Wild Passion
10 Todos por uma.
Notas iniciais

Pov Heideguer
– EXIJO UMA EXPLICAçAO AGORA! – bati forte na mesa, e com prazer vi os rostos de Igor, Davi e Cristina tomarem uma expressão de desespero.
– VOCÊS ARRUMARAM A KARINA, ELA SAIU E SUMIU DAQUI! EU QUERO SABER AONDE ELA FOI, QUERO SABER AONDE ELA SE METEU! –
Os três não abriram a boca. Eu já estava furioso por aquela vadia ter me passado a perna e ter fugido da Wild antes de no mínimo ter dado tempo de fode-la, e eu odiava que me passassem a perna mais do que qualquer outra coisa.
– Já disse que se não abrirem o bico agora, eu vou atrás dos filhos de cada um... e que se não tiverem filhos, que sejam as mães. –
A boca de Davi tremeu e ele soltou:
– Tudo o que eu sei é que ela veio pra Wild Passion por causa de uma decepção amoro... –
– DAVI! – Igor o interrompeu.
– ENTÃO TEM ALGO PARA ESCONDER ,IGOR? SEGURANçA, MATE-O. – indiquei qual segurança queria e ele já arrastava Igor porta a fora enquanto Cristina chorava baixinho e Davi ficava roxo.
– POR FAVOR HEIDEGUER! TANTOS ANOS DE TRABALHO, E AGORA POR CAUSA DE UMA GAROTA... –
– Ela não é uma garota qualquer Igor, e você teve sua chance. –
Não olhei para trás quando o traidor foi arrastado da sala chorando igual criança. No fundo eu sabia que aqueles dois imprestáveis que restaram ali não poderiam me ajudar em nada, então, agora era a minha vez de tomar as rédeas e mostrar para aquela vadiazinha que ninguém engana o empresário Heideguer e sai impune.
Pov Karina
Sair ou não sair do banheiro? Estava sofrendo o maior impasse da minha vida. Podem me chamar de burra por não pensar que o maior impasse de todos era conseguir aquele dinheiro e me livrar de toda essa merda que causei, mas isso é porque ninguém foi pega nua na cama, agarrada com o namorado, toda suja de sangue... COMO EU ENCARARIA O ALAN AGORA? COMO?
Suspirei milhares de vezes depois de tomar um banho demorado e comecei a vestir a blusa gigante e o shorte também gigante do Pedro.
– Karina? – escutei Pedro batendo na porta.
– Oi! –
– Tudo bem ai? –
– Aaaa sim... já estou saindo. –
Acabei o serviço e tomei coragem abrindo a porta. Eu sabia que estava vermelha tomate, tanto pela situação na qual fui pega pelo amigo de Pedro como pelo fato que estava ridícula parecendo uma criança com aquelas roupas.
– Ta tão linda... – dei língua pra o bobo que me provocou, Alan parecia estar mil vezes mais envergonhado do que eu do outro lado do quarto.
– Vamos Alan diga a ela. – olhei para os dois confusa quando Pedro disse.
– An... Karina, primeiro eu queria te dizer que nem cheguei a ver nada. – olhei para o chão e Pedro veio passando a mão pelo meu ombro num gesto fraterno, me apoiando para o que estava por vir.
– Segundo, que você vai ter que morar na minha casa. –
Fui ao inferno e voltei. Como assim? Morar na casa dele?
– NÃO ESTOU ENTENDENDO! – me alterei.
– Karina isso é necess.. – Pedro foi interrompido com Alan atendendo o celular.
Ficamos preocupados com a cara que ele fazia, não pareciam noticias nada boas, foi uma eternidade até ele desligar o telefone e nos olhar com uma cara de pesar.
– Pedro, meu pai já sabe que a Karina fugiu, e ficou louco. A Cristina acabou de me ligar, antes de sair da Wild pedi que eles me passassem informações e protegessem a Ka. – Alan deu um suspiro profundo e concluiu o pensamento:
– O Igor está morto. –
O IGOR? MORTO? QUEM AQUELE VELHO NOJENTO PENSAVA QUE ERA, PRA QUE CHEGAR NESSE PONTO?
Comecei a tremer e a chorar silenciosa me agarrando no meu namorado, sujando sua roupa de lagrimas. Pedro me apertou mais ainda contra ele, mas nada me faria ficar menos enlouquecida com tudo aquilo, tudo muito rápido, tudo muito intenso, tudo muito horrível.
