Notas iniciais
trilha sonora https://www.youtube.com/watch?v=pEZIYGN5HIo

Eu nunca pensei muito em como morreria...

Mas morrer no lugar de alguém que eu amo... Parecia uma boa maneira de partir, ainda que nem de longe a mais agradável.

Fort Collins agora havia se transformado em um campo de batalha. O exato campo de batalha que nós tínhamos discutido evitar. Não havia para onde correr. O lugar estava tomado de anjos, todas as hostes celestiais estavam ali, lealistas e rebeldes.

Quando Rafael apareceu, trazendo consigo sua própria hoste, algo me dizia que estávamos fodidos.

Uma das melhores vantagens em ser uma Santa Guerreira era a regra que impedia qualquer anjo de me ferir, mas, pelo visto, eu havia perdido aquela vantagem.

Zacarias, tempos antes, havia encontrado alguma forma de burlar aquilo para lutar comigo, e outros também o faziam naquele momento.

Talvez Deus estivesse interferindo para permitir que eu fosse morta, o que era de se esperar. Eu era uma pedra no sapato e estava claro que enquanto Ele respirasse, Ela não teria omnipotência.

Eu fui tola de achar que só por ela ser quem era poderia derrotar Deus facilmente.

Nada era tão simples quando se tinha Deus envolvido e aquele campo de batalha pintado de vermelho e asas negras não me deixava mentir.

Eu precisava lutar com força total, como Gabriel havia me ensinado, com o ardor do sol, com a fúria de mil anjos, com a determinação de uma Santa.

Eu precisava ser mais do que eu era, eu precisava ir além. Por Charlie, por Dean, Sam e Castiel. Por Bobby, Ellen, Jo. Por Gabriel.

Por todas as pessoas que salvamos e por todas as que perdemos.

E naquele campo, lutando com dezenas de anjos, costas com costas com Castiel, eu sabia que precisaria deixar meus limites de lado. Precisava fingir que eu não era humana, precisava libertar tudo o que eu havia prendido em mim.

Todas as coisas horríveis que eu abominava.

Toda a sede de sangue, toda a raiva, todo o ódio que eu sufoquei e tentei ignorar.

Aqueles eram os meus combustíveis naquela batalha e eu me agarrei à eles como uma sedenta no meio do deserto.

O desespero mesclado à fúria era o que me mantinha de pé e fazia eu me mover, o que me impedia de parar, o que impedia meu corpo de perceber que eu estava exausta e precisava descansar.

Não havia tempo para descanso em campo de batalha. Só havia nós contra eles.

Ela contra Ele.

E nossas esperanças residiam em Sam e Crowley conseguindo os últimos anéis antes que as coisas piorassem.

Porque as coisas com certeza piorariam.

Eu tive certeza disso quando senti olhos estranhos nos observando de longe e não fui a única a notá-los. Um par de olhos vermelhos e outras dezenas de olhos pretos caminhando tranquilamente na nossa direção.

— Lúcifer – Castiel sussurrou.

Mesmo Gabriel, Rafael e Miguel, que estavam ocupados lutando entre si, pararam para ver o lendário filho rebelde de Deus chegando.

O campo de batalha caiu em um silêncio mortal. Mesmo Chuck e Alexis pararam para ver Lúcifer chegar com seus demônios.

— O que a gente faz? – perguntei à Castiel. – Miguel e Lúcifer estão aqui, o que a gente faz? – minha voz falhou com o medo.

— Não faço ideia. Lúcifer é orgulhoso demais para lutar contra Miguel na casca que está agora, ele precisa de Sam. Eles não vão lutar agora. Ou ao menos eu espero.

— Tem razão, irmãozinho – Lúcifer sorriu conforme se aproximava de nós. – Eu não vou. Na verdade, eu estava ocupado com outra coisa, mas fiquei sabendo de uma farra rolando aqui e não resisti – deu de ombros. – Quer dizer então que você é a infame Santa Isabella Winchester? – ele parou à minha frente. – Que baixinha você é – ele franziu o nariz, enojado. – Gabriel, você é mesmo o patrono desse aborto? – ele apontou para mim.

— Fica longe dela! – Gabriel apontou sua espada para Lúcifer.

— É? Ou o que?

Uma rajada de luz acertou Lúcifer em cheio, afastando-o de nós.

— Ou isso! – Alexis apareceu.

Lúcifer, atordoado no chão, foi parcialmente torrado com toda aquela energia. Grunhindo, ele se levantou, encarando Alexis com descrença.

— Então é você o aborto que tá tentando usurpar o trono do nosso pai? Fascinante como uma criatura tão insignificante tem tamanha ousadia. Mas sabe o que mais? – ele se aproximou um pouco e a encarou de cima. – Boto fé – ele sorriu. – Acaba com ele.

— Você não muda nunca, não é, meu filho? – ouvi Chuck falar, o olhando com...

Pena?

— E a culpa é de quem, pai? – Lúcifer continuou.

— Pare de culpar o nosso Pai pelos seus erros! – Miguel esbravejou. – É culpa sua Ele ter ido embora!

— Vê se acorda, idiota! – Gabriel se irritou. – Ninguém obriga o nosso Pai a fazer coisa nenhuma! Ele foi embora porque quis! Porque não se importava com ninguém! Nem com a gente, nem com os humanos! Olhem ao redor! – no que os demais anjos se entreolharam, envergonhados. – Olhem o que estamos fazendo uns com os outros! Se Ele realmente se importasse, nós nunca chegaríamos a esse ponto!

