Assim que chegamos ao auditório a professora estava sentada no palco mexendo em suas folhas amontoando-as. Eu e Jake nos sentamos entre os outros alunos e esperamos a professora se pronunciar. E assim foi feito...

- Bem, na outra aula nós já fizemos bastante coisa e eu fiquei pendente em dar uma resposta sobre onde será o baile. Eu perguntei pro diretor e ele disse que a escola não tem tantos recursos. Então vai ser aqui na escola mesmo.

- Credo usar aquela quadra de jogos horrível. – Lisa murmurou.

- Tem certeza que não pode ser em outro lugar professora? – Lucy tentou uma última esperança, mas pela cara da professora dava pra ver que não.

- Não – ela murmurou – Então vamos começar a ver tudo o que vamos precisar, pois falta menos de três semanas pro baile e temos muito trabalho.

Nós decidimos tudo, até os mínimos detalhes e a professora ficou contente com toda a nossa eficiência.

Depois da nossa “aula extra”, eu fui embora de moto com Jake.

- Você ta tremendo Nessie – ele comentou quando estávamos quase chegando.

Eu estava morrendo de medo do que poderia acontecer. Brigar com o meu pai foi com certeza a pior coisa que eu havia feito na vida. E eu queria tanto me resolver com ele, pedir desculpas, mas e se ele não aceitasse minhas desculpas?

“Não, para com isso. Pensamento positivo...” – eu me acalmava mentalmente.

- Eu estou com um certo medo. – admiti a Jake.

- Vai ficar tudo bem, você vai ver. – eu pude perceber que ele sorriu.

- Eu estou pedindo muito por isso.

- Nessie, ninguém consegue brigar com você. – ele me respondeu.

- Acho que a Lisa consegue. – retruquei.

Qualquer um poderia muito bem me odiar, eu era um desastre só. Falava a primeira coisa que vinha na minha cabeça, era totalmente indiscreta – Jake que o diga – nervosa, respondona... Eu era uma aberraçãozinha ambulante..

- Lisa não te conhece de verdade. – enfim ou infelizmente chegamos em casa.

Minhas mãos começaram a suar enquanto eu andava até a porta.

- Você está comigo. – ele murmurou pegando a minha mão enquanto entrávamos em casa.

Respirei fundo e girei a maçaneta. A casa estava silenciosa – o
que era muito estranho, pois eles deveriam estar em casa. Haviam chegado antes de nós da escola. Então mamãe apareceu na porta da sala de jantar e sorriu.

- Qualquer coisa... – ele sussurrou e eu concordei com a cabeça.

Jake subiu as escadas e eu ouvi uma música tocar. Papai.

Em um segundo mamãe se pôs ao meu lado, colocando suas mãos frias nos meus ombros e me guiou até onde o som da música parecia vir mais forte. Paramos na porta da sala e ficamos ouvindo papai tocar a “canção de mamãe”.

Aquela melodia conseguia descrever muito bem o sentimento que um sentia pelo outro. Era tão bonito de se ver, de se ouvir. A canção parou e papai se virou para nos observar assim eu percebi que aquele vazio deveria ser preenchido pela minha voz pedindo perdão.

Bloqueie minha mente para tentar achar palavras que pudessem expressar o quão arrependida eu estava.

- Onde estão os outros? – perguntei aos dois.

- Saíram. – mamãe respondeu.

- Eles saíram por conta própria ou vocês os fizeram sair? – os encarei.

- Eles saíram por conta própria. – papai respondeu seriamente.

E mais um longo minuto se prolongou na nossa conversa.

- Bem, deixa eu ir. – mamãe tentou sair da conversa.

- Não, mãe. – segurei seu pulso e ela voltou.

Ainda segurando seu pulso gelado a conduzi até o piano e a fiz
sentar ao lado de meu pai. Eles pareciam duas lindas estátuas me olhando.

A soltei e comecei a dizer:

- Eu acho que vocês não deveriam ter os deixado saírem, pois eu queria pedir desculpas a todos.. Porque não foi minha intenção dizer aquilo de tal maneira.. Eu estava nervosa, frustrada.. Me desculpe. Eu estou tão.. Envergonhada por.. Me Desculpe.

Mamãe se levantou e me abraçou. Eu respirei seu cheiro tentando conter que as lágrimas viessem. Como eu era chorona.

- Tudo bem, querida. Nós sabemos. É que pra nós é difícil fazer qualquer tipo de laço com um humano, porque sabemos que um dia vamos ter de ir e podemos machucá-lo.

