Wings Of Darkness

2 Capitulo 1 - Complemento - O aviso do falcão.


Notas iniciais
Ah, um leve complemento.

Um lampejo forte dos raios incessantes no lado de fora entra pelas enormes e estreitas janelas iluminando o enorme salão grego de proporções gigantescas. Não há muitas luzes no ressinto, apenas uma fraca chama ardendo bem no centro do salão em uma espécie de lareira grega aberta, uma chama fraca, mas a única fonte de luz no meio do breu. Um raio de intensidade mais forte rasga o céu e a luz entra pelas janelas revelando a grandeza do salão: Três enormes tronos de marfim com detalhes dourados perfeitamente alinhados em uma plataforma no ponto mais alto do salão de fronte pra lareira fraca, o ambiente perfeito para uma audiência singular. No trono do meio, alinhado a enorme e dourada porta principal do salão, podemos ver sentado, de olhos fechados, o responsável pelo tempo instável lá fora e o anfitrião da noite, usando seu típico terno cinza que lembra muito as nuvens do céu nesse momento.

Sons de cascos de cavalos são ouvidos no lado de fora do salão, assim como latidos de vários cães raivosos, em seguida um silêncio perturbador. Então o ocupante do trono central abre os olhos e assim podemos ver a intensidade do azul acinzentado, trovejante, em seu olhar.

– Espero que ele não demore a chegar, irmão – Fala o recém-chegado ocupante do trono a direita, uma versão mais velha em poucos anos do ocupante do trono central usando um jaquetão de pescador no lugar de um terno, o irmão mais velho, os olhos são de um azul suave e hipnotizante, lembrando as águas do mais cristalino mar.

– Se esta se referindo a mim, irmão, eu acabo de chegar também – Então uma figura sombria rasteja pra fora das sombras do salão e repousa sobre o trono a esquerda do trono central. A sombra ganha à forma de um homem que lembra de leve os outros dois, exceto pela palidez da pele, cabelos negros acinzentados e olhos de cor breu, profundos e analíticos, sem contar o terno negro que parece ter um tecido vivo e mórbido.

Um silêncio se instala após a fala do irmão do meio, algo de questão de segundo, então o anfitrião da noite responde a pergunta do primeiro convidado a chegar:

– Nosso irmão não se referia a você, aliás, sinta em casa, se assim puder – Um sorrisinho de escárnio é até visto no rosto do dono da casa, o convidado sombrio resmunga um xingamento, algo como “vadia”. O ocupante do trono central continua — Ele não vai demorar, ele nunca se atrasa e nas atuais condições ele sabe que não pode fazer isso – Ele olha então de relance para um dos pontos da sala e continua a fala — Garanto a vocês dois que isso será breve, porém necessário – Encerra o irmão mais novo.

Logo após esse ultima fala o som de um falcão é ouvido no lado de fora, então as enormes portas douradas se abrem e a ave entra no salão, alça voo até estar de fronte aos três enormes tronos ocupados e brilha com uma luz dourada, mas sútil, ganhando a forma de um homem de meia idade, cabelos loiros ondulados, rosto sagaz, vestindo um terno perfeitamente alinhado e usando um sobretudo preto. Ao olhar assim de relance você confundiria com um dos executivos da Wall Street, mas ao notar seus pares de sapatos sociais alados você teria certeza que não esta diante de um homem comum.

O novo ocupante do salão então se ajoelha.

– Trago as informações requisitadas meu pai – ele ergue a cabeça sem se levantar, olha os outros ocupantes em seus tronos e baixa a cabeça em reverência a cada um deles – Lord Poseidon, Lord Hades – Reverência respectivamente e se levanta em seguida – É um prazer estar na presença de vocês três – Ele então se levanta e arruma a grava no colarinho.

– Comesse seu relato, seja claro, Hermes – Ordena o Senhor do Olimpo.

Hermes então limpa a garganta, cruza os braços atrás das costas entrelaçando as mãos e começa seu relato:

