Wildfire

2 Capítulo I - Novos Ares


Notas iniciais
Olá polvo! Resolvi postar o primeiro capítulo junto com o prólogo para facilitar a leitura e para ver se vocês interessam na história. Lá no SS já estou no sétimo capítulo e espero que aqui chegue ao sétimo ainda esse fim de semana, mas só depende se vocês vão gostar :D

Ela é sortuda, ela é uma estrela

Mas ela chora, chora, chora

No seu coração solitário, pensando

Se não há nada faltando em minha vida

(Britney Spears – Lucky)

Coloquei a peruca de cabelos negros e saí do meu quarto, esbarrando com as malas que eu havia separado contendo minhas roupas. Minhas malas eram rosa chiclete, sendo possível de identificar em qualquer aeroporto do mundo.

– Pronta Erza? – Mamãe falou – É tão estranho ver você com cabelos pretos.

Havia um espelho ao lado da porta do meu quarto e eu encarei o meu reflexo. Com certeza uma morena iria passar despercebida em qualquer lugar que procuram uma ruiva, com cabelos escarlates que somente o pai dela pode ter igual.

– Pois é. – Falei – Mas assim ninguém nunca me reconheceu.

Acham que eu tenho um passaporte e documentos com o nome de Titânia? Não, não é a primeira vez que estou sendo eu mesma. Minha sorte é que estou com essa peruca em todos os meus documentos, o que facilita ir de avião para muitos lugares sem nunca ser parada por paparazzis perguntando o que eu achei do voo.

Mamãe colocou a mão em meu ombro.

– Eu tenho muito orgulho de você, filha. – Ela sorriu – Tomando as próprias decisões e convencendo Makarov que isso é o melhor para você. Seu pai também teria muito orgulho de você.

Já faziam cinco anos desde que papai falecera por conta de um acidente de carro. O tempo voa. Eu me lembro até hoje de receber a notícia antes de um show na Espanha, das lágrimas que derramei e da música que não consegui tocar naquela música, pois era a minha música que ele mais gostava. Quando me perguntaram o que aconteceu, falei que eu estava passando muito mal e comecei a chorar para não desapontar os meus fãs.

Titânia não pode demonstrar fraqueza. Já a Erza chorou em todo o seu caminho de ida para Londres, já que papai era britânico. Mamãe sugeriu cancelar a turnê, mas eu não poderia fazer isso... Não naquele momento e naquela hora. Tenho certeza que papai iria querer que eu suba no palco com um sorriso enorme, como foi feito.

– Pois é. – Falei, sorrindo com os lábios, sem mostrar os dentes – Vamos ao aeroporto?

– Sim, o nosso voo vai sair daqui a pouco.

Caminhei para a saída com a minha bagagem de mão e as minhas malas que, para minha sorte, eram de rodinhas, e dei uma última olhada em minha sala de estar. Ela tinha tons de cinza – sem piadinhas com o livro, por favor –, com um sofá de quatro lugares com uma tonalidade de cinza que se aproximava do marrom próximo à janela. O meu lustre foi escolhido pela minha mãe e é uma cascata espelhada que ficava milimetricamente acima da minha mesa de centro – culpa do perfeccionismo que me segue –, a cômoda estava limpa e repleta de fotos da minha infância.

Fechei a porta de mogno e tranquei. Agora você oficialmente está de férias, Titânia. Deixe que Erza assuma a situação e a vida.

Mamãe chamou o elevador e entramos assim que ele chegou.

Eu era muito parecida com a minha mãe, exceto pelos cabelos herdados pelo meu pai. Os mesmos olhos castanhos, formato do rosto e nariz. A minha boca foi meio a meio, os lábios inferiores da minha mãe e os superiores do meu pai.

Sorri pensando naquilo.

– O que foi filha? – Ela sorriu.

– Genética. – Falei – Imagina se eu tivesse o seu cabelo preto?

– Muito provavelmente a peruca que você usaria seria da cor do seu cabelo natural. – Ela riu – E você teria os olhos verdes do seu pai, muito provavelmente. Enfim, você continuaria sendo bonita, deveria agradecer à genética.

Antes de chegamos ao térreo, mexi em minha bagagem de mão e encontrei os óculos escuros que Mirajane comprou para mim no meu aniversário desse ano, colocando-os no mesmo instante. Mira era atriz e o fato de que ela ganhou dois Oscars e três SAG Awards dizem que ela é uma ótima atriz. Chegamos ao hall que era branco com sofás vermelhos e uma pintura feita por algum pintor que eu não me recordo o nome no momento.

Ao sair com minha bolsa e as minhas bagagens nem um pouco leves, alguns repórteres estavam na porta do prédio e me pararam.

– Vocês viram a Titânia? – Um homem alto que aparentava ter uns 40 anos de idade, baixo, careca e bronzeado comentou comigo.

– Não, eu vim aqui passar um tempo com a minha avó que mora aqui. – Falei e continuei andando – Desculpem.

