With you
19 So light
Notas iniciais
POV Nico
Quando Nico acordou, Will não estava mais lá. O garoto sentiu algo se embrulhar em seu peito quando viu o espaço vazio da cama. Queria que Will estivesse ali. Queria acordar com ele.
Um sorriso bobo se formou em seu rosto quando ele se lembrou da noite passada, não sabia como, mas se sentia diferente, mais... vivo. Ele se levantou, ainda sorrindo, e viu que era hora do café da manhã. Resolveu tomar um banho, ele estava um pouco sujo de... bom, estava sujo.
Depois do banho, ele colocou uma blusa preta e calça jeans, já imaginando que Will iria reclamar por ele não estar usando a blusa laranja do acampamento. Antes de sair, ele colocou os lençóis da cama de Hazel para lavar, eles estavam um pouco manchados de... bom, estavam manchados.
Ele se dirigiu até o refeitório, estava ansioso para ver Will de novo, e nervoso ao mesmo tempo, não tinha ideia se devia dizer alguma coisa sobre o que havia acontecido, ou agir como se nada tivesse acontecido, ou nenhum dos dois.
Ele avistou Will na mesa 13, junto com Laura e seu namorado monossilábico, Nico pegou sua comida e foi até eles, se sentando do lado de Will.
– Oi. — Will o cumprimentou , com um sorriso novo nos lábios.
– Oi. — Nico respondeu e sentiu as bochechas esquentarem, desviou o olhar para seu prato, sorando mais ainda por perceber que estava corando. — Oi Laura, Liam.
– Oi. — Liam respondeu, com sua voz grossa habitual.
Nico esperou Laura tagarelar sobre alguma coisa, mas a garota não disse nada, apenas o encarou e cerrou os olhos, as sobrancelhas se franziram em uma expressão de desconfiada. Ela olhou de Nico para Will várias vezes. Nico franziu a testa e olhou para Will, como se ele fosse explicar o comportamento estranho da irmã, mas o loiro apenas negou com a cabeça, igualmente confuso.
– Vocês transaram. — ela disse lentamente, como se descobrisse a origem do universo.
Nico se engasgou com a comida e tossiu. Seu rosto instantaneamente ficou vermelho e ele bebeu suco para conseguir engolir o café da manhã.
– Não! — ele disse um pouco alto de mais e com a voz mais aguda que o normal. — Não! Nós não...
– É, nós transamos. — Will deu de ombros e voltou a comer.
– Will!
– O que? Ela ia descobrir mesmo.
– Mas... — Nico começou a falar, mas realmente não tinha argumento contra aquilo. — Você... você não...
– Finalmente! — Laura sorriu. — Você tem quantos anos Nico? Oitenta? Oitenta e cinco? Já estava na hora!
Nico bufou e Will deu uma pequena risada, fazendo o moreno corar mais.
– Onde foi? No chalé 13? — Laura sorriu animada. — Eu disse que você podia aproveitar aquela proteção!
– Não percebeu que eu não passei a noite no nosso chalé? — Will perguntou.
– Bom, não teria como eu perceber, — ela olhou para Liam com o canto dos olhos. — também não passei a noite no nosso chalé.
– O que? — Will sorriu. — Onde você estava então? Ou melhor: onde vocês estavam?
– Quando a chuva começou, a gente estava perto da enfermaria, então passamos a noite lá. Mas a nossa noite não foi tão divertida quanto a de vocês.
– Será que a gente pode falar de outra coisa? — Nico perguntou.
– Outra coisa além de vocês dois sozinhos no chalé? — Laura rebateu. — Não.
– Não é proibido? — Liam perguntou. — Dois semideuses sozinhos?
– Tecnicamente, — Will levantou o dedo indicador. — é proibido dois semideuses do sexo oposto ficarem sozinhos dentro do chalé.
– Como eles são sortudos, não é? — disse Laura para Liam. — Nós não temos esse argumento.
– Vocês podiam deixar outra pessoa no banheiro enquanto ficam no chalé. — Will sugeriu. — Se forem pegos, digam que não há nenhuma regra contra três pessoas ficarem sozinhas em um chalé.
– É verdade. — Laura coçou o queixo. — Cara, se eu tivesse me tocado disso antes, imagina quantos treesomes eu...
– É, foi exatamente o que eu pensei. — Will disse balançando a cabeça.
– E onde vocês faziam os treesomes antes? — Liam ergueu uma sobrancelha. Nico concluiu que aquela tinha sido a maior frase que o garoto falara desde que o conheceu.
– Bom, eu...
– Nico! — alguém gritou atrás do moreno, interrompendo Laura. Nico se virou e viu Jason e Piper se aproximando. Agradeceu-os mentalmente por acabar com aquela conversa
– Oi Jason, Piper.
– Só queríamos avisar que você está no nosso time no caça a bandeira. — disse Piper. — Time azul.
– Caça a bandeira?
– Sim. — Jason confirmou. — Já faz mais ou menos um mês que Gaia foi derrotada, o acampamento tem que voltar para suas atividades normais.
