Wind Broken Wings
11 Ventos Desiludidos
Notas iniciais
Em um pequeno vilarejo, Riven conseguiu abrigo se dispondo a fazer uma missão para o líder do povoado. Sua tarefa era caçar um criminoso que andava saqueando as casa ricas da vila. A lutadora mapeou os locais atingidos, recolheu as informações necessárias e montou sua estratégia. Tudo ocorreu como ela previa, espreitou por algumas horas a próxima possível vítima e capturou rapidamente o assaltante. Apesar do bebê, sentia-se em boa forma e conseguia distribuir pancadas tranquilamente. Missão cumprida, a lutadora estava morta de fome. Dirigiu-se à uma pequena tenda e pediu seu jantar. Enquanto aguardava seu pedido, Riven foi surpreendida por um toque em seu ombro:
– A quanto tempo não nos vemos!
– Katarina... De fato... O que faz por aqui?
– Ah, saindo um pouco da rotina, Swain me deu umas férias, aproveitei para dar um pulo em Ionia e receber uma promoção — mostrou a insígnia — Agora faço parte dos Reinos Combatentes!
– Uau, meus parabéns! — a lutadora fingia surpresa — Acha que isso vai dar certo? O Príncipe Jarvan IV e Xin Zao estão por lá.
– Dentro do time, as origens não importam, eles me respeitam como qualquer integrante, o mesmo de minha parte.
– Fico muito feliz por você, de verdade.
– E, Noxus, Riven, não pensa em voltar?
– Nem tão cedo, talvez nunca.
– É uma pena... Você poderia escolher um general para se casar.
– Não, não, que isso... Além do mais, eu... Já amo uma pessoa... — a lutadora abaixou a cabeça enquanto acariciava sua barriga
– Ora, ora, isso sim é uma surpresa — Katarina se sentou mais próxima de Riven — Sabe que eu também?
– Sério? Quem?
– Não deveria te contar isso, mas você não anda em Noxus, mesmo... Estou tendo um lance com o Garen
– QUÊ!?!?!? — Riven soltara um grito — Um demaciano? Katarina do céu!
– É amor, Riven, o que posso fazer? — Katarina se abanava enquanto sorria de forma sensual — Aquele homem me deixa louca!
– Meu Kami!! Se continuar assim, Valoran terminará sendo um só povo...
– Como assim?
– Eu me envolvi com um ioniano, obviamente eu descobri só depois.
– Wow, a grande Riven apaixonada, essa eu pagava pra ver.
– É, pra você ver o nível das peças que a vida nos prega...
– Ih... — Katarina deu uma rápida olhada em seu relógio — Estou atrasada, vim aqui apenas comprar uma garrafa de água e olha o tanto que eu demorei! Garen vai me matar, hahaha.
– Vai lá... — Riven abraçou a amiga e sorriu — Foi bom te ver de novo.
– Eu que o diga! Sempre quis falar isso pra alguém, mas nunca tive a quem.
– Até a próxima.
– Até!
Katarina saiu a passos rápidos enquanto Riven a olhava sumir de sua vista lentamente. "Quem poderia imaginar um noxiano e um demaciano namorando...", seus pensamentos foram interrompidos pelo som do prato na bancada. A lutadora comeu em silêncio e rapidamente, estava louca por um banho e um bom descanso.
Yasuo resolvera parar, seu corpo estava exausto, não tinha mais forças nem para andar. Procurou um local para jantar e dormir. Mal terminou de comer e se atirou na cama, caindo no sono instantaneamente, devido ao cansaço.
Um mês se passou desde que Riven havia partido. A lutadora estava organizando seus pertences para ir à Ionia visitar Kennen e avaliar o estado de sua gravidez. A barriga levemente avantajada ainda podia ser escondida com blusas largas. A garota se encontrava em uma cidade próxima a Noxus, seriam apenas dois dias de viagem até Ionia. Enquanto esperava que sua ligação fosse atendida, ela admirava sua barriga no espelho do quarto que alugara.
– Alô? — Akali falou prontamente
– Akali, é a Riven, tudo bem?
– Riiiiiven, mulher, não suma mais assim, sua louca!
– Desculpa, mas eu tive uns probleminhas aqui. Estou indo pra Ionia amanhã cedo, acho que em dois dias eu chego.
– Certo, avisarei a Kennen para reservar um tempo pra você no hospital.
– Obrigada...
– Ok, até mais, então.
–Tchau.
