With you

23 Nobody said it was easy


Notas iniciais
GEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENTE, VOLTEI O/ ~desvia das pedras e lanças~ meu deus, me descupem pela demora, eu sei que faz tempo que eu não posto, mas eu tenho uma boa desculpa pra isso: eu estava com dengue ;-; e eu nn podia pegar dengue normal e ficar uma semana doente, naaaaaaaaaaao, eu peguei uma dengue rara que dura uns 20 dias o/ uhuuuuuuuu ¬¬' ainda to doente, desculpem por alguns comentários q eu não respondi, vou responder assim q posta esse capitulo, e eu também tenho um monte de lição, pq eu q tenho q me virar agr pra pode acompanha a matéria da escola T-T enfim, ta uma merda, mas eu to aqui e escrevi esse capitulo, me desculpa se nn ficou bom, ou mto fraco, sei la, ainda to doente, meus olhos tão doendo pra carai, então é meio dificil ficar olhando pro pc heuehuehueheuheuheue (meu sofrimento nunca acaba (nem a minha habilidade de fazer drama)) e tem um bonus: quando eu tava no hospital, eu fui tomar banho, e adivinha? isso ai, eu escorreguei e querei o pé .-. put* merd* viu hhsuahsuahsuahsuahsuahs ;-; ah, gente, muita gente ficou preocupada com a Laura (muahahahahahahaaaa), mas nn se preocupem nn tá? ela nn morreu, sério :3

POV Nico

– Uau, — Laura o analisou de cima a baixo. — você está ainda mais magro do que quando eu te conheci. Não achei que isso fosse possível.

Nico franziu as sobrancelhas. Aquilo era bizarro demais. Ali estava o espirito de Laura, falando com ele normalmente, como se nada estivesse errado. Bom, conhecendo Laura, aquilo realmente não deveria surpreende-lo tanto assim.

– Laura... — ele tentou dizer, mas sua voz falhou. Não sabia o que dizer, de qualquer forma.

– Foi lindo o que você fez, trazer Calipso de volta. Mas ainda está fraco, devia estar descansando. O que está fazendo de pé?

– Você... — ele tentou de novo.

– Eu sei que eu te chamei aqui. — a garota revirou os olhos e bufou. — Mas por que está em pé agora, se apoiando em uma cadeira, se você pode se sentar nessa cadeira?

Nico olhou para a cadeira em que estava se apoiando e balançou a cabeça. Aquilo era demais, ele simplesmente se sentou e respirou fundo, tentando sair do estado de choque e organizar seus pensamentos em frases.

– Você...

– Você transou? — ela o interrompeu, franzindo as sobrancelhas e cruzando os braços em seguida.

– O que? — a voz de Nico subiu algumas oitavas. — Não!

– Transou sim! — a garota sorriu. — Você teve dificuldades pra sentar!

– O que?! Eu não...

– Claro que teve! Então você... — ela parou por um instante. — Espera ai, na primeira vez que vocês transaram você não estava sentando esquisito, quer dizer que... eu não acredito que você foi o ativo na primeira vez de vocês! — ela bufou e revirou os olhos. — Eu vou bater no Will!

– Laura! — Nico se exaltou. — Para com isso! Eu... você... o que... — ele respirou fundo. — O que aconteceu?

Ela abaixou os olhos e deu um pequeno e triste sorriso.

– Will não te contou? — ela perguntou com uma voz mais doce. — Claro que não.

– Contou o que? — Nico temeu a resposta. — Você está...

– Morta? — ela deu de ombros. — Tecnicamente, não. Mas não se se estou viva também.

– O que quer dizer?

Ela suspirou e olhou para seu corpo imóvel na cama. Nico agora percebia o movimento singelo que o corpo da garota fazia quando respirava lentamente, algo que seu espirito não fazia. Também notou que o cabelo do espirito de Laura estava mais curto que o de seu corpo, como se seu espirito tivesse congelado naquela forma.

