Wills House
2 Capítulo 2 - O Vampiro
Notas iniciais
Sou meio lerda pra postar,eu sei, e o nyah ainda teve esse problema com o servidor então... >.
Espero que gostem do capitulo.
Eles correram sem olhar para trás, enquanto a chuva caia deixando o solo escorregadio. Ninguém falou nada quando Tom escancarou a porta do quarto em que ele estava hospedado com Bill, mas a tensão aumentou quando não o encontraram lá dentro. Tudo estava exatamente como eles haviam deixado.
Tom marchou até a recepção e perguntou ao sujeito arrogante que sentava atrás do balcão se ele havia visto o irmão, e quando o recepcionista deu de ombros foi preciso que Georg e Gustav segurassem Tom para que ele não o agarrasse pelo colarinho.
Gustav se mantinha calmo e por sugestão dele, eles decidiram sair para procurar Bill, ainda que estivesse chovendo.
Eles andaram por todos os lugares que já haviam passado durante o dia, mas não encontraram nenhuma pista de onde Bill poderia estar. Tom mantinha as mãos fechadas, aflito. Nunca pensara que poderia algum dia perder o irmão, ainda mais por uma bobeira causada por ele próprio.
As ruas estavam vazias e todos os estabelecimentos fechados. Já passava da meia-noite quando eles decidiram voltar ao hotel e continuar a busca no dia seguinte. Estavam ensopados de água e tremendo de frio.
– Dia ruim? – O velho do dia anterior perguntou sentado na mesma cadeira na calçada do hotel. – Pensei que á esta hora já estariam em outro lugar.
– Você, seu maluco. Por sua causa eu fui até aquela maldita casa. – Tom começou. – Onde está o meu irmão?
– Falando assim, até parece que os forcei a ir até lá. – Ele sorriu seus assombrosos dentes amarelados pelo tempo, deformando sua face com as rugas. – Como eu poderia saber onde ele está? Além disso, eu avisei que quem ia até lá não voltava. Se vocês não acreditaram o que eu...
– Desgraçado... – Tom se lembrava claramente dele durante a tarde, apontando a bengala para a colina. Era óbvio que o havia incitado a ir até lá.
– Tom! – Georg o segurou por trás antes que ele avançasse no idoso. – Fica calmo, nós vamos encontrá-lo.
– Se o perderam lá em cima, talvez devessem voltar lá e procurá-lo. – O velho falou rindo, examinando o rosto de cada um.
– Eu vou quebrar a cara desse velho.
– Tom, nós somos uma banda mundialmente conhecida. Nós não batemos em velhinhos.
O homem se levantou da cadeira e cordialmente tirou o chapéu branco para eles, colocando de volta ao virar as costas e caminhar para longe, enquanto Georg puxava Tom para dentro do hotel.
– Só um soco, Georg, ninguém vai ficar sabendo.
Georg encarou Gustav. É. Ninguém iria ficar sabendo igual aconteceu da outra vez com certa stalker, ele pensou. Eles teriam rido, se a situação permitisse.
Se dependesse de Tom, eles teriam voltado à colina ainda naquele dia, mas seria mais fácil procurar alguém durante o dia. Tom se dirigiu abatido até o próprio quarto, mas não conseguiu dormir. Quando fechava os olhos, imaginava ainda estar na casa da colina. Imaginava as paredes de madeira exatamente como havia visto durante a tarde, mas o chão estava repleto de milhares de esqueletos humanos e tinha a impressão de ouvir seu irmão gritar. Era impossível dormir sozinho. Ele levantou e, arrastando o colchão, foi até o outro lado do corredor bater na porta do quarto dos G’s.
Georg abriu a porta e, sem que ninguém falasse nada, Tom colocou o colchão no canto do quarto e se deitou.
O dia amanheceu escuro devido ao mal tempo que persistia. Ninguém queria realmente voltar até aquela casa, mas era o único lugar que eles pensavam que Bill poderia estar. Começariam procurando no meio das árvores e por fim iriam até a casa.
