Wind Walker - O Mercenário Voador
22 A - Lembranças de Infância - O Presente
Notas iniciais
Fiquem a vontade para mandar alguma pergunta destinada aos personagens principais
Parei por um pequeno momento a narrativa, avaliando a expressão do meu irmão. “Apesar de isto não ser de minha conta... Continua contando!” Dizia sua face. Por que eu estava revelando este momento? Era para ser somente meu e do Luke.
-Foi nesta hora – Continuei, tentando não deixar transparecer a minha vergonha – Que respondi para ele: “Não sei se vou conseguir dormir com meu irmão ocupando todo o espaço da cama, roncando e fedendo como um porco”
Olhei novamente para ele, mas, surpreendentemente, o garoto não aparentava estar incomodado. Talvez porque metade desta frase estava correta. Antes que ele pudesse se manifestar de alguma forma, eu continuei:
-Não me culpe por ter mentido desta forma, aquela pergunta tinha me pegado de surpresa, e, esta resposta foi a única coisa que me veio a cabeça – Falei tentando arrumar os próximos acontecimentos em minha cabeça.
“Não” Repeti em minha mente “Não vou narrar o que aconteceu entre nós”
-Depois daquele momento ele me convidou para entrar – Expliquei, tentando manter o nosso momento intimo a salvo – Nós conversamos por um tempo, depois ele me beijou, me envolveu com os seus braços reconfortantes e dormiu
Cheguei a achar que ele exigiria mais detalhes a respeito, no entanto, assim que eu pronunciei a palavra “Beijou”, sua expressão mudou para algo como: “Chega, já ouvi demais”.
Pera ai, Luke conseguiu dormir?
-Ele dormiu! Ele conseguiu dormir ao meu lado sem aquele maldito pesadelo – Exclamei para mim mesma, esquecendo por um momento que eu estava sendo assistida por meu irmão. Assim que eu percebi tal fato, olhei para ele cautelosamente. Ele parecia não ter entendido o que eu havia falado anteriormente, ainda tem muito a aprender.
Agora estava ele olhando para mim com um ar de orgulho, como se estivesse pronto para me dizer: “Minha irmãzinha está crescendo! Que bonitinho”. Que saco. Às vezes, eu acho que ele confunde quem é a irmã mais velha entre nós dois. Assim que terminou seu momento destinado a pensar, ele falou:
–Não sei se gosto disto – Um sorriso travesso brotou de seu rosto – Tem alguma coisa assustadora dentro daquele menino. Além do fato de ser... Ele.
–Deixe de drama, já esqueceu a grande amizade que vocês tinham no passado? – Exclamei, lembrando-lhe daquela velha história
–Não – Ele admitiu, com certa relutância – Desculpe. Ele é mais do que digno de ser seu... – Percebi que ele iria dizer “Namorado”, mas hesitou e completou – De ser seu.
Ele pareceu um tanto abalado depois deste diálogo, seu rosto tinha agora uma expressão pensativa, como se estivesse contando uma história. Olhei para ele uma última vez antes de entrar no banheiro.
Despi-me rapidamente, preparando para tomar um banho rápido. Senti a água escorrendo gentilmente por entre os meus cabelos. Esta lembrava vagamente as mãos carinhosas do menino que amava. A única coisa que consegui fazer, enquanto tomava aquele delicioso banho, foi recordar daquele momento delicioso que havia acontecido. Aquele beijo foi o melhor que já tive. Mas não o único, afinal de contas, eu já o havia beijado. Duvida? Deixe-me contar para você:
=/-/=
O movimento estava muito grande dentro da sala de estar da minha casa naquele dia. Meu pai tinha insistido em fazer uma grande festa para comemorar meu aniversário de treze anos. Totalmente desnecessário, em minha opinião. A maioria dos membros da minha família estava presente, todos fazendo barulho, se movimentando pra lá e pra cá e comentando o quanto eu havia crescido desde a última vez em que eles haviam me visto. Naquela hora eu não estava aguentando mais tanta atenção e carinho, queria um tempo para curtir o meu aniversário sozinha, eu e minha consciência. Estava começando a parecer com o Luke, com toda esta aversão a lugares com muita gente e/ou com muito barulho.
Por falar nele, onde estaria naquele momento? Eu o havia recebido na minha casa hoje de manhã, antes da própria festa começar, mas sabia que logo esta casa estaria cheia de gente, então decidi coloca-lo dentro do meu quarto e deixar a porta do mesmo, fechada, isolando-o desta forma, da multidão enfurecida e barulhenta. Caso eu não tivesse feito isso, ele provavelmente estaria enlouquecendo ou tentando suicídio em algum lugar. Mesmo assim me sentia mal por deixa-lo sozinho lá dentro, eu tinha que passar lá, conversar com ele, agradecer por seu presente...
Já falei sobre o presente de aniversário que ele havia me dado? Foi o segundo melhor que já recebi em toda a minha vida até então. Apenas superado pela pulseira de cristal.
=/-/=
Perdão por interromper. Só vou falar da forma rápida o que aconteceu.
Assim que terminei o banho fui direto vestir a roupa que eu havia separado desde ontem a noite: Uma calça jeans parecida com a que usei anteriormente, uma camisa de mangas curtas e um casaquinho azul-claro. Saí do banheiro, joguei uma toalha em Douglas para acordá-lo de seu momento pensativo. Caminhei em direção à recepção, fiz o check-out e saí, sendo acompanhada de perto por Douglas.
Sentamos juntos na moto de flutuação e fomos em direção ao Colégio Militar Nacional.
=/-/=
Voltando...
