With you
21 Willian?
Notas iniciais
POV Nico.
Ele bem que podia com a sensação boa que estava sentindo antes. Mas não. Claro que não.
Seu corpo inteiro doía, tanto que ele estava com receio de se mexer. Hades o avisou que ele ficaria fraco por um tempo, mas ele não imaginou que seria daquele jeito.
O cheiro de álcool e néctar invadiu as narinas de Nico, o moreno já tinha se acostumado a associar aquele cheiro à enfermaria. Ele inspirou profundamente e se esforçou para mexer os dedos, eles pareciam pesar uma tonelada, uma dor surda se espalhou por seu braço.
Ele então tentou abrir os olhos, era como se eles estivessem grudados um no outro. Ele percebeu que sua boca estava seca e que sua garganta doía. Com certeza ele já esteve melhor.
Quando ele finalmente abriu os olhos, teve que fecha-los imediatamente por causa da forte luz que invadiu sua retina. Ele abriu a boca e, ignorando os protestos de sua garganta, chamou o nome de Will, mas sua voz saiu tão baixa que ele próprio mal ouviu.
Chamou de novo, um pouco mais alto, mais ainda muito baixo. Sua voz estava mais rouca e grossa que o normal, como se ele não a usasse a muito tempo.
Nico respirou fundo e decidiu abrir os olhos de novo, piscou várias vezes, tentando se acostumar com a claridade, quando finalmente conseguiu, percebeu que estava mesmo na enfermaria e que não estava tão claro assim, já era fim de tarde, mas mesmo assim, seus olhos ardiam.
Ele mexeu a cabeça de um lado para o outro, ignorando a dor e viu Will dormindo numa cadeira ao lado de sua cama. Sentiu um calor se espalhar por seu peito, tentou chama-lo de novo, mas desistiu, não ia conseguir acorda-lo.
Ele fechou os olhos e resolveu que seria melhor se ele descansasse. Quando já estava quase desmaiando de novo, ele se lembrou da conversa que teve com seu pai e se lembrou do que havia pedido.
"Quando acordar, vá para seu chalé, estará lá."– a voz de seu pai ecoou em sua mente. Tinha que se levantar, tinha que ir para seu chalé.
Com muito esforço, ele apoiou os cotovelos na cama e ergueu a cabeça, sentindo-a rodar e grunhindo um pouco. Seus braços estavam quase fraquejando e ele estava quase caindo de novo na cama quando sentiu algo envolve-lo com força, tirando o ar de seus pulmões.
– Nico! — a voz de Will era chorosa em seus ouvidos. — Você acordou! Eu sabia que você ia acordar. Você tem ideia do que me fez passar, seu idiota? Eu devia te matar por quase morrer desse jeito!
– Will... — Nico tentou falar o mais alto possível, mas sua voz ainda era um sussurro. — Eu não consigo... respirar.
– Ah meus deuses, me desculpa. — Will afrouxou o abraço e se afastou um pouco olhando-o nos olhos. — Você está bem? Está sentindo dor?
Nico olhou em para Will, teve a impressão que muito tempo havia se passado. Will pareia cansado, tinha olheiras e o cabelo estava todo despenteado.
– Você está bem? — Nico perguntou, se lembrando da flecha que havia na barriga do namorado da última vez que o viu.
– Eu? — Will parecia incrédulo. — Nico, você ficou em coma por dois meses, Nico. Dois meses.
– O... o que? — Nico arregalou os olhos, tinha a sensação de ter dormido por uma semana, não dois meses.
– Você simplesmente apagou. — a voz de Will tremeu. — Você não acordava, não reagia a nenhum estimulo, eu pensei que nunca fosse acordar, eu... — sua voz falhou e Nico viu seus olhos marejarem.
– Will... — Nico disse suavemente antes de se aproximar e beija-lo. Foi um beijo muito leve, mas foi o suficiente para sentir toda a dor de seu corpo sumir, mesmo que por um instante, e ser substituída por um choque elétrico.
– Eu te amo. — Will disse assim que se separaram.
