Wine Drop

1 Capítulo 1


Os quase 20 minutos que eu fiquei no banheiro, foram extremamente cansativos. Tenho certeza de que eles teriam sido mil vezes melhores se a Millano não tivesse chegado e consequentemente eu tivesse que mandar meu vizinho embora.

Quando voltei à sala, já ‘recomposto’ minha noiva estava na cozinha, limpando o forno. Deus! Eu havia me esquecido da pizza! Quando cheguei ao cômodo ela apenas riu, balançando a cabeça negativamente da forma meiga e doce de sempre.

- Não toma jeito na cozinha, né Kou!

Por um breve momento me senti um imbecil, um safado traidor, que estava prestes e traí-la da forma mais absurda e ainda por cima estava gostando disso. Não nego que me senti muito mal... Por um instante pensei em contar o que havia acontecido, mas simplesmente... Não contei. Foi como se eu escutasse a voz de Aoi, sussurrar em meu ouvindo, insinuando que ela também poderia me trair e consequentemente, me fazendo lembrar dos seus lábios carnudos e as mãos indecentes tocando meu corpo. Balancei a cabeça tentando afastar o pensamento e olhando Millano que acabava de limpar o forno e jogar a pizza que havia queimado fora.

- Vamos sair, pra jantar. Ou prefere ficar em casa amor?

- Prefiro ficar em casa, agarrados na cama e vendo TV.

- Ta bom. Como você quiser.

- Vou pedir uma pizza que não esteja queimada, ta Uru?

- Certo!

Minha dedicada e delicada noiva. Como todos dizem, ela vai ser uma esposa perfeita. E ela parecia realmente gostar de mim. E eu também acho que gosto dela.

Quando a pizza chegou, levamos pro quarto, e ficamos vendo TV, enquanto comíamos. Quando acabamos ela desceu, lavou a louça, arrumou algumas coisas na cozinha, subiu pro quarto, arrumou a cama e então fomos deitar. Ficar com ela era bem calmo, embora eu sempre tenha sido uma pessoa agitada. Ela parecia sonolenta então a abracei, para que se aquecesse e dormisse mais confortável. Ela suspirou e ficamos em silencio. Fiquei pensando, novamente iria demorar a dormir, e quando achei que ela já estivesse dormindo, ela me perguntou.

- Quem era o homem que estava tomando vinho com você quando cheguei?

Ela sabia que eu estava acordado e eu não podia fingir que estava dormindo. Pensei bem antes de responder.

- Ele é o vizinho que se mudou ontem...

- Percebi, mas porque ele estava aqui?

Por um momento engoli seco, pensei mil coisas, dentre elas que ela poderia ter percebido o que aconteceu. Tentei não colocar preocupação no meu tom de voz, embora tenha sido quase inútil.

- Eu fui o único vizinho que falou com ele. Então ele veio me visitar...

- Entendi...

Pensei que ela falaria mais alguma coisa, mas apenas disse:

- Que bom que você foi um bom vizinho, amor. Eu Te Amo...

Em seguida se calou e pareceu dormir. Não entendi bem qual o objetivo daquelas perguntas, mas ainda bem que ela não questionou, mais nada.

Na manhã seguinte, acordamos ‘tarde’ como sempre costumávamos fazer quando dormíamos juntos. Ainda mais nas férias. Eram 12h45min quando olhei no relógio e ela estava na cozinha, preparando algo que só de sentir o cheiro, já despertava minha fome.

Desci até a cozinha e lá estava ela, como a mulher perfeita cozinhando para mim.

Não demorou até que ela arrumasse a mesa e servisse. Comemos, conversamos, rimos. Fizemos tudo como sempre fizemos, nos últimos 12 meses: Felizes.

Depois do almoço fomos ver TV, passamos a tarde assistindo filmes de terror. Uma Coisa que não tínhamos em comum era isso. Ela amava filmes de terror, enquanto eu simplesmente detestava. Por que... Eu realmente tinha medo!

Ao contrario dela, que parecia se satisfazer bastante com aquilo. Já eram 4 da tarde quando ela me chamou para dar uma volta já que o dia ainda estava ensolarado. Eu coloquei uma roupa comum e vesti uma jaqueta de couro preta. Ela pegou um de meus agasalhos e saímos.

