Wings of Fate

18 Marido e Mulher.


Notas iniciais
When I see your face There's not a thing that I would change 'Cause you're amazing Just the way you are - Bruno Mars, Just the way you are. PS. Haverá hentai nesse capítulo, gente. Eu sei que deixei bem claro que essa fic é +18, mas se alguém quiser desistir ainda dá tempo...

O castelo estava em polvorosa. O anúncio do casamento da princesa corria de boca em boca, os preparativos eram organizados e uma rede de fofocas se formara. Ninguém em Dunbroch tivera um único momento de paz depois do anúncio, especialmente Merida. Toda vez que ela saía pelos corredores mal dava dois passos alguém a encontrava e parava para dar-lhe os parabéns ou dar palpites a respeito do vestido, dos convidados, da festa. Não que a opinião dela servisse para alguma coisa, é claro. Era Elinor quem estava coordenando a organização de seu casamento com mãos de ferro. E de certa forma, Merida estava grata de assim fosse. Havia muito no que se pensar, e a primeira ação tomada por Elinor fora avisar Berk, de forma que Vigilante fora mais uma vez escolhida para entregar a notícia. A Rainha era tão ocupada que Merida só a via nas refeições. Assim como Soluço... Três semanas haviam se passado desde que o pedido fora aceito, Soluço estava hospedado no castelo à espera dos navios vikings que estavam a caminho. Merida praticamente não o via. Elinor havia reivindicado a atenção do jovem viking para ensinar-lhe alguns costumes de seu povo, como agir na presença dos Lordes, etiqueta, os ritos matrimoniais, a história das tradições do casamento escocês e mais uma série de detalhes importantes que ele deveria se lembrar para não ofender ninguém e deixar a todos satisfeitos.

É claro que a aprovação dos Lordes já havia sido confirmada e a lealdade viking à Aliança era inquestionável, mas Soluço ainda era um estrangeiro. Nunca em toda a história da Escócia houvera uma princesa que se casasse com alguém que fosse de outra nacionalidade e apesar da crescente aprovação do noivo escolhido pela princesa, sempre haveria alguém que reprovaria a escolha. Por isso era essencial que Soluço se mostrasse inteirado dos costumes escoceses. Mostrar respeito pelas antigas tradições calaria as más línguas e impressionaria aqueles que ainda tinham alguma dúvida quanto a ele.

Em uma manhã, decidida a escapar da bagunça que se tornara o castelo, Merida se moveu como uma sombra entre os corredores, pronta para sair correndo ao menor vislumbre de qualquer pessoa. Carregando seu arco e uma aljava lotada de flechas, tudo o que ela queria era chegar sorrateiramente aos estábulos, sair com Angus e desfrutar de algumas horas de quietude na floresta. Depois dar várias voltas pelo castelo e evitar servos e hóspedes atarefados, a princesa finalmente alcançou seu objetivo. Ao chegar aos estábulos, Angus a recebeu com alegria, e Merida sentiu-se mal por tê-lo deixado por tanto tempo. Com agilidade, montou e partiu para a floresta, sua segunda casa, com os cascos de Angus trovejando embaixo de si.

Merida não sabia quando teria uma outra oportunidade de fuga como esta, então decidiu aproveitá-la ao máximo e despedir-se da terra que a vira nascer. Visitaria as pedras sagradas, o ribeiro onde pescara com sua mãe e onde conhecera Soluço, a casa da bruxa ( se tivesse alguma chance de encontrá-la), a cascata de fogo e até mesmo as ruínas do castelo do príncipe Mor'du. Este último provocava nela emoções contraditórias. Nada de bom acontecera em nenhuma das vezes que ela visitou as ruínas, mas ela enfrentaria esse desafio apenas para dizer a si mesma que podia e que não tinha medo. As árvores fechavam-se atrás de si e os alvos abarrotados de flechas cravadas a convidavam a atirar. E Merida o fez, repetidamente, acertando os alvos enquanto Angus galopava. Ela jamais teria se dado conta do dragão planando calmamente acima dela se Angus não tivesse reduzido subitamente a velocidade e uma sombra deslizasse sobre ela, encobrindo o sol por alguns poucos segundos. Ela repôs a última flecha na aljava e olhou para cima, procurando.

–Sei que está aí, Soluço. Desça! — ela gritou.

Não muito depois a forma negra do Fúria da noite surgiu entre as árvores. Estranhamente Angus não se assustou, como seria de se esperar. Os vários dias de convivência com Vigilante passeando pelo castelo e a constante presença de Banguela em Dunbroch haviam acostumado o Clydesdale à presença dos répteis. O que eles tinham ainda estava longe de ser uma amizade, mas pelo menos Angus não empinava, escoiceava ou derrubava Merida da sela ao menor sinal de uma das criaturas aladas.

