Wildest Dreams

1 Wildest Dreams


Notas iniciais
Para quem quiser ouvir a música da Taylor enquanto lê, aqui está o link: https://www.youtube.com/watch?v=rk_FpvlrKcw

Boa leitura!

Ele olhou para mim com um sorriso nos lábios. Os seus olhos estavam brilhantes e a face ligeiramente corada devido ao vinho que já tínhamos provado na festa.

-Vamos sair desta cidade, dirigir sem rumo, para fora desta multidão – a sua voz doce e ao mesmo tempo masculina arrepiou-me toda. E aqueles olhos… eram como espelhos de tão brilhantes e claros que eles eram.

Nem Deus me pode ajudar agora, pensei para mim, vendo que as minhas opções eram ir com ele ou ir com ele. Não importava que o nosso romance de verão acabasse quando a estação se fosse, o que importava era que ele estava ali e agora e comigo, acima de tudo. Quando tudo acabasse, porque nada dura quando é bom demais, iria destruir-me por completo. Eu estava absolutamente imersa nele até à minha última célula.

Josh era a definição de maravilhoso: alto, altamente lindo e com um charme e carisma que podiam derrotar qualquer um. Mas o seu histórico de violência – na escola, na praia, na rua – era o que tornava tudo isto tão errado mas tão perfeito. Era errado porque as nossas famílias não sabiam: especialmente a minha. O que pensariam os meus pais quando vissem a única filha apaixonada por um rufia? E os pais deles jamais saberiam porque aparentemente eu era de boas famílias e iria magoar o filho tão querido. Por irónico que seja, quem sairia magoada desta relação seria eu. Josh conseguiria voltar a erguer-se, cair como um gato no meio da destruição mas eu… não, eu não tinha a sua capacidade de cura.

Sorri. E foi o único sinal que ele precisava. Pegou na minha mão e num passo que passou para corrida assim que saímos daquela casa e das pessoas demasiado educadas, entrámos no seu carro e ele guiou. E guiou. A minha gargalhada entrelaçava-se na dele e juntos vimos o sol ardente á nossa frente, cheio de promessas e alegria.

Finalmente parámos. Uma pousada. Barata, discreta, de frente para o mar que mal era usada devido à sua má reputação – assassinatos e suicídios. Só graças à boa vontade e persistência do dono é que aquele lugar se mantinha aberto.

-Quarto para dois – pediu Josh, com uma mão na minha cintura. O seu olhar determinado e quase assustador não intimidou o dono do lugar.

Enquanto ele procurava as chaves de um quarto, Josh tirou da sua carteira uma nota de cinquenta. Não questionei de onde ele tinha arranjado o dinheiro. Por vezes, há certas que coisas que são melhores mantidas na ignorância do nosso ser.

Josh pegou nas chaves e subimos as escadas com sorrisos e risos tímidos, de forma a não despertar atenções.

***

As suas roupas estão no chão do quarto, o meu vestido a um canto e eu estou enroscada nele, memorizando o seu perfume, a temperatura do seu corpo e cada poro que ele possui. Os seus dedos passavam suavemente no meu cabelo, causando-me arrepios de prazer.

-Ninguém tem que saber – murmurei, fitando-o. Ele simplesmente sorriu e acenou levemente com a cabeça. As nossas vidas eram demasiado complicadas para se fundirem.

Levantei-me e voltei a colocar o meu vestido. Abri a janela e fiquei a observar o pôr-do-sol. Ele observava-me, sabia disso, mas palavras não eram necessárias para dizer o sentíamos em relação ao outro. O que tínhamos não precisava de palavras.

Ele também se levantou e vestiu-se. Abraçou-me e ficámos os dois a ver o pôr-do-sol passar a crepúsculo e por fim… acabou. O nosso momento. Ambos tínhamos que retornar.

Guiou até à minha casa. Beijámo-nos apaixonadamente, como se fosse a última vez que isso aconteceria. Saí do carro e a porta da minha casa abriu-se imediatamente. Os meus pais saíram de lá a correr, com dois polícias atrás deles.

-O que se passa?

-É ele! É ele! – gritou a minha mãe e os polícias correram ainda mais depressa.

Olhei para Josh, em pânico. Eles estavam a correr na sua direção. Olhámo-nos por breves segundos e eu baixei o rosto para o fitar melhor, o pânico e medo espalhados pelo meu corpo.

-Diz que te lembrarás de mim – disse.

-Sempre – disse ele e arrancou com o carro a alta velocidade.

O seu rosto destorcido por medo e raiva ficarão sempre fixos na minha mente. A única coisa que posso esperar é que ele se lembre de mim não com o medo e pânico com que olhei para ele uma última vez, mas da maneira como eu olhava para o pôr-do-sol, dos nossos momentos quentes. Do meu vestido, da maneira como o meu corpo se enroscava no dele tão perfeitamente que parecia que tínhamos sido feitos um para o outro.

E Josh desapareceu, como se tudo tivesse sido apena uma ilusão do mundo perfeito e constrito em que eu vivia, como se tivesse sido apenas um sonho selvagem. O meu sonho selvagem. E o seu sonho selvagem.

©AnaTheresaC

Notas finais
O que acharam? Gostaram? Não gostaram?

XOXO
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!