Wildland: Return to Zero

36 Capítulo 35 - Jogada para Morrer


Chegando em Touhou eu pude ver o que tudo aquilo significava.

— Então é isso? Entendo. – Eu havia sido deixada para trás. Desde o começo fui apenas usada. Quando entrei naquela masmorra e vi na minha frente um dragão verde com escamas que brilhavam mesmo no escuro e vi em cima de sua cabeça o level 62, entendi que estava ali para morrer. Por quê? Eu havia feito algo errado? Estava sendo usada para saber a força do dragão? Não, eu não podia pensar em mais nada, nem adiantaria, eu iria morrer de toda forma, eu estava presa, não havia saída daquele lugar, a porta havia se fechado assim que entrei, só alguém do lado de fora poderia entrar. O dragão ainda não havia me notado, ele estava dormindo deitado em um ninho com uma pilha de cadáveres e esqueletos, ele parecia se alimentar todos os dias, haviam umas pessoas mutiladas que ainda estavam com o aspecto de pele fresca, deviam ter sido pegas a uns dois dias, eu não tinha como lidar com isso, por quê Jahid? Por quê? Estava perplexa demais para fazer qualquer ação, mas morrer sem fazer nada seria como me matar.

— Eu deveria... Sair daqui? – O que eu estava pensando? Depois de tudo que passei eu me entregaria pra morte? Aqueles malditos me traíram, por que eu tinha que sofrer assim? Por que eles me salvaram se a intenção era de me matar? Eles descobriram alguma coisa de mim? Nem eu sabia sobre mim mesma, prometi que não iria morrer até achar o Realm World e descobrir sobre meu passado, de jeito nenhum iria morrer naquela caverna e ter meu corpo deixado pra esse lagarto gigante. Eu comecei a analisar o redor daquela masmorra, era uma caverna com rochas marrom escura que formavam certas grutas e formações pontiagudas no teto e nas extremidades, o chão era poroso e tinham várias pedrinhas menores parecendo com pome, do outro lado haviam teias de aranhas e um local escuro que eu não podia ver nada. O dragão estava em cima de um chão liso, parecia ser um azulejo com alguns desenhos, aquele lugar poderia não ser natural, então se fosse assim, havia alguma possível saída. Eu tentei por alguns minutos abrir aquela porta, mas por mais força que eu colocasse não adiantava. Meu level estava:

Jiao – 40 – Ranger — [Look –Direct – Tempest – Dizimator], nenhuma delas me seria útil no momento, se eu ao menos fosse um tank ou berserk... Não adiantava ficar pensando em possibilidades que não existem, preciso me focar no que tenho. Eu pensei em disparar uma Direct ou o próprio dizimator contra a porta, mas eu sabia que não faria efeito e aquilo iria acordar o dragão, na verdade, ele iria acordar de todo jeito em algum momento, eu ouvia sua respiração ficar mais rápida em alguns momentos, estava a uns 100 metros dele, por estar escuro e muito silencioso ele ainda não notou minha presença, mas qualquer movimento brusco poderia me denunciar ali, eu tentei ver algo atrás dele mas a penumbra não permitia, mas vi de longe no teto algumas rochas, então supus que a masmorra tinha um fundo próximo, mesmo usando o Look eu só iria ver o escuro, via o dragão por ele e suas escamas se destacarem.

— Vou tentar ao menos uma vez. – Usei a habilidade Look para tentar ver alguma coisa, ela cobria 10 quilômetros, foi quando vi uma rocha mesmo após usar, estava um pouco embaçada pela escuridão mas era uma rocha irregular, aquela caverna tinha mais de 10 quilômetros depois do dragão ainda, não podia fugir por lá, ao menos que eu conseguisse passar por ele, mas o quão arriscado seria? Parada eu não podia ficar, sentei um pouco e comecei a pensar em algo, o problema é que aquela traição que havia sofrido me afetou demais, eu queria chorar, queria poder matar Jahid, raiva e decepção, fora outros sentimentos que me atormentavam, mas eu iria ser mais forte, eu sairia com toda certeza do mundo, esse mundo maldito que eu mal conhecia.