– A quanto tempo está me seguindo? — ela desmontou e parou, de frente para ele, com as mãos na cintura.

– Desde que saiu do castelo. — ele falou, com a voz abafada pelo elmo e desmontou de Banguela, tirando-o.

–Como conseguiu escapar da minha mãe? — ela questionou.

– Eu a convenci de que Banguela precisava sair para voar ou ele ficaria entediado e começaria a rasgar coisas. — ele franziu a testa — Não exatamente com essas palavras. A sua pontaria é incrível. Estaríamos encrencados se você atirasse contra nós.

Merida fez uma vênia irônica, erguendo as pontas das saias.

– Eu agradeço o seu elogio, Milorde. — ela zombou, e os dois riram.

– O que ia fazer depois que acertasse o último alvo? — Soluço perguntou.

– Eu gostaria de visitar alguns lugares. Me despedir.

– E será que a companhia de um humilde ferreiro e um dragão lhe interessariam? — ele ironizou.

– Eu aceito a sua oferta. — Merida respondeu, pensando que Soluço era muito, muito mais do que apenas um humilde ferreiro. Ela estendeu a mão para ele e os quatro seguiram pela floresta, visitando os lugares que Merida panejara ir. Surpreendentemente Soluço reconheceu quase todos eles, lembrando-se do relato que Merida fizera na caverna, em Berk. Ao chegar na encosta rochosa onde ficavam as ruínas do palácio de Mor'du, Soluço ficou subitamente tenso e se virou para ela.

– Tem certeza? — ele perguntou.

– Eu preciso. — ela deu ombros.

Soluço desceu primeiro e a ajudou. Merida parou de mãos dadas com ele e observou a sala escura, estremecendo com o frio e a umidade. Reconhecendo uma forma escura no chão, Merida abaixou-se e correu os dedos pela figura partida de Mor'du, separado de seus três irmãos para sempre.

–Quem é? — Soluço perguntou atrás dela.

– Mor'du. — ela murmurou no silêncio. — Me assusto ao pensar no quanto me aproximei de ser como ele.

– Mas você não é. — ele se agachou ao lado dela e tomou sua mão. — Você se arrependeu no fim. Salvou sua mãe e também o salvou de viver a eternidade em uma existência pior que miserável. Tenho orgulho de dizer que você será a minha esposa, Merida.

A princesa olhou nos olhos, dele, levemente corada. A expressão de Soluço estava séria e seu tom de voz calmo. Ele não estava brincando.

Quando outras lembranças mais recentes jorraram sobre ela, Merida decidiu que era hora de ir embora.

–Vamos sair daqui? — ela perguntou.

– Achei que nunca iria perguntar.

Por último, Merida o levou até o círculo de pedras onde Mor'du fora morto. Soluço parou em frente a uma grande pedra que estava caída.

– Foi aqui?

– Foi. Ele está embaixo dessa pedra.

Banguela se aproximou e cheirou a pedra ligeiramente, franzindo o nariz com o que quer que tivesse sentido. Merida e Soluço passaram mais alguns momentos olhando e subitamente se viraram para ir embora. Nenhum dos dois tinha vontade de dizer nada.

O sol estava quase se pondo quando Soluço e Merida chegaram ao castelo. A princesa deixou Angus no estábulo e os três seguiram para dentro. Mas conforme Merida caminhava, ela percebia que os criados não davam nenhuma atenção a ela, Soluço ou Banguela. Muito pelo contrário. Corriam de um lado a outro carregando lençóis, travesseiros, toalhas... E mais de uma vez Merida sentiu o cheiro de barris carregados de peixe. Ela olhou para Soluço, que deu ombros, tão confuso quanto ela. Não precisaram de muito tempo para descobrir a origem do tumulto. Quando entraram na Sala do trono o ruído os atingiu com um soco. Por toda a parte que se olhava haviam vikings, e Merida sorriu, extasiada quando seus olhos encontraram Astrid. Por um momento ela se esqueceu de todas as regras de etiqueta e correu até a guerreira, prensando-a em um abraço apertado, enquanto as duas riam e pulavam abraçadas como crianças. Bocão e Maudie conversavam em um canto, alheios à bagunça. A governanta parecia não saber o que fazer com as mãos e estava mais corada do que nunca. Ao longe ela viu os gêmeos brincarem com a figura empalhada de um urso, Melequento exibindo os músculos a uma jovem criada e Perna-de-Peixe admirando as tapeçarias. Fergus, Elinor e Estóico também pareciam estar muito entretidos no que quer que estivessem conversando, sem dúvida sobre o casamento repentino. Rodeada por todas aquelas pessoas, uma estranha tranquilidade atingiu Merida. Nunca antes ela se sentira tão feliz. Estava cercada por pessoas que a amavam.