Eles percorreram as ruas estreitas de calçamento de pedra até a trilha de terra que subia a colina. As árvores altas impediam que a maior parte da radiação solar chegasse ao solo, ainda que seus galhos mais baixos estivessem secos e sem vida, o que tornava o cenário ainda mais assustador. A idéia de se dividir para procurar o amigo nem mesmo passou pela cabeça do trio. Não poderiam arriscar que mais alguém se perdesse.
Se desviando da trilha para a esquerda, eles vagaram sem rumo pela mata, gritando e procurando em cada canto que estava á vista. O cheiro de terra molhada pairava no ar junto do barulho insistente do farfalhar de folhas e o canto dos grilos. Desistindo daquela área, eles voltaram para a trilha e desceram para a cidade, onde decidiram almoçar, apesar de ninguém estar com muita fome.
Almoçaram num pequeno restaurante na pracinha onde a trilha para a Will’s house começava. Estava vazio como a maioria dos estabelecimentos da cidade e ninguém ali parecia se importar se havia clientes ou não.
Ao final, perguntaram ao pequeno homem carrancudo que os serviu como estava o conserto da ponte e descobriram que ela já estava quase pronta. Poderiam partir no dia seguinte se quisessem.
Mas teriam que achar Bill primeiro e, portanto, voltaram até a colina depois de um breve descanso, retomando a busca pelo lado da trilha que ainda não tinham procurado.
– Isso é bobagem. Sabemos que ele sumiu dentro da casa. Temos que ir lá enquanto ainda é dia.
– Gustav tem razão, Tom. Deveríamos ter começado por lá.
Tom não respondeu. Ele também sabia que deviam ter ido até a casa, mas não tinha um bom pressentimento sobre isso. Talvez estivesse com medo do que encontraria lá. Tentava não pensar na idéia de encontrar o irmão morto em uma poça de sangue no meio da casa.
– Vamos até lá. – Disse por fim, suspirando.
As portas duplas da casa permaneciam convidativamente abertas, rangendo sob a ação do vento. Os três entraram devagar, tomados pela súbita lembrança da ventania do dia anterior.
– Alguém reparou em algo estranho? – Gustav perguntou.
– O quê há de errado? A casa está exatamente igual ontem. – Georg disse, olhando ao redor.
– Exatamente. Houve uma ventania aqui. Não tem nada quebrado ou caído. Nem mesmo as folhas que passaram pela porta estão aqui.
– Gustav, olhe em volta. Essa casa é uma bagunça. Como saber o que caiu ou não depois daquele vento? Metade das coisas aqui dentro já foi vandalizada mesmo. Vamos, temos que procurar o Bill. Talvez esteja lá em cima.
Tom se adiantou na direção da escada que ficava na lateral da sala de entrada. Os outros dois o seguiram devagar. Tentavam distinguir qualquer som parecido a voz de Bill, mas tudo que ouviam era o ranger das escadas e o grasnar dos pássaros que sobrevoavam a casa.
Um a um, eles olharam os quartos do corredor procurando qualquer sinal na poeira que indicasse que alguém tivesse estado por ali recentemente. Tudo indicava que não. Ninguém passou por ali pelas últimas décadas. Cada móvel nos quartos estava no seu devido lugar desde que havia sido posto ali.
– Isso é assustador. Ninguém veio aqui nem mesmo para roubar.
– Shh, Georg, está ouvindo isso? – Gustav colocou uma mão em forma de concha na orelha.
E subitamente os outros dois também começaram a prestar atenção e ouvir. Caminharam até o fim do corredor ouvindo aquilo que parecia ser o barulho de ferro batendo em ferro seguido de algo raspando no chão de madeira.
– De onde diabos isso está vindo? – Tom girava nos calcanhares olhando para os quartos vazios do fim do corredor. Assim que falou, os barulhos pararam.
– Shh Tom, faz silêncio. – Gustav apontava o indicador para cima, para uma corda que caia presa em um quadrado no teto. – Vem do sótão.