– Agora não é hora de lastimar, tenho certeza que Heideguer vai vir atrás de mim porque demonstrei muito interesse em saber da sua historia, temos que ir na sua casa urgente pra pegar roupas. –
– SO ISSO? EU NÃO VOU PODER ME DESPEDIR DA MINHA FAMÍLIA? DAS MINHAS AMIGAS? O MEU PAI? NINGUÉM ? – olhei pra Pedro apavorada procurando apoio, ele também estava quase chorando.
– Karina... não torna mais difícil ok. –
– NÃO TORNAR MAIS DIFÍCIL? E EU AINDA VOU TER QUE MORAR SOZINHA COM ESSE DAI! – apontei pra Alan e logo me arrependi.
Ele estava me ajudando demais, passando na frente do pai pra socorrer a namorada do amigo e eu tive a coragem de o destratar.
– Me perdoa Alan... –
– Tudo bem, mas acho melhor discutirmos sobre isso no carro.- falou duro saindo do quarto.
– Meu amor... vai ficar tudo bem, eu estou com você. –
Com uma simples frase Pedro me fez parar de chorar e me sentir calma, porque eu sabia, eu conseguia sentir pela forma que me entreguei que podia confiar nele perdidamente. Fiquei na pontinha dos pés e comecei um beijo calmo. Pedro passava as mãos pelos meus braços sem tocar no local machucado, e mexia a sua boca suave contra a minha numa habilidade nata.
– Acho melhor a gente parar se não vou te jogar na cama de novo... –
– BOBO! – dei um tapinha nele e saímos em direção ao carro onde Alan esperava impaciente.
– To ridícula com essas roupas. – Pedro sentou na frente dizendo algo sobre eu ficar linda de qualquer jeito e eu me ajeitei no banco de trás.
– Minha casa fica na Barra. – Alan assentiu e pisou fundo no acelerador.
Depois de alguns minutos de viagem com Pedro e o amigo bolando altos planos de como se livrar do Heideguer minha mente vagava longe... Eu estava perdida.
– KARINA! –
– Oh, desculpe. –
– Tava perguntando do seu machucado, até agora você ainda não me respondeu o que aconteceu. – Pe fez uma carinha de preocupado dizendo.
Alan pigarreou duas vezes e eu reparei que me olhava suplicante pelo retrovisor... pera, ELE NÃO TINHA CONTADO PRO PEDRO!
– Aaa.. sabe como é. –
– Sabe como é o que? Foi aquele Cobra? Eu juro que causo hematomas mil vezes piores em quem fez isto com você.– vi o rosto do meu namorado se encher de fúria.
Voltei a olhar pro retrovisor buscando auxilio do Alan mas pela sua cara ele estava pior do que eu pra ajudar a achar alguma desculpa.
– Cai da bicicleta! – em partes era verdade.
– Será que vamos ter que colocar rodinhas na sua bicicleta? –
Pedro voltou a ficar sorridente, assim como o motorista que relaxou mais no banco depois que viu que a minha desculpa colou. Então o Alan mentia para o Pedro? Por que então não seria capaz de mentir pra mim? Ou eu seria levada para um refugio, ou direto para o covil das cobras. É, eu estava perdida.
Pov Pedro
Minha cabeça trabalhava sem parar em todas as alternativas possíveis para resolver essa batata da Karina. Não podia me conter de felicidade pela nossa noite, muito menos pelo apoio tao grande do Alan, e sinceramente, não sabia o que seriamos de nos sem ele. A questão era, Ka estava no fundo do carro apavorada e isso começou desde que o assunto “ morar na mansão do Alan” surgiu, eu simplesmente não podia deixa-la agora, não podia vê-la daquela forma. E então os meus receios de mais cedo enquanto ela se trocava voltaram firmes.
FlashBack On
– Alan? O que é isso? – me espantei quando abri a porta e vi centenas de remédios espalhados na mesinha.
– JÁ DISSE QUE NÃO ERA PRA ENTRAR NO MEU QUARTO! ESSA ERA A ÚNICA REGRA! –
Me assustei com a sua reação. Mas porque diabos? O que era tudo aquilo?
