Will I Love You?
3 First Day In Hell
Notas iniciais
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Sol nos olhos.
Por que, diabos, eu sempre me esquecia de fechar as cortinas?! Era assim tão difícil?
Rolei para o lado contrário à fonte de luz e sentei na cama, espreguiçando-me logo em seguida. Mas algo estava errado. Certo, vamos analisar a situação:
Parecia que tinham atingido minha cabeça com algo muito, muito pesado. Repetidas vezes.
Eu não estava com o meu pijama habitual. E usava aquela merda já fazia quatro anos.
O quarto estava impregnado com cheiro masculino.
Eu não me lembrava de ter voltado ao dormitório depois da festa.
Lentamente, abri os olhos. O quarto era exatamente igual ao meu, tirando a decoração em vermelho e dourado e o leão da Gryffindor. E, claro, não podemos nos esquecer do moreno que me encarava divertido, não mais que um metro à frente.
Os olhos do Zabini vagavam por todo o meu corpo, gravando todas as minhas reações, até finalmente pararem em meu rosto extremamente corado. De raiva. Muita raiva.
Sentimento esse que aumentou quando minha cabeça finalmente ligou os pontos.
— O QUE, CARALHOS, EU ESTOU FAZENDO NO SEU QUARTO E VESTINDO APENAS A SUA CAMISA?! – forcei minhas cordas vocais ao máximo. Ele sequer se encolheu com o poder da minha garganta.
— Certo, banshee, pode parar de berrar agora. – levantei e tentei parecer superior, mesmo sendo uma cabeça e meia menor que ele. Eu não era baixa. Zabini era um poste. – Agora, por favor, lembre de tudo que consegue da noite anterior, antes de você começar a absorver todo o álcool de Hogwarts.
Não queria obedecer, mas, vamos ser francos, era necessário. Forcei a mente até os acontecimentos da noite anterior. Uma festa. Verdade ou desafio. Os gêmeos. Eu bebendo.
— Ah. Agora faz sentido. – murmurei e olhei para trás. O outro lado da cama estava revirado, indicando que o Zabini dormira lá, mas havia uma muralha de travesseiros no meio do colchão. Encarei-o, inquisitiva.
— Não queria que você me atacasse no meio da noite, então tive de me proteger. E assim provavelmente serei salvo de te ouvir reclamar mais que o normal.
— Idiota. – murmurei e levantei, pronta para sair daquele quarto e ir me trocar. Mesmo de ressaca, ainda tinha aula.
— Eu não faria isso se fosse você. – dei mais um passo e parei, pois sentia algo estranho acontecia no meu rosto. Ah, claro. Brotoejas. Dei um passo para trás, ficando novamente a um metro do Zabini. Meu rosto voltou ao normal. – Seus primos dão medo, às vezes. Parece que conseguiriam invadir Gringotes, roubar tudo que tem lá e sair impunes.
— Eles já invadiram Gringotes, mas não roubaram nada. Foi só por diversão mesmo. – comentei sem realmente prestar atenção. Tinha coisas mais importantes na cabeça. Ignorando a expressão chocada de Christopher, falei: — Abotoe essa camisa e pegue as suas coisas. Rápido. Tenho que cometer dois assassinatos, mas não posso sair daqui desse jeito. – olhei para a camisa que mal tampava as minhas cochas. Pela primeira vez na vida, Zabini obedeceu.
Minutos depois, ele estava me seguindo para dentro do meu quarto. Peguei o uniforme, separei os materiais e segui para o banheiro.
— Você espera do lado de fora da porta. – disse e entrei, ouvindo-o bufar do lado de fora. Tomei um banho demorado e demorei o dobro do tempo para me arrumar. Quando finalmente saí, o Zabini estava deitado no chão do corredor, dormindo. Chutei seu joelho. – Acorda, peste. Temos aula. – ele grunhiu e levantou, bravo. Caminhamos lado a lado até a entrada do nosso dormitório, onde ele estancou.
— Eu vou ficar a dois passos de distância de você. Caminhe como se não me percebesse, mesmo que isso seja impossível – uma expressão que, para ele e 90% de Hogwarts deveria ser “seduzente” — vou passar na frente da sua sala e depois sigo para a minha. Acho que o feitiço que aqueles dois Potters idiotas colocaram na garrafa cessa quando um dos dois entra em uma sala de aula ou coisa do tipo.
— Se eu sair de perto de você e eu rosto começar a ficar nojento, eu te mato da forma mais lenta e dolorosa possível.
— Você já se olhou no espelho, né? Acho que não dá pra piorar muito. – levei a mão até a varinha, louca de raiva, porém parei. Tinha acabado de virar monitora-chefe. Não podia estragar tudo indo para Azkaban. Mesmo que o motivo valesse a pena.
