Wildest Dream
2 Capítulo 2
Notas iniciais
O céu estava mais bonito do que eu costumava lembrar. Meu cabelo se movia com a brisa fraca que atingia a mim e a Armin no meio do campo. O loiro estava do meu lado folheando o livro de muito tempo enquanto eu permanecia deitado na grama.
Por que eu me sentia assim? Eu pensava que o normal seria sentir nojo após o acontecimento, porém a única coisa que me dominou foi a surpresa. Aquilo deveria ser errado, era errado, era... Então, por que o Cabo Rivaille fizera aquilo comigo? Eu suspirei desgostoso comigo mesmo e fechei os olhos. Depois do acontecimento a minha cabeça não parava por um segundo sequer. Ainda conseguia sentir os seus lábios finos nos meus, como se o contato entre eles fora há segundos.
– Armin. – eu murmurei chamando a sua atenção. – Você já gostou de alguém?
– Sim, eu gostei de muitas pessoas, Eren. Ainda gosto.
Eu abri os olhos e me levantei para encara-lo. – Não, eu quero dizer gostar, gostar. Como namorada.
Subitamente o loiro corou e desviou o olhar. – Bom... A Annie é muito bonita, não é mesmo?
Annie... Uma garota. Se Armin achava ela bonita era porque ela era. Nunca pensei em sua beleza, ela apenas era normal. Por que eu nunca havia reparado nela? Eu deveria ter visto ela com outros olhos, não é? Seria o que garotos normais fariam. Eu suspirei mais uma vez.
– Por que a pergunta, Eren? – ele fechou o livro em seu colo, demonstrando interesse. – Você está gostando de alguém?
Imediatamente eu corei ao lembrar-me do ocorrido com Levi. Desviei o olhar para o campo, tentando não olha-lo nos olhos. Abri as pernas e comecei a puxar a grama da terra.
– Não, eu apenas queria saber.
– É a Mikasa?
Eu olhei para Armin e encontrei um sorriso em seu rosto infantil. Não era por mal, mas assim como os outros, ele esperava que eu gostasse de uma menina. Não consegui dizer a verdade a ele, então apenas falei:
– Talvez.
Seu sorriso se abriu ainda mais, enquanto o meu era forçado a surgir. Ele voltou a abrir o livro e então a ler, deixando-me sem saber o que fazer no momento. Eu o encarei por alguns segundos, pensando nos acontecimentos da noite passada. Lambi os meus lábios e respirei fundo. Por que ele pensara que era Mikasa a causadora do meu tormento? Ela definitivamente era bonita, eu acho. Era leal, companheira e... amiga.
Enquanto eu me distraía com os pensamentos, um alarme alto começou a disparar de longe, chamando a nossa atenção. Armin levantou subitamente da grama, derrubando o livro de seu colo. Eu olhei para ele e vi a sua expressão de medo. Seguindo o seu olhar para a floresta eu não encontrei nada, contudo eu sabia muito bem o que aquele alarme significava. Engoli em seco e apertei fortemente o meu punho.
– Titãs no acampamento.
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O DMT me puxou com violência de uma árvore para outra, e eu levitei no ar. “Dois de quinze metros e três de sete”, eu ouvi gritarem quando repousei em um enorme ramo do tronco. Deslizei rapidamente os meus olhos pelo cenário e observei por qual direção eles vinham. Todos vieram pelo sul do acampamento, e permaneceram juntos, dificultando suas eliminações.
Por que ele não reagiu? Eu me peguei pensando enquanto observava os titãs se aproximando. Eu permaneci com a mesma expressão séria de antes e tentei afastar aquelas ideias. Não importava se o que fiz fora imprudente, eu não me arrependeria. Apertei minhas armas com força, arrumando a minha postura, e preparei as lâminas quando avistei o mais próximo titã de sete metros. Esperei pelo momento certo e lancei os ganchos de aço na direção de outro tronco, acionando o gás logo depois para obter maior impulso. Usei os músculos do meu corpo para desviar de um golpe de outro titã. Desliguei o gás e em seguida e recolhi os ganchos para lança-los mais uma vez na direção da nuca do monstro. Eles me puxaram e eu cortei com facilidade o ponto vital do primeiro titã que encontrava no dia. O sangue jorrou e ele caiu com um baque.
Antes que outro titã de sete metros tivesse oportunidade de me atacar enquanto eu permanecia nas costas do mostro caído, a Tenente Hanji apareceu rapidamente em minha visão e o matou com agilidade e precisão. Deixei meus olhos frios caírem sobre ela e seu rosto abobado com óculos por alguns segundos, então antes que pudesse dizer qualquer coisa, eu lancei os ganchos de agarrar mais uma vez e me distanciei do lugar.
