Wills House

11 Capítulo 11 - O Velho De Branco


Notas iniciais
Oiiii pessoas fofas *-*
este é o último cap e tá meio descontraído, não vou mais assustar vcs xP
Obrigada a todos que acompanharam e espero que tenham gostado dessa história (ou pelo menos nao me xinguem pelo final) KKKK
Até mais, beijos :3

Enquanto Bill conversava com o pequeno Will, Gustav decidiu que deveria queimar o livro antes que fosse tarde demais. Aquilo com que Will se envolvera deveria ser magia negra, ou qualquer coisa pior como uma criatura poderosa e desconhecida.

Ele apanhou o livro do chão decidido á queimá-lo. Mas assim que seus dedos tocaram o veludo negro da capa ele teve vontade de abri-lo. Teve vontade de descobrir o que o tornava tão poderoso. Devia ser algo muito forte, se até mesmo o clima podia ser controlado. Aquilo ali poderia trazer incontáveis benefícios para eles. Poderia fazer com que Gustav perdesse o medo, a inibição. Gustav passou a mão pela capa velha. Não havia nenhum título ou escrito na capa, era apenas o veludo negro forrando-a. E mesmo sendo veludo, era áspera e uma energia maligna parecia emanar do livro. Seus dedos coçavam e iam em direção á borda da capa, e Gustav ansiava em abri-lo. Pelo menos para descobrir do que tudo aquilo se tratava.

– Gustav...? – Ele ouviu Bill perguntar, apreensivo – Queime logo essa coisa. O que está fazendo?

Uma parte da sua mente estava anestesiada. Bill parecia estar á quilômetros de distância. Ainda assim, Gustav conseguiu ouvi-lo. Gustav confiava em Bill. Eles eram amigos há muito tempo. Ouvir a voz de alguém tão próximo fez com que ele piscasse, se perguntando por que queria tanto abrir o livro. A outra parte da sua mente dizia que Bill queria o livro para si, e que tinha medo do poder que Gustav poderia alcançar se tivesse o livro.

Mas o livro escapou das suas mãos e Gustav sentiu raiva ao perceber que Tom havia tomado o livro dele. Ele franziu a testa e cerrou os punhos, preparando um ataque.

Tom não hesitou em arremessar o livro em direção a casa que ardia em chamas. O livro sumiu de vista assim que caiu no meio do fogo e Gustav imediatamente acordou da hipnose, relaxando as mãos.

Era fácil entender agora como Will se entregara aquela magia. Não havia ninguém para despertá-lo como Bill fizera, ou para impedi-lo como Tom.

O importante era que o livro e a casa haviam sido destruídos e agora eles estavam livres. E, agora que o livro fora queimado, Gustav sentiu uma leve coceira na testa, o que fez com que ele levasse a mão até o lugar em que os cortes foram feitos, percebendo que eles haviam sumido.

Desse modo, ele se dirigiu para Amanda, que ainda estava inconsciente e gentilmente a pegou no colo. Ela estava viva, mas não se podia dizer o mesmo da outra criança que William sequestrara. Georg se encarregou de levar o corpo até a cidade.

Os quatro desceram a colina, aliviados por tudo ter terminado. Já estava anoitecendo e a casa queimando se destacava contra o céu que escurecia.

Ainda que estivessem felizes por terem destruído a magia, ou o que quer que aquilo fosse, eles perceberam logo que os moradores da cidade não compartilhavam a mesma alegria.

Não houve agradecimentos. Não houve sequer palavras gentis como “Obrigado, nós prendemos vocês na cidade para serem mortos e depois perseguimos vocês para entregá-los á um louco psicopata, mas mesmo assim vocês salvaram nossa cidade, puxa vida, obrigado!!”.

Na verdade, quando entregaram o corpo sem vida do garoto assassinado na colina, a mãe chorosa disse apenas:

– Se tivessem ido embora, meu garoto estaria vivo. – E cuspiu no chão. – E ainda acham que ajudaram em alguma coisa.

Então ela virou as costas e não dirigiu palavra a nenhum deles.

