Winter Love
1 Capítulo 1
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Elsa nunca mais se sentiu sozinha. Não com os portões do castelo abertos todos os dias e todas as pessoas de Arendelle circulando livremente. Ser rainha daquele lugar era uma dádiva, ainda mais agora que as pessoas não ligavam para o seu poder de nascença. Muito pelo contrário, não tinham medo. Adoravam-na como adoravam Anna, como adoravam qualquer pessoa normal. Admiravam sua rainha e admiravam a beleza de como a neve podia ser. Elsa não se sentia feliz assim havia tempos.
Era como se o mundo inteiro a abraçasse. Podia comparar a sensação de estar apaixonada, embora nunca tivesse acontecido isso com ela. Seu coração, apesar de todo o amor que tinha por todos ali, era congelado, e sabia que ninguém poderia descongelá-lo. Não tão fácil.
Sua felicidade atingiu o ápice quando, de mãos dadas com a irmã, foi ao púlpito da praça de Arendelle para anunciar o primeiro grande evento real daquele ano. Seu sorriso estava mais brilhante do que nunca, e ela sabia que era o certo a fazer. Elsa respirou fundo, ajeitou os cabelos, que, naquele dia, estavam soltos e esvoaçavam com a pequena nevasca que ela mesma criara. O vestido era feito de cristais, como sempre.
Anna também estava linda. Seus cabelos eram presos apenas por uma fita branca que servia como tiara. O vestido dela era encantador, branco e curto. Para Elsa, Anna estava lembrando um monte de neve fofinha, como se esperasse um abraço.
– Pronta? — perguntou a mais velha, apertando a mão de Anna.
– Pronta.
O povo aplaudiu. A cidade inteira estava ali. Anna olhou para os lados e pulou, dando um gritinho de ansiedade. Quando a multidão se acalmou um pouco, ela se adiantou para a frente e soltou as mãos de Elsa, sorrindo. Do meio da multidão, ali, bem pertinho, surgiu um rosto conhecido, que sorria para ela. O loiro saiu dali do meio e ficou parado em frente ao púlpito, encarando-a.
– Eu queria anunciar a todos... — começou, tentando conter a felicidade, que era um tanto impossível. Anna quase engasgou com o próprio sorriso. Era de praxe, estava nervosa e precisava respirar.
O público riu. Já estavam todos acostumados com as trapalhadas da princesa, e adoravam ver como ela nunca perdia o bom humor mesmo em situações embaraçosas. Elsa deu uma risadinha e colocou os dedos delicadamente nos ombros da irmã, pronta para assumir o seu lugar no anúncio. Mas, antes que pudesse falar, a pessoa loira da frente da platéia se adiantou primeiro.
– A princesa Anna gostaria de anunciar... — começou ele, subindo ao púlpito e abraçando a menor. Sua fiel companheira, a rena de estimação, ficou ao seu lado, em um canto da platéia. Ele riu. — Ela gostaria de anunciar que eu a pedi em casamento.
O som de aplausos e gritos foi quase ensurdecedor. Elsa precisou levantar os braços e abaixá-los várias vezes para conter seu povo, mas ria com isso. Era uma notícia feliz para todos. E casamento só significava que teria uma coisa: festa. E desde aquela primeira festa depois de toda a bagunça que criou, desde a patinação do gelo... Elsa adorava festas. Era onde se sentia mais próxima das pessoas. E, além disso, gostava de encontrar pessoas de reinos próximos, de fazer amigos. Quem diria que a pessoa mais privada de todas se tornaria a mais receptiva.
Anna gritou, pulando de alegria. Kristoff fez nada mais, nada menos, do que a agarrar pela cintura e girá-la em cima do púlpito. Elsa aplaudiu. A multidão aplaudiu. Olaf, que estava em um cantinho perto de sua criadora, carregava um lencinho branco no qual derramava cristais de gelo, que eram suas lágrimas congeladas. O bonequinho de neve estava emocionado, mas também aplaudia. Até mesmo Sven, a rena, aplaudia, daquele jeito todo estranho.
– Como somos um pouco adiantados, já providenciamos tudo. — disse Elsa, tomando a frente enquanto o casal dava um beijo apaixonado, e o povo parava para soltar um "Awwwn!" caloroso. — A festa será semana que vem e todos vocês estão convidados!
Mais um monte de gritos da multidão. A rainha de gelo sorriu mais uma vez, e se virou para encarar com um olhar de interrogação para o casal que ainda não tinha parado de se beijar. Ela pigarreou alto, fazendo os dois se desgrudarem de susto.
– Sim, nós vamos nos casar semana que vem. Todos os reinos serão convidados, todas as pessoas, todas as crianças! — anunciou Anna, com a costumeira animação de sempre.
– E todas as renas. — adicionou Kristoff, fazendo Sven pular de alegria, para o riso de todos.
– E todas as criaturas de neve! — gritou Olaf, em sua pequena nevasca, fazendo com que a multidão aplaudisse.
– Sim, já entendemos que todos serão convidados. — continuou Elsa com um sorriso. — Peço que preparem a cidade e acomodações para os visitantes, por favor. Virá gente do mundo inteiro para Arendelle e temo que nem todos caibam no castelo. Hospedarias, fiquem preparadas para enfrentar uma possível lotação. — continuou, adotando um tom mais sério, o que sempre usava nos anúncios reais importantes. — Quero que tudo esteja em perfeita ordem para tal evento. E não vou permitir que ninguém fique triste durante esta semana. Não mesmo. — terminou, fazendo uma pequena mesura e arrancando mais palmas de seu povo.
Então parecia que tinham dado seu recado com maestria. Elsa já podia imaginar o monte de pessoas dançando naqueles enormes salões, o castelo cheio, o cheiro de chocolate por todos os lados. O frio aconchegante. Frio que não era seu, e sim do inverno que se aproximava. Anna puxou-a para um abraço enquanto Kristoff jogava uma cenoura para Sven abocanhar. Olaf começou a rir, passou para a frente de Elsa e levantou os gravetos para cima, pulando.
– E para comemorar, abraços quentinhos para todo mundo hoje!
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