Notas iniciais
Decidi que, como forma de me redimir pelo meu erro, postarei o capítulo que resta para completar o prólogo.
Aproveitem.

Abri a porta com um pouco de curiosidade

–Alyss?! – Exclamei – Você deveria estar dormindo

Estava um pouco surpreso por ter batido à minha porta, mas confesso que fiquei muito feliz. Ela estava vestindo apenas uma camisa masculina branca, que era grande o suficiente para lhe servir de vestido completo. Seus cabelos estavam molhados e pingando um pouco.

–Não sei se vou conseguir dormir com meu irmão ocupando todo o espaço da cama, roncando e fedendo como um porco – Falou ela com um sorriso acanhado.

Uma brisa fria soprou contra a minha amiga, fazendo-a estremecer um pouco.

–Quer entrar? – Perguntei, envolvendo-a em meus braços – Está um pouco frio aqui fora.

Fechei a porta e caminhei lentamente até o interior da suíte com Alyssia ainda em meus braços. Coloquei-a sentada na cama enquanto eu buscava uma toalha no banheiro.

–De quem é esta camisa? – Perguntei enquanto sentava por trás dela enxugando delicadamente seus cabelos com a toalha – Seria de Douglas?

–É sua – Falou ela – Douglas não é suficientemente alto para usar isto – Afirmou enquanto ressaltava o tamanho da camisa

–Por que pegou logo a minha roupa? – Perguntei, com uma falsa expressão de irritação.

–É mais confortável – Respondeu ela – É melhor do que ter de ficar usando short e camisetas femininas apertadas para dormir

Permiti-me um sorriso de divertimento ao notar que a minha camisa dava a impressão de ser muito grande, quando vestida por minha por alguém com o corpo de Alyss.

–Vocês pegaram a mala reserva na minha motocicleta? – Perguntei ainda conservando o pequeno sorriso

–Douglas precisava do desodorante que estava lá dentro – Riu ela

Ao terminar de enxugar seu belo cabelo, percebi um leve suspiro de frustração. Abracei seu corpo, segurando-a delicadamente pela cintura, enquanto deitávamos juntos na cama, com meus olhos presos aos dela.

–O que tanto te incomoda, meu anjo? – Sussurrei, enquanto ajeitava o cobertor sobre nós dois.

Eu sentia sua respiração eu meu rosto, seus olhos me hipnotizavam de forma incontrolável e suas mãos seguravam delicadamente minha face, mas, pela primeira vez, eu não queria parar, não queria que este momento acabasse. Puxei-a delicadamente mais para perto de mim, deixando sua cintura totalmente colada à minha. Eu conseguia sentir o calor de seu frágil corpo, os batimentos de seu singelo coração e sua graciosa respiração.

–Apenas uma coisa me incomoda neste momento – Afirmou ela com o rosto levemente corado – Lembra-se de quando estávamos sozinhos no restaurante? Eu achei que, naquele momento, eu iria demonstrar algo que eu queria te dizer a muito tempo, mas... – Falou ela com um ar sofrido e pensativo

Retribui seus lindos olhares e segurei uma de suas mãos firmemente. Recordei-me de tempos no passado: Cada dia de minha vida era de alguma forma, em função daquele anjo que se aconchegava em meus braços naquele momento.

–Sabe quando você olha para uma pessoa... – Imaginei – E se encanta com o seu jeito e sua forma de ser? Sabe quando você observa cada detalhe da beleza da pessoa e não compreende como uma perfeição pode estar viva desta forma? Quando você conversa horas, todos os dias, com esta pessoa e nunca se cansa? Ou quando você se pega olhando para tal pessoa com um sorriso bobo? Sabe quando você consegue ver beleza no simples ato de respirar de tal pessoa? Quando você tenta resumir o quanto ama esta pessoa, mas passa o dia todo pensando, e não consegue?

Ela corou violentamente, olhando para meus olhos, depois de eu ter terminado a frase. Notei muitas vezes sua boca abrindo e fechando, procurando algo para falar. Pousei delicadamente meu dedo indicador sobre seus lábios, falando em seguida:

–Alyss, eu te amo, não quero mais esconder isto. Quero uma chance para poder cuidar de você, para proteger você, para... Amar você

Falei com um nervosismo incomum, eu nunca havia ficado nervoso a este ponto, senti como se minha vida toda estivesse equilibrada em cima de um precipício. Eu senti medo, mas não o aquele medo físico que evita situações em que você possa se machucar. O medo que eu senti foi como se eu tivesse que encarar a morte de frente, sem demonstrar sofrimento. Pela primeira vez minha mente estava livre, eu finalmente conseguia esquecer por alguns momentos o gosto amargo da perda materna, como se o espaço deixado fosse ocupado por algo diferente.

