With Me

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Yey!!! Capítulo do Baile, finalmente!!! E com um flashback brinde pra vocês, como forma de redenção por ter enrolado tanto pra chegar até aqui...
Mas, assim, não me matem, ou fiquem chateados (as) pelo que vou fazer, ok? Por favorzinho...
Enjoy, na medida do possível...

CPOV

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Mystic Falls, 20 de outubro de 1858.

Mansão Lockwood, Baile Anual de Máscaras.


O ar fresco que soprava das árvores em direção à varanda era tranquilizante e me ajudava à clarear minha mente, tanto quanto possível.

Eu me preparava para voltar ao salão de baile dos Lockwood quando senti duas mãos tampando minha visão, pressionando minha máscara muito levemente. Ri, suavemente, quando suas mãos deixaram meu rosto e seus braços passaram por minha cintura, me virando de modo que nossos peitos estivessem praticamente colados, mas me afastei rapidamente, olhando em volta para ter certeza de que ninguém nos havia visto.

- Entediado? – deduzi, me virando de volta para as arvores, dessa vez com Damon ao meu lado.

- Como sempre. Você sabe que eu odeio essas coisas... – disse ele simplesmente, sua voz fria, mas seus olhos vivos para os meus, mais brilhantes do que eu via em semanas. – Eu estava pensando se... Gostar-se-ia de dar um passeio pelo bosque comigo... –disse hesitante.

- Bom... Não vejo por que não – concordei, sorrindo para ele enquanto tomava a frente e descia as escadas de madeira, andando ao seu lado pelo jardim, e depois por entre as árvores, ambos penas observando a lua e as estrelas, altas no céu.

Havia uma tensão entre nós que havia se tornado estranhamente habitual nos últimos um mês e meio, e eu estaquei onde estava, surpresa e confusa, quando Damon parou de andar de repente, vindo se postar bem a minha frente.

- Tudo bem, eu tenho ensaiado essas palavras na frente do espelho a semana toda então... – disse ele, remexendo as mãos nervosamente.

- Damon, o que foi? Você não parece feliz. Não só agora, o tempo todo ultimamente! Você vai se casar, devia estar radiante! – falei, abaixando meu olhar. Ele não precisava saber o quanto seu casamento com minha irmã me magoava. Se isso o faria feliz, então meus sentimentos não importavam.

- Tem razão, eu vou me casar... E este é exatamente o motivo pelo qual eu não estou feliz. Eu... Eu não quero me casar com Elizabeth. Nunca quis – disse ele, me fazendo levantar a cabeça para encará-lo com curiosidade.

- Eu não entendo... Pensei que estivessem apaixonados. Você faz visitas à nossa casa todos os dias, se senta ao nosso lado na igreja aos domingos, e veio com ela ao baile esta noite...

- Eu não vou à sua casa, ou me sento ao lado de Elizabeth, por que gosto da companhia dela! Eu faço isso por que, quando eu me sento ao lado dela, você está sempre do outro lado. – disse, me deixando cada vez mais confusa. – E eu sei que, quanto maior minha frequência em sua casa, maiores são as minhas chances de vê-la...

- Damon... Eu entendo que sinta minha falta. Nós estamos acostumados a passar todas as horas do dia juntos, e eu sinto sua falta também, mas... – comecei, mas Damon não me deixou terminar.

- Charlotte, eu te amo! – disse ele, me fazendo congelar enquanto seus olhos fisgavam os meus e ele pegava minhas mãos, até então depositadas despreocupadamente sobre a saia volumosa de meu belo vestido azul gelo que ele havia me ajudado a escolhes dois meses antes, assim como nossas máscaras azuis escuras, que combinavam perfeitamente. – Eu estou perdida, e completamente apaixonado por você!

- Damon, eu... Eu não sei o que dizer, eu... – Eu realmente não sabia o que dizer a ele, tão extasiada e chocada eu estava. Como assim Damon me amava? Isso desafiava todas as leis da lógica e do bom senso!

- É claro que, eu não espero que faça nada a respeito. Você e George Lockwood parecem estar se dando muito bem e, eu não quero atrapalhar as coisas para você... – Então eu avancei. Minhas mãos repousando suavemente em seu peito enquanto seus braços envolviam minha cintura com uma habilidade nata, conduzindo meus lábios para os seus com uma intensidade inacreditável e um amor opressivo. Era quase insuportável, de tão doce, e por um instante, nada mais importava. Nem o noivado dele com Elizabeth, nem meus flertes mais recentes com George, nem a possibilidade de que alguém nos visse.