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Um grande acampamento havia sido montado para acomodar vikings e dragões, na face leste do castelo. Dúzias de criados do castelo se aglomeravam nas muralhas para ver os dragões. Alguns entre eles, os mais corajosos pediam aos vikings para se aproximar e muito poucos entre estes reuniam coragem o suficiente para tocar nas feras ou voar nelas. O exterior do castelo ficara animado como em um dia de competição dos jogos pela mão de Merida. No mesmo dia os chefes de clãs chegaram para prestigiar o casamento da princesa. Mais do que depressa o jovem McIntosh decidiu provar sua bravura ao se aproximar desarmado dos dragões e até mesmo deu uma volta em Tempestade junto com Astrid. Todos queriam conhecer as feras das quais eles só haviam ouvido falar em histórias, se não voar, ao menos ver e sonhar sobre como deveria ser maravilhosa a vista lá de cima.

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Na noite anterior ao casamento, Elinor chamou Merida para uma conversa. A princesa não fazia ideia do que sua mãe poderia querer, mas foi mesmo assim, esperando algum tipo de lição ou uma noção geral de como se comportar na cerimônia. Quando entrou no quarto da mãe, Elinor estava parada, em pé, diante da sacada com um olhar distante.

– Mãe? Queria falar comigo?

A rainha virou-se para ela com uma expressão surpresa, como se tivesse acabado de acordar de um sonho bom.

– Sim. Sim, eu quero falar com você, Merida. Sente-se, por favor. — ela suspirou e baixou o olhar para o chão. Merida pensou ter visto um traço de cor em suas bochechas.

Ela estava corando? Sua mãe? Elinor, a rainha que comandava Dunbroch, que tinha o respeito de homens e mulheres estava encabulada? Era a primeira vez que Merida a via assim e não tinha ideia de como lidar com essa situação. Sentou-se em uma cadeira próxima, apreensiva com o que a aguardava.

– Amanhã você vai se casar e a sua noite de núpcias será aqui, em Dunbroch... Como você bem sabe, haverá uma consumação física...E... Seu marido vai esperar que você se entregue a ele de boa vontade... e... e... — ela gaguejou, levando a mão à testa, e suspirando pesadamente.

Merida a observava sem dizer nada, de olhos arregalados. Ajudava um pouco saber que sua mãe estava tão constrangida quanto ela.

– A questão é que há algumas coisas que você precisa saber, coisas que serão esperadas...

Nos minutos que se seguiram, Elinor falou praticamente sem pausas, sobre coisas das quais Merida já sabia a essência geral. Claro que a princesa não disse nada, apenas ouviu, quieta e atenta tudo o que a mãe tinha para dizer. Se ela dissesse a ela que já sabia muitas coisas das quais ela explicava, Elinor ficaria chocada e exigiria saber de Merida onde ela aprendera tudo aquilo. Então a princesa teria que dizer a verdade: às vezes, mas só as vezes, quando escapava de suas lições, Merida se escondia na cozinha e ficava a ouvir as conversas das criadas sobre tudo, mas principalmente homens. No início era apenas curiosidade, e depois com relativo interesse, querendo aprender o máximo que podia. Então, ao se lembrar de um dos temas das conversas, interrompeu Elinor bruscamente, mal ouvindo o que a mãe estava dizendo.

– Dói muito? — ela murmurou, um pouco sem graça.

A rainha sugou o ar, um tanto surpresa com a pergunta e pensou por alguns segundos antes de responder. Depois, suspirou. Mentir seria pior, muito pior.

– Um bocado. — ela falou, com o olhar distante, como se estivesse se lembrando do momento. — Foi muito desconfortável para mim. Mas entenda, eu estava assustada. Eu não tive a oportunidade de conhecer o seu pai antes, como você teve com Soluço. Eu aprendi a amá-lo muito depois. Felizmente para mim, Fergus foi muito... — ela fez uma pausa, escolhendo as palavras com cuidado para não revelar demais — Persuasivo e paciente. Eu tenho certeza de que Soluço será assim com você também.

Merida assentiu, um pouco preocupada. Não queria admitir, mas a conversa com sua mãe já a havia assustado o suficiente.

Elinor se aproximou e segurou as mãos dela nas suas.

