Notas iniciais
Eu sei... Eu sei... Duas semanas de atraso. Não vou dizer que eu estava com bloqueio ou que eu estava ocupada demais para escrever, eu estaria mentindo se dissesse isso. Então vou ser honesta com todos vocês, na faculdade eu tenho duas aulas chamadas fonética da língua portuguesa e literatura norte-americana, as duas disciplinas são extremamente chatas e eu passo a aula toda escrevendo ou desenhando, esse capítulo já estava pronto há semanas no meu caderno, só que eu estava com uma enorme preguiça de digitá-lo, então me desculpem pela preguiça. Boa leitura!

Mal havia amanhecido na Rua Mifflin e o clima já estava frio. O inverno se aproximava e a probabilidade que o sol saísse naquela manhã era muito baixa. Grandes nuvens negras já podiam ser vistas no céu, mas não importava o clima ou a temperatura que fazia do lado de fora, o clima dentro da mansão era quente e aconchegante.

Henry ainda estava adormecido em seu quarto. A salvo e de baixo de suas grandes cobertas. Já Regina sentia seu corpo quase congelando, mesmo coberta com grossos edredons. Algo lhe faltava e a morena sabia o que era. O corpo quente da namorada não estava abraçado ao seu e isso não lhe agradava nenhum pouco. Parecia loucura, e até mesmo um pouco ridículo em sua opinião, o quanto ela havia se afeiçoado as constantes noites tranquila que tinha quando Emma estava por perto.

Pouco antes das três da manhã, Emma havia recebido uma ligação e como era xerife da cidade não pode ignorá-la. Aparentemente alguém precisava dela antes do amanhecer e com muito custo a loira conseguiu sair da cama. Regina protestou, porém sabia que Emma estava certa e precisava sair. Antes de sair Emma ajoelhou-se na frente de sua namorada e sussurrou ‘até logo’, depositando logo em seguida um beijo em sua testa. Regina sorriu, sabia que logo estariam juntas novamente.

Já era perto das seis da manhã quando Regina pode ouvir a porta do quarto ser aberta e fechada. Abriu os olhos e viu que Emma estava retirando as botas, a calça, o casado, e a blusa, ficando apenas de short, regata e meias. Em seguida a loira aproximou-se da cama e deitou-se ao lado de Regina, dando espaço para que a morena deitasse em seu peito.

— Você demorou. – Disse Regina com a voz um pouco sonolenta, aconchegando-se no abraço da loira.

— Achei que você estaria dormindo. – Respondeu a loira, plantando um suave beijo sobre os fios de cabelo castanho.

— Eu estava, mas aparentemente a cama estava fria e então eu acordei. Por que demorou tanto?

— Houve uma briga. O casal que mora ao lado dos meus pais estava brigando, então meu pai me ligou. Aparentemente eles estavam brigando desde cedo e o prédio todo estava ouvindo.

— Devo multá-los por perturbação da ordem pública?

— Nope, tudo sobre controle.

— Ótimo. Podemos voltar a dormir?

— Sabe, eles aparentemente eram felizes. – Começou Emma. – Sempre os vejo passando pela rua de mãos dadas e sorrindo quando faço minhas rondas.

— Nem toda felicidade dura para sempre. – Disse Regina, com um ar melancólico e triste. O que não passou despercebido por Emma.

— Ei. O que foi isso?- Emma ajeitou-se para que pudesse olhar nos olhos da namorada. – Aconteceu alguma coisa enquanto eu estava fora?

— Não, nada aconteceu querida.

— Então por que essa conversa de ‘nem toda felicidade dura para sempre’?

Quando Regina não respondeu, Emma se preocupou. Sabia que o passo que elas estavam dando era enorme. Estavam juntas há sete meses e recentemente a loira havia se mudado para a casa de Regina. Tudo estava indo muito bem e aquele assunto havia lhe preocupado. A loira sabia do passado turbulento da rainha e conhecia todos os seus medos.

— Regina? Isso tem haver com o fato que eu acabei de me mudar? Se você acha que isso pode afetar nossa relação nós podemos conversar sobre isso.

— Não é isso. – Respondeu a morena. Sentando-se na cama e encarando a loira que estava em sua frente. – É que...

— É que?

— É que sempre que eu estou feliz, algo sempre entra no caminho. E eu não sei se eu agüentaria perder mais alguma coisa. Não sei se eu suportaria te perder.