– Eu também te amo. — isso soava tão natural e tão estanho ao mesmo tempo que Nico não pode deixar de sorrir.
– Vou buscar néctar pra você.
– Eu estou bem, Will. — Nico mentiu. Odiava se sentir fraco daquele jeito, e odiava ainda mais admitir isso.
– Pare de ser orgulhoso, eu consigo sentir que está mal à quilômetros, Nico. Você precisa descansar.
– Eu tenho que ir para meu chalé. — Nico se lembrou de seu pedido e olhou para Will com um olhar suplicante.
– Não mesmo. — Will o empurrou levemente, fazendo-o deitar. Nico tentou impedir, mas fraco como estava, obviamente não conseguiu. — Descanse. Você não vai sair andando por ai tão cedo.
– Mas Will...
– Nada de "mas Will", mocinho. — o loiro se levantou e se dirigiu à um dos armários, procurando pelo néctar. — Todos estão preocupados com você. Jason aparece aqui todos os dias pra ver você. Eu praticamente nem saio mais daqui. Hazel veio pra cá dois dias depois do ataque, ficou aqui por um mês, mas ela não podia ficar aqui tanto tempo, tinha responsabilidades no acampamento Júpiter, eu prometi mandar uma mensagem de Iris quando você acordasse. — Will voltou com um copo de néctar nas mãos. Nico o pegou e quase o derrubou, estava mais fraco do que imaginava. Will o ajudou a beber, levando o copo até a boca do menor, Nico se aborreceu com o gesto, estava se sentindo um inválido.
Assim que Nico bebeu, ele se sentiu um pouco melhor, seu corpo anda doía, mas era um pouco mais suportável, Nico constatou que agora ele poderia segurar o copo sozinho.
– Pronto. — Will disse quando Nico terminou de beber. — Agora você volta a descansar, ordens médicas.
– Will, meu chalé...
– O que que tem de tão importante no seu chalé? — Will o interrompeu franzindo as sobrancelhas. — É melhor ser importante para você enfrentar as "ordens médicas".
Nico respirou fundo e contou sobre sua conversa com Hades, ocultando algumas partes que ele achou desnecessárias.
– Entendeu? — ele perguntou depois terminar de contar.
– Eu não acredito que você fez isso. — Will disse não com um tom acusador, mas com um tom de admiração.
– Eu fiz. E tenho que ir logo, antes que...
– Tudo bem, já entendi. — Will concordou. — Mas você está muito fraco para sair andando por ai. Vem, eu te levo.
– O que? Espera! Will! — Nico protestou quando o loiro passou os braços por baixo do pescoço e dos joelhos do moreno, erguendo-o em seus braços em seguida. — Will, me poe no chão!
– Pode deixar, eu te levo até seu chalé. — Will riu e andou em direção à saída da enfermaria.
– Will, eu juro que eu vou te matar. Me coloca no chão! — Nico começou a se debater, entrando em pânico com a ideia de outras pessoas verem Will o carregando como se fosse uma donzela indefesa, mas Will apenas riu.
– E qual a solução então? Uma cadeira de rodas?
– Eu consigo andar sozinho.
– Claro que consegue. — Will revirou os olhos. — Vamos ver então, senhor eu-consigo-tudo-sozinho. — Will o colocou no chão lentamente, deixando-o em pé.
– Voltou com os apelidos idiotas?
Assim que Will o soltou, seus joelhos fraquejaram e ele quase caiu de cara no chão, mas Will o segurou antes.
– Eu disse. — Will tentou pega-lo no colo de novo, mas Nico o impediu.
– É, você disse. — Nico se aborreceu. — Então me dê alguma coisa, você é um filho de Apolo, não é? Use algum poder de cura ou algo do tipo. Ou me dê aqueles seus chicletes mágicos.
– Eu usei muitos dos meus poderes de cura, se quer saber. — agora Will parecia aborrecido. — Cheguei a me esgotar tentando fazer você acordar. E se eu te der aquele chiclete agora, quando o efeito passar vai estar ainda mais fraco do que está agora.
