Wills House

10 Capítulo 10 - Criança Perdida


Notas iniciais
Oláááá, tuuudo beeeem?
Penúltimo capítulo :((
Demorei um pouco a postar, eu sei, mas é que to tentando bolar uma outra fic que já até comecei a postar kkkkkk
Alias eu tenho uma oneshot, original, de terror e bem pequena (mil e poucas palavras), se vcs gostam de terror, acho que vão gostar dessa fic, segue o link https://www.fanfiction.com.br/historia/170264/O_Assassino_Da_Rua_23 :D
[/fim do merchan] HUASHAUSSHA
Espero que gostem deste capítulo e comentem, pq a opnião de vcs é muuuuuuuuuuuito importante pra mim, ok?
Bjos e até mais xD

Gustav estava de volta á Alemanha. Estava em casa, sentando em uma enorme e confortável poltrona. Era o seu lugar favorito da casa. Ele adorava sentar ali em dias frios em frente á lareira e enquanto lia alguma coisa junto com uma boa porção de batatas fritas. Ele fechou os olhos encarando o fogo que queimava na lareira e sorriu. Estava tudo perfeito.

Perfeito demais.

Havia uma voz ao fundo, ele percebeu, mas não conseguia entender o que dizia. Poderia ser a televisão ligada ou qualquer outra coisa. Mas... onde os outros estavam? Havia algo que com certeza ele deveria se lembrar, mas estava tão distante na sua mente... ele não queria alcançar aquela memória, parecia ser algo tão doloroso, tão insuportável. E ele estava tão confortável ali, finalmente em casa...

Finalmente?

Não. Os outros. Tenho que ajudá-los.

Ele abriu os olhos e encarou o fogo da lareira queimando os vários tocos de madeira que haviam sido dispostos lá dentro. Sentindo que uma dor insuportável estava voltando a pulsar na sua cabeça, ele não conseguiu desviar o olhar daquelas chamas que pareciam dançar á sua frente e trazê-lo para perto. Percebeu que quanto mais perto das chamas ele ficava, menor era o tamanho delas, e aquela dor aumentava e se espalhava pelo resto do corpo conforme isso acontecia. Mas ele não conseguia gritar.

As chamas diminuíram até se tornarem do tamanho de um polegar e então Gustav se viu voltando a consciência, encarando com olhos esbugalhados uma vela posta a alguns metros de distancia do lugar em que ele havia caído no gramado da casa de Will. Ele tossiu por um momento, cuspindo sangue na grama em que sua cabeça se recostara.

Perto dele, Bill se encontrava deitado de lado, virado para Will que entoava uma cantoria em uma língua estranha, lendo os caracteres de um livro velho. Dezenas de velas rodeavam o lugar e o iluminava em conjunto com a fraca luz do crepúsculo.

Alguém gritou desesperadamente. Gustav ergueu o olhar e viu o corpo de uma garota se debatendo, mas ela estava deitada e amarrada no toco de uma árvore.

Não...

Amanda... – Gustav gemeu, tentando se por de pé, mas era inútil. Qualquer movimento que ele fizesse lhe causava dor, ele não conseguia fazer seu corpo obedecer.

Mas eu preciso me mover! Droga. Ela vai ser morta. Todos vão ser. Mexa-se, mexa-se.

Ele se lembrou de Georg espalhando a gasolina pela grama. Na verdade o cheiro do líquido estava bem ali na frente dele. Georg passara por eles derramando os galões em linha reta até a varanda da casa, quando aquela criança...

Gustav se dobrou na grama e cuspiu mais sangue, se lembrando do rosto ressecado da criança.

As velas em torno da grama estavam acesas. E a gasolina derramada logo ali. Tudo o que ele precisava fazer era se arrastar até uma delas e derrubá-la e logo tudo estaria em chamas. Ele era o único que podia se mover por ali, mesmo que doesse, mesmo que fosse insuportável.

Will não estava prestando atenção nele. Estava ocupado demais se concentrando no feitiço e na pronuncia correta das palavras. Os gritos de Amanda serviram de incentivo para que Gustav se mantivesse firme na direção da vela. Ele se arrastava pela grama, segurando a vontade de gritar a plenos pulmões o quanto aquilo doía, mas até mesmo um grito provocaria dor no seu corpo, e ele não podia chamar atenção para si.

Ele esticou a mão direita, tremendo ao alcançar a vela, e a empurrou em direção ao chão. Num último esforço, conseguiu rolar pelo chão antes que a vela tocasse o solo e entrasse em contato com o líquido inflamável.

O fogo se espalhou quase que instantaneamente. A grama entrou em combustão e o fogo a lambeu, indo imediatamente em direção a casa. Will parou de recitar o que quer que ele estivesse fazendo e ficou imóvel, com a expressão vazia e a boca aberta, olhando para o fogo que se esparramava pela grama.

As raízes que prendiam Bill, Tom e Georg, se afrouxaram, permitindo que eles se desvencilhassem e se levantassem do chão. O fogo finalmente alcançou a casa e a madeira começava a estalar enquanto se queimava.

