Caçar com a minha família foi até relaxante e divertido. Porém Rose ainda observava minha mãe com aquele olhar de gente arrogante. Tentei não me importar com o clima entre elas, pois eu sabia que isso logo ia passar.

Cheguei em casa cansada — havia empatado com meu pai em uma corrida atrás de um leão da montanha, entretanto sei que ele foi mais devagar só pra me deixar empatar.

- Filha. Pela milionésima vez... Você está adquirindo uma velocidade incrível!

- Pai. Eu sei que você me deixou quase ganhar. – murmurei ao subir as escadas até que parei quando Alice disse:

- Verdade, Nessie. Você já ganhou até de Emmett! – ela sorriu.

- Ei, eu estava me aquecendo ainda. – ele tentou se defender.

- Com certeza. – Jasper debochou.

- Tudo bem, Tio Emmett. Sei que estava despreparado e que meu pai não sabe jogar limpo. – o censurei e voltei a subir.

- Ok. Vamos Nessie pra cama. Amanhã você tem escola. – Esme pareceu nas minhas costas me empurrando para o quarto então senti algo diferente. Voltei-me para trás ao pé da escada e vi Alice tendo uma visão.

- O que houve Alice? – mamãe perguntou.

De repente ela voltou a consciência e respondeu:

- Amanhã teremos uma visita.

- De quem? – perguntei curiosa.

- Jacob. – meu pai respondeu.

Senti meu coração bater mais forte do que de costume e acho que todo mundo também percebeu, mas me fiz indiferente, caminhei até o quarto e ouvi Rose dizer:

- Agora que a casa finalmente estava deixando de ter aquele fedor!

- Rosalie! – Esme ralhou.

Depois de preparada pra dormir ouvi passos no corredor.

- Posso entrar? – mamãe apareceu na porta.

- Claro. – respondi sentada na cama.

- Posso ficar aqui com você? – ela perguntou antes de se sentar.

- Eu iria adorar. — então nós duas nos deitamos uma do lado da outra.

Eu podia ouvir claramente que todos haviam saído menos meu pai.

- Você está bem? – ela perguntou e eu segurei sua mão.

Então um jorro de pensamentos a atingiu: Jacob, Brian, Minha sobre naturalidade, Rose, Ela. Fiz um resumo de toda aquela semana pra ela e fiquei a observando. Mamãe soltou um riso baixo e eu fiquei sem entender.

- Ei, minha cutucadora. – ela se virou pra mim e sorriu tomando toda a minha atenção pra si – Tudo vai ficar bem, você vai ver. – ela me abraçou.

Quando minha mãe disse ‘ minha cutucadora’ isso me fez lembrar a época que eu estava na barriga dela – a matando – eu já tinha consciência do quanto a amava e o quanto ela era importante pra mim. Foi tão incrível como ela lutou pela minha sobrevivência e como eu agradeci? Simplesmente a matando. Eu realmente era uma ótima filha.

- Espero que sim. – fechei meus olhos, deitei minha cabeça sob suas pernas e procurei uma posição confortável sob sua pele dura como uma pedra.

Minha mente estava a mil. O que eu deveria dizer a Jacob? Eu deveria falar com ele? Acho que não. Ele havia me deixado louca de preocupação! Que tipo de amigo ele era? Como podia ter feito isso comigo? Nem um telefonema ele deu! NENHUM. Ok. Sei que estou sendo um pouco desesperada, mas mesmo assim eu me preocupava com ele, queria saber se ele estava bem a cada segundo do dia e eu nunca faria isso com ele. Ele sabia bem disso.

Senti algo estranho e abri os olhos desesperadamente, me sentei em um movimento rápido, pude sentir Jake pensando em mim.

- Renesmee? – mamãe segurou meu braço e podia sentir que também estava preocupada. – Tudo bem?

- Sim. Sim... – murmurei e meus pensamentos e sentimentos foram passados pra ela com seu toque.

Isso havia sido bem estranho, foi como se eu pudesse ler a mente de Jake, senti que ele também estava preocupado, que queria vir até mim. Parecia que ele estava correndo, e estava muito cansado, mas tirando forças de seus pensamentos – eu.

“O que você esta fazendo Jake?” – me perguntei.