Tudo que importava eram os lábios de Damon nos meus e sua língua, traçando os contornos de minha boca, pressionando levemente, a fim que eu a abrisse, o que fiz de bom grado.

Erra impossível, mas ainda assim o beijo ficava cada vez mais apaixonado, cada de vez mais urgente, enquanto sua língua investigava e descobria todos os cantos da minha boca.

E então, cedo demais, ele se afastou. Eu não queria que ele se fosse, e a princípio o puxei de volta, mas percebi que precisava de ar mais do que teria imaginado, e assim, deixei que ele se afastasse.

Ainda assim, mantive seus braços em torno de seu pescoço, mesmo sem saber em que determinado momento eles foram parar lá, e descansei minha testa na sua, sem desviar meus olhos dos seus por nem um segundo sequer.

Ambos sorriamos, ofegantes, e eu sabia que, qualquer um que nos encontrasse nessa posição, tiraria as mais precipitadas, e o pior, corretas, conclusões.

- Não podemos fazer... – falei, minha voz hesitante, fraca e baixa, mas alta o suficiente para ser ouvida. Eu não queria dizer aquilo, mas em um momento de lucidez, percebi que simplesmente não podíamos fazer aquilo! Era errado. Era um pecado.

- Já fizemos, não dá pra mudar o que aconteceu – disse ele, tomando meu rosto entrar as palmas, a alegria em olhos dando lugar à relutância e à compreensão. – Mas, se estiver arrependida... Se arrependeu-se de sua decisão, então podemos voltar ao baile lá dentro, podemos fingir que nada disso nunca...

- Quisera eu que eu pudesse esquecer – interrompi, estampando um sorriso torto no rosto. – Eu nunca poderia. Mesmo que implantasse todas as minhas forças nisso, minha memória ainda tornaria a este momento a cada olhar que compartilhássemos – murmurei apaixonadamente. Damon sorriu. Puxando meu rosto para e beijar novamente, dessa vez mais doce e suave, mas ainda tão apaixonado quanto antes.

- E isso quer dizer...? – inquiriu quando nos separamos.

- Eu não sei muito bem o que quer dizer. Mas sei que não quero que você vá embora nunca mais... Eu não me importo com mais nada, desde que não tenhamos que nos separar de novo – declarei, tornando seu sorriso ainda mais amplo.

- Eu senti tanto a sua falta – disse animadamente, avançando para me beijar mais uma vez, e me permiti rir antes que seus lábios encontrassem os meus, calando-os.

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Voltei à realidade como quem acorda de um sonho bom, minha respiração se acelerando conforme eu percebia que, na verdade, estava no hall da nova mansão Lockwood, e que meu vestido não era azul, e sim dourado... Nunca pensei que pudesse ficar tão decepcionada.

Stefan murmurou algo parecido com um “Tome cuidado” seguido por um desejo de boa sorte, mas eu mal o ouvia, e não me incomodei em responder, nem mesmo com um aceno de cabeça.

Minhas atenções estavam focadas em algo diferente, mais especificamente, meus olhos, que corriam pela multidão vestida em ternos e vestidos de gala, procurando por um par específico e inexplicavelmente único de olhos azuis.

Não demorei a localizá-lo, conversando com uma mulher mais velha, de uns quarenta e tantos ou cinquenta e poucos anos. Ela usava um vestido longo e liso de chiffon verde água que destacava seus olhos, e olhava para mim, como grande parte das pessoas ao meu redor parecia fazer.

Como Damon fazia agora.

Seus olhos brilhavam em um misto de prazer e desejo pasmo, e me diziam, desesperadamente, que ele ainda me queria tanto quanto em 1860. Seu rosto me dizia isso, e eu daria tudo para acreditar.

Meu coração batia consideravelmente mais rápido, e com certeza de modo mais audível do que deveria, conforme ele se desvencilhava da mulher e avançava em minha direção.

- Senhorita Fell – disse, se curvando e estendendo a mão para pegar a minha, levando-a até os lábios sem tirar os olhos dos meus por nem um segundo sequer.

