Wills House
7 Capítulo 7 - Multidão Enfurecida
Notas iniciais
Alguém reparou o tanto que o will sumindo com o diário lembra harry potter e a câmara secreta? Só pensei nisso agora HUASHUASASA
Sem mais, boa leitura ;D
Bill não conseguia acreditar em seus olhos. Seu irmão, ou a criatura que se parecia com ele, corria na direção deles, rosnando e mostrando os dentes afiados. Os dreads balançavam conforme ele se movimentava. Bill não queria se mover. Sabia que era seu irmão ali e não fazia idéia de como ajudá-lo. Só confiava cegamente que nada de ruim poderia acontecer, afinal, era Tom. E Tom sempre me protege.
Mas nem Bill conseguiu se controlar sob o efeito da casa. Eu ataquei meu próprio irmão e agora ele está vindo. Está vindo, e vai se vingar.
– Bill, o que diabos está fazendo ai parado? – Gustav indagou, puxando Bill pela mão. – Vamos, corra!
– G-Gustav... – Bill gemeu. – É meu irmão, eu... eu tenho que ajudá-lo...
– Bill, pelo amor de Deus, não vai ajudar nada se Tom te comer vivo. Corra e nós daremos um jeito. – Gustav falou rapidamente. Tom estava cada vez mais próximo e seus olhos os encaravam de forma selvagem. Não era realmente Tom ali.
Bill não parecia querer se mexer. Georg se viu obrigado a concordar com Gustav e puxar Bill pelo outro braço.
Um pouco tarde já que no exato momento que eles deram as costas para a casa e se puseram a correr, Tom os alcançara. Saltou no ar de encontro ao irmão e suas garras afiadas rasgaram o tecido do casaco de Bill e penetraram na pele. Cinco cortes se formaram e sangraram imediatamente e Bill gritou com a ardência.
Tom caiu no chão logo em seguida, se preparando para correr novamente.
Georg se viu sem saída. Se corressem, Tom os alcançaria. Sentiu um aperto no coração ao tomar a decisão de chutar o amigo, mas foi isso o que ele fez. Tom choramingou e rolou alguns metros para trás, mas isso deu uma vantagem á eles, se corressem imediatamente.
Bill lacrimejava enquanto corria, descendo a colina e tropeçando na trilha. Teve medo de ser agarrado novamente pelas árvores, mas nada acontecera. Os três corriam desesperadamente, tentando não cair e ser alcançado por Tom. Era possível ouvir os passos do lobisomem, quebrando gravetos pelo caminho. Estava logo atrás deles, qualquer deslize e seriam alcançados e sabe-se lá o que Tom faria se os alcançasse.
De repente, uma voz ecoou na floresta. Não parecia ser um som físico e sim que estava dentro da cabeça de cada um deles e eles sabiam quem era o interlocutor: Will. A testa de Gustav ardia no lugar onde Will tocara.
Estão em defesa de uma cidade perdida e eu vou provar isso á vocês. E vou provar á você Gustav Schäfer como você está podre por dentro
– Não escutem. Continuem correndo! – Gustav gritou, mas a voz já se fora. Só o que restou foi o uivo agressivo de Tom logo atrás deles, parecendo estar cada vez mais perto.
Apesar da proximidade com que se encontravam do fim da trilha, sabiam que era uma batalha perdida. Tom estava se aproximando. Era como tentar fugir de um leão, ou no caso, um lobo. Tinham o corpo desenvolvido exatamente para alcançarem suas presas.
Gustav corria por último, arfando de cansaço. Quando Bill e Georg alcançaram o calçamento de pedra da praça, ele parou na trilha e se inclinou para pegar um pedaço de pau de uns 60 cm de comprimento, semelhante á um taco de baseball.
Sentindo-se bem armado ele parou defronte a trilha, protegendo Bill e Georg que a está altura já haviam parado de correr e encaravam as costas do amigo, sem entender por que ele parara de correr.
Tom finalmente apareceu, caminhando sobre as quatro patas devagar. Encarou Gustav no fundo dos olhos e o loiro percebeu as feições do velho Tom naquele rosto transformado. Ele levantou o pedaço de madeira e encarou o lobisomem com a mesma determinação.
Então ele correu em direção á Gustav rosnando alto e tomando velocidade até dar um salto com as presas a mostra. Gustav não hesitou. Lançou o pedaço de madeira para trás e tomou impulso. Quando Tom estava próximo o suficiente, Gustav bateu com o taco com toda a força que conseguiu, fazendo a criatura voar para o lado e cair alguns metros distantes sobre a grama úmida que fora plantada na praça. O pedaço de madeira se partiu com o impacto e Gustav o largou no chão, cansado. Sentia um tremendo mal estar nos músculos e estava prestes a desabar no chão quando Georg surgiu e o segurou.
