Will You Wait For Me?

15 Is this what it feels like to really cry?


Notas iniciais
Pretendia ter postado mais cedo esse capítulo, me desculpem pela demora. Boa leitura :)

...

“Vamos lá, não seja covarde. Vai ser melhor assim.”

– Eu liguei para Mike logo depois que você saiu – Blaine começou, ainda segurando as mãos de Kurt. – Ele e Tina compraram uma casa aqui em Ohio.

– Onde você quer chegar com isso, B.? – Kurt perguntou, confuso.

Blaine respirou fundo antes de responder.

– Eu... Eu vou passar um tempo com eles.

– Como assim? Nós vamos passar tempo com eles? Tipo... Férias? – Kurt questionou, erguendo as sobrancelhas em confusão.

A cada palavra que saía da boca do castanho o coração de Blaine quebrava mais. Ele não queria fazer isso, mas havia tido uma conversa com Burt e ambos decidiram que seria melhor.

– Tipo uma pausa no nosso relacionamento – Blaine esclareceu.

– O quê?! – Kurt estava incrédulo. – Blaine, você... Você não pode tomar uma decisão dessas sem me consultar! Merda, isso não está acontecendo!

O castanho levantou-se e começou a dar voltas pelo quarto, novamente com os lábios tremendo, a testa franzida e os olhos quase fechados.

– Kurt, se acalme... – Blaine suspirou. – Não quis te magoar.

Não quis me magoar?! – o castanho gritou. – Fala sério, Blaine! Você simplesmente decidiu “passar um tempo com eles” – fez aspas com os dedos. – e não quis me magoar?

– Shh, Kurt, seus pais-

– Eu não estou nem aí com eles! – Kurt respirou fundo, tentando se acalmar. – Eu... Por que você está fazendo isso, Blaine? Agora que eu achei que as coisas estavam dando certo, achei que finalmente iria casar com você... Aí você aparece do nada com a notícia de que não quer isso? O que aconteceu?

– Eu já disse, Kurt. Eu já expliquei, mas se precisar eu-

– Por que você aceitou?

Blaine suspirou fundo. Ele realmente não queria discutir de novo.

– Por que eu amo você mais do que tudo, Kurt. Casar com você está na minha lista de coisas que quero realizar, mas eu não acho que seja a hora certa.

Kurt parou de caminhar e se virou para Blaine, olhando o moreno nos olhos.

– Fique, Blaine.

– O quê?

– Não me deixe sozinho, por favor, fique – Kurt pediu, fazendo o coração de Blaine quebrar. – Eu não quero que você vá, eu não quero te perder!

Blaine se levantou, caminhou até Kurt e ficou de frente para ele. Acariciou a bochecha do castanho, sorrindo fraco.

– Você nunca vai me perder, ok? Nós não estamos terminando, não, nunca – Blaine explicou.

– Mas você vai mesmo assim... Por quê? – Kurt perguntou, mais lágrimas ameaçando cair.

– Eu não quero mais brigar com você, Kurt. Você sabe que eu odeio ver você chorando, eu te amo – Blaine colocou suas mãos nos quadris do castanho, o puxando para mais perto de si. – Também acho que, se eu ficar um tempo lá, eu vou conseguir pensar sobre tudo o que discutimos.

– Tudo bem – Kurt respondeu rispidamente, ainda não gostando da ideia de ficar longe de Blaine. Secou as lágrimas antes de perguntar: – Quando você vai?

– Amanhã de manhã.

– Ok – o castanho tirou as mãos do outro de seus quadris, se deitando logo após. – Boa noite, B.

– Boa noite, Kurt.

...

Boom clap, the sound in my heart

The beat goes on and on and on and on and

Boom clap, you make me feel good

Come on to me, come on to me now

Boom clap-

Blaine desligou o despertador de seu celular. Eram sete horas da manhã, a casa estava em silêncio e mesmo que o som da música alta tivesse invadido o quarto, Kurt continuava em um sono profundo.

Kurt, seu Kurt.