– Desculpe eu só... –
– NUNCA MAIS ENTRE AQUI! –
– Olha Alan, você pode ser o dono dessa casa, pode estar me ajudando, mas eu quero uma resposta sobre isso. – apontei para os remédios, preocupado.
– VOCÊ QUER UMA RESPOSTA PEDRO? POIS ENTÃO. EU TENHO QUE TOMAR ESSAS DROGAS TODOS OS DIAS POR TRAUMAS DE INFÂNCIA COMETIDOS PELO O MEU PRÓPRIO PAI! E SE EU NÃO TOMAR, é ESSE QUE EU SOU, ESTE QUE VOCÊ TA VENDO, ESTE QUE TE FAZ TREMER E ME OLHAR DESSA FORMA COM PENA! SIM, é, SOU UM TRANSTORNADO BIPOLAR, FICOU COM MEDO? SUMA DAQUI! –
Eu estava muito abalado com aquela revelação, não esperava que fosse o melhor momento de conversar com o Alan então sai, fechando a porta e deixando o amigo que considerava tão maduro transtornado e sozinho. Então Pedro, não era só você que tinha problemas. Suspirei calmamente e fui até o piano, já havia aprendido todas as 7 notas, Alan me ajudava a ler as partituras e até alguns sons já saiam dos meus dedos. Essa era a única forma de esquecer a cocaína duas semanas depois de ter saído da reabilitação, e talvez a única forma agora de esquecer a cena que presenciei.
Flashback Off
E se Alan não tomasse os remédios?
– PARE ESTE CARRO! – gritei respirando ofegante.
O carro foi bruscamente freado e Karina indagou:
–Pedro você ta louco? –
– Eu vou morar com vocês. –
Ka abriu um sorriso absolutamente perfeito, e eu retribui sorrindo pra ela.
– Pera lá, Pedro, isso é muito perigoso! E se meu pai te segue? – Alan colocava porém, mas nunca iria arriscar deixar Karina sozinha com ele correndo perigo de não tomar os remédios, nunca.
– Ele não sabe que estou envolvido com ela, vou poder sair e entrar da sua casa sem problemas e isso vai ajudar bastante. –
Argumentei e quase vi minha namorada passar pro banco da frente, mas ela só me deu um beijinho na bochecha sorrindo.
– Sim Pedro, mas você não vai ter toda a disponibilidade pra Jade, ta lembrando? –
A Jade... comecei a ficar cabisbaixo, fui idiota em pensar que daria certo.
– PEDRO! EI! EU SEI QUEM PODE CUIDAR DA JADE! – Karina surtou.
– A gente tá perto, só virar essa rua Alan. – Alan assentiu fazendo o contorno.
– Posso saber em quem você confia tanto pra cuidar da minha irmã quando eu estiver fora? –
– Alguém que me deve muitos favores, e muitas desculpas. – sorriu maliciosa.
Pov Cobra
– AJEITA ESSE JEB COBRA! – o instrutor gritava.
Eu socava o maldito saco imaginando como a Karina me fez de otário, de burro, jogou fora nosso namoro de 8 meses. Mas minha maior preocupação era ela ter sumido sem ter dado noticias, o mestre tinha engolido a historia de ir dormir na casa de Fabi, eu não.
– ISSO!-
Eu a amava tanto... por que ela enlouqueceu daquela forma? Porque me traiu? Dei um ultimo soco até ver uma loira baixa entrar afobada vestida com roupas de homem, e do seu lado Pedro. Me aproximei deles já exigindo as explicações que eu merecia:
–Que roupas são essas Karina? Como você some assim e me deixa louco? –
– Cobra, eu preciso de um favor. – ela estava a ponto de chorar, o que aquele infeliz tinha feito pra ela?
– EU VOU TE MATAR CARA, O QUE VOCÊ FEZ PRA ELA?-
– Calma lá Cobra, se tem alguém aqui com vontade de te MATAR sou eu, também não queria vir te pedir nada, ela que me obrigou.-
– KARINA FALA LOGO O QUE HOUVE! – fui até perto dela e a segurei pelo rosto. Minha vontade era beija-la, ela estava com uma expressão de cansada.
– Eu vou ser direta Cobra. – assenti e Karina abriu a boca pra continuar, Pedro fez questão de puxar minha mão afastando do rosto dela.