– Mais ou meno como o que aconteceu com você. — ela respondeu. — É como um coma. Mas o meu espírito esta aqui. O seu... bom, pelo que entendi o seu estava no mundo inferior tendo uma conversa de pai pra filho.

– Estava... — ele se interrompeu, ia perguntar se ela estava ouvindo quando ele conversou com Will quando acordou. Claro que estava. — O que aconteceu.. no dia do ritual?

– Boa pergunta. — ela sorri. — Eu só sei que de repente tudo virou um caos completo. Eu estava correndo atrás dos filhos de Éolo e do nada eu parei, tentei correr de novo, mas eu não controlava meu corpo. Eu simplesmente saquei meu arco e atirei nos filhos de Éolo. Mas eu não atirei para para-los, eu... — ela fez uma pausa. — Eu atirei para matar. Se eles não controlassem os ventos e tal, estariam mortos. Aí eu comecei a atirar em meus irmãos, e meus irmãos começaram a atirar uns nos outros, foi assustador.

– Espíritos vingativos. — Nico sussurrou.

– Sua capacidade de dedução é impressionante. — Laura revirou os olhos. — Enfim, eu comecei a correr de volta para onde você estava, o espírito que estava me controlando disse que tinha que matar você, antes que arruinasse tudo.

– Eu vi você. — Nico se lembrou de ter visto a garota antes de viajar pelas sombras para pegar o livro que continha o ritual. Ela tinha atirado duas flechas em Nico, errando por pouco.

– Sim. — ela confirmou. — Depois que você viajou na sombras, eu apontei a flecha para Will. Eu tentei parar, tentei mesmo, mas eu não tinha o minimo controle. Antes de eu atirar, Will disse: "não é sua culpa".

– O que não é sua culpa?

– Eu acho que ele viu que eu estava possuída, e... — ela fez uma pausa. — Acho que ele disse isso, para que eu não me sentisse culpada, caso... caso eu o matasse.

Um silêncio incomodo seguiu pelos segundos seguintes.

– Mas eu não o matei. — ela continuou. — Atirei em sua barriga, mas Jason e um outro cara apareceram e o levaram para a enfermaria. Eu comecei a atirar em outras pessoas, e... — sua voz morreu e ela desviou o olhar do de Nico.

– Laura?

– Eu... — ela cruzou os braços, parecendo perturbada e incomodada. — Eu... acertei a garganta de uma das minhas irmãs.

– O que? — Nico arregalou os olhos e quase se levantou, mas sentiu sua cabeça girar quando tentou isso.

Laura abaixou a cabeça, Nico teve a impressão de que se ela não fosse um espírito, estaria chorando.

– Pessoas morreram naquele dia, Nico. — ela o encarou com um olhar profundo e cheio de dor. — Eu estaria morta também, mas Will está fazendo tudo para me deixar nesse estado vegetativo.

Nico olhou para o corpo no colchão, lentamente, ele esticou a mão e o tocou. No instante em que sua mão entrou em contato com a pele fria de Laura, ele se encolheu. Sentiu como se um choque tivesse atravessado seu corpo, nunca havia sentido algo assim.

– O que foi? — ela perguntou.

– Nada. — Nico mentiu. Não queria dizer a menina o quão grave aquilo era.

– Mentira. — ela suspirou e se aproximou de Nico, olhando-o bem fundo nos olhos. — Está mentindo. E é por isso, que preciso que faça algo por mim.

O garoto ergueu as sobrancelhas, espantado.

– O que?

Laura respirou fundo antes de responder, como se precisasse de toda sua força para sustentar o peso daquelas palavras.

– Eu preciso que faça algo por mim. — ela fez uma pausa. — Preciso que você convença Will a me deixar.

– Te deixar?

– Sim. — ela assentiu. — Preciso que o convença a me deixar morrer.