Mandei-o tomar num lugar onde o sol não bate e tomamos o caminho pelo corredor. Algumas pessoas olharam e apontaram durante o caminho, provavelmente tentando entender como estávamos tão próximos sem berrar um com o outro. De fato, era um milagre que ainda não tivéssemos começado a segunda Guerra Bruxa ainda.
Quando chegamos á porta da minha sala, entrei sem hesitar, porém, assim que sentei no lugar de costume, peguei a varinha e transformei uma folha do livro de Alyssa (que dormia com a cabeça na mesa) num espelho e analisei meu rosto longamente. Nada tinha acontecido. Suspirei aliviada e lancei o contrafeitiço. A folha voltou a ser uma folha.
Ouvi os passos sincronizados de Carter e Jack entrando na sala e virei para trás, a raiva provavelmente exalando dos poros. Eles sequer esboçaram reação ao me ver naquele estado. Será que o tio Albus ficaria muito bravo se eu assassinasse dois de seus filhos por justa causa? Ele ainda teria as meninas...
— Olá, Lika! – disseram juntos.
— Vocês realmente querem morrer, não? Primeiro aquela merda de desafio, agora “Lika”? Deixaram o resto do cérebro de vocês em casa esse ano, foi?
— Calma, Eris. Nós só resolvemos fazer o que 33% e Hogwarts não tinha coragem, oras. – Jack disse. Encarei-o sem entender. Foi Carter que explicou.
— Hogwarts se dividiu em três por causa de vocês dois. Enquanto trinta e três por cento queriam bater as suas cabeças uma com a outra e fazer os dois pararem de brigar, outros trinta e três por cento só querem saber de mais tretas. – e calou-se.
— Falta uma parte. – eu disse.
— Esses acham que vocês ainda vão se pegar “hardmente” e acabar casados com três filhos e um hipogrifo no jardim da mansão Malfoy.
— Há. Há. Há. Como se isso fosse possível. – respondi enquanto rolava os olhos. Sério mesmo? Eu e o Zabini? As pessoas podiam tirar seus hipogrifo da chuva.
— Faltou um por cento nessa conta. – Alyssa disse levantando a cabeça e arrumando o cabelo. – trinta e três vezes três dá noventa e nove.
— Deixa de ser estraga-prazeres, Aly. – os gêmeos murmuraram juntos.
— Mas esse m por cento é composto pela Eris, que é partidária da morte lenta e dolorosa do Zabini, oras. – Carter complementou. Naquilo eu podia concordar. Ouvi um “Por enquanto! Da Alyssa, mas resolvi ignorar aquilo.
— E vocês, de que parte são? – questionei.
— Tretas eternas. – Alyssa.
— Vocês ficarão lindos com um hipogrifo de estimação. – Jack respondeu. Eu estava prestes a acerta-lo com um caderno quando o professor entrou na sala e nos mandou ficar quietos. Me vingaria mais tarde.
~*~
— E agora, como eu faço pra não sair daqui com o rosto cheio de protuberâncias nojentas? – perguntei aos gêmeos idiotas que ferraram com a minha vida.
— Depois das aulas, você tem dez minutos pra encontrar o Zabini. Acho melhor se apressar, ou as coisas não vão acabar bem com o seu rosto, priminha. – Jack respondeu e fez um coraçãozinho com as mãos. Agarrei o braço da Alyssa e seguimos pelos corredores.
— Espera, onde, diabos, foi a última aula do Zabini? – perguntei.
— Você espera que eu vá saber? Não é como se eu falasse muito com Gryffindors.
— Sempre tão útil essa Alyssa, vou te falar. – resmunguei, irritada. – Acordou de TPM ou o quê? – não esperei um resposta e fui até a janela mais próxima. Ela dava para um pátio ( o mesmo em que a professora Trelawney quase foi expulsa de Hogwarts, se não me engano. Ela vivia contando aquela história na aula de Adivinhação na época em que eu ainda fazia) que lentamente ia se enchendo de alunos de todas as Casas. Como encontrar um aluno específico no meio daquela horda?
Tudo bem, Eris, vamos pensar. O Zabini é o terceiro aluno mais popular dessa escola, apenas atrás de Alyssa, e, claro, você, que era popular por andar com a sua prima. As pessoas sem cérebro o veneram. Principalmente as meninas. Então, consequentemente, é só procurar um bando de meninas se esfregando numa cabeça com cabelos pretos.
Passei os olhos pela bagunça generalizada e encontrei: Uma cabecinha com cabelos brilhantes e pretos cercada por, no mínimo, dez meninas e outra cabecinha, essa com cabelos castanhos, um pouco atrás, excluída, mas seguindo o Zabini como se fosse um cachorrinho. Zeke, no caso.
O Zabini, provavelmente me procurando, olhou para cima. Acenei freneticamente e ele, depois de se desvencilhar de todas aquelas vadias, correu até onde estávamos.