– Tem alguma solução então?
– Você fica aqui e descansa e eu vou até seu chalé e...
– Não, eu tenho que ir! — Nico revirou os olhos teimoso.
– Tudo bem! — suspirou Will. — Eu posso conseguir muletas para você, pode ser?
A ideia parecia menos pior do que uma caideira de rodas ou Will carrega-lo, então o menor aceitou. Ele demorou um pouco para conseguir se equilibrar na muletas, mas enfim conseguiu. Foi andando para fora da enfermaria com Will em seu encalço, pronto para agarra-lo caso ele se desequilibrasse.
– Nico! — ele ouviu uma voz conhecida atrás de si e se virou a tempo de ver Jason e Piper abraça-lo com mais força que Will. — Você acordou!
– Oi... Jason. Piper. — ele respondeu com dificuldade por conta do aperto de Jason.
– Você está bem? — Piper perguntou.
– Agora?... Não muito.
– Ahn... gente? — Will disse delicadamente. — Eu acho que vocês estão machucando ele.
– Ah, desculpe. — Jason e Piper o soltaram e Nico conseguiu respirar. — Quando você acordou? — Jason perguntou sorrindo.
– Meia hora atrás. — Will respondeu.
– E por que ele já está em pé?
– Por que ele é teimoso.
– Podem parar de falar de mim como se eu não estivesse aqui? — Nico se irritou e continuou andando em direção ao chalé 13.
– Onde você está indo? — Jason o seguiu.
Nico o explicou onde estava indo e por que.
– Não acredito! — Jason sorriu admirado. — Então...
– Nico! — Jason foi interrompida por outras vozes que vieram de trás de Nico. O moreno se virou e viu Percy e Annabeth correndo até ele.
Eles não vão me abraçar também, vão?– Nico se perguntou antes de ser abraçado novamente. — É, eles vão.
Nico encarou Will aborrecido, como se perguntasse "porque eu?". Percy e Annabeth começaram a enche-lo de perguntas e o menor tentou ser o mais breve possível enquanto andava até seu dormitório.
– Então quer dizer que... — Percy disse como se ainda estivesse processando a informação. — No seu chalé...
– Sim, Percy. — Nico revirou os olhos.
Eles continuaram fazendo algumas perguntas até que Nico finalmente chegou no chalé 13. Teve um pouco de dificuldade para subir a pequena escada que dava para a porta, estava cansado, mas não ia admitir isso.
Nico agradeceu quando Will se adiantou e abriu a porta, já que ele próprio estava concentrando todas as suas energias em ficar em pé. Seus olhos pesavam e sua cabeça latejava, mas ele entrou no chalé.
E foi como Hades disse. Estava li, bem em cima da cama.
***
Já estava escuro, todos estavam jantando no refeitório. Nico sentiu a cabeça girar com todo aquele barulho a sua volta. Will o segurava, Nico não reclamava, já que tinha certeza que ia cair se Will o soltasse. Assim que ele entrou, várias pessoas começaram a encara-lo e sussurrar coisas, Nico não os entendia e não ligava.
Nico localizou Leo na mesa de Hefesto. Mesmo de costas, percebia-se que o garoto ria e conversava com seus irmãos, seus cabelos estavam bagunçados como sempre e sua blusa suja de graxa.
Nico olhou para o lado e encarou Calipso, assim como os outros. A garota tinha os olhos marejados e olhava para Leo com um olhar carregado de saudade e amor. Ela voltou os olhos para Nico, insegura.
– Vai. — o menor sussurrou, apontando para o filho de Hefesto om a cabeça.
Calipso assentiu e, com passos lentos, andou até Leo, o vestido branco com o qual ela havia acordado arrastava no chão. Algumas pessoas pararam para observar a cena.
Calipso parou uns três metros atrás de Leo, que ainda conversava, sem notar nada de diferente.
– Leo? — ela disse delicadamente, ainda mais pessoas começaram a encarar a cena.