Nico travou. Continuou encarando a garota, na esperança que ela desse algum sinal de que estava brincando. Ela não deu. Continuou olhando seriamente para o garoto.

– O... — sua voz falhou, ele limpou a garganta e continuou. — O que?

– Preciso que convença Will a me deixar morrer. — ela repetiu lentamente para Nico.

– Não posso fazer isso. — ele sussurrou com certo horror.

– Por que não?

– Por que você não vai morrer. Nós vamos dar um jeito.

Laura deu uma risada triste e olhou para baixo. Ela se sentou na cama, na frente de Nico, que sentiu um certo incomodo com essa proximidade, apoiou os cotovelos nos joelhos e fitou Nico.

– Sabe o que eu sou? — ela perguntou.

– Um espirito?

– Não um espirito qualquer. Um espirito de alguém à beira da morte.

– Mas... mas não significa que você está morta. — Nico sentiu um aperto no peito e sua cabeça latejar, não estava gostando do rumo daquela conversa.

– Dizem que filhos de Apolo podem sentir quando uma pessoa não tem mais salvação, quando não vale a pena gastar recursos tentando curar alguém. Will não vai admitir, mas eu consigo ver no rosto dele, cada vez que ele entra aqui. — ela fitou um ponto qualquer atrás de Nico, com um olhar triste e solitário. — Então Nico, eu te pergunto: filhos de Hades podem sentir quando alguém não pode escapar da morte?

Nico sentiu um nó em sua garganta. Não sabia como responder àquilo, não podia responder àquilo.

– Nico?

– Eu... eu não...

– Está mentindo.

O garoto suspirou e seus olhos arderam. Ele fitou a garota à sua frente, era Laura, não podia simplesmente deixa-la morrer.

– Por que você quer morrer? — ele finamente perguntou o que mais lhe perturbava. Não era o fato de Laura saber que ia morrer, era o fato de ela estar pedindo por isso.

– Não quero. — ela respondeu.

– Então por que...

– Por que não vale a pena viver assim! — sua voz aumentou gradativamente, mas ela respirou fundo. — Você tem ideia do que é isso? Ninguém fala comigo. Ninguém me vê. Eu tenho que ficar vendo meus amigos e as pessoas que eu me importo vindo me visitar e dizer coisas como "aguente firme", ou "não desista". Tem ideia do quanto me sinto patética?

– E vai abandonar essas pessoas? — a voz do filho de Hades era amarga.

– Eu tenho escolha? — ela desviou o olhar, Nico teve certeza de que ela estaria chorando se não fosse um espírito. — Não é só isso. Eu estou com tanta fome, mas eu não posso comer. Tanta sede, mas não posso beber. A unica coisa que eu tomo é água e néctar, e eu não achei que isso era possível, mas estou começando a odiar esse gosto dos deuses. Estou com frio, não importa com quantos cobertores eu esteja. E tem essa. essa sensação, como se eu estivesse no lugar errado, como se eu fosse errada. Isso dói.

– Está sentindo dor? — a voz de Nico saiu um pouco mais embargada do que ele pretendia.

– Estou sempre com dor. — ela deu de ombros. — Quando sua irmã veio te visitar, — ela continuou. — eu vi o jeito que ela olhou para você e como ela olhou pra mim. Foi como se ela também sentisse. Ela estava preocupada com você, mas olhava para nós com uma tristeza e perturbação que...

– Nós? — Nico a interrompeu.

Ela olhou para trás e Nico percebeu que havia mais quatro pessoas loiras nas camas daquela enfermaria. Todas pálidas e sem vida. Nico podia sentir o espírito de todas elas.

– Eu não fui a unica possuída durante o ataque. — Laura explicou. — Depois da guerra contra Gaia, sobraram onze pessoas no nosso chalé. Três foram mortos aquele dia, quatro foram possuídos, e os outros quatro foram feridos.