– E isso inclui a inspeção de chalés também. — Piper completou.
– Jura? — Laura gemeu. — Droga, agora eu vou ter que arrumar minhas coisas.
– É bom arrumar de vez em quando. — Will sorriu. — E o chalé de Apolo está em que time?
– Também estão no time azul. — Jason respondeu. — Nós vemos lá. — Jason e Piper sorriram e deram meia volta.
– Eu não sei por que vocês ligam tanto pra isso. — Nico resmungou. — É idiota.
– É que você é anti-social. — a garota deu de ombros. — Tudo pra você é idiota.
– Não é não.
– Claro que é. — ela se virou para Liam. — Não é mesmo Li?
– Li? — Nico franziu as sobrancelhas.
– O que foi? Estamos juntos a uma semana, já está na hora de termos apelidos. — ela deu de ombros.
– E qual o seu apelido?
– Laah. — ela respondeu como se fosse obvio. — Qual o seu?
– Não temos apelidos. — Nico revirou os olhos.
– O que? Por que não?
– Por que Nico é um chato. — Will se apressou em responder.
– Por que apelidos são idiotas. — o moreno o corrigiu.
– Só por que você é anti-social. — Laura sorriu satisfeita. — Vocês precisam de apelidos.
– Eu o tinha apelidado de "garoto da morte". — Will disse e Laura fez uma careta.
– Não é a toa que Nico não gostou, é um péssimo apelido, Will.
Nico não conseguiu evitar que uma risada escapasse, o que fez Will o fuzilar com os olhos.
– Não é não. — o loiro se defendeu.
– Claro que é. Não é, Li? — ela se virou para o namorado, que concordou com a cabeça. — Viu? Até ele concorda. Mas não é pior que "violão".
Nico franziu a testa quando Will abafou uma risada com a mão, como se aquela fosse uma piada interna.
– O que? — ele perguntou.
– Uma vez eu estava namorando um filho de Ares, e ele resolveu que o meu apelido seria "violão". Acho que é por que eu sou filha de Apolo e tal.
– É, claro que é por isso. — Will sorriu. — Não é por causa do... — Will fez um movimento com as mãos, como se fizesse o contorno de um violão. — Entende?
– Cala a boa, Will.
...
– Isso continua sendo idiota. — Nico resmungou.
– E você continua sendo anti-social — Laura rebateu.
– Dá pra vocês dois pararem? — disse Will ajeitando a flecha no arco que estava segurando. — Temos que proteger a bandeira.
Eles estavam formando um triangulo em volta da bandeira. Haviam vários semideuses escondidos na floresta em volta deles, segurando arco e flecha, prontos para agir quando alguém tentasse roubar a bandeira.
– Que ideia idiota foi essa de me deixar na defesa? — Laura reclamou. — Eu devia estar no ataque.
– Eu também. — Nico resmungou.
– Vocês deviam é parar de reclamar de tudo. — Will sorriu.
– E você devia segurar o arco direito. — Laura rebateu.
– Eu estou segurando direito.
– Não está não. Já te mostrei mil vezes como que segura o arco do jeito certo.
– Não tem como segurar daquele jeito.
– Todo mundo segura daquele jeito, Will. — a garota revirou os olhos e posicionou o arco em suas mãos de um jeito que fazia muito mais sentido do que o jeito que Will estava segurando. — Aposto que até Nico consegue segurar certo.
– Não obrigado. — disse Nico. — Eu vou ficar com a espada mesmo.
– Aposto que Will também iria segurar a espada errado.
Will revirou os olhos e cedeu, olhou para o jeito que Laura segurava o arco e tentou segurar igual.
– Está feliz agora? — ele perguntou.
– Não, continua errado.
– Eu desisto. Você devia...
– Eu prefiro enfrentar espíritos vingativos do que continuar ouvindo vocês dois! — Nico explodiu.
– Olha aqui querido, — Laura apontou uma flecha pra ele. — se isso acontecer mesmo e eu morrer, você vai se sentir culpado pro resto da vida.
– Culpado, — Nico assentiu. — porém em silencio pelo resto da minha vida.
Antes que Laura pudesse responder, uma rajada de vento muito forte bateu contra eles e os fez voar cinco metros para o lado. Nico rolou umas um metro depois de atingir o chão, todo o ar fugiu de seus pulmões e ele abriu a boa tentando respirar.
Virou a cabeça a tempo de ver dois garotos e uma garota fugindo com a bandeira, algumas flechas saíram do meio das arvores e arbustos, mas nenhuma os acertou, o vento também devia te-los atingido. Com certa dificuldade, ele se sentou, sentindo o corpo doer por causa do impacto.
– DROGA! — ele ouviu Laura gritar. — Detesto os filhos de Éolo.
– Você está bem? — Will perguntou passando a mãos na cabeça e no ombro de Nico, tirando a terra que tinha ali.
– Ele está ótimo. — Laura revirou os olhos e se levantou. — Eu também, obrigada por perguntar, Will. Temos que pegar a bandeira!