Para minha alegria no momento em que saímos, havia muitas pessoas na rua e ficaram me olhando. Como se eu estivesse ‘contaminado’. Obviamente por causa do Aoi. Por falar nele, eu evitar pensar, sobre realmente ir vê-lo quando escurecesse. No entanto enquanto caminhava na rua eu o vi, estava na sacada da casa dele, sem camisa. Era absurdo, que ele ficasse sem roupa tão exposto, pois mesmo com sol, estava frio.

Mas o que menos importava, era isso e sim como aquele corpo era... Perfeito.

Ele estava me olhando, e por mais que eu tentasse não devolver os olhares, foi inevitável. Ele parecia me atrair fatalmente, como um imã. Não só eu. Na verdade TODOS que passavam pela rua o olhavam, admirando o quanto ele era gostoso.

Ahhh se era, e foi a partir dae, que comecei a sentir a presença da minha noiva irritantemente desnecessária. Entramos em uma loja e eu pedi um maço de cigarros. Não demorando a acedê-lo e começar a fumar feito um louco.

- Kou, não tinha parado de fumar?

- Preciso fumar!

- Mas, o que houve? Você só fumava quando estava nervoso.

- Não estou nervoso. Não se preocupe.

Ela me olhava, e estranhava meu comportamento. Eu estava a ponto de enlouquecer. Como eu podia tanto querer traí-la com ele? Por quê?

Assim a tarde se passou, e no fim começou a anoitecer, quando eu e Millano voltamos pra casa. Ela arrumou meu quarto e anunciou que ia embora. Eu a acompanhei até a porta e nos despedimos, como um casal feliz. Um táxi já estava à espera e ela se foi... Quando ia entrar, notei a casa em frente parecia tão sombria, mesmo com todas as iluminações. E eu por um minuto pensei bem, se deveria mesmo ou não ir até lá.

Porém, como por encanto a melodia do piano voltou a tocar, mas dessa vez era uma música diferente, eu me senti completamente leve e atraído. E então decidi de uma vez por todas que iria. Não para transarmos, mas sim para esclarecer as coisas e talvez descobrir algo sobre aquele homem tão sedutor e misterioso. Tomei um banho, me arrumei. Com um pouco de exagero. Mas logo estava pronto. Sai de casa, e ainda podia ouvir o piano tocar. A música parecia violenta, mas a melodia parecia doce.

Sai, tranquei a casa e fui até lá.

Fiquei parado na porta por algum tempo até decidir tocar a campainha, e nesse instante à música parava de tocar. Não demorou muito até que ele viesse abrir a porta. Ele sorriu tão lindo, e o aroma de seu perfume era sedutor, como tudo que vem dele. Ele me convidou para entrar e eu entrei.

- Fique à-vontade...

Ele falou retirando meu casaco, eu o olhei estranhando a ação, quando notei que ele o pendurava junto de outro casaco, que com certeza era dele. Ele foi gentil, e me chamou até a cozinha, ele estava preparando algo, pelo menos aparentemente. Tinha um cheiro bom. Ele me guiou até a Sala de jantar. E afastou uma cadeira para que eu me sentasse. Ele era um perfeito anfitrião e a casa dele era maravilhosamente decorada em branco e vermelho...

A mesa estava luxuosamente arrumada e ele logo trouxe o jantar, junto de uma garrafa de vinho.

- Chateau Petrus, safra 2000. ²

Ele falou enquanto sorria e me olhava, logo servindo as taças e levando uma delas até mim.

Eu não sou nenhum Aristocrata conhecedor de vinhos, mas minha irmã sempre me ensinou esse tipo de coisas, e agora pude ter certeza de que aquele homem não era qualquer. Ele me serviu o jantar e comemos em silêncio. Inúmeras vezes tive vontade de lhe perguntar algo, mas aquela mesa enorme nos separava e eu realmente não sabia o que falar. Então eu só pude admirar como a casa era linda. Quando terminamos de comer ele se levantou e veio até mim, agindo como um cavalheiro afastou a cadeira para que eu me levantasse e me estendeu a mão.

- Vem, vou te mostrar a casa.