Tom estava caído aturdido no chão. Tentou se levantar, mas o braço direito, onde Gustav o atingira, estava machucado e ele voltou a despencar no chão.
Foi quando um grito vindo de algum lugar da cidade surgiu cortando o silêncio da noite. Era um grito agudo e feminino. O tipo de grito apavorante que só se ouve quando alguém tem a vida em risco. Gustav congelou, imaginando ser uma voz parecida com a de alguém conhecido, mas não conseguia se lembrar e não podia se concentrar. Seu estômago doía e ele pensou que fosse vomitar.
Quando pensou que o lobisomem iria se levantar e atacá-los de novo, percebeu que Tom estava voltando ao normal. As unhas encolheram e voltaram ao formato humano; os braços voltaram ao tamanho normal; os pêlos caíram enquanto as feições normais de Tom ressurgiam. Ao seu lado, Gustav notou que Bill soltou a respiração, aliviado, correndo de encontro ao irmão.
Ainda que fosse muito cedo para concluir, Tom não parecia oferecer mais perigo á ninguém. Estava exausto e suando. Parecia prestes a desmaiar.
...ele vai voltar ao normal quando o outro começar a se transformar no monstro que guarda dentro de si. É por isso que vocês tem de ir embora...
Gustav se lembrou da fala de Ian. Bill havia demorado quase metade de um dia para recuperar a consciência. Tom não estava apto a ter uma avaliação de sanidade no momento, mas a súbita velocidade com que voltara ao normal parecia estranha.
Estão em defesa de uma cidade perdida e eu vou provar isso á vocês...
O que Will estava planejando?
Gustav tentava raciocinar, mas a dor no estômago era muito forte. Sua testa ardia e a cabeça parecia que ia explodir de dor.
...E vou provar á você Gustav Schäfer como você está podre por dentro.
Antes que pudesse evitar, Gustav desabou no chão, inconsciente.
Uma claridade ofuscante cegou Gustav por um momento quando ele abriu os olhos, e tudo o que ele conseguiu ver foi um borrão branco. Quando finalmente seus olhos se acostumaram á luz, percebeu que encarava o teto do quarto do hotel onde ele e o resto da banda haviam se hospedado. Ele se sentou, sentindo-se levemente atordoado.
– Olha só quem acordou. – Georg exclamou, dobrando as roupas que se encontravam em cima da cama e jogando desajeitadamente na mala. Ele parou de repente, olhando para Gustav. Em seguida pegou uma meia do chão e jogou em cima do baterista. – Você sabia que Bill e eu tivemos que carregar você e a bela adormecida ali, – apontou para Tom que escovava os dentes que respondeu com um gesto obsceno. – até aqui? Sério Gustav, não dava pra ter se segurado?
Gustav pensou em se defender, e argumentar que não fazia idéia do por que havia desmaiado, mas não sabia exatamente o que dizer. Deu de ombros e pegou sua escova na mala e foi até o banheiro. Estava levemente feliz. Se deu conta de que Georg estava arrumando as malas, o que significava que logo eles estariam dando o fora daquela cidade amaldiçoada. E o melhor de tudo, sem deixar ninguém para trás.
– Ai meu Deus, meu carro! – Tom disse de repente. Estava na janela do quarto, olhando para baixo. O quarto de Georg e Gustav estava no segundo andar e dava diretamente para frente do hotel e a rua, onde Tom havia estacionado o carro quando chegaram á cidade.
– O que foi Tom? – Bill perguntou e Georg o seguiu até a janela.
Lá embaixo, a rua estava tomada por uma multidão munida de paus, pedras e talvez armas. A maioria estava na frente do hotel berrando para que abrissem as portas. Como ainda era cedo, o hotel estava com as portas trancadas.
O restante das pessoas estava em volta do carro da banda. Alguns quebravam os vidros com barras de ferros. Outros pulavam em cima do carro. E havia ainda quem estivesse chutando e furando os pneus.
– Esse carro não era alugado? – Bill perguntou, sentindo a voz tremer.
– Não Bill, era o carro que a Audi deixou pra gente no aeroporto caso algo desse errado. Ai meu Deus, a pintura! Os pneus! Isso custa uma fortuna. Alguém faça alguma coisa! – Tom gesticulava furioso com as mãos. – O que esses malucos estão fazendo?!
Gustav terminava de escovar os dentes e se deu conta do que estava acontecendo. As palavras de Will permaneciam dolorosamente gravadas na sua mente.
Estão em defesa de uma cidade perdida...
Ele cuspiu na pia, sentindo que estava ficando tonto novamente. O estômago se revirava e parecia queimar. Quando olhou para baixo, viu que não sairiam da cidade tão facilmente. Viu o que Will quis dizer sobre provar que ele estava podre. Ele segurou com força na borda da pia e tentou se acalmar, passando a mão pela testa que ardia febrilmente.
Havia sangue onde ele havia cuspido.
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