Riven alisava a barriga e enquanto a olhava, falava um pouco com seu bebê, como se ele pudesse ouvir e entender tudo que dizia. Ela contava sobre Yasuo, sobre os meses que passou ao lado dele, sobre sua vida, muitas coisas sobre si e sobre o pai. Agora deitada na cama, a lutadora pensava em como a criança seria, se iria puxar mais ao pai ou à ela. Seus pensamentos pararam subitamente quando ela sentiu, pela primeira vez, seu bebê se mexer. Sua mão foi em direção ao local onde a movimentação ocorreu e começou a sorrir, abrindo um sorriso largo, que logo foi acompanhado por lágrimas de emoção. Era um momento indescritível, sentir que realmente havia vida dentro de si, que o fruto dor amor que sentia por Yasuo estava crescendo, se esforçando para vir logo ao mundo lhe concretizar o motivo de seguir em frente.
Yasuo se encontrava em uma cidade de Freljord, onde procurava por um xamã que pudesse guiar sua busca de alguma forma. As lendas sobre as criaturas que se tornaram encantadas após a Guerra Rúnica eram famosas por toda Valoran. Nidalee estava aí para provar que não eram apenas boatos. A jovem garota que obteve a capacidade de transmutar sua fisiologia humana em puma através da absorção da magia presente no solo da floresta era a confirmação que Yasuo precisava para investir nos xamãs e alimentar uma chama de esperança de reencontrar sua amada. Após algumas indicações dos aldeões, o espadachim se encontrava diante da tenda do mais famoso xamã da cidade: Udyr, o caminhador espiritual. Antes mesmo de se pronunciar, Udyr o convidou para entrar.
–Parece cansado, forasteiro.
– Deveras, estou viajando há um bom tempo.
– E o que desejas de mim? — Udyr estava sentado de frente para Yasuo com as pernas cruzadas, avaliando-o enquanto conversavam — Por que sua mente está tão inquieta?
– Preciso ter uma ideia de onde posso encontrar uma pessoa.
– Então, queres um destino.
– Sim.
– Tens algum objeto que pertencia à essa pessoa? De preferência, algo a que ela tivesse uma grande ligação emocional.
– Tenho este pequeno emblema rúnico. Ela o encontrou em um dia muito importante e ele possui um significado muito especial para ela.
– Entregue-me, vou fazer um levantamento espiritual na peça.
Quando Udyr tocou no amuleto, deu início ao seu ritual para chamar os espíritos da natureza para sanarem suas dúvidas. A cada palavra pronunciada, o brilho azul que emanava de seus olhos se intensificava e sua aura começava a se tornar visível. Os quatro espíritos que residiam em seu corpo rapidamente se projetaram ao redor do xamã, recebendo a pedra rúnica para analisá-la. Passados dois minutos, Udyr retornou com a resposta.
– Esta jovem possui um espírito esquivo, difícil de encontrar, porém, tem suas peculiaridades que o tornam único. Não posso lhe dar a localização dela com precisão, mas posso lhe assegurar que ela se encontra nas cidades circunvizinhas à Noxus.
– Muito obrigado, Xamã Udyr, não tenho palavras pra expressar toda minha gratidão.
– Não há de quê, garoto. Ajudar um filho de Ionia é uma maneira de retribuir os presentes que sua terra me deu. Agora vá, empenhe-se em sua jornada e orarei para que obtenhas êxito em tua procura.
– Obrigado.
Yasuo saiu à procura de caravanas que seguiriam para Noxus. Por sorte, encontrou uma que partiria logo cedo. Escolheu um local para jantar e, em seguida, alugou um quarto para descansar. Não parava de pensar em Riven. Olhava para o amuleto enquanto devaneava. A runa foi encontrada no dia em que Riven fora redimida de seu exílio. Ela aceitou tudo o que contrariava, superou o desapontamento para com Noxus e a perdoou. Enquanto passeava pelos arredores da cidade, encontrou o emblema cuja runa significava "renascimento". Era o que a lutadora sentia naquele momento. Desde então, aquele era seu amuleto da sorte, porém, na correria, ela o havia esquecido na cabana.
– Eu juro que vou te encontrar, Riven, e nunca mais te deixarei ficar longe de mim novamente...
Com esse pensamento pairando, Yasuo adormecera lentamente. Sua obsessiva busca havia mudado. Pouco importava quem havia matado o ancião, tudo o que importava era encontrar Riven.