— Ei... Vem aqui. – Emma também se sentou na cama, puxando a outra mulher para um abraço. Regina abraçou a loira sem pestanejar, sabia que Emma sempre seria seu porto seguro. Sua rocha sólida no meio da tempestade, porém não podia negar que estava com medo que algo fosse acontecer. Afinal de contas, ela era uma vilã. – Nada vai me separar de você, minha rainha. Sabe por quê? Porque eu nunca deixaria isso acontecer. Eu nunca deixaria você ou nosso filho. Eu procurei a vida toda por uma família e eu finalmente a encontrei.

Regina então sorriu. Um tímido sorriso entre as lágrimas — que sem que a morena notasse ou permitisse — que desciam por suas bochechas.

— Obrigada. – Respondeu a morena. – Obrigada por estar aqui.

Ambas sorriam em meio às lágrimas. Regina aproximou seu rosto ao de Emma e beijou-lhe os lábios vagarosamente. Deitaram-se novamente e passou-se um tempo antes que o silêncio fosse quebrado. Nessa hora, o quarto já começava a ser iluminado pelo sol.

— Eu gostaria de um dia poder ter o seu nome. – Disse Emma, finalmente quebrando o silêncio.

— Por que, querida?

— Swan é o meu nome de órfã. É meu nome de quando eu não tinha ninguém, de quando eu não tinha uma família e....

— E agora você tem. – Completou Regina.

— Eu não quero ser Emma Swan. Eu quero ter o nome da mulher que está deitada ao meu lado. Quero ter o nome da mulher pela qual me apaixonei.

Regina não respondeu e Emma sabia que não precisava de uma resposta. No futuro elas conversariam sobre isso, porém naquele momento ambas sabiam que uma promessa silenciosa havia sido feita e era tudo que ambas precisavam antes de dormirem novamente.

Entre entrar pelos túneis, descobrir que seu castelo havia sido tomado, descobrir que tinha uma irmã e desativar o feitiço de proteção, Regina não com o que estava mais irritada. Porém, no meio de tantos acontecimentos ela havia encontrado uma distração, havia encontrado um meio de — mesmo que por algumas horas — esquecer daqueles que mais amava.

Todos estavam reunidos na biblioteca do castelo. Todos estavam chocados com as recentes noticias e alguns estavam até assustados.

— Deixe-me ver se eu entendi. – Começou Snow. – Você tem uma irmã?

— Da qual você não sabia da existência?

Regina revirou os olhos. Aquela era a terceira vez que contava a mesma historia e isso já estava lhe irritando profundamente.

— Quantas vezes eu tenho que repetir? – Respondeu a morena.

— Isso é muito... estranho. – Disse Snow. Sentando-se na cadeira. – Como Cora conseguiu esconde-la por tanto tempo?

— Ela não estava escondida. – Respondeu Regina. – Não sei o que aconteceu, mas minha mãe com certeza não queria uma filha bastarda atrapalhando seus planos, então...

— Cora se livrou dela... – Snow parou e pensou por um instante. Pensando em qual seriam os próximos passos do grupo. – Nós temos que detê-la.

Todos no local assentiram em concordância.

— Deixe-a comigo. – Disse Regina com um sorriso maligno e diabólico. – Eu não tenho uma boa luta há muito tempo.

***

— Eu estou o que? – Perguntou Emma. Espantada com a revelação.

— A senhorita está grávida. – O médico ofereceu a Emma um pequeno sorriso. – Meus parabéns.

— Mas...

— As vezes isso acontece, senhorita Swan. Tenho certeza que você está surpresa, mas não há com o que se preocupar. Um bebê é uma bênção.

Emma ainda estava chocada e pálida quando entrou no apartamento. Henry ainda não havia chego, pois ainda era cedo. E ela honestamente preferia assim porque não tinha ideia de como contaria para o filho que dentro de alguns meses ele seria o irmão mais velho.

Ao deixar as chaves na bancada e jogar-se no sofá, as mãos de Emma foram, quase que imediatamente, para sua barriga. Como ela poderia estar grávida? Mesmo que tentasse se lembrar da ultima vez que havia feito sexo, tudo não passava de um borrão. Será que ela havia bebido tanto a ponto de esquecer? Ela não se lembrava de ter bebido muito nos últimos meses, mas essa era a única explicação plausível.

Emma então ouviu a porta do apartamento bater e deduziu que fosse Henry. Ótimo. Hora do show.

— Mãe?

— Hey, kid. – Emma respondeu com um pequeno sorriso. – Por que chegou cedo hoje?

— A senhora Hart não se sentia bem, então não tivemos o ultimo tempo de aula. Acho que ela está grávida. – Emma congelou. O destino parecia estar pregando uma ótima peça nela. – Como foi a sua consulta?

