Estávamos finalmente em casa.

Chegamos no meio da madrugada, com o sol prestes a nascer, o que nos fez sentar na varanda e aproveitar aquele momento.

Todos os demônios estavam no Inferno. Lúcifer e Miguel estavam mortos. O Apocalipse havia acabado.

Sam estava abraçado à Gabriel, segurando sua mão, e Castiel estava com os braços sobre os ombros de Dean e os meus, nós dois descansando as cabeças em seu peito, vendo o sol nascendo.

Aquele era o nascer do sol mais lindo que eu já tinha visto. Parecia bobo de se pensar, mas era verdade. Todas as pequenas coisas pareciam belíssimas naquele momento. Saber que estávamos em casa, que teríamos uma vida, que seríamos pais para a Charlie, aquilo era tudo o que eu queria.

Ouvimos uma porta se abrir, chamando a nossa atenção. Anna abriu um largo sorriso ao nos ver.

— Querem café?

Meio grogues devido ao cansaço, nos levantamos e entramos em casa, cumprimentando nossa ruivinha favorita.

— Charlie? – perguntei ansiosa.

— Está dormindo, vai acordar daqui a uns minutos.

— Certo. Ammm. Cass – chamei sua atenção. – Como eu tiro isso? – apontei para minha armadura.

Ele se aproximou, colocando a mão sobre o peitoral da armadura, que logo se desarmou de mim. De alguma forma que eu não entendia, a armadura toda agora estava em um pingente de escudo dourado.

— Valeu, amorzinho. Eu preciso de um banho.

— Antes disso...

Senti um arrepio na nuca ao ouvir a voz do Cavaleiro. Mesmo Anna havia se assustado terrivelmente, se afastado dele na mesma hora.

— Acredito que está em posse de coisas que me pertencem, Isabella – ele me encarou.

— Sim – pigarrei, tirando os anéis da bolsinha em minha cintura e pegando a foice. Me aproximei com cautela para devolver seus pertences.

— Obrigado por me devolver.

— De nada – respondi automaticamente. – O que eu...? O que eu faço com os outros anéis, senhor?

— Deixe-os comigo.

Eu assenti, e os entreguei. Se eram dos irmãos dele, talvez fosse melhor mesmo que ficassem em sua posse. Ele parecia ser verdadeiramente neutro, e não uma ameaça. Não via problema naquilo.

— Nos vemos em algumas décadas, Santa Isabella.

Eu engoli a seco, incapaz de responder, e apenas assenti. Morte olhou para os demais presentes, meneando a cabeça, e então desapareceu no ar. Só então eu pude respirar tranquilamente.

— Vamos – Castiel segurou minha mão e a de Dean, nos levando para o quarto.

Não protestamos nem um pouco.

Castiel nos ajudou a nos livrar daquelas roupas ensanguentadas, que ele tratou de incinerar automaticamente, como que para se livrar de vestígios daquele período estressante, e fomos todos para o chuveiro.

Ajudamos uns aos outros a lavar nossos cabelos, a nos ensaboar, e depois de termos certeza de que estávamos todos devidamente limpos, passamos algum tempo apenas abraçados uns aos outros sob o chuveiro quente, tentando nos colocar nos eixos novamente, deixando a água lavar as nossas almas de alguma forma.

Nos vestimos, depois, e eu não queria saber de nada além dos meus pijamas. Queria ficar confortável como pudesse, já que queria logo reencontrar Charlie.

Mas quando saímos todos para a cozinha, eu quase caí para trás ao ver a criança nos braços de Anna.

Nenhum de nós reconheceu nossa pequena, porque ela não era mais tão pequena, ao que parecia, havia um bom tempo.

— Quantos meses a gente esteve no Inferno? – murmurei.

— Cerca de cinco meses – Anna respondeu.

Dean e eu nos olhamos, atônitos, sem saber como reagir.

Charlie já estava com seis meses, suas bochechas gordinhas rosadas, seus cabelos agora em um tom de loiro escuro que a deixavam cada vez mais parecida com Dean. Meu primeiro medo foi o de que ela não me reconhecesse.

Cinco meses longe dela. Cinco meses no Inferno.

Me aproximei dela com receio, com medo de que ela não quisesse ficar comigo, mas Charlie, com a mãozinha na boca enquanto Anna preparava a fórmula para ela mamar, me olhou com curiosidade e começou a rir, balbuciando um ‘‘mamama’’ para mim. Logo estendeu os bracinhos na minha direção e eu prontamente a peguei.

Eu nunca a abracei tanto na vida!

Finalmente em casa com a minha bebê, com meus meninos inteiros, sãos e salvos, todos juntos. Enquanto Charlie brincava com os meus cabelos, os segurando com força, o que nos fez rir, Dean começava a falar com ela para ganhar sua confiança, no que ela logo correspondia às caretas que ele fazia e ficava aos risos.

Logo ouvimos passos vindos da escada, Sam e Gabriel aparecendo na cozinha, ambos descabelados e Sam com um chupão nada discreto no pescoço.

— Mamãe tá chamando – Gabriel brincou, claramente irritado, chamando a atenção de Anna. – Todos nós temos que voltar imediatamente.

Castiel, que até então estava quieto sentado à mesa da sala de jantar, apenas suspirou, se levantando.

— É urgente? – perguntei preocupada.

— Parece que sim.

— Qual é o problema agora? – Dean indagou.