- Eu percebi isso, mamãe... Me desculpe por não entende-lo antes, mas agora eu entendo e peso perdão por dizer aquilo.

Então ficou mais frio a minha volta. Quando abri os olhos e olhei pra cima vi que meu pai estava nos abraçando.

- Nós que pedimos desculpas por forçá-la tanto assim. – ele murmurou.

- Hein, que eu saiba a única culpada aqui sou eu. – sorri pra eles.

Papai respirou em meus cabelos e beijou a bochecha de mamãe.

- Nossa. Quanto tempo não damos um abraço em grupo. – ela riu e
me fez lembrar a última vez... Foi quando eu estava indo para o colégio na
Itália.

Sem querer transmiti essa imagem pra eles.

- É. Faz muito tempo. – ela respondeu.

- Filha, pede pro cachorro parar de tentar nos ouvir. – papai cerrou os dentes.

Olhei com desaprovação para papai e gritei:

- Jake. – o censurei soltando os braços da cintura de mamãe.

Corri até a porta e parei, me virei para os dois e os mandei um
beijo, então fugi para o meu refugio.

- Eu disse que tudo ficaria bem. – ele murmurou.

- Mas que horas os outros vão chegar? – perguntei impaciente.

- Logo. – ele respondeu carismático.

- Como você consegue me agüentar?

- Como se fosse muito difícil. – ele revirou os olhos.

- Eu falo de mais. – justifiquei.

- Você é ansiosa.

- Ansiosa? – acho que estressada seria a palavra certa,

- É. Você sempre fala demais por ansiedade. – ele explicou passivamente.

- Virou meu psicólogo assim de um dia pro outro?

- Eu poderia ser. — ele disse todo convincente.

Olhei pela janela do meu quarto e o sol estava se pondo, aquela visão era tão linda. E eu consegui reparar que na janela estava aquele
mesmo pássaro de antes.

Pisquei um pouco e continuei o vendo naquele lugar. Levantei-me e fui andando em direção a janela.

- O que foi? — Jake perguntou atrás de mim e o pássaro voou.

- Ele foi embora — meu melhor amigo não disse nada. E eu tentava completar meu raciocínio. — O pássaro que caiu aquela vez... Ele tava aqui e agora voou.

- Você tem certeza, Nessie?

- É claro. — virei-me pra ele.

- Deve ter sido outro pássaro e você deve estar se confundindo. — ele se sentou na cama.

- Não, Jake — ele não me deixou terminar a frase.

- Nessie. Vem. Deita aqui e se acalma. — ele me levou até minha cama.

- Você acha que eu tô paranóica? — perguntei assustada.

- Não, Nessie. — ele riu.

- Eu não estou Jake. Tenho certeza que era o mesmo pássaro.

- Nessie, você precisa descansar. Deita. — deitei-me na minha cama.

Não adiantava eu tentar explicar o que meus olhos haviam visto, Jacob estava me tratando como se eu estivesse dizendo que uma vaca deu luz a um canguru. Então desisti.

Ficamos um longo minuto em silêncio até eu dizer:

- Jake – comecei a frase e ele parou de acariciar meus cabelos – Eu vou acabar a escola e depois vou continuar a fazer isso sempre?

Ainda deitada no abdômen de Jake e não o deixei responder.

- Não quero fazer isso. Sei que os humanos não conseguem viver sozinhos, e como eu sou um pouco humana também sinto isso e não quero ter de me despedir tantas vezes. – murmurei.

- Você pode fazer o que quiser minha Nessie. – ele pegou um dos meus cachos e entrelaçou seus dedos nele.

- Eu fico pensando no que vou fazer daqui uns... Dois anos e vejo que parece que eu não tenho um futuro concreto.

- Nessie. Você pode ter o futuro que você quiser e sabe muito bem disso.

Ele não havia entendido que na verdade eu queria saber o que iria acontecer com nós dois no futuro. Um dia nós poderíamos ficar juntos ou não, seremos só como amigos?

Então ouvi a voz de Emmett.

- Eu ainda estou com fome.

- Emmett. – pude ouvir a voz de Rose o censurando.

- Você nunca está satisfeito mesmo. – Alice murmurou.

- Será que Nessie já está dormindo? – Esme perguntou baixinho.

- Está acordada. – Carlisle murmurou.

Eles abriram a porta discretamente e eu me levantei da cama.

Jake sorriu pra mim e eu concordei com a cabeça. Às vezes nós não precisávamos de uma palavra se quer, só precisávamos nos olhares.

Apareci na ponta da escada e eles pareciam ter congelado em seus
lugares.

- Bem, eu queria que vocês não estivessem saído, mas tudo bem.