– Isso ainda é idiota. — Nico resmungou e tentou se levantar, mas sentiu uma dor se espalhar por sua perna e caiu de novo.
– O que foi agora? — Laura franziu as sobrancelhas.
Will se abaixou e examinou a perna de Nico.
– Ele torceu o pé.
– Jura? Agora?– Laura o olhou e cruzou os braços, como se aquilo fosse culpa de Nico. — Então ele fica aí e nós vamos. — ela se virou para a floresta onde os outro semideuses estavam. — ANDA! VAMOS!
Várias pessoas saíram de seus esconderijos e seguiram Laura, que corria na direção que os filhos de Éolo tinham ido. Will não se mexeu, continuou examinando o tornozelo de Nico.
– Você não vai? — Nico perguntou.
– Não vai fazer muita diferença se eu for. — Will deu de ombros. — Acho que eu consigo curar seu tornozelo. Fica parado que eu vou...
Will foi interrompido quando um grito agudo rasgou o ar, fazendo os dois cobrirem as orelhas com as mãos.
– O que... — Will não teve a chance de terminar a frase. Ele se curvou para frente e arregalou os olhos, as mãos voaram para a garganta e ele abriu a boca, como se algo o impedisse de respirar.
– Will! — Nico se arrastou até ele e ouviu ainda mais gritos. Era o ataque. Nico tinha que fazer o ritual o mais rápido possível. O livro estava em seu chalé, não tinha tempo de correr até lá, também não iria conseguir com o tornozelo machucado. Ele precisava se arrastar até a sombra mais próxima. Ele olhou em volta e decidiu usar a sombra de uma árvore que estava atrás dele, mas antes tinha que ajudar Will.
Ele se concentrou e localizou o espírito que estava atacando Will. Forçou-o a ir embora, assim omo tinha feito com vários outros antes. Quando finalmente conseguiu, Will puxou todo o ar que conseguiu, respirando pesadamente.
– Nico... — ele disse entre a respiração forçada.
– Eu já volto, Will. — ele gritou enquanto se arrastava para trás. — Vai dar tudo certo.
Assim que ele atingiu a sombra, uma flecha passou voando à centímetros de sua cabeça e se enterrou no tronco da arvore. Com os olhos arregalados Nico viu que a flecha tinha vindo de trás de uma moita, de lá saiu uma garota loira segurando um arco e uma das mãos. Nico prendeu a respiração quando viu seus olhos, estavam brilhantes, florescentes.
Era Laura.
Ela levou a mão até a aljava e a posicionou no arco com movimentos robóticos. Em seguida, a apontou para Nico. O moreno se transportou pelas sombras até seu chalé três segundou antes que a flecha se enterrasse em um ponto na árvore, um ponto que antes estava o pescoço de Nico.
Se arrependeu assim que entrou em seu chalé, tinha deixado Will sozinho com a irmã possuída por um espírito vingativo que quer matar os filhos de Apolo. E ela estava om uma arma letal. Tinha que voltar logo.
Ele se levantou e mancou até o armário onde o livro estava guardado. Suas mãos tremiam, sabia que tinha uma grande chance de morrer se continuasse com aquilo, mas ele precisava. Por Will, por Laura, por todos os filho de Apolo.
Se transportou de novo para onde Will estava. Agora haviam muito mais gritos e as pessoas corriam por todos o lados. Nico viu Laura lutando com um semideus que ele não conhecia, seu rosto estava inexpressível assim como os olhos florescentes.
Ele podia sentir cada espírito do acampamento, estavam atacando, estavam furiosos. Nico viu um outro garoto loiro se debatendo no chão e outros semideuses em volta tentando ajuda-lo. Viu também Jason e um outro garoto carregando Will para outro lugar, talvez para a enfermaria, já que o loiro tinha uma flecha cravada na barriga e a camisa estava ensopada de sangue.
– Will! — Nico gritou quase que involuntariamente, mas então percebeu que era idiotice. O único jeito de ajudar Will era fazendo o ritual.
Nico abriu o livro e folheou as páginas até chegar aonde queria. Respirou profundamente e começou a entoar as palavras, ele não conhecia aquela língua, mas tinha praticado antes.
De repente, ele sentiu uma pontada em seu peito. Ele olhou em volta, mas não havia nenhum espírito ali, nem nada que justificasse aquela dor repentina. Ele continuou dizendo as palavras, a dor no peito continuou aumentando, até que chegou a um ponto que ele grunhia as palavras, a dor fazendo-o se curvar.
Quando ele finalmente disse a última palavra, o chão tremeu, os gritos ficaram tão altos que Nico teve que cobrir os ouvidos com as mãos. A dor era tanta que o impedia de respirar. Sua visão ficou turva e embaçada, vários pontos pretos e vermelhos se formaram à sua frente, até que ele caiu, fraco demais para se mexer, e tudo ficou escuro.
Tão escuro. Tão calmo. Tão leve.
Ele não sentia mais dor.
Tão leve.
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