– DA LICENçA QUE O ASSUNTO é ENTRE MIM E ELA! –
– Pedro, por favor. – ele obedeceu, saindo morrendo de raiva e resmungando.
– Eu fiz uma besteira e preciso muito da sua ajuda, não quero que venha com liçãozinha de moral porque tudo começou por sua causa, e eu também te culpo por isso. – ela foi dura, e eu me senti mal antes de escutar o resto.
– Assinei um contrato como prostituta e c-
–O QUE KARINA? –
ELA TINHA, OH MEU DEUS, O QUE ELA TINHA FEITO?
– ME DEIXA CONTINUAR! Agora eu to sendo perseguida por um chefe da máfia ou sei lá o que ele é, e ou ele vai me matar ou vai me obrigar a ser prostituta e eu preciso da sua ajuda. – não estava conseguindo absorver aquilo mas meio chocado perguntei:
– No-no que?-
– Quero que vá ajudar e fique de olho sempre que puder na irmã do Pedro pra mim, a gente vai ter que sumir. –
–A IRMA LESADA? PELO AMOR DE DEUS! Pra onde você vai com esse cara Karina... – ela estava me abandonando de novo, o amor da minha vida me pisando.
– Não posso falar agora Cobra, pra ninguém. – disse num suspiro.
Ela veio até mim e suas mãos que tão bem eu conhecia tocaram as minhas enquanto seus olhos azuis me olhavam suplicantes, eu não podia negar ajuda por mais louco que aquilo parecesse.
– Faça isso se você realmente gosta de mim Cobra, eu preciso de você agora, preciso, por tudo o que passamos juntos, por favor. Cuida do meu pai pra mim, da Bi, de todo mundo que eu amo, não deixa eles desmoronarem. – uma lagrima caiu escorrendo pela sua bochecha e eu abracei.
Não importava o que Karina tinha feito, estava tudo esquecido.
– Eu vou te ajudar no que for preciso loirinha. –
E o sorriso que eu tanto amava brotou esperançoso nos seus lábios.
Pov Karina
Pedro me esperava a ponto de ter um ataque dentro do carro.
– ELE FEZ ALGUMA COISA COM VOCÊ? –
– Calma Pedro, ele vai ajudar. –
Entrei batendo a porta e Alan praticamente voava.
– O que foi que aconteceu? –
– O pai dele ligou, disse que quer ter uma conversa séria. Ele precisa nos levar o mais rápido que puder e te deixar em casa. –
Um calafrio tomou meu corpo. O que ele falaria com o Alan? Ou melhor, o que combinaria? Eu estava com um pé atrás com toda essa historia desse garoto mentindo pro Pedro.
Fui calada por todo o percurso até chegarmos. Na hora de bater a porta pra fechar o shorte gigante ficou preso, e claro, meu namorado veio me socorrer.
–AAAAAAAAAAAAI! –
– Você é muito destrambelhada. – Pedro sorria me ajudando a sair.
Depois de me ajeitar, Pe veio do meu lado até a porta e o carro preto sumia pelo fim do rua.
– Faz silencio, não quero ninguém acordando... vai ser muito mais difícil. – meu coração já estava em pedaços, mas mil vezes pior encarar minha família.
Pedro assentiu e entramos nas pontinhas dos pés. Adentrei o quarto com ele atrás quieto.
– Pega o mínimo de bagagem que conseguir.– me indicou.
– Certo eu só vou tirar essa roupa aqui, vira pra la. –
Ele deu um sorrisinho que me fez acreditar que não ia se virar MESMO.
– Tudo bem, então fica olhando. – provoquei dando língua, já tirando rápido suas roupas.
Pedro me encarava sem um pingo de vergonha na cara, até que fiquei de calcinha e sutiã olhando pra dentro do guarda-roupa e tamborilando os dedos.
– Que roupaaaa eu escolho. -
– PELO AMOR DE DEUS KARINA VESTE QUALQUER COISA! A GENTE TA SEM TEMPO, VOCÊ TA TODA GOSTOSA NA MINHA FRENTE E AINDA FICA ESCOLHENDO ROUPA? — se alterou.
– SHHHHHHHHHHHHHHH! — Pedro estava falando alto demais!
