Wishing Star

6 Problemas a vista


Comecei a prestar atenção na aula até que um dos bilhetinhos das garotas que estavam bem atrás da gente veio parar na minha mesa. Virei-me para lhes devolver o bilhete e vi Lisa no meio delas, mas estava sem Polly. Joguei o bilhete nelas e voltei a fazer minha lição.

A professora nos explicou a matéria e deu o resto da aula para resolvermos alguns problemas que se não fosse acabados na sala seriam para casa. E eu queria aproveitar minha tarde com Jake, então fiz quase todos os exercícios, eu estava quase no fim quando alguém me chamou e me entregou um papel muito amassado.

Não pude conter a minha curiosidade e abri.

O papel não era nenhum tipo de bilhetinho era o desenho da professora, mas pixada e escrito palavras de baixo calão. Eu fiquei procurando quem deveria ser a mente maligna que fez aquilo.

Mostrei o papel para Lucy e ela disse:

– Larga isso antes que a professora veja!

Eu não soltei, queria descobrir e dar uma lição em quem fosse. Só que a professora me viu segurando o bilhete e disse:

– A Senhorita já acabou a lição, Senhorita...

– Cullen. – eu ajudei.

– Senhorita Cullen. – ela disse ríspida.

– Professora, eu estou no fim. Estou no último exercício. Só que jogaram isso na minha mesa. – mostrei o bilhete para ela. Ela abriu e ficou uma fera.

– Senhorita Smith. – a professora chamou a garota. Era Lisa.

– Me chamou professora Miller?

– Sim. A senhorita viu que jogou isso na mesa da Cullen? – Lisa pensou um pouco e respondeu, mas eu preferiria que ela engasgasse com a própria língua.

– Não foi ela que desenhou isso? – ela me encarou.

– Claro que não, eu estava fazendo meu exercício. – me defendi.

– Todos dizem isso. – Lisa continuou.

– Com licença professora Miller, mas é verdade. A senhorita Cullen estava fazendo seu dever, ela estava até me ajudando a fazê-lo. – Lucy me defendeu.

– Ah, por favor. Você é lerda demais pra aprender algo, a sua cabeça é só pra segurar seu cabelo. – Lisa começou a se exaltar. Eu achava que ela era apenas o burro de carga da Polly, mas não ela tinha pensamento próprio.

– Oh, calma Senhorita Smith. – a professora começou a separar as duas. Lucy e Lisa, pois uma acabaria matando a outra se eu e a professora não estivéssemos no meio.

– Cala a sua boca sua va... – eu tampei a boca de Lucy para que ela parasse se não nós iríamos no encrencar.

– Lucy! – eu gritei.

Então toda a sala parou o que estavam fazendo e começou a ver a nossa “briguinha”. Eu soltei minha mão da boca de Lucy e comecei a segurá-la para que ela não fosse matar Lisa. Bem que eu queria deixar, mas me contive.

– Você fala de mim, Lisa. Mas você é um lixo. Ninguém gosta de você. A Polly só te usa e você a segue como uma otária. Sua OTÁRIA! – Lucy berrou.

– E você, sua estúpida... – Lisa começou e eu terminei.

– Gente já chega! Que coisa ridícula. – eu olhei pra Lisa e disse. Tentei acalmar as coisas, mas acabei me exaltando também — Olha aqui sua loira oxigenada... Eu só não quebro você aqui e agora porque eu
não sou que nem você que dá o maior showzinho na sala de aula. Não é só porque você é uma líder de torcida que você é superior a qualquer um de nós. Você se acha, mas a única coisa que você consegue fazer é enfeitiçar os garotos com seus peitos enormes... Mas mesmo assim nenhum deles te ama. Você só é um brinquedinho deles, você não percebeu isso ainda? Vê se cresce garota.

Ok, eu me exaltei muito. Apesar de não conhece-la a muito tempo podia imaginar o tipo que garota que ela era.A sala inteira começou a rir e fazer burburinhos.

– Pronto meninas já chega. – professora tentou apartar a briga levando Lisa para o outro lado da sala. Ela não disse nada porque ela sabia o que eu tinha acabado de falar era a mais pura verdade.

