With you
1 Capítulo único
Era véspera de Natal em Tóquio, e a cidade pulsava. O Tokyo Skytree cortava o céu como um obelisco de luz, banhando o horizonte com um vermelho carmesim tão denso que parecia tingir a própria escuridão. No chão, a névoa fria carregava o contraste delicioso da metrópole: o cheiro defumado do yakitori nas barracas de rua misturado ao perfume doce dos crepes e ao rastro floral de saquê quente.
Satoru Gojo avançava pela multidão com a energia de uma criança, as pernas longas vencendo a distância sem esforço enquanto puxava Suguru Geto pela mão.
— Veja aquele tom, Suguru! — Satoru exclamou, apontando para a torre. — É como se o céu estivesse sangrando espírito natalino só para nos receber.
Suguru soltou uma risada anasalada, ajustando o cachecol.
— Você e suas interpretações dramáticas. É apenas iluminação temática, Satoru. Marketing, não um presságio romântico.
— Que heresia! É uma declaração de amor da cidade à nossa noite. — Satoru parou subitamente perto de uma mesa de apoio, os olhos brilhando ao notar cartões em formato de coração deixados para os visitantes. — Tive uma ideia. Vamos fazer algo especial.
Suguru arqueou uma sobrancelha, metade intrigado, metade temeroso.
— O que você está tramando agora?
— Fotos! Segurando um cartão com nossos nomes. — Satoru agitou o papel com uma urgência quase infantil. — Olha em volta, todos os casais estão fazendo isso. Eu quero um registro oficial de que você sobreviveu a mais um Natal comigo.
— Satoru, isso é o ápice do clichê... — Suguru observou os turistas fazendo poses exageradas e sentiu as bochechas esquentarem. — É um pouco brega, não acha?
Gojo fez beicinho, baixando os óculos escuros (ou a venda, conforme sua preferência de época) para revelar olhos azuis implorantes.
— Por favor? Só desta vez. Prometo que no próximo ano faremos algo extremamente gótico e sério.
Suguru suspirou, a derrota vindo com um sorriso resignado.
— Tudo bem. Mas se a foto ficar ruim, você vai me pagar aquele sorvete caro de edição limitada.
O elevador do Skytree rugiu suavemente enquanto subiam. Dentro do espaço confinado, o zumbido do motor era abafado pelas risadas dos outros passageiros. Suguru sentiu aquele frio familiar no estômago — não pela altura, mas pela forma como Satoru o olhava, totalmente alheio ao resto do mundo.
— Você está realmente empolgado com um pedaço de papel, não está? — sussurrou Suguru.
Satoru inclinou a cabeça, a voz suavizando enquanto o elevador atingia os 450 metros.
— Não é o papel, Suguru. É o fato de que, entre todas as pessoas nesta torre, eu sou o único que está de mãos dadas com você.
As portas se abriram para o observatório. O panorama era de tirar o fôlego: o Monte Fuji descansava ao longe sob o luar, uma silhueta de prata e sombra.
— Vamos, o cartão! — Satoru o puxou para a área decorada com luzes cintilantes. Ele já tinha uma caneta na mão, agindo como se estivessem em uma missão secreta. — Quem se importa com o que os outros pensam? Escreva algo.
Suguru pegou o cartão, a hesitação dando lugar a uma diversão genuína. Ele apoiou o papel e, com sua caligrafia impecável, começou a escrever. Satoru espiava por cima de seu ombro.
— "Meu amor, minha luz... quando estou com você, o mundo ganha cor"? — Satoru leu em voz alta, a voz falhando levemente. Ele tentou disfarçar a emoção com um sorriso largo. — Ficou perfeito. Tão brega que eu adorei.
Eles se aproximaram para a foto. No instante em que o flash disparou, o relógio atingiu a meia-noite.
Lá fora, o céu explodiu. O silêncio da altitude foi quebrado pelo estrondo rítmico dos fogos de artifício. Cascatas de ouro, verde e vermelho floresciam contra o preto, refletindo-se nos vidros imensos do observatório.
— Feliz Natal, Suguru! — gritou Satoru sobre o barulho, a face iluminada pelas cores do céu.
Antes que Satoru pudesse dizer mais qualquer piada, Suguru o puxou pelo colarinho, selando o momento com um beijo que cheirava a inverno e promessas. Entre o brilho dos fogos e o calor do abraço, Tóquio parecia, por um momento, pertencer apenas aos dois.
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