E como se estivéssemos lado a lado eu pude ouvi-lo se perguntar: ”Nessie?”

- Filha? – mamãe me sacudiu. – Renesmee o que houve?

- Eu não sei. – como num impulso, levantei-me da cama e andei até a janela do meu quarto. Eu tinha visto que Jake pensava em um bilhete que ele tinha deixado em algum lugar e parecia ser perto de uma persiana. Caminhei até lá e na frente do vidro vi escrito e uma letra corrida.

Minha Nessie

Minha mão tremia enquanto eu segurava aquele pedaço de papel. Então Jake não havia me deixado sem qualquer explicação, ele tinha escrito algo pra mim.

- Querida? É do Jake? – eu não tinha forças para respondeu, apenas conformei com a cabeça e desdobrei a folha de caderno.

Me Desculpe,
Seth e Quil estão aqui e querem que eu saia com eles. Depois eu te conto. Te amo.

E quando eu acabei de ler aquilo senti um alívio enorme no meu peito. Ele só havia saído com os garotos, logo voltaria. Isso descarregou cinquenta por cento do meu estresse.

- Viu. Ele vai voltar logo. Jake não consegue ficar muito tempo longe de você. – ela parecia ter começado a dizer aquela frase com felicidade, mas o final dela... Foi áspero.

Virei-me para ela e a abracei. Eu estava bem mais tranqüila. Sentia que Jake estava bem, porém então por que senti que ele estava correndo? Ele estava em perigo?

- Está tudo bem com ele, Nessie. Mas venha dormir, pois se não você vai estar mal quando levantar amanhã para ir à escola. – papai como sempre lendo a minha mente e entrando no meu quarto sem fazer qualquer barulho se quer. Acredito que esse era seu passatempo predileto.

- São nesses momentos que eu queria ser uma vampira como a mamãe. – balbuciei me soltando de mamãe e indo para cama.

- Boa noite, cutucadora. – ela beijou minha testa e foi até papai na porta do quarto.

- Boa noite, filha. – papai disse e os dois fecharam a porta do quarto.

Por incrível que pareça a vento lá fora não me incomodava com seu barulho amedrontador, eu me sentia bem pelo simples fato de saber que Jacob se importava comigo, e que logo estaria aqui. E como sempre, eu sonhei com ele.

- Nessie? Nessie vamos. – alguém me desprendia do meu mundo de sonhos.

- Hã? – acordei sem entender.

- Levante dorminhoca, você tem visitas. – vi Alice e mamãe no quarto.

- Ah, é. – levantei e fui tomar um banho e fazer toda a minha higiene.

Quando saí uma linda roupa me esperava em cima da cama.

- Adorei as botas. – sorri pra Alice. Além das botas lindas, tinha uma calça preta de um tecido que eu não fazia noção do nome, um blusa de frio roxa com uma outra blusa de zíper preta e um cachecol branco com uma boina branca.

- Você está linda. – mamãe disse assim que acabei de me vestir.

- Mas não precisava de tanto assim, não vou a um concurso de beleza. – sorri timidamente.

As duas reviraram os olhos e me levaram para baixo.

E não vi ninguém na sala, a não ser um único homem. Jacob. Eu não sabia o que fazer, o que dizer ou como agir. Quando encontrei aquele lindo par de olhos me observando senti meu coração pular pela minha boca. Era tanta felicidade que instantaneamente cresceu em mim que eu mal podia controlar. E toda a raiva que por instantes eu tinha sentido parecia que nunca havia existido.

- Jake. – corri para abraçá-lo.

- Nessie. – e ele veio ao meu encontro.

Quando nos abraçamos... Não existem palavras para descrever o que senti.

- Nessie, me desculpe – ele começou a se explicar e se soltou de mim – Esses dois me levaram – apontou para os dois outros garotos que estavam na porta da cozinha com o resto da minha família – Eles queriam que eu saísse um pouco e depois não queria que eu voltasse. Pensei que Edward tivesse lido a minha mente pra te mostrar o bilhete. Sinto muito.

Ouvi aquilo maravilhada e totalmente abobalhada. Ele se importava comigo.

- Tudo bem. – respondi.

Jake passou a mão sob meu ombro e andamos até a cozinha.