O corpo de Leo ficou tenso, congelou no lugar. Lentamente, ele virou a cabeça, e assim que viu Calipso ele se levantou desajeitadamente, derrubando seu prato no chão, que estilhaçou em vários pedaços, o barulho fez a cabeça de Nico latejar mais forte.
De repente, o refeitório ficou em silêncio, todos observavam a cena, mas nem Leo nem Calipso pareceram se importar, na verdade, eles não pareciam notar nada além de um ao outro.
Leo olhava para Calipso como se olhasse para um fantasma. Seus olhos estavam arregalados e sua boca aberta, ele a mexeu, como se tentasse dizer alguma coisa, mas nenhum som foi ouvido. Ele limpou a garganta e tentou de novo.
– Ca-ca-calipso? — sua voz saiu tremula.
A garota deu a uma pequena e fraca risada e lagrimas escorreram por seus olhos.
– Oi Leo.
– Calipso. — ele sussurrou para si mesmo antes de correr até a garota e a abraçar, enterrando sua cabeça na curva de seu pescoço e sendo abraçado com a mesma intensidade por Calipso. Um agarrou ao outro como se fosse a última coisa que os mantivesse vivos.
O refeitório inundou em aplausos e gritos. Leo se afastou um pouquinho, só o suficiente para beijar Calipso como se a vida dependesse disso. Nico sentiu algo se aquecer dentro de si e sorriu, ainda estava se apoiando em Will e sentiu o loiro abraça-lo, beijando o topo de sua cabeça em seguida.
– Isso foi incrível, Nico. — ele sussurrou em no ouvido do moreno, foi um pouco difícil de ouvir por conta dos gritos e aplausos. — Eu te amo.
Leo e Calipso finalmente se separaram quando o ar fez falta. Se abraçaram de novo. Leo estava rindo e tinha lágrimas nos olhos. Jason, Piper, Percy e Annabeth correram para junto deles e os abraçaram, rindo e comemorando.
– Como? — Leo olhou para seus amigos esperando uma resposta. — O que... Como que...
– Nico a trouxe de volta. — Jason apontou para o moreno e todas as cabeças do refeitório se voltaram para ele. Nico amaldiçoou Jason mentalmente por fazer todos olharem para ele quando Will o abraçava por trás. Will pareceu notar o desconforto do menor e o soltou, mas sem deixa-lo cair.
– Nico, cara, eu te amo! — Leo avançou em Nico e o abraçou, erguendo-o alguns centímetros do chão. — Como você fez isso?
– Bom, não foi difícil convencer meu pai. — Nico agradeceu mentalmente que Leo não desse abraços tão fortes quanto os outros. — Nem era pra ela ter morrido em primeiro lugar, ela é imortal.
– Você é o cara mais incrível que existe, depois de mim, é claro. — Leo olhou para Will e soltou Nico. — Não se preocupe cara, não vou roubar ele de você.
– É, eu realmente não estava preocupado com isso. — Will balançou a cabeça.
Leo simplesmente riu e piscou para Nico, que revirou os olhos.
Aquele jantar estava agitado demais para a cabeça dolorida de Nico. Jason convenceu todos — inclusive Nico e Will — a sentarem na mesa 1, alegando que ninguém ia se importar, já que estavam comemorando. Todos na mesa 1 riam e conversavam, menos Nico, que comia quieto no canto da mesa.
Will o advertiu para não comer muito e não comer de uma vez, já que ele tinha vivido de néctar, néctar e vitaminas e proteínas que Will pingava em sua boca, então seu corpo havia desacostumado a ingerir sólidos.
E era verdade, Nico mal começou a comer e já se sentia cheio. Então ele parou e ouviu a conversa na mesa. Eles contavam a Calipso coisas sobre o mundo, coisas bem simples, mas a garota se confundia e se admirava a cada frase. No meio de toda a falação, Nico sentiu a falta de alguém.
– Will, — Nico o cutucou discretamente. — cadê a Laura?
