Wild Passion
8 Reviravolta.
Notas iniciais

Pov Karina
Eu corria desesperadamente por ruas que rumavam ao meu melhor destino. Corria, e corria, corria sem querer nunca mais olhar pra trás. Gotas de lagrimas grossas caiam pelo meu rosto, e grudavam o meu cabelo. Mas era o que menos me importava naquele instante. O homem pelo qual eu tinha me entregue, que faria qualquer coisa, que ultrapassaria qualquer barreira, que tinha feito tantos planos nos últimos tempos, era um mentiroso, um traidor. E eu era uma garotinha mimada, e vitima na sua visão. Porém, aquele status logo mudaria.
Minhas pernas já estavam quase dormentes quando consegui chegar na casa da minha melhor amiga. Felizmente Fabi atendeu a porta me segurando antes que caísse, foi bom ela não ter gritado nada enquanto entravamos no seu quarto e eu acabava de desabar. Ela cuidou do meu ferimento no braço dizendo vez ou outra: “Eu sabia que isso não ia dar certo” “Sabia que você ia se machucar Karina” “Não tinha futuro” “ Eu não sei o que houve, mas foi bom ter acabado logo, ele te bateu!”
Depois de alguns minutos eu já conseguia parar de soluçar, Fabi estava calada sentada do outro lado da cama quando finalmente parei de chorar e comecei a rir loucamente de toda aquela merda.
– Karina? – ela parecia mais assustada com este meu comportamento, mais do que quando cheguei na sua casa.
– AI FABI! AI MINHA BARRIGA! – eu rolava na cama rindo, demais.
Fabi acabou entrando na onda e sorriamos juntas agora. Vinte minutos depois, já não aguentando mais sorrir, contei toda a historia do que havia acontecido, do meu atropelamento pelo “ Alan, o gostoso” ( apelido que a Fabi deu sem nem o ter conhecido), do meu encontro com o Cobra que havia roubado o meu celular e marcado um encontro com Pedro, da minha ida a Wild, e finalmente do que eu vi na casa dele.
– Karina, para de sorrir, eu estou com pen... –
– NÃO OUSE DIZER A PALAVRA PENA! – tinha ficado irritada, mas ainda dava um sorrisinho de canto de boca.
– Acho que você ficou psicopata de vez. – Fabi disse se afastando um pouco de mim.
– Psicopata? Escute... –
Comecei a contar pra ela todo o meu plano. Via minha amiga mudar de roxo, para amarelo, para roxo e finalmente para o vermelho vivo.
– VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO KARINA! – ela me sacudia pelos braços.
– NÃO SÓ POSSO, COMO FAREI! EU SOU DONA DA MINHA VIDA. –
– Ai meu Deus. –
Fabi passava as mãos pelo rosto tentando limpar as lagrimas que eu causei. Não queria magoar ela! Não achei que fosse ficar dessa forma...
– É tudo minha culpa, eu te levei naquele lugar, eu coloquei coisa na sua cabeça pra ficar com esse garoto. – Fabi chorava igualmente quando eu havia chegado.
A abracei, e agora os papeis invertiam, eu a consolava.
– Amiga, não to fazendo isso pelo Pedro, estou fazendo isso porque eu quero, pra mim tanto faz agora! –
– Eu só acho que você pirou, e se o seu pai souber disso? E SUA FAMÍLIA? E TODO MUNDO? AI MEU DEUS! AI MEU DEUS, EU NÃO VOU TE DEIXAR FAZER ISSO! SE VOCÊ QUISER ESSA LOUCURA, OK, MAS PELO AMOR DE DEUS QUE SEJA SÓ POR HOJE KARINA, ME PROMETA! – Fabi endoidava, endoidava de verdade.
– Prometo. Agora me passa o celular. – ela suspirou e pegou seu celular, me trazendo.
Eu sabia que poderia parecer errado aos olhos de todos, mas sabe a verdade? Estava na hora de extravasar com a vida.
Disquei os números que havia ganho na hora do atropelamento, me lembrando das claras palavras: “- Tenho uma divida com você Karina, esse cartão tem o meu numero, e eu gostaria de dizer que QUALQUER coisa você pode contar comigo, qualquer coisa, pode me ligar.” E era exatamente do Alan que eu conseguiria o que queria. O celular chamou duas vezes até ele atender.
– Alo? –
Tremi com a sua voz, talvez fosse burrice, ele era amigo do idiota...
– Alo Alan? – respondo e escuto gritos de alegria do outro lado. An?
– KARINA! KARINA NÃO DESLIGA O TELEFONE! –
– Não vou desligar, liguei porque quero falar com você. –
Alan ficou uns 20 segundos sem responder. Eu já estava impaciente.