- A propósito... Você está muito linda. — pronto, só com essa frase eu já tinha esquecido tudo de ruim que eu tinha passado nas ultimas 24 horas.

- Obrigada. — sorri encabulada

- Oi ladrão número um. – cumprimentei Quil.

- Ei! – ele respondeu.

- Oi ladrão número dois. – cumprimentei Seth.

- Por que eu sou o dois?

- Porque Quil é o mais velho. – baguncei o cabelo dele.

- Bom dia, família. – sorri para todos.

- Finalmente você não nos atrasou. – Emmett comentou.

- Não diga isso tão cedo. – Alice o respondeu.

- Não vou atrasar ninguém hoje. – sentei-me na mesa para tomar café com os meus amigos lobos.

Depois de tudo pronto, Jake me levou para a escola como de costume e as nossas visitas ficaram em casa, talvez voltassem para La Push mais à tarde.

Na aula da filosofia com a Lucy, combinamos de que eu iria a casa dela hoje à tarde para estudar ciências sociais e que eu pegasse toda a matéria, pois os professores nos avisaram que as provas começariam na semana que vem.

Assim que a aula acabou notei que Brian continuava com uma expressão triste.

Honestamente eu queria ajudá-lo, só não sabia como.

Quando, finalmente, o almoço chegou me sentei à mesa com meus amigos e me senti um pouco de vela. Chris e Arthur não paravam com os risinhos e abraçinhos – sério, estava enjoativo – enquanto Nathan e Lucy apesar trocavam sorrisos e olhares acanhados.

Eu realmente era uma boa cúpida, isso ninguém podia negar. Até que Alex se sentou ao meu lado e começou a pegar na minha mão.

- Alex, o que é isso? – tirei minha mão debaixo da dele e me levantei.

Que garoto mais... Ai, deixa pra lá. Caminhando pelos corredores encontrei Brian.

- Brian! Brian! – gritei e corri até ele.

- Oi Ree. – ele estava encostado nos armário.

- Tive uma idéia para te ajudar com a sua tal garota.

- Sério?! – ele fingiu estar animado.

- Brian não faz assim, eu tenho uma ótima idéia e vou te ajudar.

- Não sei como. – ele reclamou.

- Olha, tem três passos o meu plano e todos são muito fáceis, fica tranquilo.

- Hum. – ele murmurou e cruzou os braços.

- Primeiro – fiz o número um com o dedo – Você tem que mudar essa tua postura. Tem que voltar a sorrir, a falar. Por que garotas não gostam de uma nuvem negra perto delas. – falei como se entendesse algo sobre garotas, mas eu deveria saber algo porque eu sou uma garota!

- Ta. – ele continuava com aquela postura.

- Segundo você tem que dar dicas a garota, talvez até se declarar pra ela.

- Indiretas eu quase sempre dou, mas ela nunca percebe.

- Então isso nos leva a terceira parte... Chame-a para sair.

- O quê? – ele me fitava sem acreditar no que eu havia dito.

- Sério. – respondi serena.

- Acho que não tenho coragem. – ele fechou seu armário.

- Brian! Olha pra mim! – e foi o que ele fez – Você vai chamá-la para sair, ok? É mais fácil do que você pensa.

- Eu já chamei outras garotas para sair, Ree. Mas essa garota é diferente. É especial.

- Se você disser isso a ela. Com certeza ela até se casa contigo. – sorri e o deixei ali, fui me sentar com meus familiares.

Tendo biologia com Arthur estavamos dessecando um sapo quando eu perguntei:

- E você e a Chris? — que assunto mais prazeroso pra ser dito enquanto você desseca um sapo nojento.

- Ficamos até as três da manhã no telefone no sábado. – ele disse todo entusiasmado.

- Que legal. To vendo que meu trabalho de cúpida está a mil. – meu amigo sorriu nervoso e continuamos nosso terrível e nojento trabalho.

Enfim o sinal avisando que as aulas haviam acabado finalmente bateu e eu corri para fora buscar Jake para que fossemos a aula de arte como sempre. Atropelei quase metade da escola, fiz sem querer uma garota derrubar seus livros, derrubei uma lata de lixo, mas mesmo assim continuei — um dia eu acabaria machucando feio alguém.

