Notas iniciais
oiii, espero que gostem. ((:

Chaz me pegou ao colo, mesmo depois de eu ter dito que ainda conseguia andar, e me levou para dentro de sua casa. Sentou-me no sofá e olhou outra vez para mim e deu uma pequena risada.

- O que foi? – perguntei com a sobrancelha arqueada.

- É que eu nunca fiz isto. – disse coçando a cabeça.

- Isto o quê?

- Nunca desinfetei ferida e não sei bem como o fazer. – respondeu

Esbocei um sorriso.

- Eu acho melhor lavar os pés primeiro, o que você acha? Eles estão meio sujinhos. – disse soltando uma pequena gargalhada.

- Sim, eu acho que é o melhor. Mas, o que você fez para estar nesse estado? – perguntou com preocupação.

- Uma longa história. Não sei se teremos tempo para..

- Sim, nós teremos tempo para falar sobre o que aconteceu. Eu estou-te ajudando, então você me vai contar o que aconteceu. – disse ele me interrompendo.

- Posso ir lavar meus pés?

Eu não sei se estava preparada para contar TUDO o que aconteceu. Não sei se devia confiar numa pessoa que…não conheço. Sim, ele está me ajudando e isso significa muito para mim. Sempre achei que não precisava de apoio. Eu sempre fui independente. Pensava…a minha vida, as minhas escolhas, os meus erros, as minhas aprendizagens…ninguém devia se meter, mas…é sempre bom ter amigos, acho eu. Acho que podia dar uma chance ao Chaz.

- Sim, pode. Eu vou levar você até ao banheiro.

Chaz me pegou outra vez e esboçou um pequeno sorriso. Eu sentia-me segura, protegida. Mas…não sei o que ele pensaria se eu lhe contasse toda a história. Talvez não compreendesse e…não sei.

- Toma um banho. – disse Chaz.

- Não, eu não tenho roupa para trocar e de caminho vou embora. – disse erguendo a sobrancelha.

- hum, você vai dormir aqui. Não a posso deixar não sei onde de madrugada. Alguém pode te fazer mal e…eu quero ouvir a sua história. Por isso toma um banho, tem aqui toalhas. – disse ele me dando duas toalhas para as mãos.

- Chaz, estás-te esquecendo que eu não tenho roupa né… — disse com uma cara ‘tipo, estás doido?’.

- É, tens razão. – disse com uma cara pensativa.

- É, eu tenho sempre ra…

- TIVE UMA IDEIA ! – disse Chaz com um enorme sorriso.

- Sim, diga lá a sua ideia sr. ‘tive uma ideia’. – disse com um leve tão de ironia.

- Bem, você pode vestir uma calças e uma camisola de desporto minhas e…amanhã sua roupa deve ter lavado. O que você acha Sam?

- Sam? – disse supressa – Quem disse que o menino Chaz me pode chamar de Sam? – disse gargalhando.

- Nós somos amigos por isso eu te posso chamar de Sam.

- É.. – disse um pouco receosa.

- Vou-te deixar tomar seu banho. Até já. – disse fechando a porta.

Tomei meu banho demoradamente. Apenas aproveitei porque no orfanato tinha que ser muito rápida porque eramos muitas raparigas e não convinha muito chegarmos atrasadas ao jantar se não havia castigo. Por uma…pagavam todas. Todas nós tínhamos uma união muito forte. Todas tínhamos histórias distintas mas que nos tornavam semelhantes, afinal todas vivíamos com alguma tristeza de alguma forma. Me enrolei numa toalha e coloquei outra no cabelo. Tinha que chamar o Chaz porque aquele idiota esqueceu de me dar roupa.

- CHAAAAAAAAAAAAZ? – gritei.

- Oiii? QUER ROUPA? – perguntou ele.

- O QUE TE PARECE IDIOTA? – disse rindo da burrice dele. Estou brincando. Eu estou gostando muito dele.

- ESTOU INDO SAMMY. – gracejou.

Toc toc toc

- Posso? – perguntou abrindo a porta.

- Deixa só a roupa engraçadinho.

- Calma Sammy. – gracejou ele OUTRA VEZ.

- ARG!