Apesar da adrenalina começar a fazer efeito em meu corpo, eu não consegui pensar em outra coisa que não fosse no meu momento que deixei que sensações sujas me dominassem por completo na noite anterior. O que ele estaria fazendo naquele momento, o que estaria pensando? Franzi a testa e me lembrei de nossos lábios tocando. Tsc, o que eu estava fazendo? Ele era apenas um garoto. Para Eren aquilo poderia ter um grande significado, tanto bom quanto ruim, mas para mim aquela noite fora apenas um beijo, nada mais. Quando me apoiei em um outro tronco de uma outra árvore, consegui ouvir os grunhidos dos titãs de longe. Abaixe-me com um único joelho na madeira e permaneci assim por um tempo.
Enquanto eu observava os outros titãs se aproximando, barulhos de passos se fizeram presentes, e eu vislumbrei algo que me fez apertar o punho com força. Aquele pirralho! O garoto apareceu correndo com a respiração acelerada Levantei-me do tronco e o encarei com seriedade, vendo ele se aproximar com rapidez junto de Armin no meio da mata. O que ele estava fazendo aqui? Meu coração que já estava acelerado bateu mais intensamente do que antes. Seus grandes olhos azuis varreram o cenário com rapidez até finalmente me encontrarem. O barulho do vento foi o único que eu consegui ouvir quando nossos olhos se conectaram. Assim como naquela noite, ele apenas ficou ali, encarando-me de longe com um olhar penetrante, como se analisasse minha alma. Seus olhos brilhavam como um lago em um dia quente. Ele levantou lentamente a sua mão em direção a boca, pronta para ser mordida e um titã liberado. Eu dei um passo para frente, preparado para impedi-lo de fazer aquilo. O que ele estava pensando? Eu havia deixado muito claro que não era necessário o seu poder para resolver problemas assim, contudo o garoto era muito persistente e irritando.
Meus olhos abriram mais do que o usual quando outra coisa me chamou a atenção e eu o vi; um espécime raro, de quinze metros. Ele era veloz, e vinha em nossa direção, tendo os olhos fixados em Eren. Eu voltei a olhar para o garoto e fitei a sua face um tanto inocente. Sem minha permissão, lembranças me dominaram.
Tudo pareceu ficar mais lento, como sempre ocorria quando eu pressentia que algo ruim estava prestes a acontecer. Eu fiquei sem reação por uns segundos, e nesse mísero tempo o titã já estava quase alcançando o Eren. Eu lancei os ganchos o mais rápido que consegui, vendo a mão do monstro se aproximar cada vez mais do corpo imóvel do garoto, que nem havia percebido o perigo que corria. Acionei a potência máxima do gás para ter mais velocidade, e segurei a respiração em um ato inconsciente. Apenas soltei o ar quando senti ambas das minhas lâminas cortarem com força a mão do titã que esmagaria Eren. Tudo ficou escuro por alguns segundos depois de minhas armas sentirem o gosto de sangue, e quando eu percebi eu estava sendo jogado em direção a uma árvore. Rapidamente eu puxei os ganchos que havia lançado. A madeira do tronco iria me atingir com toda a força se eu não tivesse amortecido com o meu pé na hora exata.
Uma dor intensa me atingiu em cheio quando eu caí no chão. Eu tentei me levantar o mais rápido possível, contudo o meu pé esquerdo me traiu e me obrigou a cair mais uma vez. Eu tentei olhar para o titã que agora devia estar se regenerando, entretanto eu apenas tive olhos para o garoto que estava perto de mim. Seus olhos assustados e inocentes me encaravam com espanto, perguntando-se o que estaria acontecendo. Tudo ficou silencioso, e apesar da dor extrema que eu sentia em meu pé, eu estava feliz por ter conseguido salvar ele, nem que fosse por alguns segundos.
– Cabo! — Eren tentou gritar o mais alto possível, entretanto fora tarde demais.
Eu não senti nada, apenas consegui vislumbrar a outra mão do titã de quinze metro me acertar com toda a força que tinha em direção á uma outra árvore. Eu bati no tronco com brutalidade, e sem sentir dor alguma, a escuridão me dominou.
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O aposento era um pouco escuro e bem ventilado. Eu havia aberto a porta com cuidado para não correr o risco de acorda-lo, e então finalmente o avistei deitado na cama. Entrei no quarto e fechei a porta.
Eu o observei de longe, dormindo profundamente enquanto seu peito subia e descia de modo doloroso. Disseram que ele havia quebrado três costelas, torcido o tornozelo esquerdo e batido a cabeça. Não consegui deixar de me sentir mal por vê-lo daquele jeito, já que fora eu que causara aquilo. Engoli em seco e baixei o olhar, pensando no momento em que tudo aconteceu, e em como ele me protegeu.