— É o seguinte. Temos dez minutos após as aulas para nos encontrarmos, ou aquelas merdas aparecem no nosso rosto. Sendo assim, acho melhor você aprender onde são as minhas salas e eu, as suas.
— Seus primos são uns filhos da puta, não? – perguntou de mau humor.
— Não fale mal da tia Violet. A culpa não é minha se eles nasceram com vácuo na cabeça ao invés de cérebros.
— Espera, Albus Potter não é primo da sua mãe? – questionou. Eu assenti, não entendendo o rumo da conversa. – Então ele não é o seu tio.
— É, por criação. E os Potters vadias que estudam aqui são meus primos por criação também. Não tente questionar. Nossa família é complicada.
— Percebi – murmurou. Bufei.
— Vamos parar de falar da minha árvore genealógica e pensar em como fazemos para almoçar. Ou esqueceu que as mesas da Slytherin e Gryffindor ficam em cantos opostos do Salão Principal?
— Você senta na minha mesa e pronto. – ele falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— Eu não vou me sentar na mesa dos leões. Cacete, eu sou uma Slytherin! Isso vai contra todos os meus princípios!
— Faz assim: numa semana, você almoça, toma café da manhã e janta na Gryffindor. Na outra, ele vai pra mesa da Slytherin. Assim todos ficam felizes.
— Nessa semana, ele senta na Slytherin. – eu disse de prontidão.
— Faz assim, pra evitar pessoas enchendo o saco, você senta na Gryffindor e na frente do seu irmão. Se perguntarem, você estava ajudando o Tristan. Afinal, deve ter sido um choque e tanto quando o cara, criado no meio de Slytherins, foi pra Gryffindor. – pensei um pouco.
— Você tem razão. E eu ainda não falei com ele desde ontem. Então fazemos assim: eu sento do lado do Tristan e o Zabini, do outro lado da mesa.
— O único problema é que o espaço é maior que um metro, Erika. – o Zabini comentou com cara de quem comeu e não gostou.
— Eu não vou sentar do seu lado. E O MEU NOME É ERIS!– disse de prontidão. Só a ideia já me deixava enjoada. E qual era a merda da necessidade de me chamar de Erika?!
— Tristan senta no meio de vocês dois e eu, na sua frente, Eris. Agora podemos, por favor, ir almoçar?
Caminhamos até o Salão Principal, Alyssa entre mim e o Zabini, mas ainda assim estávamos a uma distância segura. Passamos pela porta de entrada e vi Aly se distanciando.
— Espera, você não vem com a gente? – questionei.
— Só tem um espaço vago na mesa da Gryffindor pra vocês. E a companhia atrás não é boa.
Olhei para a direção que Alyssa apontava e vi que, realmente, a mesa já estava quase toda cheia. O único lugar onde caberíamos todos juntos ficava bem atrás do Hufflepuff que Alyssa mais odiava. Ou amava. Era uma história complicada.
Ela não estava sendo uma vadia por não ir comigo. Eu tinha, sim, um ódio profundo pelo Zabini, mas podia aguentar sozinha. Ao contrário dela, nunca amei um casa só pra ter meu coração destruído por ele.
— Até depois, então. – ela foi para a mesa da Slytherin e eu segui com os dois leões até o seu bando. Podia sentir o olhar de todo o salão sobre mim.
Tristan ainda estava em pé, decidindo onde sentar. Seus olhos se arregalaram quando me viu e ele veio rapidamente me abraçar.
— O que está fazendo aqui? Pensei que odiasse a Gryffindor. – ele perguntou.
— Eu odeio a Gryffindor, mas você é o meu irmão e está claramente mais perdido que filho da puta em dia dos pais. – ele riu e nos sentamos. A comida surgiu e todos atacaram com voracidade. – Então, como está a vida como um leão? – questionei entre uma garfada e outra.
— Os meus colegas de quarto são uns babacas. Eles disseram coisas idiotas sobre você. – meu irmão respondeu.
— Tipo o quê?
— Que eu deveria parar de andar com você e andar com aquele cara que você vive reclamando em casa, o Zabini. Eu andei procurando, mas não encontrei nenhum cara com o cruzamento de um testrálio com um hipogrifo. Sei que ontem você conversou com um cara e o chamou de Zabini, mas ele não parecia isso. A descrição psicológica, por outro lado, parecia se encaixar com o que você sempre fala.
— Então eu sou o cruzamento de um testrálio e um hipogrifo, Eris? Bom saber disso. E, Tristan, o que ela disse sobre o meu psicológico? Falando nisso, prazer, Christopher Zabini.
— Ela disse que você era convencido, mais orgulhoso que um hipogrifo e inteligente como uma mandrágora. – tive de abafar o riso com a expressão do Zabini. Zeke, por outro lado, riu livremente.
— Esse é o meu irmão. – high five.
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