Winds of Fortune
40 Capítulo 39
Estávamos todos cruzando a cidade em busca de outros sobreviventes que pudessem estar escondidos, vasculhando casas e lojas em busca de sal. Não havia mais ninguém além de nós, então seguimos para a igreja.
No caminho, notamos um belíssimo Ford Mustang vermelho estacionado. Se eu não tivesse comprado o Chevelle que o amigo de Bobby tinha oferecido, aquele seria o modelo de carro que eu procuraria comprar. Lindo de morrer.
Conforme nos aproximávamos da igreja, comecei a me sentir estranha.
Parei de andar, sentindo a adrenalina bombear em mim sem aviso prévio e sem nenhum motivo que eu conseguisse distinguir.
— Bella? – ouvi Castiel me chamar. – O que houve?
— Tá sentindo isso?
— Sentindo o que?
— Tem alguma coisa errada. Eu tô...
Comecei a ver dobrado por um momento, sendo tomada por uma enxaqueca infernal, como se estivessem batendo frigideiras contra a minha cabeça.
— Cass, leva eles pra igreja!
— Bella, o que foi? – Jo segurou meu braço.
— Eu não sei. Levem eles pra segurança, rápido!
Me apoiei em minha lança enquanto uma força me sufocava, tentando me dobrar, me submeter.
Ingenuidade minha pensar que poderia andar por onde a própria Guerra andava e não sofrer nenhum efeito. Mas por que só eu? Por que os outros não?
Não era um demônio, não era um fantasma, não era um anjo. Não era um deus.
Era uma... Força. Algo acima da minha compreensão. Não se matava um Cavaleiro. Como se resistia a um, então?!
Gabriel me treinou por meses e eu não podia decepcioná-lo, mas aquela coisa na minha cabeça se tornava cada vez pior a cada segundo, gradualmente sufocante. Eu não havia me preparado para resistir à influência de um Cavaleiro.
— Bella!
A voz de Dean bombardeou minha cabeça violentamente. Eu mal conseguia vê-lo se aproximar, minha visão se distorcendo, me fazendo perder noção de profundidade e distância de onde eu estava.
— O que tá sentindo?
Ele colocou um de meus braços sobre seus ombros para me levar, mas eu me afastei dele como podia.
— Vocês o encontraram?!
— Não notamos ninguém diferente lá dentro – ouvi Sam falar.
— Ele não vai parecer diferente! Procurem pelo anel e tirem dele, cortem a mão fora, se for preciso! Não percam tempo comigo!
— Mas...
— Ele tá tentando me controlar, caramba! – cambaleei, me afastando. – Achem logo esse desgraçado!
— E você? – Dean fez menção de me segurar e eu me afastei mais.
Estendi minha lança à Dean.
— Leva!
— Bella, ele não pode – ouvi Castiel.
— Então você leva! Tira isso de perto de mim antes que eu machuque alguém!
— Entrem – ele ordenou. – Eu cuido dela.
— Não, Cass, sai de perto!
— Não posso! Bella, essa é a nossa melhor pista! Se você chegar perto dele, sua reação será mais extrema e nós o pegaremos!
— Ele vai me usar contra vocês!
— Você não vai ferir ninguém! Nós não vamos deixar, eu prometo! Você precisa resistir à ele, precisa suportar isso! Por favor, eu imploro, venha conosco!
Por mais que eu odiasse a ideia, eu sabia que ele tinha razão. Eu não sentia dor daquele jeito havia um tempo.
Engoli a seco, assentindo, no que Castiel me ajudou a caminhar. A cada passo na direção da igreja, menos no controle do meu próprio corpo eu me sentia. Era como se garras invisíveis tentassem mover meus braços e pernas para fazer outra coisa, e caminhar nunca foi uma tarefa tão árdua.
Era aquela a sensação de lutar contra possessão?
Cada degrau escada abaixo equivalia a um soco em minha mente enquanto eu lutava para me manter como dona do meu corpo.
Tentei enxergar a coisa no salão da igreja, mas tudo o que eu via eram rostos confusos e assustados comigo, todos com olhos pretos, e logo as pessoas começaram a perguntar o que estava havendo e eu não sabia ou conseguia responder.