Olhei para aqueles olhos que eu tanto admirava, tentando, de alguma forma, entender o que se passava em sua mente. Ela me devolveu o olhar, aproximandoum pouco o seu rosto do meu, sua face ainda estava um pouco corada, ela demonstrava com os olhos sua grande felicidade. Seus lábios se movimentaram num sussurro silencioso e romântico:

–Por que demorou tanto tempo para dizer isto? – Disse ela com um sorriso que misturava orgulho e admiração

Uma lágrima lhe escapou dos olhos enquanto aproximava-se lentamente, senti seu hálito perfumado, senti seu cheiro que me conduzia à insânia, senti o amor que vibrava em seu corpo e, por ultimo, senti seus lábios tocando os meus de uma forma pura e delicada que somente um anjo conseguia demonstrar. A energia daquele doce beijo, por oito anos guardada, agora percorria livremente meu corpo, fazendo-me entender tudo o que ela sentia.

–Posso dormir aqui com você? – Perguntou ela, sorrindo inocentemente.

–Com uma condição – Falei – Namora comigo?

–Para sempre? – Pediu ela.

–Para sempre – Afirmei beijando-a novamente

Olhei para seu rosto, depois de tal momento finalizar-se. Não havia a necessidade de falar, tudo o que poderia eventualmente ser dito, nós já sabíamos. Envolvi-a com meus braços novamente, mas agora, pela noite toda.

Foi primeira vez em minha vida depois da trágica morte de minha mãe, que eu consegui realmente dormir, por pouco tempo, mas eu consegui. Sonhei cada segundo com minha amada, com todos os momentos bons que vivemos, com o seu rosto e seu sorriso.

Abri os olhos após tal noite de sono e me deparei com a hora atual: eram quatro e meia da manhã, eu tinha trinta minutos para sair do hotel.

Com um peso enorme no coração, soltei-me dos braços de meu pequeno anjo, e fui tomar um banho rápido.

Não pela primeira vez eu desejei que meu teste começasse à mesma hora que o de Alyss, desta forma eu teria mais uma hora para ficar deitado junto à minha mais nova companheira. Mas, como eu pretendo ingressar profissionalmente o mais rápido possível, eu decidi que o curso que meus amigos teriam de tomar para chegar ao nível profissional, não me era necessário. Sendo assim, meu teste começava pontualmente às cinco e meia da manhã, o teste que meus amigos planejavam fazer começava às seis e meia.

Ao terminar de me enxugar lembrei-me de um problema. A minha roupa estava dentro da mala reserva que eu normalmente levava dentro de meu veículo, esta por vez, estava dentro do quarto de meu amigo que, provavelmente, estava dormindo.

“Como eu pude esquecer-me deste detalhe?” pensei enquanto vestia minha calça e minha camisa. Ambas já usadas.

Peguei o cartão-chave e caminhei em direção à porta do quarto em que Douglas estava. Bati na porta, esperando que um milagre acontecesse.

Milagres acontecem. Após esperar uns trinta segundos, Douglas abre a porta, com cara de sono, interrogando-me:

–O que houve agora?

–Vim pegar minhas roupas – Respondi com rispidez

Ele entrou no seu banheiro vagarosamente, procurou por um momento, e trouxe consigo minha pequena mala.

–Você viu Alyss? – Interrogou

–Foi para o meu quarto – Falei rapidamente –Ela disse você estava ocupando a cama toda.

Ele deu uma gargalhada rápida com um ar pensativo.

Voltei para minha suíte, Alyss ainda dormia graciosamente. Sorri rapidamente quando notei que a pulseira transparente ainda estava em seu pulso, agora combinando com sua corrente, também transparente. É surpreendente que uma garota tenha deixado esta pulseira por oito anos no mesmo pulso, sem retirar uma única vez.

Livrei-me de minha camisa e minha calça, substituindo-as por uma calça jeans preta e uma camisa cinza, ambas retiradas de minha mala reserva. Escovei rapidamente os dentes, penteei razoavelmente o cabelo deixando-o meio despenteado e lavei as mãos. Calcei os sapatos e olhei pela última vez para meu grande amor.

Seu corpo estava um pouco encolhido debaixo do cobertor, seus lindos cabelos espalhavam-se no travesseiro em que repousava a cabeça. Havia mais alguns muitos detalhes dos quais sua beleza se mostrava aparente, mas não vou descrevê-los aqui.

Não resisti à tentação de beija-lhe os lábios novamente. Aproximei-me daquele frágil corpo, segurei sua face levemente, e toquei seus lábios com os meus.

–Eu te amo, Alyss – Sussurrei eu seu ouvido.

Abri minha mala, peguei um pequeno estojo metálico e coloquei em meu bolso. Vesti minha jaqueta, sentindo o peso frio de duas armas de fogo. Retirei uma delas e deixei-a em cima da mesa junto com um papel em que eu havia previamente escrito as instruções de uso. Retirei minha caneta do bolso e adicionei ao fim do bilhete: ”Confio em você, meu anjo”.

Saí da suíte, deixando o cartão-chave em cima da mesma mesa, fechei a porta e caminhei em direção ao estacionamento. Subi em minha motocicleta e tomei rumo ao Colégio Militar Nacional, onde minha carreira estava prestes a começar.

“Feliz aniversário, Lúcio, hoje você fez dezesseis anos” pensei, dando um sorriso, por dentro do capacete.

Notas finais
Este foi o último capítulo escrito por mim no passado.
Apartir de agora estarei escrevendo a continuação para o conto.
Provavelmtne irei demorar um pouco para postar, pois a época não me favorece.
Comentários são sempre bem vindos