“Não pense em mais nada, apenas pegue a mala e vá.”

Blaine se levantou com dificuldade, afinal ficou até depois das três horas da madrugada arrumando sua mala e observando Kurt dormir.

O moreno nem sequer trocou de roupa, apenas pegou seu celular e ligou para Mike, avisando que já poderia buscá-lo.

Colocou seu casaco e levou a mala para o andar de baixo, sem nem olhar para Kurt, pois sabia que iria mudar de ideia a qualquer momento e ele não queria que isso acontecesse.

Esperou por alguns minutos do lado de fora da casa, mas o ar gelado o fez voltar para dentro. Depois de uns dez minutos, Blaine ouviu a buzina do carro de Mike.

Quando entrou no veículo Blaine não conseguiu mais segurar suas lágrimas. Ele não queria ficar longe de Kurt, mesmo sabendo que seria melhor para o relacionamento deles. Blaine nunca havia percebido o quanto ele dependia de Kurt, porém no momento em que entrou no carro, prestes a ir embora, ele sentiu que seria muito difícil passar nem que fosse alguns dias longe de seu amor verdadeiro.

– Hey, cara, vai ficar tudo bem.

Foi só quando Mike o abraçou forte que ele percebeu que estava chorando igual a uma criança pequena. Ele agradeceu o apoio do amigo, corando.

O resto do percurso até a casa do casal asiático foi em silêncio. Blaine olhava pela janela e Mike não se atrevia a interromper os pensamentos do moreno, que continuava a chorar em silêncio.

– Chegamos, Blaine – Mike avisou, tirando Blaine de seus devaneios.

Blaine sorriu para o amigo e desceu do carro que já estava estacionado na garagem.

A temperatura do interior da casa estava muito agradável, porém deu arrepios ao moreno que estava já acostumado com a neve da rua.

Tina recebeu Blaine com um abraço e uma caneca de chocolate quente, depois o mostrou onde era o quarto de hóspedes e disse que ele deveria descansar por mais algumas horas após tomar a bebida quentinha.

Após Tina sair do quarto, Mike entrou no cômodo para entregar a mala de roupas.

– Durma um pouco, Blaine – o amigo disse antes de deixar o moreno sozinho no confortável quarto.

Blaine bebeu um pouco do chocolate quente, mas não estava com vontade alguma de ingerir qualquer coisa que fosse. Colocou a caneca na cômoda que tinha de frente com a cama antes de deitar.

“Pare de pensar nele. Apenas pare, Kurt vai ficar bem.”

Blaine ficou deitado, apenas pensando em Kurt e no que deveria fazer, sem nem ver o tempo passar.

Um pouco após o meio-dia Tina bateu na porta do quarto de hóspedes, tirando Blaine de seus devaneios.

– Entre – o homem pediu.

Tina abriu a porta e sorriu para o amigo.

– O almoço está pronto, Blaine.

– Ah, sim, já estou indo. Obrigado – ele agradeceu, saindo da cama.

Calçou seus sapatos e seguiu a asiática até a cozinha. Sentou ao lado de Mike, que alcançou um prato e talheres para ele.

– Obrigado, Mike.

Tina colocou as panelas com comida na mesa e ocupou a cadeira de frente para Blaine e Mike. Os três começaram a comer em silêncio, que logo foi quebrado por Blaine.

– E-Espero não estar incomodando. Sei que não é muito legal eu aparecer do nada, afinal vocês recém compraram a casa e tudo mais. Prometo que falarei com Cooper e não vou ficar aqui por mais que cinco dias, de verdade. Eu não esperava-

Blaine parou de falar ao sentir a mão de Mike em seu ombro.

– Não se preocupe, cara. Você pode ficar aqui por quanto tempo for necessário, nós não nos importamos – confortou o amigo, sorrindo. – Nós gostamos de você e de Kurt, vamos ajudar com o que for preciso.