– Sua avó mora no mesmo prédio que a Titânia? – Ele perguntou, mais interessado na minha vida de mentira – Você viu ela enquanto esteve aqui?

– Minha avó não sai da cama faz seis meses senhor. Eu fiquei lá no prédio só no apartamento da vovó.

– Desculpe incomodar senhorita. – Ele comentou – Não a vi sair do prédio.

Sorri e caminhei até um táxi com a minha mãe e pegamos o primeiro que passou. Por nossa sorte, o carro era um Ford Grand C-Max o único que eu sei o nome porque tenho um carro igual, só que vermelho.

– Você quer que eu coloque as coisas no porta-malas? – Ele perguntou.

Concordei com a cabeça. O taxista era negro e aparentava ter 22 anos de idade e pareceu ser muito simpático e ofereceu ajuda. Um ótimo ponto.

Ele abriu o porta-malas e eu coloquei as minhas bagagens lá dentro enquanto minha mãe entrava no banco de trás do veículo. Com as malas lá dentro, ele fechou a porta e eu sentei ao lado de mamãe, fechando a porta logo em seguida e, em questão de segundos, o taxista retornou ao lugar do motorista.

– Você pode nos levar ao aeroporto de LaGuardia, por favor? – Mamãe falou – Temos um voo daqui a pouco.

– Sim senhora. Posso ligar o rádio?

– Não vejo problema nenhum.

Ele sorriu pelo que eu observei no retrovisor e ligou o rádio. Estava tocando uma música minha, ou melhor, de Titânia. Não era uma música que eu pensei em tocar no início de minha carreira, era uma música que a minha gravadora quis que eu cantasse, pois era composta por um novo compositor. A letra era linda e iria combinar com um ritmo mais acústico a meu ver, mas não aos olhos de Mard, que encheu a música de riffs e de efeitos sonoros.

– A Titânia assumiu um novo estilo, não é? – Ele puxou papo – Gostava mais das músicas dela quando tinham um ritmo mais puxado para o rock ou para o blues. Esses ritmos eram lindos na voz da garota.

Sorri por dentro. Eu concordo com você, mas a minha gravadora não.

– Ela tem muita música fantástica. – Falei – Quem nunca sofreu com Wripped? Ou dedicou trechos de Maybe no Facebook do namorado?

Senti uma ponta de tristeza. Eu nunca havia feito aquilo, mas gostaria muito de fazer algum dia.

– Sim! – O homem concordou – O sexto álbum dela foi incrível, mas eu não gostei desse novo álbum. Comprei no iTunes e me arrependi. Espero que ela volte para o oitavo com os ritmos antigos, sem inovar muito dessa vez.

Eu também espero fazer isso, comentei em minha mente.

– Concordo. – Falei.

– Mas muitas vezes ela deve estar sendo pressionada pela gravadora. – Mamãe falou – Dizem que a indústria musical é difícil. E eu ouvi falar que ela tinha um material pronto e a gravadora recusou.

Era verdade. Eu havia composto todas as músicas para o meu último álbum e apresentei para o produtor executivo do álbum, Mard. Ele riu na minha cara e disse que as músicas já estavam escolhidas, eu só precisava gravar as músicas e o videoclipe do primeiro single em uma semana.

Mard tentou fazer como Beyoncé fez, de lançar o álbum sem promoção nenhuma. Deu certo, as vendas estavam muito boas, porém, no último mês, não teve uma receptividade muito boa. Muitos fãs odiaram.

E eu quero dizer que entendo cada um deles perfeitamente.

A ida durou cerca de trinta minutos, uma vez que o horário não era de pico, mas o trânsito era um pouco denso.

Enquanto passávamos pelas ruas de Nova York, eu sentiria falta daquela cidade. Eu amava a minha cidade. Muita gente que visita ou mora em Nova York acaba se apaixonando pela cidade em pouco tempo e eu não os julgo. Aqui tem tudo, não é dúvida que o mundo quer vir para cá.

Mamãe pagou o taxista – que se chamava Trevor – e saiu do carro enquanto eu tirava as minhas bagagens do porta-malas com um pouco de dificuldade por conta do peso.

Caminhamos ao aeroporto na exata hora do embarque de passageiros, tanto que nem trocamos muitas palavras até entrarmos no avião e estarmos sentadas.

Por mais que eu esteja falando que quero uma vida normal, comprei passagem de primeira classe. Ah, por favor! Aposto que se você tivesse condição de comprar somente passagens de primeira classe, praticamente para o resto da sua vida, você nunca mais compraria na classe econômica.

– Pronta para voltar para Ohio?

Sim, eu sou de Ohio. Titânia nasceu em Nova York, mas Erza teve uma infância linda em Ohio, uma infância que decidiu desistir para cartar com o Justin Timberlake.

Não me julguem.

– Sim. – Falei quando o avião começou a sair do chão – Adeus, Nova York.

Notas finais
E aí, gostaram?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.