Ele me olhava de um jeito irresistível e eu sentia meu ar faltar cada vez que ele me olhava tão convidativo.

Peguei a taça de vinho e o acompanhei até o segundo andar, e lá havia uma espécie de sala onde estava o piano. Ele continuou a andar, parecia querer me levar para ver o resto, e eu tinha medo que ele me levasse até seu quarto. Então minha voz saiu, sem que eu elaborasse exatamente alguma coisa.

— O que você estava tocando agora a pouco quando cheguei? Não era Glenn Gould. Ou era?

Ele parou admirando com a minha pergunta. E sorriu começando a caminhar em direção ao piano de calda. E eu caminhei até próximo dele.

- Gosta de Glenn Gould?

- Admiro bastante a música erudita. E gosto do jeito peculiar no qual ele tocava.

Ele sorriu, enquanto se sentou ao piano e tocou uma tecla, e me olhou.

- Eu estava tocando Honey Drop do Manterou Opera ¹ . Coisas ‘pesadas’ também pode ficar belas no piano.

- Agora entendo porque parecia agressivo e doce ao mesmo tempo...

- Gosta?

- Sim muito...

Ele então começou a tocar, novamente eu não sabia o que era, mas também era violento e doce ao mesmo tempo. Ele tocava de modo tão calmo que chegava a me fazer sentir leve. Tomei o resto do vinho que estava na taça que eu trazia nas mãos e nesse momento ele me olhou, com um sorriso tão malicioso que eu estremeci, antes que eu pudesse questionar. Minha visão começou a nublar e eu via minha consciência sumir. Só me lembro do barulho da taça se quebrando quando se chocou ao chão e então, não vi mais nada!

Algum tempo depois eu acordei com alguém sussurrando meu nome. Sentia que alguém passava a língua por meus lábios, enquanto estava sentado em meu colo. Abri os olhos, mas, mesmo assim não consegui ver nada e naturalmente tentei levar minhas mãos para retirar o que atrapalhava minha visão. No entanto... Elas estavam presas! Eu forcei para livra-las, mas foi inútil. Eu estava vendado e acorrentado de braços abertos a cabeceira de uma cama, — percebi que era uma cama por ser macia e ampla – Logo ouvi uma risada que soava puramente sádica, e com um medo extremo indaguei com medo.

A-Aoi?

Nesse momento, senti que sua língua deslizava eroticamente por meu pescoço e suas mãos apertavam minhas coxas, enquanto ele parou perto de meu ouvido para dizer em um tom extremamente sensual.

- Eu mesmo... Uruha... Como se sente?

- Acho que estou vivo...

- Que bom, então eu finalmente poderei terminar o que comecei ontem...

Senti que ele mexeu o quadril sobre o meu, como uma insinuação, e pude notar que ele já estava bastante excitado. E eu também estava começando a me sentir entorpecido por aquela situação arriscada, porém extremamente deliciosa.

- Me solta Aoi!

Falei como no extinto de liberdade para sair dali, já que eu poderia estar correndo um risco enorme. Será que ele era realmente um sedutor assassino, que iria abusar de mim inúmeras vezes e depois me matar?

Senti um breve desespero tomar conta de mim e nesse momento senti que uma de suas mãos apertou meu baixo ventre, e eu gemi de forma arrastada.

Relaxe... Eu não vou te matar. Só vamos... Transar.

Ele parecia ter lido meus pensamentos... E diante dessas palavras, eu automaticamente senti meu corpo relaxar, ele tinha uma força psicológica impressionante. E eu já estava entregue, agora que suas mãos massageavam meu membro já diretamente por dentro da calça e eu gemia me contorcendo, já completamente excitado, tanto pelos toques quanto pela situação. Foi então que eu concordei.

- Ahhhhh... Então... Me come... Me chupa... Me fode... Me fode bem gostoso... hmmm

¹ — Manterou Opera: Banda Fantástica, que se diz não ser Visual Kei, mas pra mim é e Foda-se. Caso se interessem em ouvir algo novo e não conhece, ouça. É realmente bom!

² — Chateau Petrus, safra 2000: Um dos vinhos mais caros do mundo. Que é vendido no valor mínimo de 17 mil dólares. Aproximadamente 26 mil reais. ( Na cotação de hoje)

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.