– Estive observando o mundo mortal, creio que a névoa já tenha sido reestabelecida, mesmo que a deusa Hécate continue desaparecida após os últimos eventos, creio que um dos senhores aqui presentes pode confirmar que o que relato é verdade, já que nem no submundo há relatos da mesma – Então Hades assente com um aceno de cabeça para os outros irmãos, Hermes prossegue – Mas creio que a mesma ainda esteja do nosso lado tendo em vista que na ultima batalha contra os Gigantes, há algumas décadas, ela esteve do nosso lado e foi de grande ajuda, então não devemos nos preocupar muito, por hora, mas devo deixa-los cientes disso, ainda que suspeite muito dela e de sua filha Circe – Hermes suspira ao lembrar de sua situação passada causada por Circe – São suspeitas minhas, apenas... Continuando, as entradas do Tártaro continuam intactas, como o senhor pode confirmar – Ele olha de relance para Hades – Na relativo aos antigos inimigos nos ameaça no momento, mas... – Ele sabe que não devia tocar no assunto, mas é sua obrigação informar — Algo estranho ocorre no Acampamento grego, as defesas mágicas continuam de pé, mas eles estão sob ataque, algo ou alguém furou a defesa e esta dando passagem a monstros o que vem causando uma série consecutivas de ataques, todos os prédios foram destruídos, eles estão restritos a área onde antes estavam os chalés que agora estão no chão. Nada mais sobrou de pé, vários campistas morreram, sem contar os que resolveram sair do acampamento e não ajudar seus iguais. Eles se dividiram em equipes, Soyala e Charlie, Filhos de Hefesto e Coordenadores estão no momento usando o bunker no subterrâneo para forjar armas novas com o resto de material que ainda esta disponível, já que a forja foi inteiramente destruída. Todos os filhos de Apolo e semideuses com experiência no uso de arco e flecha foram deslocados pelo Mestre Arqueiro para as fronteiras do acampamento, servindo como reforço as equipes de defesa, restando apenas meus filhos, os filhos de Atena e os filhos de Dionísio na função de curandeiros e apoio. Nas frentes de defesa temos poucos semideuses, os Conselheiros do Chalé 13 e do 23 foram deslocados para os limites de entrada do Acampamento, os Filhos de Ares lideram a proteção nos limites leste do Acampamento, na praia temos as caçadoras de Ártemis, sem o reforço de sua patrona, por motivos já estabelecidos, os demais semideuses estão feridos, sumidos ou lutando pela sua vida e proteção da colina. Novatos estão sendo escoltado pelos Centauros com a ajuda de Quiron... Dionísio foi afastado das funções, por hora e motivos já estabelecidos, mas ele não se importa muito com os campistas mesmo. O local mais delicado nessa crise são os limites com a floresta, onde uma horda de monstros se encontra concentrada, pronta pra invadir o acampamento, Alexander, o terceiro coordenador, esta há algumas semanas responsável pela defesa destes limites, creio que ele não vá aguentar muito tempo, mesmo que conte com o apoio dos poucos Instrutores que restaram lá nessa empreitada. A vila foi quase completamente destruída, várias ninfas e sátiros morreram, assim como apenas abandonaram o lugar, restando pouco deles, mas estão ajudando os poucos campistas a sobreviver. Eles estão fracos, talvez saibamos os motivos... – Hermes olha de relance para um ponto escuro do salão com um olhar triste, continua a fala voltando a olhar seus senhores – Então, os demais deuses foram notificados da ultima ordem: “Não interferir na vida dos mortais de forma direta. Principalmente interferir na vida dos semideuses, tendo em visto os últimos acontecimentos. Interferências e ajudas só serão permitidas quando a instabilidade no destino e nas profecias forem reestabelecidas e punições aplicadas forem cumpridas. Nenhum deus, maior ou menor, dentre os Olimpianos ou sujeitos a eles terá permissão de ajudar, ordenar ou até mesmo punir semideuses e mortais sem permissão dos Três Grandes Irmãos.” – Cita a mensagem de forma enfadonha, o olhar do Mestre do salão vibra por um instante, então Hermes vacila e da um passo falho para trás sentindo as marcas de raio em sua pele arderem.

– As decisões por mim... – Zeus interrompe o deus mensageiro com sua voz imperativa, nota a presença dos irmãos ali, lembra que não é o Senhor de Tudo, apesar de sua importância – Por nós tomadas não devem ser questionadas, nunca, Hermes – Fala com convicção, sente que os irmãos se sentiram incomodados com o início da fala, então Hades abandona o trono, sumindo subitamente em uma névoa escura, sem ao menos se despedir.

– Você sabe o que seus iguais fizeram nesses últimos meses e punições devem ser aplicadas, você mesmo devia estar passando por uma punição mais pesada, um simples raio foi pouco para você – Continua o Rei dos deuses, Hermes segue escutando tudo de cabeça baixa e Poseidon se mantem calado com o olhar distante.

– Eles vão sobreviver, mesmo que o Néctar fique sem utilidade por alguns meses a punição de Hebe será breve, creio que também será a única, não quero macular a jovem pele dela com uma cicatriz igual a sua, mas eles são sementes dos deuses, já se mostraram dignos de confiança, eles vão resolver seus problemas internos, agora seja prático e continue a observar, você sabe que precisa trabalhar por dois agora, talvez assim eu reduza o tempo de punição delas – Zeus olha para o ponto escuro do salão onde Hermes tinha antes olhado, então o local se ilumina por uns instante e temos a visão de duas jovens moças acorrentadas a parede por correntes douradas, com o aspecto de duas senhoras de idade avançada e invalidas.

Hermes ergue o olhar sutilmente na direção das prisioneiras, então uma delas olha na direção dele, os olhos multicoloridos se cruzam com os de Hermes, a prisioneira deixa algumas lágrimas douradas escorrerem de seus olhos hipnotizantes, então Hermes fita seu pai por um breve momento – Eu daria minha imortalidade para estar no lugar dela – Hermes recompõe a postura – Creio que já tenha cumprido meu dever para com os senhores, então... – Hermes reverencia e da às costas aos dois irmãos restantes.

– Espere, e dos meus? Estão todos bem? Eu venho sentindo algumas ausências recentemente, eles estão bem, Hermes? – Poseidon quebra seu silêncio com essas palavras, Hermes não se vira para responder, apenas para de andar por um momento, baixa a cabeça e nega de leve – Então abre os braços e o mesmo falcão que entrou no Salão alguns minutos atrás o deixa rapidamente.

Zeus olha para sua direita rapidamente e nota que Poseidon também deixou o Salão. Ele sabe que não devia estar sendo tão rígido, mas isso se fez necessário. O melhor jeito é observar o que o destino reserva. Então a chama na lareira se intensifica um pouco e é possível ver um sorriso sincero do Grande Reio dos Deuses na direção das chamas.

Notas finais
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