Nico achou ter visto uma pontada de dor nos olhos de Will quando ele mencionou o nome de Laura, mas ele logo foi disfarçado. O loiro limpou a garganta antes de falar.
– Ela... ela está descansando na enfermaria.
– O que? Por que? — Nico franziu a testa preocupado.
– Não se preocupe com isso agora. — Will deu um pequeno sorriso. — Ela está bem. Só está descansando um pouco. Logo vai acordar.
Nico teve a impressão de que Will estava dizendo aquelas palavras não só para acalma-lo, mas para acalmar a si próprio também, mas decidiu não insistir. Não poderia insistir nem se tentasse, pois uma voz feminina atrás de Nico chamou a atenção do loiro.
– Olá.
Nico se virou para ver quem falava e se deparou com uma garota ruiva na ponta da mesa ao seu lado. Nico tinha certeza que nunca havia visto aquela garota no acampamento antes, por que ele sabia que lembraria se alguém sorrisse para seu namorado daquele jeito.
Usa uma roupa do acampamento, mas ela era personalizada, ela havia cortado as mangas e a gola, fazendo um grande decote — grande, grande decote — e um short jeans que era relativamente comum, mas Nico achou bem curto. Ela se inclinou na mesa e abraçou os cotovelos, dando uma bela visão de seus seios para todos na mesa.
– Ah... — Will a encarava sem palavras. — Oi, Kellen.
– Willian, querido, — ela disse com uma voz manhosa que fez Nico erguer as sobrancelhas. — eu já disse, não precisa me chamar de Kellen.
– Ah... foi mal, Kelly.
Kelly?– Nico pensou erguendo as sobrancelhas. — Willian?
– Olá, Jason. — a garota sorriu para Jason do mesmo jeito que tinha sorrido para Will. — Olá, Percy.
– Ahn... oi. — Jason e Percy sorriram sem graça e a encararam, como se não conseguissem desviar o olhar. Nico percebeu que Piper e Annabeth fitavam o próprio prato com raiva.
– Eu existo também. — Leo levantou a mão.
– É, é claro que existe. — a garota disse friamente, então ela voltou os olhos azuis claros para Nico. — E quem é essa?
– Esse.– Will a corrigiu delicadamente. — Esse é Nico.
– Oh, — ela soltou uma falsa exclamação. — eu pensei que era uma garota muito pouco privilegiada na aparência. Quanto tempo faz que você não corta o cabelo?
– Eu estava em coma por dois meses, — Nico respondeu com raiva. — então eu suponho que faça uns dois meses.
– Oh, — dessa vez, sua exclamação parecia verdadeira. — então era você o namorado em coma do Willian? — ela olhou Nico de cima para baixo, analisando-o com um olhar debochado. — É sério isso?
– O que quer dizer? — o moreno fuzilou-a com os olhos.
– Nada não. — ela sorriu de novo. — Só estava pensando em como Willian não sabe escolher do bom e do melhor. — assim que disse isso, ela apertou ainda mais os seios e se retirou, rebolando de mais na opinião de Nico.
– Que merda foi essa? — Nico se virou para o resto da mesa.
– Essa merda é Kellen. — Piper respondeu. — Ela chegou no acampamento uma semana depois de você entrar em coma. Filha Afrodite. — ela disse a ultima frase com desgosto e bufou em seguida.
– Está explicado. — Nico resmungou. Ele se virou para falar com Will, mas percebeu que o loiro olhava para algo atrás de si. Ele seguiu seu olhar e viu Kellen se afastar rebolando. — Will! — ele o repreendeu.
– Ah, o que? — ele se virou para Nico como se tivesse saído de um transe. — O que foi?
– Como assim "o que foi?" ? — Nico bufou e revirou os olhos. — Você sabe o que estava fazendo.
– Eu não estava fazendo nada!
– Eu entendo como se sente, Nico. — disse Annabeth, em seguida olhou para Percy com o canto dos olhos.
– Eu nem olhei pra ela! — Percy se defendeu, corando um pouco.
– É claro que não. — a garota respondeu sarcasticamente.