– E você quer que eu deixe você e metade do seu chalé morrer? — Nico disse em tom de acusação.

– Nós já estamos mortos, Nico. — ela forçou um sorriso. — Somos como aquelas pessoas que só respiram por maquinas, só que ao invés de máquinas, é néctar que nos faz respirar.

– Sério? — Nico perguntou triste. — É só por isso que está viva?

– Não estou viva. — o coração de Nico se apertou. — E eu tenho certeza, que se parassem de pingar néctar em nossas bocas, morreríamos em menos de uma semana. — Laura olhou para trás. — Eu conversei com eles, todos concordam comigo.

– Eles?

Atrás de Laura, três espíritos se materializaram no ar, Nico engoliu em seco quando viu todos aqueles rostos tristes, concordando com Laura. Aceitando a própria morte.

– Will, Natalie, Anna e Clare, — Laura disse contando nos dedos. — São os filhos de Apolo que sobreviveram, são os que devem seguir em frente.

– Não. — Nico teimou. — Vocês não estão mortos. Nós podemos... — sua voz morreu, ele não sabia o que dizer.

A garota levantou-se da cama e se aproximou de Nico, ajoelhou-se a sua frente e pegou sua mão. O toque frio e fantasmagórico fez Nico arrepiar-se e lágrimas se juntaram em seus olhos.

– Então me diga, Nico. — a voz de Laura era doce. — Seja sincero comigo, e me diga se há algum jeito de me salvar, e a meus irmãos.

Nico tentou ao máximo fazer com que as lágrimas não escorressem, mas não conseguiu. As lágrimas desceram de sua bochecha e pingaram de seu queixo. Ele sabia a resposta.

– Não. — ele sussurrou. Laura abaixou a cabeça e assentiu, seu olhar era de pura tristeza. Ela soltou a mão de Nico, que sentiu um alívio percorrer seu corpo. O garoto respirou fundo antes de levar a mão ao rosto para secar os olhos.

Uns minutos de silêncio se seguiu depois daquilo. Nico não sabia se devia dizer alguma coisa. O que se diz para a pessoa que pede para que a deixe morrer depois de aceitar? Nico respirou fundo e massageou as têmporas, sua cabeça latejava, não podia acreditar no que estava acontecendo.

– Sabe, — Laura quebrou o silêncio. — semideuses não vivem muito. — ela fez uma pausa. — Will e eu sempre dizíamos que iriamos ser um desses raros semideuses que morrem de velhice. Morrem felizes de velhice. Nós até tínhamos um plano. — ela deu uma risada triste e desviou seu olhar para a parede. — Will sempre quis fazer medicina. Ele te contou isso?

Nico balançou a cabeça, negativamente.

– Bom, acho melhor vocês conversarem sobre isso, já que ele tem dezoito anos agora.

– O que? — Nico franziu as sobrancelhas.

– Hoje é dia 5 de outubro, o aniversário de Will é 24 de setembro.

– Então ele tem dezoito agora? — Nico não sabia por que, mas se sentiu muito estranho com isso. Sentiu uma pontada quando percebeu que havia perdido o aniversário de Will.

– Sim, — ela sorriu. — acho que isso faz dele um pedófilo por estar com você, mas considerando que você tem quase 90 anos...

– Eu não...

– Oitenta e cinco, — ela revirou os olhos. — que seja. Enfim, ele tem dezoito agora, já pode entrar na faculdade.

– Faculdade? — Nico levantou uma sobrancelha.

– U-hum. — ela assentiu. — Antes de descobrirmos sobre o acampamento Júpiter, Will vivia falando sobre isso. Eu vivia dizendo que ia com ele, ai ele fazia minhas lições e eu matava os monstros que tentassem nos matar. — ela riu e abaixou a cabeça. — Isso é tão idiota, como se eu fosse passar em uma faculdade de medicina. Eu sempre quis ser musicista.

