William, o estranho
1 Um estranho na vila
Em uma floresta não tão distante vivia Willian, uma estranha criatura. Ele não tinha família e nem fazia ideia da sua origem ou quando nasceu. O nome foi ele mesmo que se deu, pois não tinha ninguém que pudesse chama-lo por nome algum. Foi fadado a ter uma vida solitária, a única coisa que podia fazer era observar a pacata vida dos humanos das pequenas cidades próximas. Ele queria saber como era ter uma vida em sociedade, mas não podia se aproximar, já que sua aparência assustava. Ele tentou algumas vezes se socializar, disfarçava suas orelhas pontiagudas e seus longos dedos, se não sorrisse e não falasse muito ninguém notaria como seus dentes eram afiados, apenas não dava para disfarçar sua pele extremamente pálida e seu nariz grande e inclinado, era semelhante a um bico de um pinguim. Mas logo alguém percebia suas estranhas características, logo estranhavam sua fome insaciável, logo era descoberto, logo era caçado.
Entretanto, Willian era uma criatura sobrenatural e sendo assim, possuía alguns poderes mágicos. Apesar de que, dependendo do mau uso poderia deixar sequelas, e ele não sabia exatamente por quanto tempo os seus poderes durariam. Uma das suas habilidades era invocada em noite de lua cheia, ele poderia possuir o corpo de um humano e assim viver como os tais humanos viviam. Então ele possuiu o corpo de Jorge, o temido caçador da região, por um tempo viveu bem com sua esposa Lisa e suas duas filhas, por um tempo viveu muito bem na sua rotina de mirar, atirar e capturar, muito bem mesmo, sua mira estava melhor, ele estava mais ágil e seus sentidos mais aguçados, mas com o passar do tempo as coisas ficaram estranhas. Uma lua cheia depois sua aparência mudou, sua pele estava mais pálida, seu nariz maior, sua estatura mais baixa além da sua fome que não se saciava. Na segunda lua cheia seus sentidos estavam tão aguçados que instintivamente caçava qualquer coisa que se movia. Mirou, atirou e capturou sua esposa Lisa. Mirou, atirou e capturou suas duas filhas. Mirou, atirou e capturou seus companheiros de caça. A população descobriu, se revoltou e quase capturou Jorge, que na verdade era Willian, e mais uma vez Willian se isolou. Na terceira lua cheia não tinha sobrado mais nada do Jorge, agora era totalmente Willian, o que foi um alivio, pois de livrou dos instintos assassinos de mirar, atirar e capturar.
Willian não desistiu e decidiu possuir Edson, o sanguinário açougueiro. Por um tempo viveu bem na sua rotina de abater, dissecar e empilhar carne, muito bem por sinal, estava mais forte, não precisava mais de ajudantes, podia fazer tudo sozinho. Passou uma lua cheia e sua aparência não mudou, o que era um ótimo sinal, talvez tivesse conseguido aprender a permanecer na forma humana, mas o que ele não percebeu é que só a aparência não tinha mudado, os costumes sim. Mais um dia em sua rotina, abateu, dissecou e empilhou, notou algo estranho, o porco que era para ter sido abatido ainda estava vivo, em seguida ouviu os gritos desesperados de sua esposa, seu bebe recém-nascido tinha sumido, e só aí que ele se deu conta que abateu, dissecou e empilhou o pobre bebezinho, se isolou novamente, para evitar abater, dissecar e empilhar o que não devia, e para evitar ser caçado mais uma vez. Na segunda lua cheia voltou a sua forma original, e já não abatia, dissecava e empilhava mais nada.
Decidiu tentar mais uma vez, resolveu tentar com alguém menos sanguinário, possuiu então Maria, a cozinheira. Por um tempo viveu bem assim, era só assar, cozinhar e temperar, por um tempo viveu muito bem assim, amava cozinhar, até que depois de um tempo passou a cozinhar mais do que devia, mas não tinha problema, era uma ótima maneira de saciar sua fome. Passou um tempo e seus clientes começaram a estranhar sua comida, o gosto da carne tinha mudado. Começaram, então, a achar coisas mais estranhas na sua comida, constataram enfim que era uma dentadura. Mais uma vez a atrapalhada criatura foi caçada, mas dessa vez foi capturada, julgada como bruxa, e então foi para fogueira. Não conseguiu usar nenhum dos seus poderes para poder escapar, dessa vez era o fim. Se viu sendo consumida pela fogueira lentamente, dolorosamente, até que então, tudo apagou.
Acordou, não sabia se tinha acabado ainda, pareceu que tinha desmaiado, sua visão estava embaçada, mas viu que estava em lugar escuro, parecia ser um túnel, estavam em sua forma original, ouviu alguém vindo, sua visão melhorou e olhou pra quem vinha, era uma outra estranha criatura, não parecia com ele mas também não parecia humano, andou mais adiante e viu outras diversas criaturas, viu humanos, olhou ao redor e entre as diversas criaturas viu também a sua própria espécie, se alegrou ao constatar, agora ele esta em um outro mundo, o lugar que ele realmente pertencia.
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