– E você sua novata? Não sabe de nada. Chego agora você não sabe nada sobre ninguém daqui. – ela tentou me irritar.

– Você tem razão , mas só de olhar com quem você anda, como se veste e quem você é, já consigo ver seu futuro... Na esquina de qualquer ruazinha, rodando a bolsa e espera de um caminhoneiro bêbado que tem dê 100 dólares pra uma noite.

Eu tinha acabado com ela.

– WOW, amiga! – Lucy murmurou atrás de mim.

Eu virei pra ela e pisquei. Todos da sala começaram a concordar comigo.

– Cullen, Claines. Pra diretoria agora! – a professora berrou. E eu a ouvi dizer – Agora você vê como você faz os outros se sentirem, Senhorita Smith?

Nós estávamos guardando nosso material para ir à diretoria quando Lisa fugiu dos braços da professora e correu até nós. Lucy não havia percebido, mas eu sim.

Quando eu me virei. Lisa havia pego uma tesoura e estava correndo em nossa direção. Eu fui até ela e a empurrei. A tesoura voou pra longe e Lisa caiu sentada no chão.

– Quando você pensa em fazer algo, eu já agi Lisa – provoquei.

– CULLEN, CLAINES PRA DIRETORIA. – a professora gritou enquanto ia acudir Lisa. Mas espera ai, ela ia dar uma tesourada na Lucy. Não era ela quem deveria ir à diretoria? Tudo bem, eu não iria me deixar ser irritada por essa garota estúpida, eu tinha que controlar as minhas emoções.

Enquanto saíamos da sala todos nos aplaudiram, eu me senti bem. Lucy ainda estava em estado de choque e só conseguiu dizer:

– Ree, você disse o que todos esses anos ninguém nunca disse na cara dessas líderes de torcida idiotas! – "Eu ia ficar famosa por isso? Mas eu odeio ser o centro das atenções..."– resmunguei mentalmente.

– Eu não pude me conter. Os sentimentos vieram e eu não consegui me acalmar. – a mais pura de todas as verdades.

Quando chegamos ao gabinete do diretor, nos sentamos nos banquinhos ali perto. Pronto, eu estava realmente ferrada. Nos segundo dia de aula eu já estava indo para a diretoria. Alice ou Jasper com certeza iam contar isso pros meus pais e eles iriam me dar um belo de um castigo.

Suspirei e fechei os olhos tentando me acalmar.

Ainda podia ouvir as pessoas conversando nas outras salas, mas a nossa ainda falava mais alto.

Então uma mulher, a secretária apareceu.

– Posso ajudá-las? – Eu olhei para Lucy e ela pra mim.

– Bem... – comecei – a professora Miller pediu para que viéssemos à diretoria.

– Ah. – a secretária disse. – Eu vou ver se o diretor não está ocupado para entendê-las.

Eu queria muito que ele estivesse ocupado. Não queria levar uma suspensão no segundo dia de aula. Por que eu era tão azarada assim? Ódio.

Lucy começou a rir e eu a fitei tentando compreende-la.

– O que houve? – comecei a rir do som do seu riso estridente.


Ela não me respondeu, fechou os olhos e continuou a rir. E eu me deixei levar pelo momento “felicidade instantânea”.

– Por que você está rindo? – perguntei um pouco preocupada.

– É que... – o risinho interrompeu sua fala – quando... Eu... To... Nervosa... – ela nem conseguiu completar a frase por causa do nervosismo.

Então Lucy ria quando estava nervosa... Agora tudo fazia sentido. Toda vez que Nathan estava perto ela ria baixinho. Era nervosismo.

– Eu nunca tinha conhecido alguém que começasse a rir quando estava nervoso .– sorri pra ela.

Até que ouvi passos de um salto agulha e ela apareceu. A secretária doida.

– O Diretor Lish já pode atende-las – ela sorriu falsamente.

Nós levantamos e demos oito passos e assim chegamos ao gabinete do diretor. A secretária abriu a porta e quase nos empurrou para dentro. Lucy ia reclamar pelo empurrão, mas eu segurei seu braço. Uma bronca maior estava por vir.