- Senhor Salvatore – cumprimentei-o, segurando minha saia em uma reverência rápida e curta, sorrindo apenas educadamente.

- Gostaria de dançar? – perguntou, colocando o braço contra o peito em um convite que não me deixava opção de recusa, de modo que passei meu braço pelo seu, desfilando por entre os pares de olhos curiosos ao nosso redor.

- Eles estão realmente curiosos sobre você – anunciou, passando um braço por minha cintura, segurando minha mão direita no alto e a esquerda em seu ombro enquanto começávamos a balançar no ritmo lento da música saída diretamente dos violinos ao lado da pista de dança. – É uma cidade pequena, e todos estão se perguntando, quem é essa linda garota, que mal chegou e já está nos braços de Damon Salvatore, um dos solteiros mais cobiçados da cidade – completou, me fazendo rir contra seu ombro.

- Quando é que você se tornou um bom partido?! – perguntei, o humor tangível em minha voz.

- Eu disse “cobiçado” não “bom partido”. Existe uma grande diferença ai – corrigiu.

- Ah, bom, devo me considerar com sorte então, não é mesmo? – questionei-o sarcasticamente.

- Acho que não é você quem tirou a sorte grande aqui, se me permite dizer.

- O que você está tentando fazer Damon? Me recebendo na porta, me tirando para dançar... O que pretende com tudo isso? – perguntei, suspirando como se me rendesse.

- Eu não sei exatamente. Acho que talvez ainda tivesse esperanças de que... De que você se lembrasse do ultimo baile...

- Acha que eu não me lembro? Acha mesmo que esse é o problema? Eu me lembro, Damon! Eu me lembro de cada toque... De cada palavra, e de cada beijo que já compartilhamos. E eu me lembro daquela noite... Costumava repassá-la em minha mente durante a noite, com George ao meu lado, e eu me perguntava... Quanto é que meu conto de fadas tinha ficado tão distorcido?! – murmurei, deitando minha cabeça em seu ombro, um bolo subindo por minha garganta, minhas intenções para a noite desaparecendo completamente por um instante. Eu devia discutir com ele, devia haver gritos, e talvez até um tapa. Eu torcia para que não chegasse a tanto, mas se fosse necessário, Stefan me fizera prometer que o faria, e agora, aqui estava eu. Abatida, patética... Lutando contra uma crise de choro provocada por lembranças ás quais eu já devia estar acostumada.

- Charlie...

- Não, Damon! Eu não quero passar a noite, pensando... Nisso! Tudo bem? Por favor – pedi, minha voz soando tão ridícula quanto eu me sentia.

- E sobre o que você quer falar então? Você não quer falar sobre o passado, não quer falar sobre... nós! Sobre o que quer conversar Charlotte?! – inquiriu ele, parecendo confuso e um pouco irritado, o que só fez com que meus olhos ardessem ainda mais. Eu detestava que ficassem irritados comigo, principalmente Damon...

Isso já tinha ido longe demais, eu estava perdendo o foco. Eu não tinha vindo até aqui para discutir uma relação que deveria ter terminado um século e meio atrás. Não estava aqui para chorar, ou para resolver as coisas entre nós... Eu tinha que voltar para a direção certa e fazer o que tinha vindo aqui para fazer.

- Eu... – hesitei, me afastando para encontrar seus olhos, exigindo sua atenção absoluta. – Não ouça mais uma palavra do que eu disser – sussurrei, deixando que uma única e solitária lágrima escapasse e secando-a quase imediatamente.

- O que?! – perguntou, toda sua incompreensão transparecendo em sua voz.

- Ah, por favor, Damon! – falei, alto o suficiente para que todos ao redor me ouvissem e se virassem discretamente para assistir o show que estava prestes a acontecer ali. – Por que continua insistindo nisso?! Eu não quero que fale comigo, eu não quero que chegue perto de mim! Eu só quero que me deixe em paz! – bradei, em um tom que não chegava aos gritos, mas que passava há muito de um simples tom de conversação amigável.

- Charlie, do que você está falando? – murmurou, sua mão estendida no espaço vazio que agora se estendia entre nós, seu celho franzido de desentendimento, e eu preferia sequer olhar em seus olhos.

