Will You Wait For Me?
18 You And I'll Be Safe And Sound
Notas iniciais
– Você tem certeza que está bem? Nós não precisamos-
– Kurt. O avião está prestes a decolar, não podemos mais desistir. Além do mais, eu falei com meu médico. Está tudo bem, eu sei o que pode me prejudicar e com certeza vou evitar que isso aconteça.
Blaine e Kurt estavam no avião, prestes a começar a viagem para Londres que Blaine havia planejado com a ajuda de Elliott. Kurt, apesar de estar feliz e surpreso, estava com muito medo de que algo acontecesse com a saúde do namorado – sem contar que não foi ele quem havia feito as malas, com certeza seus pais tinham esquecido de algo.
– Como você conseguiu fazer tudo, Blaine? Isso... Isso é incrível.
– Elliott realmente me ajudou a escolher tudo. Ah, meu pai foi quem mais me ajudou. Ele pagou quase toda a viagem.
Kurt ergueu as sobrancelhas em surpresa, sorrindo fraco. Chegou mais perto do moreno, o envolvendo em seus braços.
– Ele ficou muito chateado quando soube o que estava acontecendo entre nós e, antes mesmo de eu contar o que estava planejando, ele já havia pensado em mil maneiras de ajudar.
– Vou ligar para ele mais tarde – Kurt sussurrou, rindo baixo. – Obrigado, Blaine. Eu te amo e você sabe disso, certo?
– Eu sei – respondeu Blaine, dando um selinho em Kurt.
...
– Amor, acorde – Blaine sacudiu Kurt, que estava com suas pernas no banco e o resto do corpo no colo do noivo. – Vamos, lindo. Precisamos sair do avião.
– Blaine, minhas costas – Kurt murmurou contra o pescoço do moreno. – Está doendo. Amor, me ajude.
Blaine ajudou Kurt a se sentar com uma postura ereta em seu assento. O castanho estava com o cabelo todo bagunçado por ter dormido desconfortavelmente durante cinco horas seguidas. Tinha uma careta no rosto e passava suas mãos na nuca e nos ombros.
– Eu tentei avisar que doeria, Kurt. Você estava dormindo como uma pedra.
...
Ao chegarem na frente do hotel, Kurt começou a pirar, recebendo olhares curiosos de alguns britânicos que passavam por ali. Aquele lugar era gigante! Mal podia acreditar no que estava acontecendo. Blaine estava ali com ele e logo começariam a aproveitar o tempo que tinham em Londres.
Ao entrarem no Great Northern Hotel, o castanho teve que se segurar para não gritar. Era algo divino.
Assim que Blaine fechou a porta do quarto foi quando Kurt realmente perdeu a cabeça. Tirou seus sapatos e começou a pular na cama enquanto Blaine já tinha dor na barriga de tanto rir.
– Kurt... Kurt! – o mais novo o chamava entre gargalhadas. Finalmente, após chamar mais algumas vezes, conseguiu atrair a atenção de Kurt. – Venha aqui.
Ele respirou fundo, acalmando-se antes de descer da cama e ir até Blaine com um sorriso no rosto.
– Isso é perfeito, Blaine. Você é perfeito – disse com os braços ao redor do pescoço do menor. – Posso te beijar?
Blaine riu com a pergunta, se aproximando ainda mais do castanho, se é que isso era possível.
– Claro que sim, idiota.
– O idiota que você mais ama no mundo.
– Com toda a certeza.
Logo os dois se beijavam calorosamente. Os beijos, apesar de calorosos, eram cheios de amor e ambos sabiam e sentiam isso.
Kurt foi empurrado por Blaine até cair em cima da cama e logo o moreno estava no colo do outro, juntando os lábios novamente.
– B-Blaine – Kurt tentava formular uma frase, porém achou bem difícil por Blaine estar em cima de si, agora beijando seu pescoço.
– Uhm? – Blaine se afastou um pouco do outro, sorrindo ao ver o quão vulnerável Kurt estava diante dos beijos e toques. – O que aconteceu?
– Eu... – Kurt tinha um pequeno sorriso em seus lábios e seus olhos azuis brilhavam. – Eu pensei que talvez nós pudéssemos sair, sabe? Mas, sabe, acho que não tem problema se ficarmos no hotel por mais um tempinho.
– Sei – Blaine riu, afastando uma mecha de cabelo que caía no olho de Kurt. – E eu acho que só “um tempinho” não é o suficiente.
...
Kurt acordou horas depois, a lua iluminando levemente o quarto através da janela aberta. Blaine estava deitado em seu braço – que já estava dormente –, de costas para ele.