Jacob estava na frente da escola, me viu e corremos para o auditório, dessa vez felizmente não atropelei, nem acabei matando ninguém porque Jake estava na frente abrindo espaço para os dois. Cavalheiro como sempre.

Por incrível que pareça fomos os primeiros a estarmos lá. Logo depois veio o casal ternurinha – Lucy & Nathan – logo após Brian que se sentou isolado em um canto e Polly com sua sombra, Lisa.

- Cadê a professora? – Polly perguntou com um ar superior. Mereço viu.

- No meu bolso não está. – Nathan respondeu e Lucy sorriu toda abobalhada.

De verdade o amor a deixava patética, aliás, o amor deixa todo mundo patético, até eu que oficialmente estou solteira, porém perdidamente apaixonada.

- Como você é engraçadinho. – sua sombra loira respondeu.

Eles começaram uma discussão ridícula, mas não prestei atenção, necessitava saber o que estava se passando na mente confusa de Brian.

Soltei o braço de Jake e caminhei até ele. Honestamente tive vontade de abraçá-lo. Brian parecia um gatinho abandonado na rua com seu rosto triste. Parei em sua frente e ele mal notou, quando resolvi dizer algo uma voz gritou.

- Desculpa a demora. – a professora apareceu com seu carrinho cheio de coisas.

- Tudo bem. – responderam alguns.

- Venham. Temos coisas a fazer... Claines e Metthew. Como esta a lista de aperitivos?

- Está quase pronta. – Lucy respondeu e os dois se levaram.

- Ótimo. Bouvier quero que você e a Smith escolham as cores e depois decidam tudo com a Claines. – as duas loiras se levantaram e Polly que estava com uma prancheta começou a fazer um esboço.

- E eu professora? – ela havia me excluído de praticamente todas as atividades.

- Quero ver os desenhos dos convites. – ela disse toda exigente.

- Ah claro! Estão no meu armário. Posso buscar?

- Vá logo, Cullen. E vocês dois garotos. Preciso de braços fortes aqui... – ela continuou a dizer enquanto eu saia da sala.

Como não tinha ninguém na escola. Sai correndo na minha velocidade normal.

Quando voltei com os convites na mão todo pareciam estar ocupados, a professora mandou que eu a seguisse e foi assim que fiz, mas enquanto subia o degrau que levava até o palco, escorreguei e honestamente se Brian não estivesse ao na minha frente para segurar a minha mão eu teria levado um ótimo tombo. Apesar de que não iria me machucar, claro.

Brian segurou minha mão e eu me levantei. E por mais incrível e estranho que pareça alguma coisa nele me fez não querer para de olhar para seus lindos olhos achocolatados. Não consegui tirar minha atenção por um segundo se quer enquanto me recompunha.

- Você ta bem, Ree? – ouvi alguém dizer depois do meu terrível quase-tombo.

- Sim. – respondi sem nem ao menos olhar para quem havia me perguntado.

Parecia que aqueles olhos queriam me dizer algo, e eu estava tentando descobrir o que quando a professora confundiu todos os meus pensamentos.

- Venha, Cullen. – então abaixei e peguei os rascunhos dos convites.

Segui a professora e vi as duas loiras cochicharem algo, mas estava tão envergonhada da minha queda que nem para os lados eu tive coragem de olhar.

A professora Gonzáles entrou no camarim que dias atrás eu me deitaram quando fingi ter um desmaio. Mas lá tinha agora uma mesa que eu não havia notado antes, ou a professora havia colocado lá agora.

Quando ela se sentou entreguei três desenhos diferentes que eu havia feito.

- Hum... – ela disse enquanto analisava o primeiro. – Hum... – ela repetiu o mesmo murmúrio quando viu o segundo e o terceiro também.

- Gostou? – perguntei por fim.

- Gostei desse último, mas falta uma coisa... Que cores serão?

- Bem, podemos fazer o fundo de preto, as letras em branco ou prata e essas máscaras laterais de dourado.

- Sim, sim. Mas acho que o nome da escola deve ser maior.

- Acho que está bom, não está?

- Faça um pouco maior. – ela me deu um lápis.

- Claro. – apaguei o meu perfeito nome do colégio e comecei a fazer de novo.

- Um pouco mais. – a Senhora Gonzáles palpitava sobre meu desenho.