– O que eu lhe disse foi necessário. Há coisas que você precisava saber. Mas não se torture antes da hora, filha, não seja como eu. Você e ele são bons amigos, pelo que eu pude perceber. Ele te respeita muito, assim como seu pai é comigo. Tenho certeza de que ele jamais forçará nada e estará disposto a esperar, se você não estiver pronta. — ela assegurou com um sorriso.

– Obrigada mãe. — Merida agradeceu e tentou jogar suas dúvidas para o fundo de sua mente e esquecê-las lá, por enquanto.

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Fergus se remexeu na cama, inquieto. Lá fora a luz azulada anunciava os primeiros raios do sol. Aquele seria o dia em que sua filha se casaria. O rei mal pôde dormir durante a noite. Mesmo gostando tanto do futuro genro quanto seria possível, mesmo sabendo que esse dia chegaria, Fergus ainda não estava ansioso pela cerimônia. Ele sempre soube que esse dia chegaria, mas saber não tornava nada daquilo mais fácil.

– Não conseguiu dormir? — Elinor murmurou ao lado dele, com a voz um pouco rouca pelo sono.

– Ela não é mais a nossa menininha valente, Elinor...

– Ela sempre será nossa menininha. — Assegurou Elinor — Só porque ela vai se casar não significa que ela vai deixar de nos amar também.

– Mas não vai ser a mesma coisa. — ele lamentou — Você acha que ela já o ama?

– Se ainda não, com certeza irá. E o mesmo com ele, se eu não estiver enganada.

– Você raramente está.

– Ela escolheu por si mesma e não apenas pelo reino.

– Eu só quero que ela seja feliz!

Elinor colocou os braços ao redor dele com carinho.

– Eu sei, e ela já é, e será ainda mais. Mas nossa filha cresceu. Temos que confiar e acreditar nela. E nele.

Fergus rodeou Elinor com os braços e deixou sua força tranquila guiá-lo, como fizera tantas vezes antes, mas uma lágrima deslizou pelo canto de seu rosto, no entanto.

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A cerimônia em si passou-se em um borrão. Tudo o que Soluço podia se lembrar era Merida, linda e radiante de frente para ele enquanto se comprometiam e juravam seus votos, selando a união com um beijo entusiasmado demais para ser apropriado, que fez os escoceses corarem e os vikings bradarem vivas.

A festa fora tão familiar quanto eles haviam esperado. Havia comida em grande quantidade, assados, pães doces e salgados, legumes, vinho e cerveja e até mesmo peixe fresco para os dragões dos amigos do noivo, que foram permitidos de entrar na festa. Merida incentivou Soluço a provar o haggis e riu da cara dele quando deu a primeira mordida. Uma vez que ele terminou de engolir, apenas olhou para ela, sorriu e afagou sua mão. Quando ela segurou a mão dele, ele a ergueu e roçou os nós dos dedos contra seus lábios, olhando em seus olhos e notando com satisfação a forma como ela corava completamente, a expressão em seu rosto, sentindo seus dedos de apertarem contra os dele.

Após o jantar todos estavam rindo, bebendo ou dançando. Muitas pessoas vinham para cumprimentar o casal recém formado e não foi sem espanto que Merida e Soluço viram Astrid se aproximar em um longo vestido azul claro. As mangas abriam-se nos pulsos em um formato de leque. O decote não era fundo, mas os ombros a mostra chamaram atenção entre vikings e escoceses. O cabelo dourado fora escovado, trançado em volta da cabeça e ornado com flores brancas minúsculas e delicadas, que realçavam o brilho das mechas. Uma fina gargantilha prateada atada ao pescoço com um pingente em forma de machado era o único adorno que usava e lembrava a todos que a conheciam que não se enganassem com aquele vestido e a aparência feminina. Astrid era uma guerreira e ai daquele que se esquecesse disso.

– Você está linda, Astrid. — comentou Merida.

– Eu? Olhe só para você! — Astrid apontou para ela — Está tão bonita que até parece uma Valquíria!

Merida olhou interrogativamente para Soluço. Ele já havia lhe contado algumas histórias dos deuses de seu povo, mas ela nunca ouvira nada sobre Valquíria nenhuma. Ele fez um gesto de "depois" e a princesa esqueceu o assunto, voltando sua atenção para sua amiga.

– Bobagem. — Merida respondeu. — Olhe em volta, não há um homem nesse salão que não esteja olhando para você agora.