Respirei profundamente e o silêncio mortal ainda pairava pelo ar. Tomei coragem e disse tudo o que tinha que dizer em um só jorro de palavras.

- Eu quero pedir desculpas por tudo o que eu disse. Porque eu disse sem pensar... E mesmo que eu tenha dito aquilo só pro meu pai e pra vocês também ouviram e talvez tenham se sentido mal pelo o que eu disse. Então quero pedir desculpas.

- Acho que o seu pai já falou com você e acredito que tenham se entendido, certo? – Carlisle subiu as escadas e eu concordei com a cabeça.

- Então está tudo bem. Pois nós também entendemos o seu lado e
fico feliz que você tenha entendido o nosso.

- Eu fui um pouco egoísta nessa parte. – me sentia mal com tanta bondade deles, como eles podiam ser compreensíveis e já eu não.

- Tudo bem. – Carlisle sorriu e foi para o seu quarto.

- Nós quem não deveríamos colocar tanto esforço em seus ombros. – Rose começou a dizer enquanto subia as escadas também.

- Não, Rose. A culpa é minha.

- Mas vamos esquece, pois isso já passou. — Alice cantarolou enquanto me abraçava.

Como era bom tê-la por perto.

Alice começou a me levar pro meu quarto e eu disse:

- Só quero ficar mais um pouquinho. Acho que eu vou fazer um lanche. — ela me soltou e eu desci as escadas enquanto todos subiam.

Fui até o armário e peguei uma das barras de chocolates, — chocolate com toda a certeza era o melhor doce do mundo — dei uma mordida e senti alguém vindo, quando me virei vi Jake.

- Sabia que se você não escovar os dentes vai dar cárie.

Como ele era engraçadinho. Revirei os olhos e guardei a barra.

- Não está com sono? – ele perguntou.

- Não. Hoje eu quero fazer algo diferente.

- Diferente? O que, por exemplo?

- Hum – olhei para a janela da cozinha e sorri – Vamos ver a lua, por favor. — fiz beicinho e ele cedeu, como sempre.

- Claro.

Peguei a mão de Jake e o levei para fora de casa, nos sentamos na entrada da casa, na escadinha e eu comecei a fitar aquela belíssima noite.

O céu estava em um azul escuro, quase marinho. A lua era crescente ou minguante. Eu não sabia ao certo, mas ela estava iluminando todo o céu e parecia estar mais bonita naquela noite. As
estrelas estavam incessantemente brilhantes. Acho que eu nunca havia visto um céu tão estrelado como aquele.

- Aquela é a lua minguante não é? – Jake perguntou olhando nos meus olhos.

- Sinceramente, eu não sei. – o observei frustrada por não ter a resposta.

Ele sorriu e voltou a fitar o céu. E eu fiz o mesmo e naquele exato momento uma estrela cadente passou rasgando o céu.

- Um pedido. Rápido. – sussurrei e fechei os olhos.

Porém o que eu poderia pedir mais? Tinha minha família, meus
amigos... Só faltava o meu amor, mesmo. Como eu queria que ao invés de mim e Jake existisse o nós.

Assim que abri os olhos vi os de Jake me fitando.

- Você fez um pedido?

- Claro. – ele sorriu.

- Não vai me contar?

- Só se você contar primeiro. – chantagista.

- Mas não pode contar. – respondi.

- Então por que você queria que eu contasse pra você?

- Pra ver se você era bobo o suficiente pra me contar.

- Pois é. Eu não sou. – ele sorriu vitorioso.

- Mas você sabia que se você contar esse pedido não acontece?

- Ainda bem que eu não contei. – ele me deu razão.

- Por quê? O que era tão assim de especial? – tentei tirar algo.

- Nem tente, vai perder o seu tempo. – ele respondeu tampando a boca.

- Por favor. – pisquei os olhinhos.

- Nem vem, Nessie. – ele respondeu se levantando e entrou em
casa.

- Por favorzinho-inho. – fiz biquinho tentando o seguir.

- Não, Nessie. – ele respondeu enquanto subia as escadas.

- Como você é mal. – assim que acabei de falar ataquei uma almofada do sofá nele.

- Eu nunca vou te contar. – ele correu pro quarto de hóspedes e fechou a porta.

- Então vou ter que tirar a força de você. — caminhei até a porta do
quarto.

Jake não respondeu. Tudo ficou silencioso.

Abri a porta e encontrei Jacob jogando em cima da cama.

- Tem certeza que você não vai me contar mesmo?

- Absoluta. – ele respondeu seriamente.