— Sou obrigado a concordar, maninho – Lúcifer assentiu, fazendo um biquinho.

Alexis começou a caminhar na direção de Chuck, no que Miguel e Rafael rapidamente ficaram em posição para atacá-la. Lúcifer e Gabriel, no entanto, os impediram de continuar, afastando-os de perto dos dois.

— Nossa hora ainda não chegou – Miguel encarou Lúcifer.

— Não, não chegou, mas não significa que eu não vou me divertir com isso.

Tão logo Lúcifer avançou contra Miguel, Gabriel avançou contra Rafael, e a dança entre os quatro arcanjos seguiu-se violenta.

Os outros anjos se olharam, incertos sobre o que fazer. Eu não queria brigar com eles, eu só queria que eles parassem de nos atacar, e uma vez que o fizeram, não havia motivo para continuarmos.

Apenas ficamos ali, naquele campo de capim vermelho, observando irmão contra irmão. Chuck e Alexis estavam cara a cara, sem fazer movimento algum.

— Tá na hora de terminar isso – ela disse. – Tem alguma coisa a dizer aos seus filhos antes de eu acabar com você?

Chuck olhou ao redor, para os demais anjos, que o observavam com expectativa. Olhou para os quatro arcanjos que agora lutavam a uma velocidade maior que os meus meros olhos humanos podiam acompanhar, levantando poeira por onde passavam.

Quando ele tornou a encará-la, seus olhos se acenderam, brancos, tal como a aura ao redor dele.

Alexis, no entanto, se transformou em algo... Não-humano. Envolta em sombras, seu corpo distorcido de uma forma que eu não compreendia, exceto, talvez, pelos longos chifres em sua cabeça, horrorizando os anjos ao nosso redor.

O choque do primeiro golpe entre a luta deles, que recomeçava, nos lançou para o chão. Castiel rapidamente se levantou, segurando minha mão para me ajudar a levantar e me levando com ele.

— O que foi? – perguntei confusa.

— Precisamos sair daqui agora.

— Por que? Não podemos deixar eles sozinhos aqui! – puxei minha mão de volta.

— Se ficarmos aqui, vamos todos morrer! – ele chamou a atenção dos outros anjos. – Mortos nós não servimos de nada! Nós precisamos pegar Charlie de volta!

Eu me voltei para o campo de batalha.

— Zacarias! – vociferei para ele, avançando por entre os anjos das guarnições de Miguel e Rafael, que não me impediram de passar. – Dean tinha um trato! Devolva a nossa filha agora!

— Não é assim que funciona, santinha! O chefe tá aqui! Aliás, os dois chefes estão! Charlie vai voltar pros seus braços quando Miguel assim ordenar, e não antes!

— Desgraçado!

Minha raiva foi mais forte que eu, e minha lança encontrou o peito do maldito anjo em um piscar de olhos, gerando uma explosão que chamou atenção para nós novamente. Os outros anjos se aproximaram, nos cercando.

— Podem vir! – segurei minha lança em posição. – Eu não tenho medo de vocês!

— Não era esse o plano! – Castiel disse irritado, segurando sua espada.

— Me devolvam a minha filha ou eu vou matar vocês!

— Não sabemos onde ela está! – uma deles chamou a nossa atenção. – Zacarias não contava tudo! Só ele e Miguel sabem onde Charlie está escondida!

Me virei para tentar observar a luta que acontecia entre Miguel e Lúcifer, mas outra coisa chamou a nossa atenção.

Uma massa de energia crescente no centro da luta de Chuck e Alexis. O conflito da luz contra a escuridão perante os nossos olhos, o chão se abrindo ao redor deles, a gravidade se alterando onde estávamos, obrigando até mesmo os arcanjos a pararem suas lutas para acompanhar a de seu criador.

Uma súbita explosão, nos lançando para todos os lados, varrendo tudo o que estava ao nosso redor, corroendo o mundo ao nosso redor.

De algum jeito, eu estava viva e consciente do que estava acontecendo.

Com alguma dificuldade, me levantei de onde estava, batendo a terra de cima de mim. Percebi que havia uma gigantesca cratera no lugar onde a batalha havia acontecido, e havia uma estranha névoa esbranquiçada no ar.

Minha lança não estava por perto, mas o que mais me preocupava era Castiel. Cambaleei, procurando por ele, sem voz para chamar seu nome.

O avistei muito longe de mim, desacordado, e corri até ele, tomando-o em meus braços, checando seu pulso. Respirei aliviada ao perceber que ele estava vivo.

Logo os quatro arcanjos mostraram as caras, confusos, me encarando como se quisessem perguntar algo, mas se mantendo calados. Gabriel me olhou com preocupação, gesticulando para que eu ficasse onde estava. Não sabíamos quem havia vencido, esse era o problema.

Ouvimos passos em nossa direção, o que me fez segurar Castiel contra o meu peito com mais firmeza.

Os passos pararam de repente, nos deixando aflitos. Algo foi jogado na direção dos arcanjos. Franzi o cenho. Era uma... Cabeça?

— Onde está o seu Deus agora? – uma voz monstruosa perguntou.

Quando Miguel segurou a cabeça e pensou em reagir, uma luz branca nos engolfou e eu perdi os meus sentidos.

Notas finais
eu realmente queria ver vocês interagindo comigo de novo ;-; vcs estão bravas comigo porque tem self-insertion na fanfic, é isso?