Astrid obedeceu e ao se virar, dezenas de cabeças, escocesas ou vikings desviaram o olhar, encabuladas. Alguns, mais ousados continuaram a encarar fixamente, como se o fato de ela estar olhando não causasse o menor constrangimento. Nem mesmo os Lordes conseguiram ficar indiferentes, garantindo protestos de suas esposas enciumadas. Merida sorriu. Não demoraria muito para que uma legião de nobres questionasse Estóico se Astrid estaria disponível para ser cortejada e se tinha pretendentes em sua terra natal.

Fergus fez gestos do outro lado do salão convidando Merida para dançar. A princesa olhou para Soluço e ele sorriu para ela.

– Vá, eu vou ficar bem.

Mais do que depressa ela foi, passando dos braços de seu pai para os de Estóico. Soluço quase cuspiu a cerveja que estava bebendo sobre a mesa perante a visão de seu pai dançando quase ao mesmo ritmo da música. Ao final da dança com sua nora ele sorriu com orgulho, como se ela fosse sua própria filha.

Antes que os noivos percebessem já passava de meia noite e todos estavam de pé, segurando as bebidas no alto e fazendo um brinde ao casamento, a Aliança e às gerações vindouras. Elinor abraçou Merida com firmeza, mantendo-a junto de si enquanto falava.

– Eu te amo.

– Eu também te amo, mãe. — A princesa respondeu, com doçura.

A rainha se afastou e abraçou um Soluço totalmente sem graça.

– Amo você também. — disse, por fim ao genro

Ao deixá-lo, Soluço estava terrivelmente corado. Ele sempre ficava sem jeito perto da rainha. Quando Fergus se aproximou dela, Merida não pôde deixar de chorar e rir com a expressão no rosto do pai. Ele a abraçou com a força de um urso e a princesa retribuiu o melhor que pôde antes que seu fôlego acabasse. Pai e filha enxugaram as lágrimas um do outro, comovendo os expectadores que assistiram à cena. Nenhuma palavra foi dita entre eles. Soluço se aproximou e segurou o ombro do rei, capturando seu olhar com firmeza.

– Eu cuidarei bem dela. É uma promessa.

Fergus tirou a mão de Soluço de seu ombro e a segurou com a sua, sem desviar o olhar do dele nem por um segundo.

– Eu sei que vai. — o rei urso assegurou, e nem por um instante ele duvidou das próprias palavras, puxando-o para um abraço.

Então uma voz com um sotaque familiar gritou no salão subitamente silencioso:

– Três vivas para nos noivos!

E o salão estremeceu quando as vozes de vikings e escoceses gritaram os vivas em uníssono. Mal os gritos acabaram e uma multidão de criadas puxou Merida e a conduziu para aposentos que pareciam ficar a quilômetros de distância do seu quarto. Um fogo acolhedor estava aceso na lareira. Havia uma mesa com uma bacia e uma tolha, e uma outra com uma jarra que provavelmente estaria cheia de vinho e duas pequenas taças a seu lado. Enquanto as criadas corriam ajeitando coisas no quarto, Merida tentou olhar para qualquer coisa que não fosse a cama. Mas quando uma delas começou a desatar os cordões de seu vestido e ela viu a camisola segura nas mãos de uma outra, Merida afastou-as praguejando e corando como nunca, tentando de alguma forma acalmar as borboletas em seu estômago. Eventualmente elas desistiram de despi-la e deixaram a camisola ricamente bordada sobre uma cadeira antes de sair. Assim que as portas se fecharam atrás delas, Merida contou duas respirações antes que se abrissem de novo e dessem passagem a Soluço. Seu marido. Ele parecia perdido, hesitante e mais bonito do que nunca.

Em seguida, do outro lado do quarto ele sorriu, o mesmo sorriso torto que tinha lhe dado meses atrás quando a conhecera no ribeiro e lhe perguntara se ela confiava nele, um sorriso que mantinha a esperança de uma amizade.

Quando os passos dele o aproximaram dela, Merida finalmente se deu conta: estava sozinha com ele e dessa vez não haveria mais nada entre eles. A conversa anterior com sua mãe surgiu em sua mente suscitando uma agitação crescente e ela colocou os braços em torno de si mesma para se acalmar. Ele notou, é claro, e franziu a testa em preocupação. Para esconder sua reação atrapalhada, Merida se virou para uma das mesas e desejou que suas mãos fossem mais firmes enquanto enchia uma das taças pela metade. Por sobre o ombro ela perguntou:

– Vinho, meu senhor? — Sua voz soava calma, formal e controlada, nada como ela mesma.

Ela não tinha ouvido ele se mover, mas de repente ele estava atrás dela, uma mão em seu cotovelo girando-a lentamente para enfrentá-lo.