— Não faço ideia, estou indo para descobrir.

— Vocês vão ficar bem sem a gente? – Anna nos entreolhou, me entregando a mamadeira pronta de Charlie.

— Sim, claro – assenti. – Não se preocupem com a gente.

— Voltamos assim que pudermos – Castiel se aproximou de nós, beijando Dean e me beijando em seguida.

Sam beijou Gabriel antes se de aproximarem de Anna, que acenou para Charlie antes dos três sumirem no ar. Nos olhamos com desânimo, já que não havia nada que pudéssemos fazer.

— Vocês não perderam tempo, né? – Dean se referiu ao chupão no pescoço de Sam.

— Não enche – Sam fingiu irritação, contendo um sorrisinho. – Você cresceu, hein? – ele arregalou os olhos para Charlie, que começou a pular no meu colo. Logo ela estendeu os braços para ele. – É comigo? – ele nos entreolhou.

— Claro que é – eu ri.

— Tá bom, então – ele fez uma careta, desconcertado. – Vem com o titio, feijãozinho – ele estendeu os braços para pegá-la, e Charlie começou a pular no colo de Sam, e balbuciar coisas.

— Okay, eu tô com ciúme – Dean cruzou os braços. – Charlie, por que você não vem com o papai? – olhou para Charlie, que apenas riu para ele e escondeu o rosto no peito do tio.

Meu palpite era que aquilo provavelmente tinha alguma coisa a ver com Miguel, mas ela era muito pequena para se lembrar daquele desgraçado, então guardei minhas suspeitas para mim e tentei consolar Dean.

— Ela apenas precisa se acostumar com você, benzinho – dei dois tapinhas em seu ombro. – Dê um tempo pra ela.

Dean estava quase chorando com aquela rejeição, mas não havia muito que eu pudesse fazer além de entregar a mamadeira para Sam, que se sentou no sofá com Charlie no colo para que ela pudesse comer.

Eu tinha uma ideia do que poderia levantar o astral dele. Quando o encarei sugestivamente ele ficou surpreso, mas não pareceu se opor ao gesto.

— Consegue cuidar dela? – perguntei à Sam.

— É, acho que sim – ele assentiu.

— Beleza, se comportem, vocês dois.

— O que você...?

— Dez minutos! – me limitei a dizer enquanto segurava a mão e Dean e o levava para o quarto comigo.

— Meu Deus – ouvi Sam entrando em pânico antes de entrar no quarto.

Logo ouvi o som da TV ligada na sala de estar, o que era bom, porque eu definitivamente não queria traumatizar o coitado.

Assim que entramos no quarto, tranquei a porta e avancei para Dean com desespero, o segurando firmemente enquanto nos beijávamos vorazmente.

Finalmente o tinha de volta, sem Miguel ou Lúcifer para nos atrapalhar. Estava tudo bem, estávamos todos bem.

Rapidamente tirei sua camisa, no que ele acabou por rasgar a minha, me jogando sobre a cama e avançando sobre mim, segurando minhas coxas enquanto me beijava. Cruzei minhas pernas ao redor de sua cintura, me roçando contra ele, minhas unhas arranhando suas costas.

Cada beijo era desesperado, nos fazendo arfar desesperados em busca de ar, mas nos deixando incapazes de nos separarmos ali.

Mal tive tempo de procurar por uma camisinha na mesinha de cabeceira, tamanho o nosso tesão acumulado. Sem tempo para preliminares, sem tempo para enrolação. Assim que ele inseriu seus dedos em mim para verificar se eu estava preparada, percebendo que eu já estava molhada, ele me virou de bruços na cama, empinando meu traseiro antes de me penetrar.

Eu gritei quando ele o fez, mas não por desconforto, e sim pelo puro tesão de ser tomada por ele depois de todos aqueles meses. Dean me abraçou, mordendo meu ombro enquanto estocava rapidamente, me fazendo gritar contra o travesseiro, ao qual me agarrei com desespero enquanto era fodida com força.

Algum tempo depois, senti os dedos de Dean alcançarem meu clitóris, massageando-o, me fazendo perder o pouco de controle que me restava. Eu já estava escorregadia e sem forças em minhas pernas, pois elas tremiam pelo tesão.

— Eu amo você – ele disse com a voz rouca ao pé do meu ouvido.

— Eu também te amo – respondi entre gemidos. – Eu te amo tanto!

— Nunca mais vou deixar vocês – beijou minha nuca. – Nunca mais.

Estocando mais fundo e me tocando mais rápido, eu não quis me segurar por mais tempo que o necessário e deixei que meu orgasmo me tomasse por inteiro, os espasmos do ápice me tirando do ar por um momento, fazendo eu me apertar contra ele.

Segurei seus cabelos com força, o instigando a continuar, e ele logo o fez, estocando mais rápido até chegar ao próprio orgasmo, arfando contra as minhas costas. Seus braços tremiam quando ele saiu de mim, se deitando ao meu lado.

Nos olhamos como dois bobos, rindo sozinhos de nós mesmos. Ele me puxou para seus braços, segurando meu rosto para me beijar mais um pouco.

— Não faz ideia do quanto eu senti falta disso – me disse. – Aquele... Desgraçado tentou usar isso contra mim. Ficava acessando minhas memórias...

— Não precisa se preocupar com ele nunca mais – afaguei seu rosto, sua barba por fazer. – Nunca mais. Estamos seguros agora, eu prometo.