— Aquilo... – Com um rápido olhar no teto daquela caverna, vi uma rocha pontiaguda que parecia uma broca com a ponta bem afiada, ela estava na direção do dragão. – Se eu fizer aquilo cair, poderia causar algum dano? Não, é arriscado, eu posso atirar e nem derrubar nada, eu então pode cair e não fazer nada no dragão, mas que outra alternativa eu tinha. Se passou uma hora e eu ainda estava inquieta e indecisa, a qualquer momento o dragão podia acordar, meu coração batia violentamente, eu estava suando frio e com o corpo mole, já havia passado por situações de vida ou morte antes, mas essa indecisão era o que mais me prejudicava.

— Que se dane, eu preciso tentar enquanto ele tá dormindo, eu não vou mais me render. – Peguei meu arco e com um impulso, ativei o direct e dei dois disparos seguidos na rocha em cima do dragão, ela havia se partido e o pedaço afiado estava caindo em direção ao dragão, quando ele abriu os olhos, a rocha perfurou suas costas e ele deu um rugido ensurdecedor, eu me abaixei e me escondi atrás de uma rocha enquanto tampava meus ouvidos, mas ao olhar para o dragão novamente, ele estava em pé com a merda da pedra cravada em seu corpo, ele olhava para os lados tentando encontrar quem havia feito isso. Agora que eu to ferrada mesmo, eu vou com tudo. – Usei minha agilidade pra rolar três vezes para frente e disparei o tempest em direção a criatura, o disparo de flechas caiu em sua cabeça, ele ficou sem visão por um momento mas as flechas não pareciam ter feito nada nele! – Nenhum arranhão? – Eu comecei a correr, só podia tentar passar por ele e procurar uma saída, mas quando ele me percebeu deu uma patada no chão e o fez tremer o suficiente para me fazer cair de boca, me virei e peguei meu arco e mandei um direct na direção da sua cabeça, ele rugiu e o poder se desfez antes de chegar no mesmo. – Tá brincando... – Eu via o dragão se aproximando com seus dentes pingando saliva e uma cara demoníaca e raivosa, eu já me via sendo devorada por aquilo, me levantei e tentei correr com minhas últimas forças, o dragão deu um salto e parou na minha frente, ele me olhava como se eu fosse um camundongo. – Então eu não tenho nenhuma chance? Não... – Jihad, maldito, jamais vou te perdoar. Eu comecei a disparar várias flechas contra o dragão que ficava parado sem receber dano algum, por mais que fossem flechas que matavam na hora um humano ou até um urso, aquilo era um dragão level 60 pra cima mesmo, por que fui me iludir achando que podia fazer algo? Ouvi umas histórias do pessoal da vila, os dragões são bem raros, a maioria foi morto pelos Heróis há um tempo, mas os que restaram se esconderam e ficaram fortes o suficiente para ninguém desafiá-los, esse devia ser de um level bem mais baixo, dizem que um dragão mesmo no level 30 dava trabalho para aventureiros do 50 pra cima, o que eu poderia fazer? Comecei a correr desesperadamente, era a única coisa que eu poderia fazer, mas o dragão com apenas um movimento rápido de sua pata direita me jogou a uns 30 metros, me choquei contra uma rocha e senti que algumas costelas minhas tinham sido esmagadas, cuspi sangue e rolei pelo chão, minha visão ficou turva, olhei pra cima e vi a imagem do dragão, parecia como se ele estivesse sorrindo.

— Maldito, vocês tem consciência? – Até agora eu nunca entendi a lógica por trás daquelas criaturas. Mesmo tendo nascido naquele mundo aquelas coisas pareciam não ser reais, por que eu sentia que existia algo além daquilo? Talvez fosse das memórias que eu havia perdido...

— Você é fraca assim? Achei que a pessoa que tava me caçando fosse uma profissional ou alguma rogue top de linha, você pelo visto é só uma ranger que fica atirando flechas em cima de um telhadinho. – De quem era aquela voz de adolescente revoltado? Tentei me virar mas meu corpo estava doendo muito, na minha frente tinha uma pessoa parada de um metro e sessenta com um moletom preto com touca, ao seu lado tinham duas... caveiras? Tentei focar na imagem mas meus olhos que tinham sangue escorrendo por cima devido a um corte que tive na cabeça, mas percebi que era o garoto que me mandaram atrás, o que diziam que poderia ser um dos escolhidos.

— Você... – Antes de eu tentar falar mais alguma coisa, o dragão moveu sua boca na direção do garoto, mas as duas caveiras pularam na frente bloqueando, as duas tinham uma espada cada e cortaram parte daquelas escamas esverdeadas fazendo o dragão recuar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.