Pode parecer pequeno, mas, acredite em mim, não é. Lúcio prometeu, assim como o meu pai, passar um tempo comigo. Na verdade, eu já havia comentado para ele, que quase nunca deixa de estudar, o quão importante seria se eu fosse acompanhada por ele no meu aniversário. Luke passa quase vinte e quatro horas treinando e lendo para, no futuro, conseguir ajudar na nossa guerra.
Minha gratidão por tal promessa era muito grande, pois esta significava, acima de tudo, que ele me considerava importante o suficiente para quebrar tal ritmo de estudo. Diferentemente do meu pai, sua promessa me garantia uma semana em sua companhia, tempo consideravelmente grande.
Decidi então ir de encontro a ele, esquecer aquele ambiente bagunçado e correr para o colo do meu melhor amigo. A quem eu estou enganando? Eu estava doida para isso...
Abri espaço para passar através daquela multidão e fui em direção às escadas. Assim que terminei de subi-las, suspirei de alívio e abri a porta do quarto. Ninguém estava lá dentro. Caminhei para a varanda do meu quarto e o vi sentado no telhado que ficava do outro lado do murinho que demarcava a área do local.
Pulei o pequeno murinho e sentei sem nenhum barulho ao seu lado.
Se ele sentiu algum susto, isto não foi demonstrado. Ele continuava olhando para o céu noturno, com uma expressão que combinava homogeneamente, sofrimento e falta de esperança. Seus cabelos grandes alcançavam seu pescoço na parte de trás e deixavam uma franja bagunçada na frente, a luz da lua penetrava em seus olhos negros, revelando o azul escuro por trás dos mesmos.
Não gosto de vê-lo com esta expressão, se ele demonstrava alguma tristeza, meu coração ficava apertado e eu acabava ficando triste também. Tudo o que eu queria naquele momento era ficar ao lado dele, sentir seu cheiro, olhar nos seus olhos...
Foi neste momento que eu resolvi tomar alguma providência: Acabei com o espaço entre nós enquanto apoiava as minhas costas cobre seu ombro esquerdo e deixando a minha cabeça delicadamente encostada na dele.
Inicialmente ele ficou surpreso com a minha ação, mas relaxou com o tempo. Agora ainda observava o céu, mas com um olhar diferente, como se estivesse reconfortado em uma cama quente observando a chuva do lado de fora. Ele repousou a mão em minha cintura, deixando seus dedos na lateral de meu abdome, local que ele sabia que eu sentia cócegas levemente.
-Malvado – Sussurrei em seu ouvido após sentir alguns segundos de cócegas
Ao ouvir, ele abriu um de seus raros sorrisos para mim, desafiando-me a revidar. Eu não ia deixar isto passar de forma alguma, aproveitei-me da situação e mirei no único lugar em que ele sentia cócegas: Na parte de trás do pescoço (Segredo viu?).
Nós rolamos um pouco sobre o telhado, rindo como crianças pequenas, e paramos com ele totalmente sobre mim. As cócegas cessaram uma vez que fiquei paralisada dentro daqueles olhos. Seu sorriso infantil lindo me fazia crer em um novo Lúcio, sem problemas, nem preocupações. Como eu queria que isto fosse realidade. Mas, naquela hora, aquilo não importava, tudo o que eu via era aquele Luke.
Ele aproximou seus lábios, indo vagarosamente de encontro aos meus. Sabe aquela sensação de queda que você sente ao tropeçar? Multiplique isso por 100. Foi o que eu senti quando o beijava.
=/-/=
Foi assim que aconteceu. Simplesmente.
Nossa, eu estou sem palavras. Eu quero vê-lo novamente, eu tenho que vê-lo novamente.
Douglas estacionou o veículo e nós saltamos, andando vagarosamente para o Colégio Militar Nacional.
Assim que a porta se abriu, eu levantei meu olhar e, lá estava ele, em pé, encostado na parede direita do aposento, lendo alguma coisa. Não me contive. Simplesmente abri a boca e falei:
-Luke! – Enquanto caminhava em sua direção.
Eu o abracei por trás e dei um beijo em sua bochecha, como de costume.
-Nunca me deixe sozinha daquela forma de novo! – Sussurrei em sou ouvido.
Notas finais
"Lúcio, essa sua voz na sua cabeça lhe deixa muuuito sanguinário, hein? Caramba! Vê se não aparece na minha casa um dia, a não ser que seja para me cumprimentar. Aliás, apesar do seu lado sanguinário, você é bacana."
L - Olá... Luana.
Bem, muito obrigado por seus elogios e por sua pergunta, mas, não faço a mínima ideia do que você está falando quando alega a existência de uma "voz". Sinceramente, não sou um sanguinário, ou apenas não gostaria de ser, então, por favor, não espalhe para muita gente, certo?
Outra coisa. Sinto muito, mas não creio ser possível passar em sua moradia apenas para uma visita. Desculpe-me.
Ah, e Alyssia mandou lhe perguntar: "Que ideia é essa de ficar chamando o Luk-... Lúcio de Bacana?"
2ª - Pergunta de Snarkii
"Alyss, tenha mais respeito comigo na próxima pergunta ok!? Tenho Killer e Stell ao meu lado."
A - Meu nome é Alyssia, está bem? Não tenho medo de seus personagens, mas desculpe-me por minha falta de modos em minha última resposta destinada a você. Sua pergunta, a respeito do Lúcio, soou um tanto ofensiva aos meus ouvidos.
(Fiquem a vontade para mandar alguma pergunta destinada aos personagens principais)
Fale com o autor