– Sou só eu, Merida. — disse ele, sua voz suave e seus olhos procurando seu rosto. — Não sou um senhor, ou um chefe ou qualquer coisa que queiram me chamar. Eu ainda sou apenas Soluço e tenho certeza e que você — ele apertou o braço dela com delicadeza e ela sentiu o calor de sua pele mesmo através do tecido de sua manga e se perguntou como seria a sensação de seus dedos sobre a pele macia por baixo. — Ainda é a mesma garota que achou que havia ferido um Fúria da Noite só porque o colocou para dormir.

Merida permitiu-se sorrir com a lembrança.

– Eu havia me esquecido disso. — ela disse, sentindo-se mais leve. — Uma vez que já está derramado, você gostaria de um pouco de vinho, Soluço?

– Na verdade não, mas é a tradição.

Merida serviu um pouco para ela e os dois beberam em silêncio, absortos em seus próprios pensamentos. Uma vez que o copo estava vazio, Soluço deu um passo em direção à mesa para deixá-lo, provocando o que pareceu aos seus ouvidos um guincho áspero quando o metal de sua perna raspou na pedra. Sua expressão ensombreceu.

– Você se importa se eu me sentar? — perguntou.

– Claro que não.

Ele se sentou na beirada da cama e soltou um suspiro silencioso. Ele encarou seus pés por um momento e depois olhou para cima, não exatamente encontrando seus olhos.

– Eu não pensei sobre essa parte. — ele comentou, como que para si mesmo. Ela demorou alguns segundos para entender.

Nos dias entre o noivado e o casamento ele pensara muito sobre essa noite: sobre beijá-la sem ter que parar ou a urgência de serem pegos, tocá-la, adormecer ao seu lado. Mas nenhuma vez ele pensou sobre como seria despir-se e tirar a perna na frente dela, deixá-la ver as cicatrizes horríveis sobre a pele. Não importava o quanto os vikings achassem cicatrizes atrativas, Merida não era viking. Claro que Fergus não tinha uma perna, isso não era nada de novo para ela, mas ele não queria ter de lidar com isso agora. Ele não queria que no futuro ela pensasse em sua noite de núpcias e se lembrasse do que seria, certamente o choque de ver o seu toco pela primeira vez.

Merida sentou-se ao lado dele, deixando um pequeno espaço entre os dois. Ela não se lembrava de alguma vez tê-lo visto tão conturbado e perdido. Ela pensou se seria uma boa ideia dizer que não pensava menos dele por ter perdido a perna, assim como não pensava menos sobre seu pai. Certamente ele tinha que saber não? Ela se surpreendeu com o pensamento de que devia a Mor'du, pois o urso demônio indiretamente tinha feito dela uma filha melhor e agora lhe dava a oportunidade de ser uma esposa melhor. Quando finalmente tomaram uma iniciativa, os dois acabaram falando ao mesmo tempo e interromperam um ao outro:

– Você quer... — ela começou.

–Você pode... — ele se interrompeu, dando um sorriso fraco. — Podemos falar disso mais tarde, talvez?

Merida assentiu e um silêncio se avolumou entre eles.

– Nós não temos que... Quero dizer, não imediatamente. — ele ofereceu. Parecia tímido e pouco convincente aos seus próprios ouvidos. Tinha que acontecer mais cedo ou mais tarde, os dois sabiam, ele só queria não parecer ansioso por isso, não quando ele sabia tudo o que Merida passara nas mãos de William. Ele esperaria todo o tempo do mundo por ela, mas secretamente, desejava que ela se sentisse tão pronta quanto ele.

– Nós deveríamos. — ela falou, dando-se um pontapé mentalmente quando as palavras saíram. Ela não queria que parecesse que ela estava concordando apenas por que uma consumação era esperada ou por que era suposto ser seu dever como esposa. Ele tinha que saber que era mais do que isso. Ela encontrou seu olhar e a preocupação nos olhos dele fez seu coração inchar com carinho.

– Eu quero. — ela realmente queria e isso transpareceu em cada palavra.

Ele sorriu para ela e apertou os lábios contra sua têmpora, estremecendo levemente quando Merida virou-se e segurou seu rosto entre as mãos, beijando-o docemente no início, depois com mais urgência conforme ele respondia ao seus toques.