- Não me chame desse jeito! Nós nunca fomo íntimos o bastante para isso, e não vai ser agora que as coisas vão mudar! Qual. É. O seu. Problema?! – A expressão descrente de asco que agora estampava meu rosto havia sido cuidadosamente composta depois de horas em frente ao espelho do banheiro, mas agora parecia tão difícil mantê-la que quase desisti de tudo aquilo, ansiando por tranquiliza-lo, sufoca-lo de tantos beijos, ali mesmo.

Quase.

- Charlotte...! – sussurrou, desolado.

- Eu acredito que a senhorita já tenha deixado sua opinião em relação à sua companhia bem clara Salvatore – Me virei para procurar a pessoa de quem as palavras vinham, dando de frente com um homem alto bem atrás de mim.

Ele devia ter a idade de Damon, talvez um pouco menos, seus olhos, negros como ônix, brilhavam de empolgação, e o smoking preto caia muito bem em seu corpo levemente musculoso e esguio.

- Agora, por que não atende ao pedido da bela dama e a deixa em paz? – completou, sua voz tranquila e baixa, irônica e fria, como se o desafiasse à não obedecê-lo.

- Ninguém pediu sua opinião Kol. Por que tem que ser sempre tão inconveniente? – disse Damon, rispidamente. Kol... Kol... Kol... Kol! Era isso, Kol era um dos Originais.

- Bom, neste caso, eu estou pedindo – intrometi-me, falando e sorrindo apenas para Kol, levantando as sobrancelhas para Damon, que me encarava, incrédulo.

- Creio que ainda não nos conhecemos... Eu sou Kol Mikaelson, ao seu dispor – disse ele, tomando minha mão e levando-a até os lábios, beijando suavemente as costas.

- Charlotte Fell, Char, para os íntimos apenas, é claro – falei, com um sorriso torto.

- Gostaria de me acompanhar em um passeio pelo jardim senhorita Fell? – perguntou, me oferecendo o braço.

- Mas é claro senhor Mikaelson! Seria... Um enorme prazer acompanhá-lo – disse, passando meu braço pelo seu sem hesitar, deixando um Damon confuso, assustado e ferido para trás enquanto nos dirigíamos ás portas de vidro que levavam ao jardim dos fundos dos Lockwood, que reluzia completamente, com lamparinas distribuídas por todo o espaço, e um conjunto de cordas tocando ao lado de uma segunda pista de dança. Dessa vez havia um piano também, e isso, por algum motivo, me tranquilizou.

Olhei em volta de modo superficial, localizando rapidamente Stefan e Elena, balançando tranquilamente ao som da música, abraçados um ao outro.

Stefan cruzou meu olhar, observando Kol ao meu lado e em seguida assentindo rapidamente com um pequeno sorriso que dizia: Você está no caminho certo.

Sorri sorrateiramente, continuando a passar meus olhos pela multidão mascarada.

Reconheci Caroline, em um vestido branco excessivamente justo e curto, em minha opinião. Mas o que eu sabia, não é mesmo? Ela estava sozinha, percebi, e mantinha seus olhos vagando de cinco em cinco segundos, como se procurasse alguém...

Andei ao lado de Kol por entre as pessoas, até que estas fossem ficando cada vez mais distantes conforme nos aproximávamos cada vez mais do imenso lago que ocupava grande parte dos fundos da propriedade.

- A noite está muito agradável, muito quente, não? – disse ele, se desviando das luzes para olhar para mim.

- Sim, realmente – respondi, com a mesma cadência formal de séculos passados. Mas se a noite estava quente, eu não sentia, por que me sentia completamente fria e desconfortável por dentro. Não era com ele que eu queria estar ali, não mesmo...

- A senhorita é... Parte do conselho, senhorita Fell? Ou, pretende se tornar? – inquiriu ele, sondando, e sorri, um pouco mais genuinamente, divertida por sua forma direta de tentar descobrir o que eu sabia.

- Char. Por favor, me chame de Char. E... Respondendo à sua pergunta oculta, sim, eu sei sobre os vampiros na cidade, assim como sei que estou diante de um Original – respondi, deixando claro assim minha posição como vampira também.

- Então será esperta o suficiente para não me desafiar. Sou mais forte que você... – disse, em um tom ameaçador de brincadeira.