- Nem se eu implorar? – sentei-me na ponta da cama.

- Nem se você implorar. – ele se espreguiçou na cama.

- O que eu posso fazer pra você me contar?

- Que tal escalar o Monte Everest? – ele riu de si mesmo.

- Se eu escalar você conta? – se ele dissesse que sim, acho que eu escalaria.

- Eu quero que esse desejo se realize, então não vou de contar de maneira alguma.

Deitei do lado dele e continuei e implorar.

- Por favorzinho. – ele me encarou sorridente.

- Dessa vez eu não vou ceder. — Jake se levantou da cama e foi para o banheiro do quarto de hóspedes.

- O que você ta fazendo? – perguntei curiosa.

- Está muito calor. – ele respondeu enquanto abria a porta novamente.

E quando ele apareceu na minha frente esqueci totalmente de como devia respirar, meu coração bateu muito rápido até que percebi que ele estava tentando ler meus pensamentos.

Aquilo com certeza ultrapassava a perfeição de um corpo. Seu abdômen era esculpido, a pele morena esta radiante e os músculos... Jacob era totalmente e absolutamente perfeito. Não só de corpo, mas o jeito dele. Ele era todo perfeito.

Como eu queria que ele fosse meu.

Apaguei esses pensamentos da minha mente e voltei para a realidade.

Jake pegou a camiseta preta de manga que vestia e trocou por outra de manga curta.

- Você e sua mania de ficar semi-nu da frente dos outros. – murmurei.

Percebi que tinha o envergonhado e tentei continuar a conversa.

- Eu acho que você deveria ter uma roupa que mudasse de tamanho quando você se transformasse... Igual no Quarteto Fantástico. A roupa do Tocha não se queima.

- Mas eu não sou um super herói. – ele respondeu enquanto caminhava novamente até mim.

- Claro que é. – disse automaticamente.

- Então sou um super herói que está de férias. – ele caçoou.

- Isso. Você veio visitar uma amiga. – sorri.

- Vim encher o saco da minha Nessie. – ele se sentou na cama.

- Pode vir encher minha paciência sempre que quiser. – arrumei-me ao lado dele.

- Olha. Não fala isso que eu vou acabar morando aqui. – ele riu.

- Eba. Todo o dia vai ter Guerra de Travesseiro! – sorri abobalhada.

- Vamos ter Guerra de Água no quintal também. – ele sorriu.

- Parecemos ter seis anos de idade falando essas coisas.

- Mas você tem – eu o censurei com o olhar e ele tentou arrumar a situação – Você tem seis anos e mentalidade de dezoito.

- Sei, sei. – fingi estar nervosa.

- Minha Nessie. – ele me abraçou – É brincadeira.

O observei e depois o respondi:

- Tudo bem. Já vou dormir, já. Boa Noite. – dei um beijo na testa dele e levantei-me da cama.

- Boa Noite. – ele disse enquanto eu saia do quarto.

Caminhei calmamente até meu quarto pelo corredor frio e ouvi onde cada um dos meus parentes estava. Papai e mamãe no piano, Rose e Emmett na sala junto da Alice e Jasper, já Carlisle e Esme deviam ter saído.

Meus passos pareciam pesados no piso de madeira.

Abaixei a cabeça e fui andando e olhando para os meus pés. Eu não queria ter acordar amanhã e ir para a escola, eu estava começando a ficar preguiçosa, me tornando realmente uma adolescente.

Assim que entrei no quarto a primeira coisa que meus olhos se fixaram. O presente que Jake havia me dado quando eu era bem pequena. “ele não vai te permitir ter pesadelos.” Mas acho que ou estava quebrado, ou a magia havia acabado, ou só comigo as coisas nunca dão
certo.

Acho mais provável à última opção, pois é a mais verdadeira. Deitei-me na minha cama e bloqueie a minha mente – queria que isso durasse até eu acordar amanhã de manhã -, mas assim que eu caísse em sono profundo essa “barreira” cederia, então torci para não ter outro pesadelo ou coisa do tipo.

Fechei os olhos e esperei calmamente que o sono viesse, mas ele não veio com facilidade. Tentei arrumar uma posição boa na cama, porém não encontrei.

Consegui pensar em tudo que eu havia passado naquele dia. Por
que Brian havia sido tão bom comigo no começo? Eu iria ao baile com Jake? No passeio com os meus amigos tudo sairia bem? Meus pais iam me deixareu ir? Eu havia esquecido de pedir! O que Jake havia desejado?

Mas quando mais eu pensava mais minhas pálpebras pesavam até que enfim adormeci.