Wishes And Nightmares
3 Chapter 22 to 32
Notas iniciais
C h a p t e r 22
Levi teve que admitir: ficou realmente surpreso. Nunca haviam lhe chamado pelo seu nome de família. Isso porque até aquele momento ninguém tinha adivinhado. Yuuko também foi a primeira a ir direto ao assunto. Todos os outros sempre vinham com agrados – presentes, sangue ou mulheres – e, logo após, vinha com uma longa e cansativa conversa que começava com uma autobiografia, seguida por sonhos e ideais grandiosos e em como seria bom para “todos” se eles fossem realizados.
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- Sou todo ouvidos, mestra.
Yuuko tomou fôlego e falou sem rodeios: — Quero que me ajude a encontrar o meu pai. Ele é um respeitado historiador e desapareceu em circunstâncias pouco esclarecedoras, logo após que ele deixou o seu... – olha para o caixão em seu quarto – Você me ajuda a descobrir o que aconteceu com o meu pai e se ele ainda estiver... – não conseguindo aceitar a idéia, prosseguiu — e a salvá-lo; depois disso você está livre para fazer e ir aonde quiser.
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Parecia mais um daqueles trabalhos chatos, porém seu instinto lhe dizia que havia algo. Talvez, finalmente, teria alguma diversão e quando pensou nisso não pôde evitar que um leve sorriso brincasse em seu rosto. Sentou-se com um só movimento, ficando de frente para a menina e sem pensar duas vezes perguntou: — Quando partirmos, mestra?
Yuuko ficou surpresa. Não esperava uma resposta tão positiva logo de cara, mas achou isso bom. Estavam começando a se entenderem.
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- Ainda não sei. – disse a menina – Tenho que resolver umas coisas primeiro, mas antes disso eu preciso saber quais são suas limitações.
- Posso sair no sol, mas não gosto muito e se me expuser por muito tempo começo a ter queimaduras; alho, água benta, cruzes e igrejas não me afetam, mas lamento dizer que aquilo – aponta para o caixão – não é para ser usado como mesa. Preciso dormir nele por pelo menos doze horas por semana, mas ainda prefiro uma boa cama de um hotel cinco estrelas.
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Tentou ignorar a informação inútil, porém a menina não pôde deixar de pensar na vida em que ele levara em seus despertares anteriores. Resolveu deixar isso de lado por agora e continuar o assunto principal: — Além de ser forte, veloz e meio imortal, tem mais alguma habilidade?
- Você realmente andou estudando bastante sobre nossa espécie, mestra. Hum... – deita-se novamente – Talvez eu tenha, talvez não. Nada com que precise se preocupar.
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Suspirou. As coisas estavam indo bem demais para serem verdades. Resolveu esquecer esse assunto por hora. Tinha certeza que se tivesse alguma habilidade a usaria no momento mais oportuno e em que se sairia melhor. Antes que a menina pudesse encerrar, por hora, o assunto, Levi perguntou: — A mestra tem alguma pista do paradeiro?
- Yuuko fechou os olhos e voltou sua cabeça para o teto. Não gostava de lembrar-se daquela noite, mas sabia que era necessário...
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- Meu pai – começou Yuuko – nunca falou muito sobre o trabalho dele para a gente, minha mãe e eu. As únicas coisas que ele falou era que era historiador e, por ter feito algumas importantes descobertas e por possuir certas habilidades, era constantemente requisitado e, por conseqüência, não poderia passar muito tempo com a gente. Ele sempre colocou seu trabalho e nós num mesmo patamar. Amava ambos na mesma proporção – sorriu.
- Mestra, – boceja – poderia ir direto ao assunto? Está ficando tarde...
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Yuuko engoliu sua raiva, mas não sabia por quanto tempo iria suportar. Mesmo assim não pôde deixar de perguntar: — Tem algo em particular contra mim ou é sempre tão gentil assim com seus mestres?
- Sempre os tratei assim, — sorriso – mas em geral fingia tratá-los melhor. Acho que estou perdendo o jeito – dá de ombros.
- Pensei que os vampiros soubessem tratar uma mulher.
- E sempre tratamos bem uma mulher, mestra — dá um leve sorriso.
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Arrependeu-se amargamente de ter aberto a boca. Antes que a raiva a dominasse, respirou fundo e disse: — Vou sair. Fique aqui e não deixe ninguém te ver. Volto logo – fechou a porta do quarto e desceu as escadas correndo, ao mesmo tempo em que gritava informando que estava saindo e voltaria logo. Quando chegou ao lado de fora percebeu que ainda havia muita neve pela cidade. Andou a esmo, xingando mentalmente aquele sádico. Queria devolve-lo àquele caixão, mas sabia que precisava dele para encontrar seu pai.
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- Não se preocupe. Pedi para o meu irmão ficar de olho nele. Eu gostaria de ter ficado no lugar dele, mas provavelmente eu não resistiria.
- Como se isso fosse motivo de despreocupação, Tatsuki. Aliás, faz tempo que vocês não aparecem e tenho certeza que só apareceram por causa dele.
- Isso não é verdade!Bom, só um pouco. Também estávamos com saudades de você.
- Sabe que vou precisar muito de vocês, por isso, não sumam.
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Tatsuki sorriu. Sabia que, apesar da amiga estar brava, no fundo Yuuko estava bem feliz por finalmente ter uma oportunidade de procurar por seu pai. Não a via desse jeito desde a última vez em que brincaram, quando ela, Tatsuki, e seu irmão ainda viviam. Os três se conheciam desde a infância e, por alguma estranha razão, cada um deles conseguia pressentir quando o outro estava correndo perigo, triste, alegre, apaixonado... Infelizmente, estas habilidades não conseguiram impediram que a tragédia ocorresse.
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