- Será? – interrompi, brincando também. – Não se deixe enganar, senhor Mikaelson, eu não sou tão inocente e fraca quanto pareço – alertei, levantando as sobrancelhas, meus olhos perigosos e meus cabelos caindo parcialmente no rosto, conferindo-me a aura de mistério que eu pretendia.

Kol o afastou, colocando-o atrás da orelha, seus dedos tocando momentaneamente minha pele antes de se afastarem.

Nesses pequenos instantes, porém, eu não me podia sentir mais suja, e não conseguia para de me perguntar se poderia sentir mais nojo ao toque de alguém do que sentia ao dele, agora. Saber de tudo que Kol e a família já tinham feito contra a cidade, meu lar; contra Damon, meu amor; contra Stefan, minha criança; e até mesmo contra Elena, o amor de Stefan, e todos os que lhe eram caros; Mesmo sabendo de tudo aquilo, eu me obriguei a sorrir, suavemente, como se gostasse de seu toque; como se apreciasse sua carícia recatada... Argh, eu queria vomitar.

- É uma garota esperta, senhorita... Char. Porém tola o suficiente para se interessar por alguém como eu. É até um pouco poético, se prestar bem atenção nas entrelinhas – murmurou, convencido.

- Sabe senhor Mikaelson... Acho que está contando vantagem. Pelo que eu me lembro, só o que fiz foi concordar em dar um passeio pelo jardim, o que, não representa qualquer interesse, apenas boa educação e cortesia. – Ele riu de meu tom desafiador, e recolocou o braço contra o peito, sorrindo novamente enquanto eu passava meu braço pelo seu mais uma vez e recomeçávamos a andar.

Espera, quando havíamos parado?

- Então, eu imagino que esteja hospedada na mansão dos Fell, correto? – inquiriu.

- Não, na verdade estou na antiga pensão dos Salvatore. Stefan e eu nos conhecemos há alguns anos e eu não tenho contato com a atual geração dos Fell. Mas acredito que essa situação terá que mudar, devido ao comportamento impertinente do irmão dele... O único problema é que, apesar de tudo, não tenho outro lugar para onde ir, o que me deixa em uma situação um tanto quanto... Complicada.

- Me considere ousado, mas... Eu e minha família temos muitos quartos sobrando. Ficaríamos felizes em recebê-la em nossa casa pelo tempo que desejar – disse ele, e parei de andar novamente. Ele só podia estar brincando comigo!

- Bom, nós... Acabamos de nos conhecer. O que me levaria a pensar que eu gostaria de morar ao seu lado e de sua família? – questionei-o, sorrindo de modo impertinente e cético.

- Vai ter que confiar em mim... – disse, se virando para ficar de frente para mim, se aproximando cada vez mais, assim como seu rosto.

- E por que deveria? – perguntei, minha voz resumida a um mero sussurro devido à sua proximidade.

- Isso cabe à você descobrir... – murmurou, seus olhos se fechando enquanto ele avançava e cobria os últimos centímetros entre nós lentamente... Rapidamente, me desviei de seus lábios, me abaixando e esquivando até parar bem ao seu lado. Segurei o riso quando ele avançou completamente e, ao invés de encontrar meu rosto, encontrou apenas o ar, afundando no vazio, e me ocupei dando pequenas piruetas e rodopios, observando meu vestido resplandecer nas luzes enquanto ele abria os olhos e se voltava para mim.

- Acho que vou recusar, mas ainda assim – disse, rodando até parar em frente a ele – agradeço a oferta generosa – completei, com um sorriso levado.

Ele riu, e estreitou os olhos para mim, mas não disse nada enquanto recomeçávamos nosso passeio, tranquilamente, pelo borda mais afastada do lago.

Notas finais
Lembrem-se que eu pedi com jeitinho... Não fiquem tristes, juro que as coisas vão melhorar no próximo capítula, mas pra chegar lá, eu preciso de comentários, e preciso que me digam o que estão achando! Não fiquem com vergonha, eu juro que não mordo ;)
P.S.: de vez em quando, quando eu achar que preciso, eu vou colocar aqui as roupas, principalmente da Charlotte, mas também de outros personagens para uma melhor visualização. O figurino costuma ser uma parte importante, e nem sempre eu sou boa em descrevê-los.
Você pode ver o look completo de Charlotte aqui: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=70430516&.locale=pt-br