- Acho que vai ser chamativo demais se for desse tamanho, professora.

- Não está perfeito! Mas quer saber, acho que podemos interferir só mais um pouquinho.

É só impressão minha ou ela está querendo estragar a minha arte. Então procurei uma saída rápida.

- Já sei professora Gonzáles. Vamos chamar o resto do pessoal pra dar opiniões sobre como deve ser! – eu estava pronta para sair dali correndo antes que ela dissesse mais besteira sobre meu lindo convite.

- Ah! Claro. Enquanto isso deixa me ver. Ao invés de horizontal, o convite poderia ser em formato de uma pirâmide... – deixei–a no camarim e corri para o palco, porém juro que preferia ficar e deixar a Sra. Gonzáles estragar todos os meus convites do que ver as cenas que vi em seguida.

Como o corredor era meio grande pude ouvir que eles estavam começando a escolher quais músicas colocariam na festa, mas a professora não havia dado afazeres à parte para cada um?

Caminhei mais rápido e tive a pior visão do mundo.

Jake estava “dançando” com Polly. Sim, exatamente isso! Mas por que diabos ele estava com ela? E a música suave que tocava ao fundo tornava aquilo romântico. Mas ficou ainda pior porque eu não tive reação quando vi os lábios dos dois se tocando, Polly estava de frente pra mim, me viu entrar e puxou Jacob para si.

Senti minha boca abrir em um “O” gigantesco. Eu não estava vendo aquilo. Não. Isso esse era mais um dos meus normais pesadelos só que com muita realidade. MUITA MESMO.

Senti meu coração bater em desespero, senti o ódio me dominar, senti as lágrimas que estava querendo ser derramadas, meus dentes rangeram baixo, meu estomago se embolou todo e eu me senti tão fraca,tão sem chão que eu com certeza estava mais pálida do que aquele salão branco. Tentei correr mais meus pés estavam presos ao chão. Era horrível.

Não parei de encarar os dois, eu queria ter certeza que isso era um pesadelo. Eu estava esperando a hora que eu iria acordar toda desesperada na minha cama. Eu queria logo ouvir Alice dizendo que era só um pesadelo, mas aquilo custava a acontecer. Então vi que essa era a mais pura e dolorosa realidade.

- Polly! – Lisa gritou.

Ouvi a música ser parada e na cabine de som lá em cima consegui enxergar Nathan e Lucy. Voltei minha atenção ao ‘casal’ quando Polly disse:

- Que foi Lisa? Ah! Oi Ree. – ela disse meu apelido dado por meus amigos com um desprezo descomunal. Jacob virou bruscamente e me encontrou com um olhar de 'meu deus, me desculpe.' Mas já era tarde demais, ele não podia nem ao menos se explicar pra mim por que primeiro não tinhamos nada e segundo porque naquele momento eu não queria nem ouvi o som da sua voz.

Eu sabia que Polly poderia sim ter qualquer garoto que quisesse, mas por que Jake? Ela queria me atingir? Por causa do episódio com a amiguinha dela? Por quê? Como ela descobriu que meu ponto mais fraco era Jacob? COMO? POR QUÊ?

Simplesmente engoli seco e entrei correndo de volta para os fundos. Passei pelo camarim e fui até o banheiro que tinha no final do corredor. Entrei e tranquei a porta, sentada no chão, agarrada aos meus joelhos eu nunca havia chorado tanto na minha vida. Ouvia pessoas lá fora gritando meu nome, batendo na porta.

Alguém ameaçou dizer que arrombaria a porta, que chamaria o diretor, a polícia, meus pais, meus irmãos, o corpo de bombeiros. E podia chamar, eu não tinha forças para me levantar e sair dali. Concentrei-me em um som apenas, o do meu coração extremamente machucado batendo. Eu estava desejando imensamente que ele parasse ali e naquele momento.

Sentia-me tão mal que me deitei no chão sujo e frio sem me importar e senti as minhas lágrimas caindo e escorrendo pelo chão. Pensei até em formar chorar até um oceano onde eu poderia me deixar afundar sem respirar. Mas isso era só um outro sonho não realizado.

Minhas mãos tremiam e eu sabia que iria desmaiar e acho que foi isso que aconteceu, pois a ultima coisa que me lembro era dos meus olhos se fechando.