Tratei de pegar uma blusinha curta rosa e um shorts e vestia afobada enquanto ele resmungava sobre minhas roupas. Eu não entendia, primeiro Pedro queria que eu andasse logo e pegasse qualquer coisa, e depois se estressava porque eu tinha escolhido aquela. Mas na verdade? Era muito gostoso estar vivendo aquele primeiro amor e suas infinitas loucuras...
Ele me apressava tanto que abri a mala e joguei qualquer coisa que aparecia pela frente, tive que sentar em cima pra conseguirmos fechar a bendita.
– Vai logo Ka! — Pe estava a ponto de por um OVO.
– Falta a pior parte. — suspirei.
Desde o inicio eu sabia o que iria fazer, mas, mas na hora de fazer...toda a confiança me sumiu. Sentei na mesinha da escrivania, peguei a caneta e o papel, e na letra torta comecei a escrever com os olhos marejados.
Pai, eu resolvi que gostaria de conhecer o mundo, fazer viagens. Estava juntando um bom dinheiro para ir em algumas palestras sobre o meu curso de engenharia aeronáutica e CONSEGUI! Isto não é ótimo? Meu professor de aeronáutica resolveu do nada que teria uma viagem-palestra, e eu estou indo com a galera, ele não me deu muitas informações para aonde iriamos, então...pode achar que eu surtei, ou que fugi, mas a verdade é que sua filhinha quis APRENDER! ESTUDAR! E que ela te ama muito, e vai ficar sem ligar por um tempo.
Ps: Eu sei que você não vai acreditar em absolutamente nada do que eu disse seu Gael, mas para o nosso bem, por mim, tente.
Quando acabei de escrever já estava aos prantos, soluçava tanto que Pedro ficou com medo que eu me engasgasse e começou a fazer uma massagem nas minhas costas. Depois de dizer algumas coisas que me apoiaram e de me tranquilizar com suas mãos, eu finalmente estava preparada para nunca mais ver a minha casa.
–Vamos?- ele disse me puxando e me fazendo ficar em pé. E eu retribui dando um pequeno sorriso com o rosto inchado.
– Vamos de que? Nao é longe?. -
– Adivinha...-
– BICICLETA! -
– Sim, mas você pilota porque eu não sei andar. -
Agora eu sorria abertamente! Pedro não sabia andar de bicicleta!
– Ok, então você vai na garupa com a mala, mocinha... -
– Vou te mostrar quem é a mocinha.-
Pedro pegou a mala com um braço só se amostrando, fingindo que era algum tipo de peso e eu segurei na sua mão sorrindo boba. Foi quando me lembrei...
– ESPERA!-
Peguei correndo todas as pecinhas do meu protótipo de avião, inclusive o motor que já estava pronto e joguei dentro de uma sacolinha, junto com algumas anotações e rascunhos de desenhos.
– Mais bagagem Karina? — Pedro reclamava com a carinha fofa, fazendo bico.
– Deixa que esse eu faço questão de levar no braço meu namorado reclamao. -
Fomos de mãos dadas até o lado de fora, e eu não perdi a oportunidade de olhar para algumas fotos antigas enquanto passávamos pela sala. Quando saímos encostando a porta sem fazer barulho, empurrei a bicicleta da calçada até o calçamento enquanto ele se ajeitava atras na garupa com a mala no colo.
– KARINA! QUEM é ESSE? POR QUE ESSA MALA?-
Virei devagar e dei de cara com Bianca de baby doll na porta de casa, ela estava assustada, e eu nem saberia dizer qual expressão de choque era a maior, a minha ou a sua.
– Bi... -
– Vai Karina, anda, PEDALA. — Pedro me incentivou e eu voltei a mim.
– TE AMO BI! -
Gritei começando a pedalar rápido, equilibrando a mim e meu namorado enquanto descíamos a ladeira com um forte impulso.
– KARINA VOCÊ FICOU MALUCA! O PAI SABE DISSO? O Cooobra sab... -
A frase que Bianca gritava em desespero foi perdendo o sentido o quão mais distante eu me afastava. Os ventos batiam nos meus cabelos e Pedro ficava quieto respeitando minha dor, vez ou outra sinalizando em qual rua deveria entrar.
O fato era que minha existência se resumia em uma coisa: ANTES/APOS Pedro Ramos, o gogoboy da Wild Passion, o homem que me entreguei de corpo, alma, e vida, o homem com quem eu moraria a partir de hoje, talvez para sempre.
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