Por que eu fora estúpido o bastante para não ver o titã se aproximando? Por que ele fora estúpido o bastante para se jogar no titã? Claro, era o trabalho dele, me vigiar. Levantei o olhar mais uma vez para encontrar a face pálida e dormente do Levi em sua cama. Alguns fios de cabelo estavam soltos sobre o seu rosto, tampando parte de seus olhos e testa. Quando olhei para os lábios finos e entreabertos do Cabo, senti um leve aperto em meu peito. Lembrei-me das palavras que Armin havia me dito depois de Levi me salvar. Tudo havia acontecido tão rápido, que eu nem tive tempo de ir até ele. Quando estavam levando o Cabo para a enfermaria, Armin se aproximou de mim de modo silencioso e observou a minha expressão.
– Eren — ele murmurou. — Não era a Mikasa que você estava falando não é?
Eu depositei o meu olhar assustado nele e percebi que ele falava sério. Eu não consegui responder aquilo, então ele apenas devolveu um sorriso.
– Não se preocupe, eu já sabia.
Contraí os meus lábios com a lembrança.
Eu me deitei ao seu lado de modo silencioso, sem que ele percebesse. Puxei a coberta e me envolvi nela, ficando perto do Levi. Pude sentir a sua pele macia e quente em contato com a minha, e não consegui evitar que um calafrio passasse por minha espinha. Eu ergui o olhar e encarei o rosto sereno de olhos fechados do Cabo, que possuía o cabelo negro sobre a testa. Não sabia dizer o que ele sentia naquele momento. Ele realmente pensava em mim quando estava dormindo ou aquele beijo fora apenas algo do momento? Seus lábios finos, e também fechados, pareciam me chamar.
Eu me aproximei um pouco mais de seu corpo e consegui ouvir a respiração irregular do homem ao meu lado. Meus dedos foram em direção à sua barriga, e lá permaneceram por um tempo, sentindo os panos que o envolviam. O Cabo gemeu com o meu toque, e eu percebi o seu pomo-de-adão subir e descer ao engolir em seco. Recuei levemente os meus dedos, para então leva-los mais uma vez em direção ao heichou, porém desta vez para o seu peitoral. Senti a sua respiração e seu coração ao mesmo tempo. Lambi os meus lábios e olhei novamente para a sua face, que agora exibia certo desconforto, talvez pela costela quebrada que eu havia tocado.
Seus finos lábios estavam contraídos pela dor, e eu não consegui deixar de me sentir mal por tê-la causado. Eu fechei os olhos lentamente e me lembrei do momento em que o Cabo havia me beijado a força. Minha boca começou a formigar novamente, e então eu me aproximei do rosto de Levi. Não consegui ver a distância percorrida, e apenas percebi o que estava fazendo quando nossos lábios se tocaram pela segunda vez.
Esta vez não fora igual a da primeira. Eu não me sentia surpreso e estranho. A confusão ainda dominava uma parte de mim, entretanto eu me sentia confiante com o que estava fazendo. Primeiramente o beijo começou tímido, com apenas eu contribuindo para ele. Contudo, alguns segundos depois eu consegui sentir os movimentos do Cabo Rivaille. Sua língua foi introduzida pouco tempo depois, convidando a minha para o mesmo. Meu coração começou a bater mais forte, e uma sensação de que aquilo era certo se iniciou dentro de mim. Levi se moveu levemente, tentando achar um posição melhor, porém tudo o que fez foi me puxar com o seu braço musculoso para si.
Nossas bocas se separaram e eu abri as pálpebras com cuidado, para encontrar o olhos cinzentos e sérios de Levi em minha frente. Não soube dizer se eu havia ficado vermelho, contudo eu senti um calor nas bochechas. Desviei rapidamente o olhar e percebi o que estava acontecendo. Ambos estávamos na mesma cama, com a pele de meu superior grudada em minha roupa e nossos rostos perto um do outro. Eu até mesmo podia sentir a sua respiração pesada.
– Cabo Rivaille? — eu murmurei de modo silencioso. Ele não respondeu, fazendo-me erguer o olhar. — Eu sinto muito, pelo o que aconteceu com você.
O aposento ficou em silêncio total. Seus olhos brilhantes se destacavam no ambiente que era iluminado pela fraca luz que adentrava pelos feixes de madeira. Eu engoli em seco quando ele se moveu levemente, aproximando-se ainda mais de meu corpo.
– Eu não sinto.
Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, nossos lábios se entrelaçaram novamente, e meu coração acelerou. assim como o dele. Naquele momento, eu gostaria de ter falado que concordava com ele, assim como concordava com Armin; definitivamente não era a Mikasa.
Levi estava certo... Ele sempre esteve.
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