– Alo Karina? A gente precisa conversar! PELO AMOR DE DEUS, ESTAMOS TE PROCURANDO FAZ DUAS HORAS POR TODAS AS RUAS E... – era a voz do Pedro...
Fechei os olhos e disse firme, agora não era hora pra ficar com paixonite idiota por homem casado e destruidor de lares.
– Devolve o celular pro Alan, ou eu desligo. –
Menos de 5 segundos de novo o outro rapaz já estava na linha.
– Não seja dura com o Pedro... precisamos explicar que o que você viu n... –
– Cala a boca. Só te liguei pra te pedir aquele favor. –
Consegui ouvir o Pedro gritar no fundo: “ O QUE ELA QUER?”
– Manda ele calar a boca também. –
Demorou um tempo, mas Alan respondeu:
– Ele já está quieto. Sobre aquilo, o que você quer? E porque agora? –
– Não faz perguntas, você disse que faria qualquer coisa que eu pedisse, pois eu liguei pra pedir. –
– O que você quer? – ele suspirou, já com medo da resposta.
– Ser prostituta, na Wild Passion. – sorri.
Pov Pedro
– FILHO DA PUTA, DESGRAçADO, INFELIZ, IDIOTA. – eu suspendia a blusa do Cobra, pronto para dar um murro na sua cara.
– Calma lá, que eu não quero te bater na frente da linda moça. –
Lembrei que a Jade estava ali e logo tratei de me acalmar. Ela estava começando a ficar nervosa.
– EU DISSE PRA VOCÊ CUIDAR DELA SEU MERDA! COMO EU FUI BURRO CARA, COMO EU PUDE CAIR NESSA LADAINHA DE EX-NAMORADO POSSESSO? VOCÊ NUNCA VAI SABER CUIDAR DELA! – eu estava transtornado.
Quando ouvi os gritos e sai correndo da casa, pensei que nada pudesse transpassar a dor de ver Karina implorando pra ficar com ela, como se eu já não quisesse tanto isso... Mas tinha como superar, tinha. Cheguei a tempo de ver um tufo de cabelos loiros correndo o mais rápido que podia pela ladeira, seu rosto estava vermelho, e a expressão de dor... a expressão que cortou meu coração da pior forma que um podia ser retalhado. Fiquei tão em choque que não tive nem reação de correr atrás, só depois que consegui gritar.
– Talvez se você tivesse contado que tem mulher... – o safado disse apontando pra Jade que se sentava na porta de casa com as mãos apoiando o queixo, pensativa e alheia a conversa.
– IDIOTA! ENTÃO FOI POR ISSO QUE ELA SAIU CORRENDO ASSIM? QUE INFERNO COBRA! SABIA QUE FOI UM INFERNO TE CONHECER? EU VOU POCAR O SEU CU. –
Comecei a partir pra cima dele, pronto pra arrebentar sua cara sínica quando Ester me agarrou.
– Pedro, calma, você não acha melhor ir atrás da Karina agora? E se ela fizer alguma besteira? –
Fui ao inferno e voltei. Nem tinha pensado nessa possibilidade.
– Oh meu Deus. –
Lagrimas agora escorriam livres pelo meu olho, não estava com vergonha de chorar na frente de ninguém, Karina podia estar morta agora ou qualquer outra coisa, e isso era demais pra minha existência medíocre.
Corri até meu telefone e liguei pra Alan, consegui me acalmar só pra lhe contar a historia e pedi-lo pra que viesse urgente para vasculharmos as ruas próximas, andei de volta pra fora de onde os outros me esperavam, e o mais controlado que pude, disse:
– Eu te odeio Cobra. Mas preciso te pedir um favor. – suspirei cansado, com o orgulho ferido.
– Diga logo. – responde com cara de deboche, e minha vontade é de nem pedir nada.
– Preciso que fique aqui com a Jade, eu não posso deixar ela e a Ester sozinhas, não com ela correndo riscos de ter um surto a qualquer momento... tá nervosa com o que aconteceu hoje. – sim, eu, Pedro, estava pedindo um favor a Cobra.
– Tudo bem cara, eu já entendi aqui que a gatinha tem... –
– NEM OUSE DIZER O QUE PENSOU. – ele revira os olhos com meu estresse.
– Ester vai estar de olho em você, então também nem tente nada e... muito obrigada. –
– Diga a ultima parte mais alto por favor.–
– Vai à merda! –
Já estava nervoso por motivos que ele causou, e o cara ainda debochava da minha cara. Exatamente naquele instante o Alan chegou rodado com o carro, e eu entrei afobado e mais rodado ainda, sem nem sequer passar muitas informações pra Ester.
– Blusa verde e short’s curto. – já sentei no banco ao lado dizendo, enquanto Alan dava partida pelas ruas do Rio.