Castiel, o anel!
Há várias pessoas com um por aqui.
Tenta ler a mente de quem tem! Talvez a dele não dê pra ler!
Quem, quem dentre aquele grupo? Um padre, uma grávida, um militar, vários civis...
Na minha visão, todos estavam indefesos, inofensivos, mas nas mãos de Guerra, todos eram armas em potencial, assim como eu. Castiel estava ficando cada vez mais nervoso por não conseguir detectá-lo, assim como Rufus e Jo.
— Olhem os olhos dela! Ela é um demônio!
A pouca visão que eu tinha permitiu que eu vislumbrasse com descrença quando um homem apontou para mim. Castiel soube na hora.
Mas o estrago já estava feito, pois todos começaram a se armar para me pegar.
— Eu não sou um demônio! – tentei me defender. – Ele tá fazendo vocês alucinarem! Ele é Guerra!
Obviamente, ninguém me deu ouvidos e não havia muito que eu pudesse fazer além de me defender e avançar contra os civis, desarmando-os e inutilizando suas armas. Eu não podia matar ninguém, eu não queria derramar sangue inocente, mas a cada soco desferido, eu sentia minhas forças se esvaindo, minha resistência cada vez mais sabotada.
Castiel estava apanhando daquele miserável, assim como Sam e Dean, e eu precisava fazer algo antes que ficasse mais grave.
Ganhei tempo e algum espaço em meio à luta e concentrei minhas forças na lança, batendo-a com força no chão, lançando os civis para longe de mim.
— Fora daqui! – ordenei. – Saiam daqui agora!
E naquele breve momento de clareza, eles pareceram se assustar o suficiente pra finalmente me obedecerem.
Corri para Guerra, que já havia ferido Castiel mais do que eu imaginava ser possível. Não apenas isso, como estava fazendo Sam e Dean lutarem entre si.
Isso até me verem, porque foi ali que eu me ferrei.
Os dois se voltaram para mim, completamente alucinados, e não perderam tempo. Vieram para matar, ambos com facas, que eu nem sabia de onde tinham tirado. Sam me chutou em cheio no estômago, me jogando longe, me deixando sem ar por um momento. Tive que largar a lança, pois não queria feri-los seriamente.
Não tinha o que conversar ali. Guerra já havia percebido que não conseguiria me dobrar, então se divertiria dando uma surra em Castiel, e com os irmãos fazendo o trabalho sujo pra ele.
Sam me segurou pelos braços, me puxando para perto de Dean.
Meu coração quase parou com o susto que tomei quando Dean avançou com a faca para fincá-la em meu peito. Eu sabia que não era culpa dele, mas também não podia me deixar morrer.
— Desculpa, amor!
Segurei seu pulso com força e o quebrei, no que ele gritou de dor e largou a faca. O chutei para longe de mim, o que deu brecha para Sam me atacar.
Mas daquela vez eu não lhe daria vantagem. Concentrei energia em meu punho e o acertei na mandíbula, o nocauteando na hora.
De alguma forma, Dean ainda tentava me matar com sua mão boa, mas Castiel estava em apuros, levando uma baita surra de Guerra, e eu não podia perder tempo ou isso permitiria uma fuga daquele miserável.
Nocauteei Dean para sua própria segurança e peguei minha lança de volta.
— Cass!
Ele se virou assustado para mim, seu rosto ensanguentado e desfigurado.
Ergui a lança em posição e a lancei com toda a força que tinha na direção de Guerra, o acertando no pescoço e o prendendo na parede por um momento, o que deu a Castiel a oportunidade necessária para arrancar a mão do Cavaleiro e tirar o anel.
Guerra desapareceu no mesmo instante, nos deixando atordoados e confusos no chão daquela igreja. Castiel desabou, exausto, provavelmente, e eu corri para acudi-lo.
— Cass! – o segurei em meus braços, percebendo que ele estava perdendo a consciência. – Amor, fica comigo! Cass! Não dorme, por favor! GABE! – gritei desesperada. – GABE, AJUDA!
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