— Foi... Foi... Foi reveladora. – Disse por fim.

— Reveladora como? – Perguntou o menino.

— Foi o tipo de revelação que eu não esperava.

— Você não tem câncer, certo?

Ao olhar para o filho, Emma pode perceber o olhar aflito do menino. Ela sabia tinha que contar, mas tinha medo da reação do filho. Afinal, a reação dela mesma não havia sido a das melhores.

— Não. Não é tão grave assim.

— O que é então?

— Eu... Você... – Tentou Emma. Não encontrando as palavras corretas para falar.

— Vamos, mãe! Não deve ser tão ruim assim.

Emma suspirou. Tomando coragem.

— Como você se sentiria sendo o irmão mais velho? – Perguntou a loira. Com os olhos fechados, achando que assim talvez fosse mais fácil.

— Seria legal ter mais alguém na nossa família. Eu poderia ter um parceiro de jogo melhor.

— Ei... – Reclamou Emma. – Eu sou uma ótima parceira.

— Não, você não é. – Riu Henry e logo Emma também estava rindo. E depois de alguns instantes as risadas cessaram. – Você está grávida, não é?

— Sim.

Emma olhou para o filho. O menino lhe oferecia um sorriso acolhedor e amoroso. Ela sabia que não estava sendo fácil para Henry. E Henry também sabia que não estava sendo para a mãe. Henry abriu os braços, um convite para que a mãe o abraçasse, e foi isso que Emma fez. Abraçou o filho e permaneceram em silêncio durante um tempo.

O menino sabia que fazia muito tempo que a mãe não namorada, então duvidava que seu futuro irmão havia sido planejado. Provavelmente fora coisa de apenas uma noite. Ele também sabia que seria difícil, mas estaria ali para sua mãe. Apoiando-a.

— Sabe... – Começou o menino. – Eu não me importo em dividir o meu quarto e eu também sempre quis um irmão.

— E se for uma menina?

— Nesse caso eu me recuso a pintar o meu quarto de rosa.

***

Todos estavam conversando animadamente, porém Regina estava calada. Olhando para um ponto fixo na parede. Seu coração estava acelerado. Ela sabia que alguma coisa estava acontecendo e ao lembrar que não podia estar junto de Emma e Henry, sua raiva apenas aumentou.

— Regina?

A rainha fingiu não ouvir. Estava concentrada demais em suas emoções. Seu coração por mais que estivesse acelerado, não estava angustiado. Então supôs que não era algo ruim que estava acontecendo com sua família, mas mesmo assim não conseguia acalmar-se.

— Regina?

— O que? – Disse a rainha. Com a voz um pouco mais elevada.

— Tudo bem? — Perguntou Belle. – Você não parece muito bem. Está um pouco pálida.

Regina então bufou. Sabia que não conseguiria disfarçar suas emoções. Todos sabiam que ela ainda estava abalada demais desde que haviam retornado para a Floresta Encantada.

— Você já teve a sensação que algo estava acontecendo, mas não é algo ruim? – Perguntou a morena. – Como se alguma coisa boa estivesse acontecendo e você estivesse muito excitada com a notícia.

— Não, não acho que eu já tenha sentido isso. – Respondeu Belle com honestidade em suas palavras. – Mas acho que posso imaginar como você está se sentindo. Afinal, todos estamos, de certa forma, abalados.

— Eu sinto falta deles. – Disse Regina após alguns instantes de silêncio. – Parece que tem uma parte de mim faltando.

— Eu sei como se sente. – Respondeu a outra morena. Regina pode perceber o olhar triste da mulher mais nova.

Rumple podia ser o homem mais desprezível da face da terra, mas sabia que a outra o amava de verdade. Talvez o amor deles não fosse tão bem visto, mas o dela por Emma também não era no começo, mas sabia que era verdadeiro.

— Ele não era o melhor dos homens. – Começou Regina. – Mas sei que ele te amava e posso ver que você também o amava.

— O amor verdadeiro é algo incrível, Regina. – Disse Belle. – Bae acha que pode trazê-lo de volta, e se o trouxermos de volta nós podemos arrumar um jeito de voltarmos para Storybrooke.

— Tomara que esteja certa.

— Tenha fé, Regina. Emma e Henry tinham fé em você. – Suspirou Belle. Levantando-se e estendendo a mão para Regina também se levantar. – Nós vamos achá-los novamente.

Notas finais
Então? O que faltou nesse capítulo? Me avisem se querem que eu coloque algo a mais nos próximos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.