O diretor era um homem baixo, semi-careca e gordo. Não podia dizer que ele era gorducho ou gorduchinho. Ele era gordo mesmo. E tinha um bigode branco horrível. Só tinha cabelo dos lados da cabeça e quando nos viu arrumou o cinto que estava usando puxando-o para cima.

– Bom dia, garotas. Ou eu não devo dizer que esta sendo bom pra
vocês?

– Bom dia, diretor. – nós duas respondemos automaticamente.


Ele esticou sua mão grande e fofa fazendo um gesto para que nos sentássemos nas poltronas que havia logo à frente da sua mesa. Eu pude ouvir do corredor a Professora Miller vindo até a diretoria acompanhada de Lisa. A loira insuportável estava reclamando de que nós deveríamos ser expulsas.

" Mas foi a senhorita quem iria atacar a Claines com um tesoura..."

Desisti de prestar atenção nelas, na sala do diretor ele nos observava com uma posição severa. Olhei o relógio que estava logo atrás
do diretor, na parede entre as duas janelas gigantes que havia lá. Faltavam 5 minutos para o término da primeira aula.

– O que a senhoritas aprontaram? – ele começou nos acusando.

– Diretor... – eu comecei – a Professora Miller pediu para que viéssemos até a sua sala, pois uma aluna da nossa classe, a Senhorita Elisabeth Smith tentou nos atacar com uma tesoura. – se ela estivesse realmente feito aquilo, não teria feito nem cócegas em mim.

Lucy me olhou confiante e o diretor disse:

– O que? Ela o que? Não. Acho que a Senhorita está enganada.

– Não, diretor. Ela deve estar no corredor com a professora. Se o senhor quiser posso chamá-las, mas só tenho uma coisa a dizer... As vítimas dessa história somos nós, não a Senhorita Smith.

– Então estão dispensadas e mandem a professora e a aluna entrarem, por favor. – ele ainda parecia confuso.

Nós nos levantamos vitoriosas e saímos felizes por termos levado nem ao menos uma bronca se quer.

Quando cheguei à porta da sala do diretor e disse:

– Obrigada pela sua atenção, diretor. – e então saí da sala. Minha melhor amiga já estava dizendo a professora.

– O diretor pediu para vocês entrarem. – Lucy sorriu enquanto via a cara de derrotada de Lisa. Eu quase cheguei a sentir pena dela. Quase.

Caminhamos com um sorriso de um lado até o outro indo em direção aos nossos armários. Olhei minha caderneta e vi que a minha segunda aula era geografia.


– Qual vai ser sua próxima aula, Lu?

– Ciências – ele resmungou enquanto fechava seu armário. – E você?

– Geografia. – resmunguei também. Fechei meu armário e me encostei-me a ele. Então perguntei com medo da resposta.

– Você acha que a Lisa vai querer vingança?

– Eu acredito que sim... Mas nossa Ree! Você enfrentou Lisa Smith, encarou o diretor com a maior normalidade e nos livrou de uma encrenca enorme.

Eu não era tudo isso que ela havia dito... Eu não sei o que havia dado em mim para eu agir daquela maneira, mas pelo menos parecia o certo a fazer.

Enfim o sinal bateu e vi todos os alunos saírem das classes e irem em direção aos seus armários. Porém mesmo assim eles pareciam sempre cochicharem algo sobre mim. Como várias moscas zunindo no
seu ouvido, só que eu não tinha como espantá-las então me concentrei na minha conversa com Lucy.

– Você perdeu Nathan, Ree foi totalmente incrível, você tinha que ver! Ela enfrentou a Lisa... – eu interrompi Lucy tampando sua boca.

– Lucy... – sussurrei quase a matando com o olhar – ninguém precisa saber sobre o que aconteceu. – Então a libertei.

– Mas agora eu quero saber. – Nathan disse sobre meu ombro.

Vir-me para encará-lo e vi seu guarda–costas. Alex. Os dois muito curiosos.

– Eu não quero nem ouvir. – sai andando indo em direção à classe de geografia.