O moreno não pode evitar de rir junto com a loira, o que, de algum jeito, só trouxe mais lágrimas aos seus olhos.

– Mas agora há o acampamento Júpiter, — ela continuou. — é seguro, ele não precisa mais de mim.

– É claro que ele precisa de você. — Nico praticamente sussurrou, sentindo outra pontada no peito.

Laura sorriu triste e apoiou os cotovelos no joelho, olhando seriamente para Nico.

– Nico, — ela disse. — só vou te pedir uma coisa: — ela respirou fundo, como se fosse dizer algo realmente sério. — Não fique mais alto que Will, você vai estragar tudo.

Nico riu e as lágrimas escorreram de seus olhos.

– Nico? — a voz de Will o chamou fora da enfermaria. O moreno arregalou os olhos e olhou para Laura, mas ela desapareceu, assim como seus irmãos. — Nico? — Will voltou a perguntar.

Os passos de Will foram ficando mais perto, Nico limpou os olhos e bochechas quando Will entrava na enfermaria.

– Nico, achei você, — ele disse, sua voz parecia meio tensa. Nico, em momento algum, virara para ele, estava sentado de costas para a porta, obrigando-se a se acalmar antes de falar com Will. — Acordei e você não estava na cama. Sai do chalé e vi a que a luz daqui estava acesa.

Will se aproximou de Nico e colocou a mão em seu ombro.

– O que está fazendo aqui? — ele se abaixou e fitou Nico om um olhar preocupado e tenso.

– Will, — Nico se virou para o loiro com um olhar sério. — precisamos conversar.

***

Nico não sabia quantas horas ele ficou conversando com Will. Ele só sabia que nesse tempo, Will havia gritado, xingado e até chorado enquanto Nico tentava convence-lo de que ele precisava deixa-la ir.

Will estava sentado em uma cadeira ao lado da cama de Laura. Nico não havia visto o espírito da garota desde que Will entrara na enfermaria. O loiro tinha as mãos no rosto e Nico sabia que ele tentava não chorar, mesmo que algumas lágrimas escapassem.

Doía. Doía em Nico ver o namorado assim. Doía ele ter que convence-lo a fazer aquilo. Doía ainda mais saber que estava ganhando aquela discussão.

– Will? — Nico disse, quebrando o silêncio de quase cinco minutos. Ele se aproximou e se sentou na cama, de frente para Will, e gentilmente retirou as mãos do loiro de seu rosto. — Diz alguma coisa.

– Ela está aqui? — sua voz estava rouca.

– Eu não vejo ela.

– Ela acha que eu não posso ajudar? — havia raiva em sua voz. — Ela acha...

– Ela sabe. — Nico o interrompeu. — Você também. Não é justo mante-los sofrendo num estado vegetativo assim, Will. — Nico se sentiu mal pelas palavras duras, mas era a verdade.

– Eu... — sua voz saiu tremula e embargada, ele limpou a garganta e tentou de novo, a voz saiu um pouco mais firme. — Eu simplesmente a deixo morrer? Ela e meus irmãos? Fácil assim?

– Ninguém disse que isso era fácil.

O loiro abaixou a cabeça e encarou o chão.

– Eu não posso. — ele sussurrou. — E se... e se houver um jeito...?

Nico pegou a mão de Will e a levou até o braço da irmã, Will estremeceu assim que encostou na pele fria da garota.

– Ela estava possuída quando eu fiz o ritual, — Nico disse, encarando o topo da cabeça de Will, já que ela ainda estava abaixada. — O espírito vingativo dentro dela e dos seus irmãos foram sugados e arrancados desse mundo e levados para o mundo inferior, de algum jeito, eles os levaram junto. — Nico fez uma pausa. — Não há como salva-los, Will. Não de um jeito bom, pelo menos.

