Winter's Day
1 One-shot
Notas iniciais
Finalmente criei coragem para postar essa fic (aleluia!!!), mas a verdade é que eu a escrevi há uns dois anos atrás quando estava super entediada em palestra da faculdade e tive um surto de inspiração.
Enfim espero que gostem e nos vemos outra vez daqui a pouco.
Era apenas mais um dia de inverno os vidros estavam embaçados por causa do choque de temperatura e mesmo assim não escondiam como o céu estava nublado e mais cinzento que o normal, uma chuva fina caía do lado de fora da janela trazendo com ela um vento frio que passava por debaixo da porta fazendo um barulho assustador. Aquele com certeza era um dia excelente para ficar em casa sentado na frente da lareira comendo marshmellow junto de um fumegante chocolate quente cremoso e lendo um bom livro enrolado em um cobertor desfrutando de uma boa companhia.
Como sempre todos na casa estavam recolhidos em seus quartos ocupados demais para dar a ela um pouquinho de atenção. Desde que se conhece por gente a relação com a sua família tem sido assim, o pai, um importante publicitário, vivia trancando no escritório e as poucas vezes em que conversaram ele só soube dizer o quanto estava decepcionado e como pode colocar no mundo um ser tão inútil. A pobre mãe, que Deus a tenha, era assunto proibido não se viam fotografias dela em nenhum canto, se alguém ousasse lembrá-la seria punido e tudo isso porque aquele pobre homem amou tanto sua esposa que mesmo quatorze anos depois da sua partida seu coração ainda chorava de dor e saudades. A consequência disso foi que a filha caçula cresceu sem conhecer o amor e o carinho dos pais, para compensar ela sempre tinha tudo o que desejava e fazia apenas aquilo que tinha vontade. A única pessoa que parecia se importar um pouco com ela era seu primo que em virtude da faculdade morava em uma cidade longe e raramente tinha tempo para jogar dez minutos de conversa fora.
Eles sempre estavam imersos em seus próprios universos, tanto que nem viram quando ela saiu em meio aquela garoa fina. Pegou um casaco grosso para se proteger do vento cortante e partiu. Nunca tinha um destino certo, apenas deixava seus pés a levarem aonde quisessem. Andou pela rua coberta de folhas e com várias possas d’água, que ela fez questão de passar por cima deixando seus tênis ainda mais sujos do que estavam, no fundo ela não se importava apenas queria que a chuva lavasse sua alma e a livrasse daquela solidão que a consumia e a fazia querer sumir da face da terra. Nenhum ser humano deveria viver ouvindo o quanto era desprezível e como seu próprio pai desejava que ele não tivesse nascido.
Seus passos ecoavam pela rua quase deserta em perfeita sincronia com os passos de outra pessoa e, a julgar pela proximidade, ele estava bem ali ao seu lado. Não precisou nem olhar para o lado sabia que era ele, seu companheiro silencioso. Não sabia o nome dele e nem ele o dela, dois completos estranhos que pareciam se conhecerem a décadas e que se entendiam tão bem. Tudo o que sabia era que sempre encontraria ao seu lado aqueles olhos frios e inexpressivos, aquele rosto sem emoção nenhuma, a pele tão branca quanto a sua — ou até mais — e nos lábios um sorriso que para os outros era falso, mas para ela sempre reservava o verdadeiro.
Caminharam até o lago e sentaram-se longe da margem sob os galhos secos de uma grande árvore e com a grama úmida por causa da garoa encharcando suas roupas. Apreciavam a paisagem em um silencio profundo e acolhedor, apenas o som de suas respirações era ouvido, traziam em seus corações o mesmo objetivo: a companhia um do outro. Ela nem percebeu quando o garoto tirou do bolso um pequeno — e relativamente grosso — envelope para entregá-la.
O rosto dele estava um pouco corado e aquilo a deixou confusa, sem entender direito sorriu abrindo o envelope. Dentro havia vários papeis sendo a maioria poemas e todos sobre ela. Um papel em particular lhe chamou a atenção, era azul com um desenho um tanto peculiar.
Uma menina e um menino sentados perto de um lago beijando-se carinhosamente. Reconheceu logo os personagens, eram eles. Olhou para o companheiro e a intensidade do olhar dele fez o seu corpo se arrepiar. Aqueles olhos que normalmente encontravam-se vazios, distantes, opacos e praticamente sem vida agora denunciavam todas as emoções que borbulhavam em seu interior. Estavam quentes, penetrantes e ela então viu o amor, a carência, a apreensão e por fim ela viu o medo.
Outro sorriso. Como se estivesse lendo a mente da amada e atendendo a um pedido mudo lentamente ele se aproximou, com mão tremula tocou-lhe a face e com o polegar acariciou a bochecha corada. Sem quebrar o contato visual tomou-lhe os lábios em um beijo casto.
Os vidros continuavam embaçados, o céu ainda estava cinzento e a chuva fina ainda caía, mas aquele já não era apenas mais um dia de inverno. Não. Aquele era o dia que marcava o início de uma longa – e muito bonita – história de amor. Não houve fogos de artifícios, multidões ou confusões, havia apenas a solidão que os cercava e o destino que os unira.
Há quem diga que quando eles passeiam pela rua de mãos dadas é possível ver o fio vermelho do destino, que resolveu deixa ali sua pequena marca. Há ainda quem fique mais espantado quando vê o rosto daquele rapaz se iluminar com um sorriso genuíno, reservado apenas para a dona de seu coração. Mas uma coisa é certa, a solidão e a tristeza que antes envolvia os dois há muito já haviam deixado de existir e dado espaço ao amor e a felicidade verdadeira.
Notas finais
Só queria deixar claro que eu não shippo SaiHina, mas não achei que nenhum outro personagem se enquadrasse tão bem como ele.
Por hoje é só pessoal ;)
Beijos ;*
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