– Bom, eu olhei. — Leo deu de ombros. — Não que isso importe, ela nem me viu aqui.
– Eu te vi aí. — Calipso sorriu.
– E eu não trocaria isso por nenhuma outra coisa no mundo. — Leo sorriu e pegou a mão de Calipso.
Leo deve ter percebido o clima tenso e retomou a conversa. Nico ficou quieto, Will pareceu notar, mas não disse nada.
Depois do jantar, todos se reuniram em volta da fogueira. Leo e Calipso liderando o vocal. Leo era um tanto desafinado, mas Calipso cantava perfeitamente. Will disse que era melhor Nico descansar e o garoto não discordou.
O loiro o conduziu para seu chalé, quando Nico perguntou por que ele não voltava para a enfermaria, Will apenas respondeu que o chalé era mais perto. Nico estava um pouco zonzo para se lembrar se era mesmo mais perto ou não, então simplesmente deu de ombros, mas ele tinha a impressão que Will não o queria na enfermaria.
Ao chegar em seu chalé, percebeu que estava muito diferente do que era a dois meses atrás. O chalé estava dividido em dois, Nico supos que uma parte era sua, a outra era de Hazel. As camas não pareciam mais caixões, pareciam camas comuns, aliás, camas de casal comuns. Havia posteres das bandas que Nico gostava na sua parte do chalé, um armário bem maior e alguns pufes e sofás pelo chalé.
– Gostou? — Will sorriu. — Só falta luz eléctrica, nós meio que nos esquecemos disso.
– Ficou legal. — Nico admitiu. — Foi você que escolheu a cama de casal?
– Só não deixe Quíron descobrir. — Will sorriu malicioso.
– Espera, por que Hazel também tem uma cama de casal?
Will soltou uma pequena risada.
– Adivinhe.
– As paredes tinham que ser brancas mesmo? — Nico corou e tentou mudar de assunto.
– Hazel que escolheu, fala com ela. — Will foi até seu armário e pegou um pouco do néctar que Nico não sabia que estava lá. — Aliás, você realmente devia falar com ela, mande uma mensagem de Iris amanha. — ele voltou e entregou o néctar ao o moreno, que se sentiu um pouco melhor, mas ainda se sentia fraco.
– É melhor mandar agora.
– Não senhor. Agora você tem que descansar. Ordens médicas.
– Tudo bem, eu fico aqui. Você pode ir e cantar na fogueira junto com os outros. — Nico disse um pouco mais frio do que pretendia.
Will franziu as sobrancelhas e se sentou na cama ao lado de Nico.
– O que foi?
– O que foi o que?
– Você está estranho comigo desde o jantar. O que há de errado?
– Não há nada de errado. — Nico fez uma pausa e depois acrescentou com uma voz fina e exagerada: — Willian.
O loiro bufou e revirou os olhos.
– Ah, pelo amor dos deuses, Nico.
– O que? — o menor o corou com um olhar assassino.
– Você não está com ciumes da Kellen, está?
– Claro que não.
– Ah meus deuses, você está com ciumes da Kellen!
Nico corou e desviou o olhar.
– Não estou.
– Qual é Nico, vai ter ciumes de garotas?
– É, isso realmente seria ridículo se você não gostasse de garotas. — Nico revirou os olhos.
– Touché. Mas qual é, ela é legal depois que você a conhece melhor.
– Passou esses dois meses conhecendo ela melhor? — Nico se arrependeu assim que disse isso.
– O que você está insinuando?
– Não estou insinuando nada!
– Está sim! Eu não fiquei com ela, Nico. — a voz de Will parecia magoada.
– Eu não disse isso.
– Mas era o que estava pensando!
– E como é que eu ia saber? — Nico praticamente gritou, o que o deixou meio tonto pelo movimento repentino, mas ele continuou. — Eu fiquei ausente por dois meses, e pelo que eu sei, essa garota ficou dando em cima de você esse tempo todo!
– E você acha que eu fiquei com ela? — Will levantou as sobrancelhas, incrédulo.