Quando acordei percebi que estava no meu quarto...

- Oi. – minha mãe abriu um grande sorriso, pena que não consegui retribuir.

- Oi. – percebi que minha voz estava só o sussurro.

- Acho que precisa molhar a garganta. Tome. – mamãe me entregou um copo de água que estava ao lado da minha cama.

- Você está bem, querida? – mesmo ainda meio desacordada percebi que era Rose com toda sua preocupação.

- Rose, calma ela está ótima, não está vendo? – Alice apareceu em seguida.

- Só esta com a cara amassada. – Rose respondeu se sentando ao meu lado e me abraçando.

- Obrigada pela parte que me toca. – respondi sonolenta.

- Que bom que tenha finalmente acordado. – Alice sorriu e se sentou em um cadeira igual a de mamãe na frente da minha cama. Ok, desde quando havia cadeiras estranhas no meu quarto?

- Por que finalmente? – perguntei tentando me soltar de Rose – E que cadeiras são essas?

- Depois que te pegamos na escola já desacordada você só abriu os olhos agora. Cinco da manhã. – Alice respondeu.

- Estávamos revezando que ficava até você acordar e olha, eu venci. – mamãe respondeu toda contente. Acho que era pra desfazer o ar depressão que rolava.

Espreguicei-me e bocejei piscando várias vezes até meu estomago gruir ferozmente.

- É. Acho que estou com fome. – disse tampando minha barriga.

- Por isso que eu adoro o senso de humor dessa garota. – Emmett disse da porta do meu quarto. Desde quando ele estava lá?

- O seu estômago me da medo as vezes. – Rose disse enquanto se levantava da cama.

- Calma ele é mancinho. – respondi e Emmett deu uma gargalhada como se eu tivesse dito a piada do ano.

- Que foi? – mamãe perguntou o ele.

- Ai. Como vocês não têm senso de humor. – Rose caminhou até ele, deu um soco em seu braço musculoso disse alguma coisa sobre como ele é patético e os dois desceram.

- Mãe, eu to com uma preguiça. – respondi me deitando novamente.

- Tudo bem, porque eu já trouxe seu café da manhã reforçado. – Esme apareceu carregando uma bandeja enorme.

- Como eu adoro isso. – respondi lambendo os lábios.

- Acho que está boa para ir à escola. – mamãe destruiu meus sonhos de passar a tarde toda deitada naquela cama quentinha.

- Também acho. – Alice concordou! Que traíra.

- Depois desse super café da manhã que eu preparei ela vai estar super disposta. – Esme colocou a bandeja na minha frente.

- Não. Não – disse com a voz esganiçada, coloquei a mão na testa e fingi estar mal – Eu estou morrendo. Deixe-me faltar na escola. Oh! – sim, eu era uma péssima atriz e completamente patética.

- Ta nada. Anda, coma tudo. – Esme disse colando minha vasilha de sucrilhos cheinha na minha frente. Eu sei, ela estava com uma arma poderosa.

- Eu vou separar a sua roupa! – Alice saiu pulando do quarto.

- Mãe, me deixa faltar. Só hoje. – pedi e fiz uma carinha de piedade.

- Filha, você sabe que as suas provas já estão aí. E eu falei para aquela sua amiga... Lucy. Que você estaria ótima hoje e que iria estudar na casa dela de tarde já que não puderam ontem.

- Tudo bem. – resmunguei.

- Vou ligar para o seu pai e já volto. – ela saiu do quarto antes de eu perguntar:

- Onde ele está? – então me virei para minha tia/avó. – Onde ele está?

- Saiu com Carlisle e Jasper.

- Para caçar?

- É, é. Para caçar. Vou deixar você comer em paz – ela estava saindo do quarto quando disse — Qualquer coisa é só chamar. — E me deixou ali, desamparada.

Quando voltei minha atenção para meu café vi coisas deliciosas e comi todas elas. Até me lembrar o real motivo por eu estar acordada aquela hora, por eu não ter ido estudar com a minha amiga, por eu fazer todos se preocuparam comigo, e por eu não ter feito meu dever.

Terminei de comer e fiz meu dever de literatura. Estava mais fácil quando Arthur estava me ajudando.