Suas mãos desceram para os cordões do vestido nas costas, desatando-os com perícia. Soluço deixou escapar um arquejo ao sentir o toque das mãos quentes de Merida por baixo da camisa e ergueu os braços quando ela a puxou para cima para tirá-la. O vestido se foi em um segundo e então Soluço começou a sua luta contra o espartilho, as anáguas, as meias, os sapatos, sempre com seus lábios unidos aos dela, soltando pragas quando parava para respirar. Ele mal notou quando Merida desamarrou o cordão de suas calças e também não soube dizer como e quando elas haviam saído, assim como sua perna móvel. Quando suas mãos trêmulas percorreram a pele nua dela e não encontraram nenhum tecido, ele se obrigou a se afastar e olhar para ela.

Ao vê-la nua, soube que aquela nudez era um presente, pois fora dada a ele. Não era uma visão roubada, um vislumbre através de uma capa. Merida corou, ofegante com o olhar de admiração nos olhos dele.

– Você é linda, Merida. – ele murmurou, parecendo quase chocado, sem tirar os olhos dela.

A partir dali não havia mais volta, ela pensou consigo mesma. Ela o encarava também, absorvendo os detalhes do seu corpo despido, meio ansiosa e meio assustada com o que aconteceria em seguida. Ele se aproximou lentamente, sentando-se mais perto dela. Ao afastar-lhe o cabelo, viu que tremia violentamente e sentiu seu pulso acelerado quando seus lábios beijaram-lhe o pescoço. Merida estava trêmula, mas decidiu confiar nele. Ela sabia que ele jamais a machucaria.

Com uma das mãos em sua nuca, Soluço a fez deitar-se e se colocou ao lado dela, deitado de lado, apoiando-se sobre o cotovelo. Com a outra mão, Soluço tocou-lhe o seio esquerdo enquanto a beijava e não pôde reprimir um sorriso quando ela se sobressaltou com o toque. Deslizou os dedos suavemente entre seus seios até a cintura e acariciou em seguida seu ventre com movimentos circulares. Seu corpo era magnífico. Tinha a pele suave e sedosa, os seios pequenos e firmes, com as formas perfeitas, os mamilos de um rosa claro, a cintura fina, os quadris delicadamente curvos. Onde acabava a extensão suave de seu abdômen, uma fina camada de pelos avermelhados rodeava seu sexo. Acariciou-a com seus dedos e ouviu um gemido que ela tentou abafar sem êxito.

Soluço sorriu de novo, inclinou-se sobre ela e beijou seus lábios. Merida que tinha os braços estendidos dos lados do corpo e os punhos fechados, em pouco tempo, levou-os aos ombros dele, envolvendo-o. Soluço beijou-a até ficar farto da doçura de seus lábios, depois a olhou longamente nos olhos e se inclinou sobre seu corpo para tomar em sua mão um de seus seios, que acariciou, passando o polegar sobre o mamilo. Ela conteve a respiração e ficou imóvel, engolindo em seco enquanto o olhava.

Ele prendeu seu olhar enquanto tomava o mamilo com sua boca e brincava com ele com a ponta da língua, rodeando-o, sugando-o até que o sentiu endurecer-se entre seus lábios.

Merida emitiu um profundo suspiro, fechando os olhos. Soluço levou os lábios a seu seio esquerdo e brincou longamente com ele enquanto deslizava as mãos pelo corpo de sua esposa. Com a mão aberta lhe acariciou os quadris, as coxas, o ventre e outra vez as coxas. A princípio evitou o triângulo doce e tentador, mas logo o tocou suavemente com a ponta dos dedos, — antes de afundar nele até encontrar as pétalas rosa de seu sexo.

Ela ofegou e gemeu baixinho, fechando as pernas instintivamente, mas ele não desistiu. Separou-lhe as pernas, acariciou-a procurando o lugar mais sensível de seu ser e em seguida afundou ainda mais nela com movimentos seguros e exigentes. Merida fechou os olhos e deixou-se dominar pelas sensações, mordendo o lábio inferior e franzindo as sobrancelhas. Relaxou visivelmente sob o toque dele. Continuava tremendo, mas seu corpo tinha deixado de estar tenso. Ao tocá-la, sentindo seu calor, seus movimentos, despertou nele uma ânsia abrasadora. Ele lutou por conter a fúria de seu desejo, quase dolorosa.

– Olhe pra mim. — ele pediu, suavemente, e quando ela obedeceu, com os olhos dilatados e trêmulos, ele repetiu a pergunta que fizera meses atrás – Você confia em mim, Merida?

A pergunta lhe trouxe as lembranças daquele dia, quando ela decidiu abaixar o arco em confiar em um estranho. Mas Soluço não era mais um estranho. Ele era seu marido agora, alguém com quem ela desejava partilhar tudo. Ela o amava. Claro que confiava nele.

