer.
Você permanecia deitado naquela cama, encoberto pelos diversos cobertores. O pano úmido e frio em sua cabeça em nada surtia efeito. Sua febre apenas aumentava e seu corpo tremia em contraste a queimação de seu rosto. Estava ao seu lado, te guardando enquanto dormia. Pelo menos era o que eu pensava.
Abriu os olhos fatigados. As olheiras denunciavam sua exaustão. Passei levemente a mão sobre seu rosto sentindo o calor exacerbado que emanava de seu ser. Retirei o pano que estava em sua testa mergulhando-o na água gelada novamente. Tornei a repousá-lo sobre sua feição febril e dolorida. Não sabia mais o que fazer para aliviar sua dor. Ninguém sabia.
- Jae... – sua voz saia tão baixa – Posso te pedir uma coisa?
- Qualquer coisa... – sorri mesmo que não quisesse enquanto afagava sua mão por cima do cobertor.
- Vamos viajar? – me perguntou.
- Claro! – voltei a sorrir – É só você melhorar.
- Não... Precisa ser hoje – hoje? O que isso queria dizer?
- Mas se a gente sair nesse frio você vai piorar... – se eu pudesse choraria, mas enquanto ainda o tivesse ao meu lado não o faria. Não estaria certo.
- Eu não ligo... – você voltou a fechar os olhos. Meu coração apertou, mas ver o movimentar de seu peito de certa forma me tranqüilizou.
- Yun... Por favor, vamos esperar você melhorar – por que não queria me dar ouvidos?
- Mas precisa ser hoje – abriu os olhos mais uma vez fazendo aquele bico que sempre me amolecia. Você sabia que eu não conseguiria negar, certo? Então por que fez isso?
- Está bem – sorri de soslaio. Como sou fraco. Por que não resisti? Por quê? – Descansa um pouco que eu já venho.
Deixei-o sozinho naquele quarto enquanto esperava que você não me deixasse naquele momento. Comecei a arrumar uma pequena bagagem de mão. Mesmo que tivesse concordado não disse que nossa viagem seria longa... E nisso eu estava certo.
Engraçado como o destino nos prega peças. Chega até ser cruel o modo como as coisas acontecem. Por que precisava te perder quando não tinha mais nada? Irônico não? Perder algo quando não se tem mais nada.
Retornei ao quarto. Mais uma vez você dormia. Preferi deixar que continuasse assim e rogava para que abandonasse aquela idéia de viajarmos. Eu sabia o que aconteceria se nós saíssemos, então por que concordei? Talvez para poder te ver sorrir. Seria isso? Quanto egoísmo meu. Quanta maldade te iludir dessa maneira.
Você despertou mais uma vez. Não sabia o que sentir. Era bom saber que você ainda estava aqui, mas aquela sua insistência não me deixaria negar-lhe tal pedido. Virou seu rosto lentamente para o lado encontrando meu olhar um tanto pesaroso. Você apenas sorriu e eu retribui.
- Está pronto? – comecei a me aproximar daquela cama que por tanto tempo fora seu lar.
- Me ajuda a me vestir? – suspirei. Te ajudei a ficar sentado no colchão. Sua respiração tornou-se mais pesada.
- Tem certeza que você está bem? – tentava te convencer do contrário mais uma vez, mas sabia que de nada adiantaria.
- Tenho... – sorriu.
Comecei a retirar o moletom e o pijama que vestia, logo colocando algumas camisetas de manga comprida e alguns diversos casacos de pele falsa que julgava ser o suficiente para apartar seu frio. Dei meu ombro para que você pudesse se apoiar. Seus joelhos doíam por terem se desacostumados a sentir o peso de seu corpo. Uma de suas pernas cedeu logo no primeiro passo.
- Acho melhor não se esforçar tanto – ainda o apoiava em meus ombros.
- Eu estou bem... – insistia – Não se preocupe...
Começamos a caminhar em direção a porta. Segurava em sua mão sempre acompanhando seus passos lentos. Abri a porta sentindo o vento frio do exterior batendo em minha face. A paisagem branca só me trazia melancolia e uma certeza de que não deveríamos estar saindo naquele dia.
Demos nossos primeiros passos em direção ao mundo. O vento cortava a pele pálida de meu rosto. Descemos as escadas externas daquele bloco de pequenos apartamentos e saímos pelo baixo portão de ferro. A pequena camada de neve de duas noites atrás se tornava um pequeno desafio.
O ritmo lento das passadas me faziam refletir e hesitar a cada momento, pensando que era melhor voltarmos, que era melhor não continuarmos, que era melhor... Ainda ter você aqui ao meu lado.
Um passo em falso o levou ao chão de joelhos. Uma grande preocupação tomou conta de meu peito. Te ajudei a se levantar mais uma vez. Deixei que você retomasse o fôlego perdido pelo susto daquela queda. A fumaça branca de seu hálito dissipava-se assim como sua vida naquele momento.
- Por favor... Vamos voltar – implorei uma última vez.
- Não... Eu quero viajar com você... – seu sorriso me deu alguma esperança de que permaneceríamos juntos. Aceitei mais uma vez sua teimosia.
Mais alguns passos. Caminhávamos em direção a estação de trem que ainda estava longe do ponto onde nos encontrávamos. As pegadas no branco algodão daquela estação contavam o último capítulo de nossa história. Caiu mais uma vez sobre a neve indiferente. Coloquei-o sobre meu colo. Já não agüentava mais reprimir aquela tristeza que tentei trancar em meu peito toda vez que cedia ao seu desejo suicida.
- Vamos voltar... – meus olhos deixavam as primeiras lágrimas partirem traçando um caminho que devolvia vida ao meu rosto pálido.
- Se eu voltar... Ficaria preso aquele quarto... – sorriu já sem forças – Eu queria sentir como era viver uma última vez...
- PARE DE FALAR ESSAS COISAS!!! – por que ouvir aquilo tão diretamente era difícil? Eu já sabia disso... Só não queria acreditar... Nunca quis acreditar... — Você não vai morrer!!! – o choro ocupava minha garganta e as palavras trepidavam.
- Já chega, né? – fechou seus olhos. Mais uma vez a única coisa que me dava a certeza de você estar vivo era sua respiração quase nula. – Lutei o máximo que pude...
- Você não pode desistir! Por favor... Não me deixe... – minhas lágrimas molhavam seu rosto tranqüilo.
- Desculpa... – vi seu sorriso uma última vez — Eu te amo... Ja... e... – sua cabeça pendeu, seus olhos se fecharam e seu sorriso escureceu.
- Yun? – chacoalhei você inutilmente – Yun? YUN? – abracei seu corpo que perdera sua essência. – POR FAVOR, NÃO!!! – meus gritos não conseguiam mais te alcançar. Fiquei agarrado a você por uma eternidade e quando te soltei... Meu mundo desapareceu.
A neve voltara a cair. Aquele momento para mim congelou em minha memória e meu coração tenta esquecer que um dia te perdi. Finjo que você sempre está ao meu lado quando me deito. Finjo que te vejo ainda deitado naquela cama. Finjo que você ainda está aqui, imaginando que isso fará com que essa dor incessante passe.
Continuo a olhar pela janela. As pegadas na neve relatam nossos últimos momentos e por elas volto a caminhar. Um casal caminha do lado de fora. Deixo que um breve sorriso se forme em meio as minhas lágrimas e espero que finalmente o tempo também me leve. Deito-me na cama e uma silhueta angelical me põe para dormir.
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