Tomei um banho quente, vesti a roupa que Alice praticamente me obrigou a vestir e quando me olhei no espelho não vi nenhuma garota maravilhosa que minha tia dizia ver, a não ser ela, claro. Eu estava encarando uma garota vestida muito bonita, mas com feições tristes e distantes. Então me lembrei de algo.

- Onde está Jake? – minha tia não respondeu, quem disse algo foi alguém que estava na porta do quarto, minha outra tia. Rose.

- Mandamos o vira-lata imundo pra rua. – ela sorriu.

Vi que Alice a censurou com o olhar e se voltou a mim e a minha roupa, sua obra.

- Ele saiu, disse que tinha que ver Leah. Acho que foi buscá-la para o pai.

- Ah. – respondi.

- Que nada. – Rose encostou-se à porta e disse – Ele fugiu com o rabo entre as pernas, sabia que se Edward o visse, o mataria. Apesar de tudo, porque você é o nosso ponto fraco e como ele fez aquilo com você.

- Já chega Rosalie! – foi a primeira vez na minha vida que eu vi a minha pequena e fofa tia gritar. – Não está vendo por tudo o que Nessie passou e você ainda quer feri-la mais?!

- Ela devia saber a verdade, só isso. – então Rose se retirou. Continuei imóvel enquanto minha tia arrumava minha blusa.

- Desculpe querida. Vamos descer, venha. – ela me puxou lá pra sala.

Eu estava na sala com alguns dos meus familiares vendo o noticiário. Não, meu corpo estava lá, eu estava tentando imaginar o que Jacob tinha feito depois do meu surto/escândalo. Ele teria ido a porta e batido para que eu tivesse de sair? Ou não? Será que alguém teria brigado com ele? Brigado com Polly? Como me tiraram de lá? Todos viram meu estado deprimente? Todos viram as lágrimas no chão? Alguém deu um belo ponta pé na bunda daquela loirinha? Quem havia de ter aberto aquela porta? Será que foram os meus amigos? Algum segurança? Algum professor? Os bombeiros? Meus familiares? Eu estava me condenando por não ter ficado acordada e ter visto tudo.

- Nessie. Nessie. – alguém balançava algo na minha frente. – Hey, Nessie. Vamos?

- Hã? – pisquei algumas vezes.

- Vamos pra escola? – Emmett sorriu.

- Tenho uma segunda opção? – ele pensou um pouco e depois disse.

- Não.

- Então vamos. – respondi me lamentando e me levantando bem devagar.

- Vamos logo! – ele me pegou no colo e eu comecei a rir. – Você está rindo do que? Hein? Acha isso engraçado? Acha? Então olhar agora. – ele me virou de ponta cabeça.

- Ahhh! – dei um grito.

- Emmett coloque essa garota no chão. – Rosalie apareceu na sala.

- Venha roubá-la de mim. – ele saiu correndo para fora da casa.

- Você sabe que vou roubá-la. – ela saiu atrás. E ele começaram a correr devagar — é uma maneira delicada de dizer que só não corriam em uma velocidade normal porque eu podia além de passar mal talvez me ferir, tios protetores.

- Crianças parem. – Esme avisou.

- Ela vai passar mal! – Alice gritou.

Mas já era tarde demais, eu já me sentia extremamente tonta. Meu tio me deitou no chão e perguntou:

- Ta bem Nessie?

- Espera um minuto que eu te respondo. – então tudo começou a parar de rodar, as coisas não estavam mais de ponta cabeça e eu ouvi Rose dizer:

- Viu! Falei pra colocar ela no chão – ela começou a bater nele, mas ele a agarrou e começaram um longo beijo.

- Agora que eu realmente vou vomitar. – e eles pararam com a melação.

Levantei-me, dei tchau e minha avó/tia e fui para o carro com meus tios/primos.

- Onde está a minha mãe? – perguntei quando entramos no carro.

- Foi as compras. – meu tio disse rapidamente.

- A minha mãe? Foi as compras? Impossível. – respondi.

- Ela queria comprar livros novos, por isso saiu. – Alice respondeu.

- Por que ela pode faltar por uma coisa boba e eu não?

- Porque ela já terminou o colegial. – Rosalie respondeu e eu revirei os olhos. Não tinha chance alguma de eu faltar.