Riven estava tendo uma tranquila noite de sono. Ultimamente, seus sonhos sempre eram protagonizados pelo seu bebê, Yasuo e ela, uma família feliz, vivendo por entre sorrisos e abraços. Seu sonho se tornaria realidade se Yasuo não a estivesse caçando por anos para matá-la. Ela esperava criar seu filho até poder encará-lo novamente e entregar sua vida para pagar seu pecado. Amava tanto aquele homem que era capaz disso. Seu filho sofreria por perdê-la? Sim, mas ele seguiria em frente, não cometeria os mesmo erros que ela e, um dia, formaria sua própria família e seria eternamente feliz. Parecia um bom plano.
A lutadora despertou abruptamente ao sentir uma pontada na barriga. Um dor quase insuportável a atingira por alguns segundos. Após se contorcer um pouco, ligou as pressas para Akali, que apenas pediu para que Riven se tranquilizasse que logo passaria. A garota respirou fundo algumas vezes para acalmar seu ritmo cardíaco enquanto alisava a barriga.
– Que baita susto você me deu, em... Não preocupe a mamãe dessa forma, ela fica triste...
Riven conversava com o bebê para se acalmar, e depois de alguns minutos, ela conseguiu voltar a dormir. O som da chuva fraca que batia na janela contribuiu para que a lutadora pegasse no sono mais rapidamente.
O dia amanheceu nublado, com um leve sereno e o vento soprando gelado, um clima gostoso para viajar. Depois de arrumar tudo e se agasalhar, Riven estava pronta para partir para Ionia. Ao pegar suas coisas, ouviu doi toques na porta.
– Pois não? — abriu a porta devagar.
– Senhorita Riven?
– Sim, sou eu.
– Um homem deseja falar com a senhorita, ele está esperando na recepção.
– C-Certo, obrigada — um pânico invadiu a lutadora. E se fosse Yasuo? — Eu já vou descer.
Riven se dirigiu para a recepção com um nó na garganta de tão nervosa que estava. Como explicaria seu sumiço ou, pior, talvez nem tivesse tempo para tanto. Assim que pousou o olhar sobre o banco, não pode conter a surpresa.
– Darius, o que faz aqui?
– A quanto tempo, Riven — levantou-se e virou de costas — Me siga, precisamos conversar.
Riven o obedeceu e ambos seguiram caminhando até um bar. Durante o trajeto, a lutadora permanecia com uma dúvida que consumia seus pensamentos. Temia que Dariu quisesse levá-la de volta para Noxus. Ao chegarem, Darius puxou a cadeira para Riven e sentou-se em seguida.
– Uma dose dupla do seu melhor uísque — pediu para o garçon — E você, Riven?
– Uma água, apenas. — respondeu calmamente — O que quer comigo, Darius?
– Bem... Ah, obrigado — fora interrompido pelo atendente que trazia os pedidos — Eu precisava mesmo relaxar depois de tanto trabalho. Enfim, Riven, eu tenho uma proposta para lhe fazer.
– Qual seria? — a lutadora tinha um péssimo pressentimento.
– Eu vim lhe pedir em casamento.
–.........................- Riven sentiu o mundo parar por um segundo — QUÊ?
– Exatamente o que você ouviu. Eu tive uma reunião com Swain e Katarina hoje mais cedo, ela disse que tinha te encontrado e que você estava bem. Swain quer que você retorne para Noxus e entre pro exército de novo.
– Eu não quero voltar pra Noxus.
– Veja bem, Riven, você não tem escolha. Swain sabia que Katarina estava escondendo algo sobre você de nós e ele a pressionou até que ela contasse. O lider sabe que você está esperando um filho de algum bastardo ioniano.
Riven ficou chocada com a descoberta. Swain com certeza a mataria por se envolver com um inimigo de sua nação. Seria acusada de traição e condenada à morte.
– Eu vim para lhe dar uma opção de continuar viva e criar essa criança. Case-se comigo e volte pra Noxus, Swain não poderá encostar um dedo em você. — Darius media as palavras para conseguir convencê-la — Você é uma grande lutadora, Riven, Noxus precisa da sua força e liderança. Eu convenci ele a te aceitar novamente em Noxus sob essas circunstâncias.
– Eu...
– Se você aceitar, eu assumirei seu filho e o criarei como se fosse meu. Caso negue, Swain me ordenou a escoltá-lapara Noxus para ser julgada como traidora e condenada à morte.
Riven pensou por alguns minutos. Seu filho era mais importante que seu orgulho, mais importante que sua vida. Amaldiçoou Katarina por revelar seu segredo, mas ela conhecia Swain, sabia que ele deveria ter feito algo desprezível para conseguir tal informação da assassina. Se aceitasse, viveria novamente onde odeia, se casaria com quem não ama, porém, seu filho estaria a salvo, teria uma boa educação e uma vida digna.
– Eu aceito.
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