Não podia estar se sentindo melhor. Sentir o corpo nu de Blaine contra o seu, o perfume que ele tanto amava invadindo suas narinas... Aquela noite. Por Deus, aquela noite havia sido maravilhosa. Passou a mão nos cabelos negros de Blaine, alguns cachos já soltos da gigantesca camada de gel.
– Kurt? – Blaine o chamou sonolento.
– Volte a dormir, amor – pediu, beijando o topo da cabeça do amado.
O moreno não obedeceu, entretanto. Sentou-se na cama, ligando o abajur em seguida.
– Kurt, eu-
– Oh meu Deus.
Kurt sentiu seu corpo inteiro amolecer quando o quarto foi iluminado. Blaine estava com o rosto coberto de sangue já seco; o travesseiro e os lençóis que antes estavam perfeitamente limpos e brancos agora estavam vermelhos.
– Blaine, amor, você está bem? – Kurt, que agora estava ajoelhado ao lado do menor, tentava limpar o rosto do mesmo com as mãos. – Nós precisamos ir ao hospital, você-
Em silêncio, Blaine afastou a mão de Kurt de seu rosto e fez um sinal para ele parar de falar.
– Se acalme, ok? Meu nariz sangrou durante a noite, só isso. Eu estou bem.
– Mas... Por quê? Blaine, está tudo sujo, não foi apenas um simples-
– Foi, Kurt! – Blaine o interrompeu com um grito, logo se arrependendo ao ver o castanho se encolhendo. – Se acalme, eu vou me limpar e logo tiro os lençóis.
Blaine saiu da cama e vestiu sua boxer antes de ir para o banheiro, deixando um Kurt assustado para trás. Lavou seu rosto rapidamente, logo voltando para onde o castanho estava, ainda incrédulo.
– Viu? Eu estou bem – disse enquanto caminhava até a cama, forçando um sorriso.
De fato, Blaine estava se sentindo bem – apenas não sabia como fazer Kurt acreditar nisso. Já fazia alguns dias que sofria de sangramentos nasais, principalmente durante a noite.
– V-Você não está – Kurt se encolheu na cama, puxando o lençol sujo para tapar seu corpo nu. – O que está acontecendo, Blaine? Por favor, me diga que não é nada sério...
– Eu... É, vamos dizer que essa não foi a primeira vez e que... Uhm, sim, eu estava considerando... Sabe, marcar uma consulta, mas-
– Você não foi ao médico?! – Kurt exclamou. – Você... Droga, você sabe que isso pode ser... Sei lá, leucemia! Blaine, quantas vezes você vai ter de ficar doente para aprender a se cuidar? É o seu corpo, você-
– Eu entendi! Me desculpe, prometo que vou ver o que isso é quando voltarmos. Apenas... Por favor, vamos aproveitar essa viagem como se isso não tivesse acontecido. Eu estou bem.
Eles ficaram quietos por alguns minutos – um encolhido na cama e o outro em pé ao lado do móvel – até que Kurt saiu da cama e foi até Blaine com um suspiro. O moreno não conseguiu deixar de olhar para o corpo esbelto do mais velho, que soltou uma gargalhada baixa.
– Pare de me olhar assim, vai estragar todo o clima que estou prestes a criar.
– Mesmo que esteja com pouca claridade aqui, tenho certeza que você está corando.
– Shhh – Kurt sorriu antes de abraçar Blaine. – Me desculpe por quase ter um ataque e xingar você. Eu sei que você odeia ouvir qualquer palavra relacionada com médico ou hospital ou remédio e que você tem arrepios só de ver alguém vestido de branco, mas... Eu me sinto sem ar quando penso sobre nossa situação de alguns meses atrás. Eu quase perdi você, Blaine.
Blaine baixou a cabeça, sentindo lágrimas queimarem seus olhos. As mãos de Kurt acariciando suas bochechas o passavam algo inexplicável. Quando o castanho beijou sua testa carinhosamente, ele não aguentou e caiu no choro.
– Ei, não, olhe para mim – Kurt levantou o rosto do outro. – Não chore, tudo bem? Já passou. Nós vamos descobrir o motivo disso ter acontecido quando voltarmos e tudo vai dar certo. Confie em mim.
– Eu confio em você – declarou seguido de um soluço. – O-Olhe, já vai amanhecer em algumas horas – Blaine apontou, através da janela, para o céu que já não estava mais tão escuro quanto antes. – Podemos descansar mais um pouco e depois...
O garoto contraiu o rosto e mais lágrimas caíram. Kurt o abraçou forte e, de alguma maneira, o calor proporcionado o fazia se sentir muito melhor.
– Podemos fazer o que você quiser, amor.
...
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