Wildland: Return to Zero
13 Capítulo 12 - Ajuda
Foi quando olhei para minha pulseira e vi que meu level já estava no 5, embaixo do número apareceu um símbolo de uma gota, eu não sabia exatamente o que era, mas cliquei em cima da mesma e no mesmo instante senti uma brisa refrescante tomar conta do meu corpo, as dores e ferimentos que eu tinha haviam desaparecido, eu estava completamente curada, aquilo só podia ser a força divina.
Vários monstros viram o que eu tinha feito e começaram a se reunir ao meu redor e urrarem, mas dessa vez, eu via medo em suas faces deformadas. Eles não avançaram diretamente, alguns tacavam pedras em mim, mas de alguma forma eu não sentia mais dor, comecei a ver o quanto era poderosa a fé.
— Injusto. Não faz sentido, não faz. – Diante daqueles monstros surgiu uma outra criatura que aparentemente conseguia falar minha língua, ele tinha o porte maior do que aqueles que estavam ao meu redor, possuía presas enormes apenas em seus dentes laterais, músculos que remetiam a um fisioculturista, ele apenas trajava uma roupa de baixo que parecia um shorts de panos e uma camiseta esfarrapada fina, mas em suas mãos, havia um escudo enorme que brilhava mesmo na escuridão daquela caverna, parecia ser de um material que lembrava chumbo brilhante, e no meio, havia a letra W e uma cruz.
— AHHHHHHHSSSSSSSS! – Sem pensarem muito, as bestas avançaram nessa outra criatura com muito furor, este, balançou a cabeça negativamente e apenas fez uma postura com sua perna direita esticada e colocou o escudo para proteger seu corpo, em poucos segundos haviam várias criaturas tentando passar pelo escudo, mas com um rápido movimento, o monstro moveu uma espada negra cortando 5 criaturas no meio, seus corpos foram espalhados pelo chão e outros cinco recuaram gritando.
— Está me ajudando? – Indaguei enquanto contava quantos ainda restavam lá, alguns tinham se retirado, mas o monstro médio que parecia ser o mais inteligente sorriu e encarou o bruto com o escudo.
— Ajudando? Quero te tirar daqui, sim. – A criatura também encarou o monstro, apenas os dois ficaram em um raio perto da fogueira, suas sombras reluziam na parede ao fundo, quem fez o primeiro movimento foi o monstro com escudo, ele moveu seu braço com o escudo empurrando a besta para alguns metros dali, a besta, no entanto, forçou seus pés no chão pedregoso e começou a esmurrar o escudo em uma sequência de socos violentos mas que pareciam não mover a outra criatura do lugar, ele apenas ficou abaixado segurando o escudo. – Não quero usar poder, mas vou ter. – A criatura pareceu ficar em pé e dar um chega pra lá na besta que tentava passar por seu escudo, repentinamente uma luz amarela surgiu daquele escudo negro, com ela, um som que parecia metal se chocando ecoou por toda caverna, os olhos amarelos da criatura ficaram arregalados, em poucos segundos, com um avanço, a besta do escudo moveu-o contra o corpo da criatura, bastou um movimento para explodir todo corpo do ser, sua carne voou para vários cantos, parecia realmente ter sido reduzido a pedaços, perto de mim caiu uma perna, vi sua cabeça cortada no meio e várias tripas perto da fogueira, as outras criaturas correram naquela mesma hora, mas a besta com o escudo balançou a cabeça negativamente novamente e arremessou o escudo que parecia um boomerang, ele cortou todas as criaturas restante e foi deslizando pela parede da caverna fazendo o sangue verde dos monstros fazer uma trilha retilínea.
— Quem é você? Deus te enviou?
— Deus? O que é Deus?
— Como é? Você também é um demônio?
— Demônio? Não sei o que tá falando. Quero te tirar daqui.
— Mas quem te mandou aqui? – Aquela criatura certamente não parecia ser um guerreiro de Deus, mas ele tinha me salvado, isso eu não podia negar. Talvez Deus enviou um anjo caído do inferno para me ajudar, essa é sua misericórdia para com uma pecadora como eu? Fui mais perto da criatura que parecia cada vez mais humana para mim, ele havia colocado o escudo em suas costas, juntamente com a espada.
— Eu não sei, to aqui pra te salvar. Você é a enviada? Minha tribo disse isso.
— Qual o seu nome?
— Lou. Me chamo assim. Você é Karina?
— Karina? Haha, não, eu sou Elizabet, mas pode me chamar de Bet, sou grata por me salvar. Você disse que sou uma enviada, mas, eu não sei do que tá falando. – De fato, eu tinha sido ‘enviada’ para aquele mundo, sabia que Deus não me permitiria ir para o inferno, se eu estivesse, ele não me ajudaria, nem daria forças, afinal, o inferno é um lugar onde se fica sozinho com os demônios, onde não se tem mais esperanças, mas naquele momento eu tinha, havia até me curado, talvez fosse uma provação, aquele mundo, um tipo de purgatório ou limbo, eu estava lá para cumprir Sua vontade!
— Vamos sair, depois falamos. – O monstro parecia impaciente, mesmo não confiando muito no mesmo, algo me dizia que era para segui-lo. Passamos por vários corredores daquela caverna, eu não ouvia mais sinais daqueles monstros que haviam me capturado, eu estava mesmo livre? Andamos por mais de 5 minutos mas parecíamos não encontrar um final daquela caverna.
— Não é estranho? Não estamos andando em círculos? – Paramos em um ponto onde havia uma tocha cravada na parede em um suporte, os formatos das rochas eram muito iguais, não dava pra ter nenhum referência de onde estávamos.
— Sente o cheiro? Eu não percebi. Estamos sobre o feitiço de um kobold xamã, ele tá nos fazendo ficar perdidos de propósito, acho que até reforço chegar, temos que... – Antes de Lou completar sua fala, uma aranha havia caído em sua cabeça, ela devia ter quase um metro e tinha manchadas amarelas e rosas em seu corpo peludo, ela pulou em Lou que a jogou de lado afundando-a na parede, sangue roxo começou a escorrer da cabeça de Lou que parecia bem irritado.
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