As outras pessoas lançavam olhares rancorosos quando eles passavam por perto.

– Sabe, – Tom começou, em tom de brincadeira. – é realmente uma cidade perdida, como Will disse. Que gente mais rabugenta.

Bill empurrou o irmão, sorrindo.

– Aiii, meu ombro Bill. Gustav, você não podia ter pegado mais leve quando foi me bater?

– E você podia não ter corrido atrás da gente feito um lobo esfomeado, mas eu não estou reclamando disso. – Gustav retorquiu, dando um soquinho no ombro de Tom para provocar.

– Não sei do que você tá reclamando Tom, sou eu quem vai ficar para sempre com a marca da sua patinha nas minhas costas. – disse Bill, se divertindo. – Só o Georg se safou de um machucado. Qual foi seu truque Georg? Aposto como o Will se sentiu atraído pelo charme do seu cabelo.

– Sou um garoto puro e inocente. Will deve ter percebido isso. – Georg riu.

– Ah, tá Georg, até parece. Aposto que você teria se transformado numa linda borboleta. – Tom imitou uma borboleta em torno de Georg. – Ou talvez se transformasse na chapeuzinho vermelho, eu sei o quanto você iria gostar que o lobo mau aqui te perseguisse. – Tom concluiu, se gabando ao passar o braço em torno dos ombros de Georg.

Amanda esperava por eles na porta do hotel, quando os quatro desceram carregando a bagagem. Gustav tinha levando a ao hospital e quando ela acordou, se dispôs a dar uma carona de carro para eles até o aeroporto mais próximo.

– Talvez você queira entregar esta carta pessoalmente. – Gustav estendeu para Amanda a carta que á pouco tempo ela entregara para ele quando ele visitou a biblioteca. – Aposto como sua mãe vai ficar feliz com isso.

– Ah, Gustav, obrigada. – Ela se jogou sobre ele e o abraçou contente. Gustav corou, e largou as malas no chão para retribuir o abraço. O rosto dela estava encostado no seu, e ainda que ele não pudesse vê-la, sentia que ela estava sorrindo. – Finalmente vou poder ir para casa sabendo que nada irá me perseguir – Ela continuou, se afastando um pouco para poder olhar para ele.

Gustav não sabia o que dizer, se sentia um pouco nervoso e o sangue lhe queimava o rosto. Ela se inclinou inesperadamente para dar um beijo no rosto de Gustav, mas, pego desprevenido, ele virou o rosto sem querer o que resultou nos lábios dela tocando levemente os seus. Ela não recuou e nem ele. Durante aqueles milésimos de segundo ele sentiu o quanto os lábios dela eram macios e o perfume que emanava dos cabelos dela. Até que os óculos dos dois colidiram desajeitadamente e ela se afastou, soltando uma risadinha.

– Vamos. – Amanda o puxou alegremente pelas mãos e ele tentou dizer que ainda tinha que levar a bagagem para o carro, mas ela o silenciou dizendo que algum funcionário do hotel faria isso, embora Gustav não confiasse nas pessoas daquela cidade para o serviço.

Por fim eles se encontravam dentro do carro de Amanda. As malas quase não couberam na traseira do carro e Bill precisou colocar algumas das suas malas na parte interna do carro. O carro Não era tão caro como um Audi, mas era confortável e tinha espaço para todos eles. Bill fez questão de dirigir. Não deixaria que Amanda dirigisse, já que ele achava que ela precisava descansar desde o incidente da colina, E Tom era um pé no saco quando estava no volante, especialmente agora que teria de deixar aquele lindo Audi estacionado na porta do hotel. Ele queria receber uma indenização pelos estragos causados ao carro, mas Bill insistiu para que deixassem aquilo quieto. Georg não se interessava por quem estava dirigindo, desde que saíssem logo daquele lugar e Gustav... Bem, Gustav teve a carteira tomada, então não poderia assumir essa função mesmo se quisesse.

Amanda sentou no banco do passageiro. Tom e Georg ficaram com do lado esquerdo de Gustav no banco de trás. Os dois passariam a viagem conversando e implicando um com o outro, por isso Gustav, acostumado com esses detalhes, evitou se sentar no meio.