Vesti as calças de desporto e a sweat que o Chaz me emprestou.

- Samantha Stewart cheia de swag, parte 425781632. – disse me olhando no espelho e rindo da minha figura. As roupas ficavam largas mas foi muito fofo da parte do Chaz me deixar dormir cá porque eu estava muito cansada. O pior é que ainda tinha que contar minha história e talvez ver Chaz me virar as costas. Mas acho que ele não era assim, eu quero acreditar que ele não é assim.

Saí do banheiro e desci as escadas. O Chaz estava sentado no sofá jogando X-Box. Eu me lembrei que ele me tinha chamado Sammy e eu não gosto que ninguém me chame de Sammy então…ele vai pagar. Corri até ele e atirei-me para cima dele desconcentrando-o do seu joguinho.

- VOCÊ NUNCA MAIS ME CHAMA DE SAMMY, VIU? – disse rindo muito pela cara de surpreso dele.

- Nossa Sam, você me assustou. – disse ele ainda apavorado – e como se não bastasse me fez perder o joguinho que estava jogando. Você não é normal.

Rachei com a cara dele.

- Você...é…muito…idiota… — disse pausadamente tentanto conter o riso.

- Sou idiota? Sou idiota? VOCÊ VAI VER O IDIOTA – disse ele deitando-me no sofá e me fazendo cócegas.

- Chega…por favor. – disse me tentando acalmar.

Eram 3:46 da manhã e nós estávamos rindo feitos idiotas. Nós nos conhecíamos há pouco mais de uma hora e meia mas eu sentia que já éramos mesmo amigos.

- Chaz, não acha que estou cheia de swag? – disse rindo e me levantado para que ele pudesse ver como eu estava vestida.

- Sim, acho mesmo. – disse ele rindo também mas logo depois ficando sério.

- O que aconteceu? – ergui a sobrancelha instantaneamente.

- Me conte sua história. – disse com um sorriso fofo. Eu acho que estava segura e protegida. Eu acho que podia confiar nele.

- Chaz… — disse dando um suspiro – É tudo meio complicado e além demais eu tenho medo…medo que você me vire as costas conta eu contar tudo. – disse por fim.

- Sam, eu nunca te vou virar as costas. Eu não sou esse tipo de pessoa e além de mais eu estou gostando muito de estar contigo…mesmo que tenha sido só uma hora. – disse com um sorriso muito fofinho.

- Obrigada Chaz, obrigada mesmo. Minha vida sempre foi meio complicada, sabe. Meus pais morreram num acidente de carro onde só eu sobrevivi. No início foi meio difícil porque eu não entendia nada sobre o negócio da morte…tinha apenas 5 anos, mas depois logo percebi que meus pais não iriam voltar mais. Fui levada para um orfanato onde passei minha vida toda. O orfanato não é mau de todo…mas como somos muitos, às vezes somos um pouco invisíveis. Lá todos nós temos uma ligação, pois todos nós vivemos com alguma tristeza e com alguma revolta contra o passado. Nos apoiámos muito. Mas minha vida era normal até hoje…hoje eu fugi do orfanato. Não estava mais aguentando tudo aquilo. Eu quero ser livre, aquela vida não é para mim. Eu vi a porta aberta e corri sem amanhã. No momento eu nem pensei. Todos os momentos em que eu estava no quarto sozinha chorando baixinho para ninguém me ouvir, todos os momentos que na escola faziam piada por eu estar usando roupas que não eram bonitas, todos os momentos maus correriam na minha cabeça. Eu estava descalça…eu vim descalça mesmo. Por isso estou nesse jeito…porque depois eu estive numa perseguição. O orfanato provavelmente contactou a polícia e esta me veio procurar e me encontrou…mas eu desatei a correr e depois só ouvi um grande barulho e vi uma explosão. O carro da polícia embateu contra um camião e eu…fui…a…culpada. Depois…vim…parar…aquela…rua…sem…saída e te encontrei. – disse olhando para ele tentando acalmar a respiração. Minhas lágrimas caíam dos meus olhos e eu não conseguia perceber o que Chaz estava sentindo naquele momento.

Notas finais
mereço reviews ? :*
bem, espero que tenham gostado. (;