Assim que entrei na sala um professor alto e magrelo estava apagando algo no quadro. Em sua mesa pude ler uma plaquinha escrita “Professor Fields”, ele assinou a minha caderneta e vi que várias das mesas já estavam ocupadas.

Sentei-me em uma mesa no meio da classe e tinha uma cadeira vazia ao meu lado. Torci para que ninguém chato, ou ninguém que não tivesse um odor desagradável se sentasse ali.

E ele novamente apareceu. Eu tinha que me acostumar, ele estudava na mesma escola que eu, nós tínhamos aulas juntos, ele era namorado da garota que mais me odiava naquele colégio – não, acho que agora Lisa me odiava mais -. Acabaríamos nos encontrando por ai.

Brian entregou sua caderneta ao professor e mesmo disse:

– Se sente com a garota nova. Talvez ela precise da ajuda.

O capitão do time de futebol confirmou com a cabeça, respirou fundo e veio se sentar ao meu lado. Era assim tão difícil pra ele me aturar por uma aula?

O namorado de Polly se sentou ao meu lado e fitou a mesa. O professor começou a escrever na lousa e eu comecei a copiar até Brian dizer bem baixinho sem me encarar:

– É bem. Desculpe por antes... Eu não queria lhe dizer aquelas coisas. A gente começou com o pé esquerdo... – eu o encarei sem acreditar no que havia acabado de ouvir da boca dele.

E quando pisquei vi que ele estava com a mão estendida pra mim.

– Prazer, meu nome é Brian Nichols. – ele sorriu.

– Prazer, o meu é Re-Renesmee... Quer dizer, Renesmee Cullen. – retribui o sorri e apertei a mão dele. Por que eu tinha que gaguejar bem agora?

– Bonito nome... Renesmee... É de alguma flor? – ele me perguntou.

– Não, por quê? Parece? – ele havia me confundido.

– É que você é uma flor. – que cantada mais terrível.

– Não venha com uma dessas cantada horríveis pra cima de mim. – avisei.

– Tudo bem, parei com as piadinhas. – ele se virou e começou a copiar a matéria.

Só que a Professora Miller apareceu na porta da sala de geografia e chamou o professor na porta.

– Senhorita Cullen. – ela me chamou.

– Já se meteu em encrenca? – Brian me questionou.

– Isso realmente não é da sua conta. – o cortei e andei até a
professora.

A intensidade das vozes aumentou e eu era o foco, como eu me sentia desconfortável com cada olhar que se dirigia a mim, como cada sussurro que eles davam uns aos outros para falar sobre mim. Como eu não gostava de ter nascido meia-vampira nessas horas.

Saí da sala calmamente e quando encontrei a professora na porta vi que Lucy e Lisa também estavam no corredor.


– O que houve? – perguntei enfim.

– Bem, eu chamei todas vocês, pois eu conversei com o Diretor Lish sobre o acontecimento de hoje e... – eu fiquei com um pouco de medo. Tenho que admitir, mas de algum modo parecia que a Professora Miller não iria falar uma coisa muito ruim -... Vocês não vão levar uma suspensão ou serem expulsas. Sei que vocês são meninas ótimas – "vocês? Só eu e Lucy." – respondi mentalmente –... e sei que isso não irá se repetir, mas mesmo assim temos que dar algum tipo de punição a vocês...


Eu já respirava mais tranqüila.

– E qual é? – Lisa perguntou impaciente.

– A professora de arte, Professora Gonzáles vai lhes passar um trabalho.

Talvez isso fosse divertido...

Mas olhei para as duas e as vi revirando os olhos. Ninguém disse nada.

– Professora Miller – chamei a atenção dela – Obrigada por não nos punir tão severamente dando-nos uma oportunidade.

– Que isso Cullen. Agora voltem para suas classes.

Lisa foi a uma direção com a professora e Lucy foi à contrária, mas antes deu umas palmadinhas no meu ombro e disse:

– Novata. – Eu fiquei sem saber muito o porquê dela dizer aquilo. Quando entrei na sala do professor pedindo licença eu entendi.

Acho que a professora de arte não era muito divertida quanto eu estava pensando.