– Você pode achar que estou exagerando, mas... Eu nunca fiquei muito tempo longe dele e eu sei que vai ser difícil. Obrigado, de verdade. Ter vocês por perto vai me ajudar muito – Blaine disse com a voz embargada.

Tina sorriu para Blaine, segurando suas mãos.

– Não, Blaine! Blaine, não, não chore – Tina repreendeu o amigo, rindo.

– Vamos lá, cara – Mike aproximou-se de Blaine, abraçando o moreno. – Nós vamos ficar bem aqui, ok?

Blaine deixou suas lágrimas caírem, não eram lágrimas apenas de tristeza, ele se sentia feliz por saber que era amado por pessoas tão especiais como Mike e Tina.

...

Kurt chorou por cerca de meia hora ao acordar e perceber que Blaine já tinha ido embora, então resolveu lavar o rosto e descer para comer algo.

– Filho, oi – Burt levantou da cadeira ao perceber a presença do filho na cozinha. – Você estava chorando, não estava? Eu-

– Você que disse para ele ir embora, não foi? – Kurt perguntou em um sussurro, sem nem olhar para o pai.

– Kurt, você tem que entender... Ele vai voltar em alguns dias. Eu prometo.

– Não, pai... – as lágrimas voltaram e Kurt não se importou em deixá-las cair na frente do homem mais velho.

Burt puxou o filho para um abraço forte, sussurrando palavras de conforto no ouvido do mesmo. Kurt soluçava nos braços do pai, mas com certeza se sentia mais confortável tão próximo dele.

– Eu já sinto falta dele, pai – Kurt lamentou. – Nós nunca havíamos brigado dessa maneira, eu... Eu achei que ia dar tudo certo-

– Acontece, filho. É normal. Confie em mim, hoje mesmo você vai receber uma mensagem ou uma ligação dele.

...

Kurt não recebeu.

Ele passou o dia olhando para o celular, controlando a vontade de ligar para Blaine, segurando as lágrimas.

Como eles deveriam fazer aquilo se nem uma mensagem ele recebia de Blaine?

Enquanto isso, na casa de Tina e Mike, Blaine estava perdido em seus pensamentos.

E se ele não quiser mais ficar comigo?

Blaine sacudiu a cabeça, tentando afastar os pensamentos ruins. Kurt o amava e, em algumas semanas, talvez dias, eles iriam se acertar.

Seu celular apitou e Blaine rapidamente pegou o aparelho, sorrindo ao ver que era uma mensagem de Kurt.

De Kurt:

Sei que você não quer falar comigo e tudo mais, mas seu médico ligou.

Blaine, mesmo deitado na cama, sentiu suas pernas amolecerem. Por que o médico havia ligado? Tinha algo errado com ele? Merda.

Para Kurt:

Eu quero muito falar com você, Kurt.

Agora me explique o motivo dele ter ligado, por favor :(

Minutos depois a resposta veio e o estômago do moreno se embrulhou.

De Kurt:

Calma, você só precisa fazer alguns exames para saber se está tudo bem com o seu corpo depois da cirurgia. Marquei para daqui dois dias, tudo bem por você?

Blaine suspirou, aliviado. Pegou seu celular – que havia caído da cama após o moreno ler a mensagem – e digitou uma resposta rápida.

Para Kurt:

Vá comigo. Por favor, você sabe que eu odeio hospitais (eu tenho os meus motivos). Você sempre esteve comigo nas minhas sessões de quimioterapia e radioterapia e em todas as outras consultas. Você esperou até eu ficar bem por todos aqueles dias após a cirurgia. Você ainda é meu noivo, Kurt.

O garoto tinha lágrimas nos olhos ao lembrar daqueles momentos tão horríveis, mas que acabaram se tornando um pouco melhores pelo fato da pessoa que ele amava estar ao seu lado.

De Kurt:

Mesmo que eu não fosse mais seu noivo eu iria. Eu te amo e quero que você fique bem.

...

Notas finais
Gostaram? Pff, claro que não gostaram, podem me apedrejar. Beijos, até o próximo capítulo ♥