William
6 Father
Notas iniciais
Estava exausto e dolorido, um dos meninos tinha me dado um empurrão que me fez cair de bunda no chão, parecia que eu tinha quebrado meu cóccix. Cheguei em casa e me joguei na cama, fiquei com a cara no travesseiro, de barriga pra baixo e os braços entre abertos, e assim permaneci até o celular em meu bolso vibrar. O peguei e vi que tinham post de meus amigos em um aplicativo, o Secret, era um aplicativo novo, mas já tinha muita treta.
" William ta querendo um pau no cu"
" Leo... Mais viado impossível"
" Casal de gay é pior que merda de cavalo"
Parei por aqui, senti o ódio se estabelecendo em mim, quase joguei o celular contra a parede, como eles não podem entender o amor? Só por que amo outro garoto? Para que serem tão estúpidos?! Predicava me acalmar, bloqueei a tela do celular e fui tomar um banho.
Enquanto a água escorria pelo meu corpo, eu não conseguia para de pensar se William teria visto aquilo, tomara que não. E ainda teríamos que contar para os nossos pais, eu temia que o pai dele não aceitasse nosso amor. Depois do banho voltei para a minha cama, e fiquei la pelo resto da tarde. Eu fui tão ingenuo, pensei que todos iriam aceitar, que todos iam entender... Eu fui um idiota.
Sete e meia da tarde, minha mãe e meu pai haviam chegado em casa, estávamos jantando macarrão enquanto a novela das sete passava na TV. Eu não estava com fome, estava nervoso, sentia meu estomago se embrulhar, mas eu tinha que contar para eles. Então a novela foi para os comerciais, minha chance.
– Pai, Mãe — Chamei-os — Preciso contar uma coisa.
– O que foi, Leo? — Perguntou minha mãe com seu tom compreensivo de sempre, enquanto meu pai me olhava seriamente.
– E-Eu... — Gaguejava enquanto olhava para o meu prato de macarrão, quase que intacto — Eu to namorando.
– Que bom filho! — Exclamou minha mãe animada — Quem é? É a Anna?
– É um garoto... — Murmurei um pouco baixo do que eu tinha previsto, mas pela expressão no rosto deles eu sabia que eles tinham escutado — É o William.
Meu pais se entreolharam, ela com uma expressão de surpresa e ele com sua expressão seria de sempre, como sempre. Isso sempre me irritava nele, ele sempre estava serio, nunca sorria, nunca falava um "bom trabalho" quando eu tirava nota boa, ou até mesmo brincava comigo quando eu era criança. Mas não quero mudar de assunto, vamos voltar para o presente.
– Ah, Leo — Disse minha mãe mudando sua expressão de surpresa para carinhosa, seu sorriso era leve porém brilhante e seus olhos eram acolhedores — Você é nosso filho, e o aceitamos do jeito que é, não importa se você namora uma garota ou garoto, nos sempre vamos te amar.
– Obrigado — Disse por fim, aliviado enquanto sorria alegremente, não sorria assim a muito tempo, quer dizer sem contar meus momentos com o Will.
Depois disso consegui comer, porém enquanto comia pude ver pelo canto do meu olho, que meu pai n gostou muito da ideia de ter um filho gay. Terminei de comer e fui para meu quarto, eu estava tão feliz, Me deitei na cama e peguei meu celular novamente, olhei meus contados no Skype, William estava offline, frustado resolvi ler um pouco, e esse um pouco durou bastante. Sem ao menos perceber já estava dormindo e babando no meu livro.
Acordei com um breve som agudo e familiar, o interfone da minha casa, fui pegar meu celular na estante do lado da cama para ver as horas, mas acabei derrubando o livro, que por sinal eu o deixei no chão, tava com preguiça de pegar ele. Eram três horas da manhã, quem toca no interfone nesse horário? Mais um toque do interfone, eu até pensei em levantar mas logo vi minha mãe passando pelo corredor para atender, então tentei ir dormir de novo, mas fui impedido pela minha mãe que foi ao meu quarto logo depois de atender o interfone.
– Leo — Chamou ela, eu, é claro, respondi com um "Hmm?" — É o William
– Uhum — Murmurei sem pensar, mas logo raciocinei... — William?! — Perguntei quase que saltando da cama e indo para o portão de casa. Ela respondeu com um aceno de cabeça.
Então sem nem colocar um chinelo corri até o portão, e la estava ele, com seus cabelos bagunçados e olhos azuis, sua pele estava pálida como o de costume, porém mostrava marcas de hematomas e um pequeno corte na bochecha, além disso ele carregava uma mochila e seus olhos estavam vermelhos, provavelmente de chorar.
– Will... — Nem comecei a falar e ele já pulava em meus braços — O que aconteceu?
– E-eu... — Ele tentou falar, mais foi interrompido por um soluço, ele começara a chorar.
– Leo... — Chamou minha mãe meio chocada — Leve-o para dentro.
Dentro de casa, o sentei no sofá, e fui buscar água para ele, enquanto minha mãe preparava uma tentativa de primeiros socorros. Sentei ao seu lado e entrei o copo, sua mão tremia ao segurar o copo, e com muito cuidado ele levava água a boca, e aos poucos ele foi se acalmando.
– Leo o que aconteceu? — Perguntei novamente enquanto segurava uma de suas mãos, embora, no fundo, eu já sabia o que havia acontecido.
– Eu contei pro meu pai sobre nós — Disse ele — E isso aconteceu — Ele apontou para o corte na bochecha, o que me fez sentir um sentimento de culpa, fazendo eu desviar o olhar e fitar o chão. Mas logo sua mão encostou em meu rosto e me fez o encarar — Não é culpa sua, Leo — Com isso ele se aproximou e beijou minha bochecha, bem perto da boca.
– Você fugiu de casa? — Perguntou minha mãe, que observava a cena
– Sim — Respondeu ele — Eu não aguentava mais ficar naquela casa com ele, e como eu não tinha pra onde ir...
– Sem problemas — Falou minha mãe — Você pode ficar aqui o tempo que precisar, mas... — MAS! Sempre tem um "mas"! — Teremos que ter uma conversa com seu pai, uma hora ou outra.
Sem poder falar não, nós concordamos.
Fale com o autor