E Will desmoronou. Ele se quebrou em lágrimas. Seus ombros tremiam violentamente, as lágrimas escorriam por seu pescoço e manchava sua camisa. Nico sentiu lágrimas nos olhos ao ver aquela cena, ele esticou o corpo e o abraçou, sentindo suas lágrimas molharem sua blusa.

Ninguém disse que isso era fácil.

***

Não há uma média de dias que uma pessoa pode sobreviver sem comida e água. Isso depende muito da saúde de cada um, da massa corporal, onde ela está.

Laura demorou três dias.

Nico simplesmente sentiu. Ele estava em seu chalé, dormindo abraçado com Will, que não estava conseguindo dormir em seu chalé ao lado da cama dos irmãos que ele estava deixando morrer. Nico sentiu. Acordou com um pulo, sentindo uma dor em seu peito, e na hora ele entendeu. Entendeu o que havia acontecido.

– Nico? — Will resmungou, sua voz estava carregada de sono. — Algo errado?

– Não. — ele mentiu com a voz tremula. — Está tudo bem, Will. Volta a dormir.

Will puxou Nico de volta para a cama e o abraçou, apoiando a cabeça em seu peito e dormindo novamente, enquanto Nico acariciava seus cabelos loiros, sentindo as lágrimas escorrerem pelas laterais do rosto.

***

O ultimo deles morreu no sexto dia. Um garoto chamado Rick. Os gritos de sua namorada perturbaram Nico profundamente.

Foi um dia depois das mortalhas ficarem prontas.

Todas elas estavam prontas, Nico podia começar os ritos funerários.

No primeiro dia, foram feitos os do chalé 4, chalé 5 e o chalé 6. Foi o dia todo de pessoas chorando, fazendo discursos sobre os falecidos, e Nico lendo e relendo rituais funerários.

Depois de tudo, eles cantaram musicas tristes em volta da fogueira. Will não disse uma palavra sequer, Nico sabia o por que. No dia seguinte, logo depois do almoço, seriam os ritos funerários do chalé 7.

E Nico não estava pronto para aquilo.

Will não dormiu aquela noite, Nico também não, ele ficou acordado ao lado de Will. Acordado por Will. Eles não conversaram, apenas se abraçaram. De vez em quando, Nico desenhava círculos e linhas tortas no peito do loiro, que acariciava sua cabeça.

Will não se manifestou durante todo o ritual, só ficou parado, sentado em uma das primeiras fileiras, encarando o chão em silêncio. Alguns dos outros semideuses também faziam isso, outros choravam, Nico se concentrava em fazer os rituais.

Não sabia por que, mas deixou Laura por ultimo nos rituais do chalé 7. Seu peito doía enquanto recitava as palavras e encarava a mortalha amarela e laranja que fora feita para a garota.

E quando chegou o momento de as pessoas se despedirem e apresentarem suas condolências e discursos, muitas pessoas falaram. Laura tinha um jeito especial e irritante de atingir todos que ela encontrava. Seus irmãos, amigos, e até aquela filha de Hermes com a cicatriz na perna disseram alguma coisa, Nico ficou extremamente surpreso quando Liam disse uma frase com mais de vinte palavras, mas não se surpreendeu quando percebeu que era só isso o que tinha para dizer.

Mas Will não se mexeu, não disse nada, não ergueu a cabeça.

Quando ele terminou e passou para o chalé 9, Will se levantou e saiu, sem dizer nada. Nico sentiu uma vontade imensa de seguir Will e ver se ele estava bem, mas forçou-se a ficar ai e terminar os rituais. Naquele dia, ele fez os do chalé 7, chalé 9, chalé 10 e chalé 11.

E naquela noite, enquanto todos cantavam em volta da fogueira, Nico viajou pelas sombras até o chalé 7. Estava escuro, Nico demorou um pouco para perceber a silhueta de Will deitada em uma das beliches, com o rosto virado para a parede.