– Então ela deu em cima de você esse tempo todo? — Nico cruzou os braços, estava se sentindo uma mulher paranoica, mas ignorou essa sensação.
– Esse não é o ponto! — Will se levantou com os braços abertos.
– O ponto é que ela deu em cima de você! — Nico levantou também, ignorando a tontura.
– O ponto é que eu não fiquei com ela, nem com ninguém! — Will rebateu, encarando Nico com um olhar nervoso. — Sabe com quem eu fiquei? Eu fiquei com você. Naquela enfermaria, todo santo dia, esperando você acordar e imaginando como eu ia viver se você nunca acordasse!
Nico ficou sem palavras. Era como se tudo tivesse sumido de sua mente, e a unica coisa que ele pensou foi em Will sentado numa cadeira ao seu lado na enfermaria, rezando para que acordasse. Esse pensamento fez seu coração se aquecer.
– Eu...
– Se você acha que eu sequer pensei em alguma outra pessoa esse tempo todo, Nico, você está muito errado. — Will o interrompeu, não que Nico tivesse algo para falar. — Você não tem noção do que esses meses foram pra mim. — ele pareceu frágil de repente. Nico quis andar até ele e abraça-lo, mas quando tentou fazer isso, seus joelhos fraquejaram e ele quase caiu no chão, mas Will o segurou e o colocou sentado na cama de novo.
– Desculpe. — Nico sussurrou. O maior o entregou um pouco mais de néctar, e ele tomou.
– Você está bem?
– Estou. — ele mentiu. Estava se sentindo péssimo.
– Eu sei quando está mentindo.
– Sabe, é?
– Na verdade, não. — ele sorriu. — Você mente bem.
– Mas eu não minto pra você.
– Claro que mente.
– Quando que eu menti pra você?
– Quando você disse: "Não se preocupe, Will. Eu vou fazer o ritual e vou ficar bem!"
– Eu estou bem, não estou?
– Agora está. — ele diminuiu a voz. — Agora. Depois de dois meses. Eu... eu pensei que...
Nico se inclinou e o calou com um beijo.
Mas ele queria mais. Usou a língua para aprofundar o beijo e o puxou para mais perto. Fazia dois meses que não beijava Will daquele jeito, dois meses que não tocava em Will, não ia parar agora.
Ele foi caindo para trás, puxando Will junto e deitando na cama, fazendo Will fiar por cima de si. Will se ajeitou na cama e o beijou com mais força. A mão do loiro encontrou a do moreno e eles entrelaçaram os dedos. Só se separaram quando o ar fez falta.
– Eu senti sua falta. — ele sussurrou no ouvido de Nico, causando arrepios no corpo do menor.
– Eu estou aqui agora.
– Senti muito a sua falta. — ele lambeu o pescoço de Nico, deixando uma trilha de beijos em seguida. — Você não tem ideia.
– Eu fiz aquilo por você. Por que eu te amo. — Nico puxou a cabeça de Will para outro beijo.
– Eu nunca ia me perdoar se você morresse. — Will sussurrou entre os beijos. — Eu senti tanto sua falta.
– Então vamos compensar o tempo perdido. — Nico enfiou as mãos embaixo da camisa de Will, levantando-a até a metade das costas.
Will bufou risonho e revirou os olhos.
– O que aconteceu com o garoto tímido que eu conhecia?
– Gosta mais dele? — provocou Nico.
– Não mesmo. — Will o beijou de novo. — Mas você está muito fraco pra isso.
– Não estou não.
– Você mal para em pé.
– É pra isso que serve a cama, Will.
O loiro deu uma pequena risada.
– Não, não dá. Só quando você melhorar.
Nico aproximou sua boca da orelha de Will e passou a língua ali.
– Então por que você não cuida de mim? — ele sussurrou, arrancando um gemido de Will.
– Nico, — sua voz estava baixa de rouca. — tem certeza?
– Não seja idiota, — ele traçou uma linha de beijos no pescoço de Will. — é claro que eu tenho certeza.
Foi como um sinal verde para Will.
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