– O que foi que vocês fizeram... – Will murmurou, soltando o livro do chão. Estava assustado, encarando o fogo que queimava a casa.

– Impedimos você de matar mais pessoas. – Bill disse, com ar triunfante, colocando as mãos na cintura.

– Não, não, NÃO. Vocês não podiam... as coisas não acontecem assim... vocês condenaram a todos nós, todos nós...

Não parecia que Will estava tão assustado pelo fogo. Parecia haver algo mais no desespero com que ele falava. Ele não tentou atacar nenhum deles, permaneceu parado observando o fogo consumindo a casa. Até que caiu de joelhos e levou as mãos aos rostos.

– Queimem o livro. – Sussurrou quase de forma inaudível. Olhava para o vazio com uma expressão desolada. – Queimem o maldito livro antes que a coisa se liberte.

Assim ele começou a se queimar junto com a casa. Da mesma forma que ocorrera antes quando o diário se queimara e o Will jovem também se fora. O corpo dele perdia a forma enquanto se queimava, até perder a solidez e não ser mais do que uma simples ilusão no ar, até sumir completamente.

Quando Will desapareceu, Gustav sentiu que um peso havia sido retirado de cima do seu corpo. Um peso que ele nem mesmo notou que estava ali, mas estava. E quando saiu, ele sentiu que podia respirar novamente. Podia se mover livremente, não havia mais dor.

O céu se fechou e o vento sibilou cortando o ar. Não parecia ser um bom sinal. Era como se algo maligno estivesse á espreita, esperando o momento certo para sair. Gustav pensou que Will não estava blefando sobre queimar o livro. Levando a mão até a testa, ele percebeu que aqueles cortes ainda estavam entalhados na sua pele. Talvez ficassem ali para sempre, mas decidiu que era necessário queimar livro. Então ele se levantou e foi até o lugar em que Will derrubara o livro, mas estacou no meio do caminho.

Havia uma criança ali, sentada no chão. Ela chorava, abraçando as próprias pernas. Por um momento Gustav achou que Will tinha apanhado mais uma vítima para aquele ritual bizarro. Mas a criança fungou, e levantou a cabeça, olhando para o fogo, e então ele pode ver as cicatrizes que cobriam seu rosto, reparando também que estavam presentes nos braços e pernas, já que a criança usava um macacão que ia apenas até os joelhos. Era Will.

– Por quê? – Ele choramingou, sem desviar o olhar do fogo. – Eles não foram maus comigo? Não mereciam morrer?

– Não cabe a você julgar. – Bill falou, se aproximando sem que Gustav percebesse. Ele se agachou ao lado da criança, apesar de Gustav achar que fosse algo perigoso a ser feito, afinal ainda se tratava de Will.

– Então isso é dever de quem? – Will perguntou, fungando o nariz e voltando a chorar. – Por que seja lá quem for não está fazendo isso direito.

– Não, não está. – Bill concordou e sorriu, olhando firmemente nos olhos de Will. – Mas nós não podemos questionar isso. Cada um deve viver a própria vida. Alguns têm a vida mais fácil do que a dos outros, é verdade. Mas se é Deus, o Destino ou qualquer outra força que governa o mundo, nós não podemos impedi-Lo ou interferir no futuro dos outros.

– Mas... Mas... – Will gaguejou, se afogando em lágrimas. – Eles interferiram na minha vida... destruíram meu corpo... me perseguiram... Ninguém nunca se importou comigo de verdade. Eu tenho que prendê-los aqui... tenho que fazê-los mudar o jeito com que vivem...

– Ninguém viveu as mesmas coisas que você, Will, – Bill o interrompeu – mas talvez, talvez também tenham sofrido de alguma maneira, até se tornarem o que são. As pessoas são assim. E você se tornou assim também.

Os lábios de Will tremiam quando ele desviou o olhar do fogo e se virou para encarar Bill. Não havia nada de mal naqueles olhos, apenas uma tristeza profunda e dolorosa. Ele voltou a abraçar as próprias pernas e a chorar em silêncio. Bill afagou a cabeça da criança, observando as lágrimas correndo pelo rosto dele.

– Estou preso aqui. Eu não queria ser assim... – Ele gesticulou para o livro no chão. –Aquilo não me deixa parar. Eu não quero mais isso. Não quero... não... – A criança sussurrou, e Bill percebeu que sua voz estava perdendo a força. Então notou que o lugar em que ele afagava não era mais sólido. O corpo de Will foi se desvanecendo até se tornar transparente e sumir, como das outras vezes, enquanto seus lábios continuavam se mexendo e as lágrimas escorriam pelo seu queixo. Restou apenas um chorinho de criança ecoando no ar, até que desapareceu como todo o resto.

Bill suspirou, pensando no que aquela criança inocente havia se transformado.

– Gustav...? – Bill olhou para frente e viu que Gustav havia pegado o livro do chão. Um brilho insano estava em seus olhos, enquanto ele deslizava a mão pela capa negra do livro, como se fosse abri-lo e continuar o ritual de onde Will parara.