Bill deu a partida. Ninguém percebeu o quanto ansiava por partir até que ouviram o som do motor sendo acionado. Apesar de não terem dito em voz alta, cada um se sentia aliviado ao seu modo. Tom começava uma discussão com Georg sobre o quanto Georg era feio e o quanto ele gostaria de ser divertido e talentoso como Tom. Essa era a deixa para que Gustav escorasse na porta e iniciasse um longo cochilo até o fim da viagem.

Mas quando ele se virou para a janela, a conversa de Tom e Georg ficou distante. O carro virou em uma rua e andava lentamente em linha reta. A ponte que saia da cidade estava em uma rua perpendicular a que eles estavam e o carro logo teria que virar para seguir em direção a ponte. Ali, onde a ponte de madeira começava, estava um homem parado se apoiando casualmente com as duas mãos em sua bengala branca, da mesma cor que suas vestes.

Ele olhou para o carro que se aproximava e sorriu sem mostrar os dentes. Era um sorriso astuto e malicioso. As rugas em torno dos olhos surgiram, como rachaduras em uma casa velha. Era o velho Ian. Ou melhor dizendo, William.

Gustav não soube como concluiu aquilo, mas sabia, não só pelos olhos verdes daquele senhor, como por toda a sua expressão, que aquele era William. Ele sentiu seu sangue ferver por não ter percebido que Ian era um apelido tão óbvio para William quanto Will também era.

De alguma forma William conseguira ficar sem as cicatrizes. Aquele ali deveria ser o verdadeiro, e não apenas uma ilusão como aqueles “Williams” que surgiram na colina.

O carro se aproximou do velho que permaneceu parado. Gustav percebeu que William estava presente na cidade o tempo todo. Ele sabia do que estava falando quando dizia que era uma cidade perdida, por que ele simplesmente nunca a deixara. Ele os vigiava, esperando talvez que deixassem de lado a raiva em relação á ele, ou que mudassem de atitude para com os outros. Ainda que dissesse que os moradores eram os verdadeiros vilões, ele mesmo incitava os outros á subir até a casa, como havia feito com eles.

Ele era o juiz e toda aquela cidade estava condenada se não mudassem. Ou talvez aquele livro simplesmente não o deixasse parar. Talvez ele mesmo fosse um zumbi controlado pela casa, como Bill e Tom haviam sido transformados em monstros, talvez o monstro de Will fosse ele próprio.

O silêncio dos outros deixava claro que eles também concluíram o que Gustav havia acabado de perceber. Bill não diminuiu ou aumentou de velocidade, apesar de temer um pouco cruzar aquela ponte agora que sabia que William estava logo ali e poderia fazer algo para impedi-los.

Mas ele não o fez. Quando o carro passou por ele, Will levantou uma das mãos e acenou roboticamente, olhando para cada um deles dentro do carro. Seu terno e chapéu coco estava impecavelmente brancos, exceto pela gravata que contrastava com sua cor vermelho sangue. O carro seguiu seu curso sem que nada o impedisse e cruzou a ponte e eles voltaram a conversar normalmente entre si.

Gustav num ímpeto súbito, se virou no banco traseiro e olhou para trás. O velho não estava mais lá na ponte. Ao longe, a colina Benson era apenas um emaranhado verde e marrom. Lá em cima se encontrava a Will’s House e Gustav se pegou se lembrando de quando entraram naquela lugar pela segunda vez.

“O quê há de errado? A casa está exatamente igual ontem” Georg havia dito.

“Houve uma ventania aqui. Não tem nada quebrado ou caído. Nem mesmo as folhas que passaram pela porta estão aqui.”

Ele olhou pela última vez para a silhueta da casa e soltou um longo suspiro, sem se surpreender ao perceber que a casa estava de pé e inteira. Ele não precisava ir até lá para saber que o fogo não deixara nenhum tipo de marca na sua estrutura. E também não precisava que os outros descobrissem isso. Eles estavam indo embora e a casa estava intacta. E assim ficaria.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!