Nico caminhou lentamente até a cama e se sentou. Will não pareceu nota-lo, ou se importar com sua presença ali. Nico ficou alisando seu braço em silêncio por um tempo, até Will rompe-lo:

– O que está fazendo aqui? — sua voz estava rouca e baixa.

– Fazendo uma visita. — o moreno respondeu casualmente.

– Não precisa estar aqui.

– Eu sei. Eu quero estar aqui. — Nico se deitou e abraçou as costas de seu namorado.

– Nico? — ele disse depois de uns minutos.

– O que?

– Posso te perguntar uma coisa?

– Desde quando você pede permissão? — ele brincou.

– Desde que a pergunta é pessoal.

Nico observou os ombros de Will por uns segundos, antes de murmurar um "é claro" baixo.

Will se virou de frente para Nico e seu olhar triste se fixou no de Nico.

– O que... o que aconteceu com a sua irmã?

Nico travou. Não estava preparado para aquela pergunta.

– Por que quer saber? — ele rebateu, um pouco mais rude do que pretendia.

Will desviou o olhar e não disse nada, ele parecia tão frágil, Nico se sentiu culpado, então não deixou que eles voltassem para o silêncio.

– Eu pensei que todos sabiam. — ele respondeu depois de um tempo.

– O sistemas de fofocas desse acampamento não é tão bom assim, há várias versões do que aconteceu. Eu quero saber a sua. — Will levou a mão ao rosto de Nico e colocou seu cabelo atrás da orelha.

– Ela se tornou uma das Caçadoras de Ártemis. — Nico sentiu uma pontada em se peito. — Ela saiu em uma missão, e nunca voltou.

– Caçadora de Ártemis. — Will repetiu. — Por que?

– Eu não sei por que.

– Não?

Nico suspirou. Não queria falar sobre aquilo.

– Parte de mim diz que é por que ela queria se livrar de mim. A outra parte não quer saber, não quer pensar sobre isso. — houve uma pausa. — Por que está me perguntando isso?

Will olhou para baixo, como se decidisse se respondia o não.

– Para onde ela foi?

– O que?

– Depois que ela morreu. Ela foi para o Elísio?

– Claro que foi. Onde você quer chegar, Will?

Ele respirou fundo. Era difícil saber o que ele estava pensando, principalmente por que estava escuro, e Nico não podia ver seus olhos.

– Os espíritos vingativos, eles foram para os campos de punição, não é? — ele perguntou e o menor assentiu. — E... você disse que quando fez o ritual, os que estavam possuindo meus irmãos levaram eles junto com eles...

Nico arregalou os olhos.

– Está me perguntando se eles foram para os campos de punição junto com os espíritos?

– Eu... — sua voz falhou. — Eu acho que sim.

Nico se sentou, trazendo Will junto com ele e segurou seu rosto, forçando-o a encara-lo.

– Will, — ele disse. — eles estão no Elísio, entendeu?

– Por que? — sua voz saiu fraca. — Eles não morreram como heróis.

– Eu sinto. — Nico mentiu, na verdade, ele não sabia. — Eu sinto, está bem? Eles estão no Elísio.

Lágrimas escorreram pelos olhos do loiro e ele sorriu levemente, enquanto Nico as limpava carinhosamente.

Naquele momento que Nico percebeu que, talvez, eles poderiam agora ter um pouco de paz. Acabou, muitas coisas ruins aconteceram, mas acabou, finamente.

Podiam ser felizes agora?

Notas finais
e agr ela morreu ;* caralho, vcs nn tem ideia do quanto eu chorei escrevendo isso, eu cortei um monte de parte, se nn ia ficar muito depressivo. E de novo: desculpa se ficou uma merda, nn sei se ficou do jeito q eu queria ( nn msm, a versão original era muito mais depressiva), mas ta ai :3 comentem, favoritem, recomendem, bla bla bla, pq isso me deixa mto feliz, e até o proximo capitulo ( q aproposito, é o ultimo T-T ) Bjoss!