– Sim. Eu confio em você, Soluço. – disse e cravou os dedos nos cabelos dele com força, trazendo-o para baixo para beijá-la outra vez. Ele arquejou com o puxão súbito, mas não reclamou e tomou-lhe os lábios com desejo urgente. Posicionou-se em cima dela, contendo-se um pouco para não machucá-la com seu peso.

Seu sexo palpitava violentamente e Merida arrepiou-se ao senti-lo sobre seu corpo. Soluço a sentiu e empurrou com extremo cuidado a ponta suave de seu sexo contra o dela. Merida de repente estava tão branca quanto os lençóis. Mordeu o lábio inferior. Ele empurrou um pouco mais. Ela respirou entrecortadamente e cerrou os dentes, decidida a não gritar. Ele se moveu tão lentamente quanto pôde, com o máximo de cuidado, mas o próximo movimento de seus quadris lhe arrancou por fim uma queixa afogada e os olhos dela marejaram. Ele a abraçou com ternura, consciente de sua dor.

—Shhhh... — ele a acalmou, acariciando seus cabelos com uma doçura que a quis fazer chorar – Já acabou... — assegurou e a atraiu para si.

Sentia suas próprias palpitações dentro do corpo dela, a necessidade urgente de saciar seu desejo. Teve que usar todo o seu auto controle para não penetrá-la com selvageria. Aproximou-a, acariciou-lhe as nádegas, e ela afundou o rosto em seu ombro e lhe cravou os dedos nos braços. Ele não pôde resistir mais e começou a mover-se.

Merida estava úmida, quente e entregue. Seu corpo o acolheu fechando-se sobre ele como uma luva e ele o saboreou com cada um de seus movimentos. Manteve-a estreitamente abraçada, afundando-se cada vez mais profundamente nela, acelerando o ritmo de suas investidas à medida que aumentava a urgência de seu desejo, a necessidade de livrar-se por completo. Encheu-a, penetrou nela até o fundo, com mais e mais ímpeto. Mantinha a mão firmemente apertada na suave curva de suas nádegas, moldando o corpo de Merida ao dele.

Aos poucos a dor foi desvanecendo e em seu lugar surgiu outra coisa. O desejo tomou conta dela e ela fechou as pernas sobre seus quadris, puxando-o para si com uma força assustadora, procurando o prazer uma vez mais, a doce entrega que ela não conhecia. Mas Soluço não esperava esse ímpeto da parte dela, e se desequilibrou, caindo de lado na cama. Os dois riram como crianças até ficarem sem fôlego. Merida não se sentia tão feliz desde... Nem se lembrava mais quando. Quando o fôlego voltou, ele se sentou e a puxou pela mão, convidando-a. Ela se sentou sobre o colo dele lentamente, encaixando seu sexo ao dele, movendo-se instintivamente para cima e para baixo, sem nunca deixar de olhar para ele enquanto o fazia. Soluço fechou as mãos em sua cintura, guiando-a em seus movimentos. Por entre os movimentos, Merida gemia baixinho, não de dor, mas de prazer. Quentes, escorregadios, úmidos, seus corpos se encontraram e se fundiram. Então Soluço sentiu o calor de mil chamas explodir em seu corpo. Um prazer selvagem o inundou e continuou empurrando seu sexo dentro do corpo dela, enchendo-a com uma parte de si mesmo, enquanto se apropriava dele, com violentas investidas, um prazer volátil, delicioso; uma tempestade. Esteve a ponto de cair rendido sobre ela, mas se deteve tempo de sentir como o corpo de Merida se arqueava e tremia contra o seu, lhe demonstrando que tinha conseguido chegar a ela, alcançá-la.

Soluço, trêmulo e ofegante, deixou-se cair suavemente para o lado, levando Merida com ele. Aninhou-a sobre seu peito, respirando descompassadamente e puxou o lençol sobre os dois. Estavam tão próximos que quase podiam sentir os batimentos um do outro. Ele olhou para baixo e a encontrou olhando para ele. Ela estava linda. Ele se inclinou e beijou-lhe a testa e ela sorriu, aconchegou-se em seu peito, passando uma das pernas por cima dele. Por fim adormeceram, no conforto da presença um do outro.

Notas finais
Ufa...Quase seis mil palavras... Não quis perder muito tempo descrevendo a noiva. Noivas são sempre noivas... vestido branco, lindas, maravilhosas, etc... Eu tinha dito que esse seria o último né? Ráááá, pegadinha do Malandro! Não dá, gente, vou ter que fazer um próximo pra encerrar pq aqui infelizmente não coube tudo. Aí vc se pergunta " como assim, ainda tem mais?" Tem sim, sexta que vem sai. Beijos.