Wings of the Darkness
1 Capítulo 1-Introdução
Desde criança nunca fui tratado como alguém normal, talvez seja pelo fato de eu nunca ter conseguido controlar meus poderes, ou então simplesmente porque eu sou uma ameaça aos outros. Meu nome é Bran.
Nunca fui aceito nas comunidades, já perdi a conta de quantas vezes eu e meu pai nos mudamos para me levar à sanatórios e abrigos que pudessem cuidar e tratar de mim. Minha mãe morreu durante o parto e os médicos não souberam explicar ao meu pai porque ela morreu ou por que eu tinha calombos tão grandes, um em baixo de cada ombro.
Quando completei um ano os meus calombos se abriram revelando enfim minhas asas.
Meus poderes apareceram uma semana depois, mas eu não conseguia contê-los, eu era apenas uma criança, causando grandes desastres e tendo que me mudar toda vez...
Hoje, com 18 anos, sei me virar muito bem sozinho, em uma noite sombria, quando completei meus cinco anos, meu pai me deixou em uma caverna longe de casa...prometeu que voltaria para me buscar...
"Comporte-se e não saia daqui, papai vai voltar logo logo..."
Naquela época pensei que fosse verdade, mas percebi logo que ele só queria se livrar de mim.
Minha rotina se tornou assim, a caverna onde fui deixado se tornou meu novo lar, e vivo muito bem do jeito que estou, companhia é o que menos importa agora. Costumo voar durante a noite pois a luz da lua me satisfaz, ao contrário dos raios do sol, que queimam minha pele e aquecem minhas asas dando uma horrível sensação de desconforto. Acabei me tornando um tipo de "monstro" para as crianças e adultos do vilarejo pelo qual sempre sobrevôo em meus passeios noturnos (sim, até mesmo uma criatura das trevas costuma ter um passatempo), quando são exatamente dez horas da noite, todos entram em suas casas, trancam as portas e desligam todas as luzes, para assim (tentarem) se esconder de mim, o temido "homem-corvo". Para a sorte desses meros e insignificantes mortais, sou vegetariano (pode rir, mas quando se vive em uma floresta cheia de plantas, você se acostuma ao fato de comer só plantas) e apenas roubo frutos dos pomares, acho até bom que sintam medo de mim, assim me deixam em paz, e como retribuição, eu não mato e nem estrangulo ninguém.
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