Tom, o mais alto dos três, pulou e puxou a corda para baixo, trazendo com ela uma escada que entrava no teto. O cheiro de mofo e poeira acumulada os atingiu assim que começaram a subir.
Georg foi o último, e com a ajuda dos dois amigos, foi puxado para cima. O sótão estava vazio, exceto pela respiração ofegante vinda de algum lugar atrás dos três garotos.
Eles se viraram e o que viram, os fez congelar no lugar em que estavam.
A luz solar vinda de uma janela circular numa parede próxima iluminava o corpo de Bill acorrentado á parede. Ele estava sentado em uma das pernas, com a outra esticada para frente enquanto sua cabeça permanecia caída no peito nu. Ainda usava as calças apertadas de couro do dia anterior.
– Bill? – Tom chamou, caminhando devagar. Ele podia perceber a respiração do irmão, ele estava vivo, pelo menos. Mas por que não se mexia? – Vão ficar aí parados? Me ajudem a desacorrentá-lo.
Os G’s se mexeram receosos em ir ajudar. Cada um pegou algo pesado para tentar quebrar as correntes que prendiam Bill a parede. Exceto pelo barulho do ferro, tudo o que ouviam era a estranha respiração ofegante vinda do garoto. Tom examinava o irmão buscando qualquer coisa que estivesse fora do normal e tentando se comunicar, mas todo o tempo Bill permanecia com o rosto caído.
Assim que teve seus braços soltos, Bill caiu no peito do irmão que começou a murmurar que estava tudo bem. Tudo ia ficar bem. Eles estavam juntos.
Gustav se afastou, observando a cena das costas de Tom e da cabeça de Bill pendendo no ombro do irmão. Subitamente, os olhos de Bill se abriram e Gustav foi tomado por uma dose de pânico e adrenalina. Seus olhos não tinham cor, não tinham brilho, nem sequer pareciam humanos. Quando as enormes presas pontiagudas saltaram para fora dos lábios de Bill, Gustav se forçou a ir à direção dos dois e empurrar Bill para trás tentando soltá-lo de Tom.
– O que está fazendo Gustav? – Tom perguntou indignado ao ver o irmão ser atirado contra o chão.
– Olha pra ele Tom! Não é o Bill.
– Que quer dizer com isso de não é Bill, ficou maluco? – Tom olhou e viu o próprio irmão tomado pela sede se levantar do chão e saltar para cima dele.
Bill e Tom rolavam pelo chão. Tom tentava segurar os braços do irmão, mas ele era forte demais. Se aproveitando de um deslize, o vampiro aproximou o pulso de Tom até seus lábios e abriu uma ferida com a ajuda de seus caninos, sugando o sangue que era expelido enquanto Tom era tomado por um espasmo de dor.
Georg e Gustav agiram para separar Bill de Tom. Foi preciso que os dois puxassem Bill para que ele soltasse o pulso do irmão, mas nenhum dos dois conseguia controlar a criatura que se debatia violentamente seguindo Tom e sua ferida no pulso com o olhar.
– Bill, eu sinto muito. – Gustav falou ao dar um soco no queixo do amigo para que ficasse inconsciente.
– O que fazemos agora? – Georg perguntou. Ele e Gustav traziam o corpo de Bill nos ombros, descendo as escadas enquanto Tom os acompanhava logo atrás, segurando o pulso machucado. – Tom?
– Vamos embora.
– Mas o Bill... A gente não pode... Sair com ele assim...
– Melhor do que sair sem ele. – Tom respondeu quase num sussuro.
Já havia escurecido. Os G’s, carregando Bill, se preparavam para sair pela porta quando foram empurrados para frente por alguma força invisível enquanto Tom era empurrado para o lado oposto. Os três caíram sob os degraus de entrada e se esparramaram na grama. A ventania recomeçava.
Gustav se esforçou para ficar de pé, a tempo de ver Tom caído no meio da sala enquanto as portas duplas se fechavam violentamente, prendendo Tom no interior da casa.
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