– Eu sei. –
– OH MEU DEUS! ACABEI DE LEMBRAR QUE ELA TA COM UM CORTE! – meus olhos começaram a lacrimejar de novo, eu estava simplesmente um chorão. Aquele dia estava sendo horrível demais e insuportável.
– Aposto que ela caiu, não deve ter sido nada grave.. –
– AQUILO ESTAVA FEIO ALAN! POBRE KARINA! – não me aguentei e chorei, me acabei de chorar naquele banco, não conseguia nem percorrer os olhos pelas ruas ajudando a procurar, só sabia desaguar em lagrimas, mas isso era bom... podia ser eu mesmo com meu melhor amigo.
– Alan, eu vou matar quem fez isso com ela. – consegui dizer fungando, e ele nada respondeu.
Faziam uma hora e meia que procurávamos incessantemente pela Karina, meu estado passou de desespero total para maluco pronto pra ir pro manicômio em pouco tempo, Alan tentava me acalmar, mas só noticias dela me acalmariam.
– Acabei de conseguir o numero do Cobra com um dos meus empregados e ligar, você viu, ele disse que já ligou pra casa da Karina e o pai dela está morrendo de preocupação, ainda não chegou por lá. – as noticias eram mais desesperadoras possíveis, quando o celular de Alan tocou novamente.
Vi seu rosto se virar pra mim sorridente, ele estava feliz, ERAM BOAS NOTICIAS! Se não tivesse sentado tinha caído quando ele avisou que a própria Karina estava no telefone. Eu não parava de sorrir, finalmente um motivo pra comemoração!
– ME PASSA LOGO ESSE TELEFONE ALAN! – ele passou sorrindo com a minha animação e eu consegui dizer afobado:
– Alo Karina? A gente precisa conversar! PELO AMOR DE DEUS, ESTAMOS TE PROCURANDO FAZ DUAS HORAS POR TODAS AS RUAS E... –
– Devolve o celular pro Alan, ou eu desligo. – ela me interrompeu, e nunca tinha ouvido sua voz soar tão dura. Devolvi o celular por segurança, mas muito ansioso perguntando sem parar o que ela estava falando.
Depois de alguns segundos de espera terríveis, vi o Alan me olhar assombrado. Puta que pariu, o que tinha sido agora?
– Pedro... ela quer... –
– FALA LOGO! — não me aguentava mais.
– Karina, ela quer virar prostituta. –
Senti toda a comida vir até a boca do estomago rasgando, eu estava prestes a vomitar. Aquilo, aquilo tudo não estava parecendo real. Alan se sentiu compadecido de minha situação, eu havia perdido a fala e o direito de resposta totalmente.
– PEDRO VOCÊ TA VERDE! PELO AMOR DE DEUS! É OBVIO QUE ELA NÃO VAI CONSEGUIR ISSO! – Alan se voltou para o telefone e consegui escutar sua voz baixa e dura:
– Não Karina. –
Depois de alguns segundos do que parecia briga ( eu não sei ao certo, estava meio tonto) , ele se virou dizendo:
– Ela desligou, mas olha Pedro, isso vai passar quando ela descobrir a verdade, a gente vai dar um jeito de contar antes de qualquer besteira... –
Meu amigo tentava me acalmar, mas só o que me acalmaria ali agora, era ter a Karina nos meus braços, sem nenhuma idiotice na cabeça.
Pov Karina
– INFERNO! –
Joguei o celular de Fabi em cima da cama, percebi que ela tentava prender o sorrisinho pelo meu fracasso. Coitadinha... mal sabia que eu tinha um plano B, o melhor plano B que poderia existir.
Liguei seu computador e abri a pagina do google.
– O que você ta fazendo Karina? Não ta vendo que tudo está a favor de você NÃO COMETER ESSA BURRICE? –
– Na verdade, cara amiga, o Alan não é o dono daquilo. Que eu me lembre o Maldito citar, ele apenas é o sucessor. –
– Não vai me dizer que... – Fabi colocou a mão na boca chocada.
– Sim. –
Pesquisei: Dono da Wild Passion – Rio de Janeiro
– AHAAAAAAAAAAAAAA! –
Não só aparecia o nome do pai de Alan, como toda a sua historia de vida, endereço e telefone! ENTÃO, QUEM ERA QUE NÃO ESTAVA A MEU FAVOR MESMO?
– Me diga que vai me emprestar sua bicicleta. – faço biquinho pra uma Fabi chocada.
– Não compactuo com isso! –
– Você era mais legal Fabi. –
Ela se jogou na cama derrotada fazendo gesto que eu podia pegar emprestado.
– TE AMO AMIGA! – a enchi de beijinhos e ela sorria.
– So quero que você me conte todos os babados. – aquela era minha Fabi!
– PROMETO! –
Parti sorridente até aonde sua bicicleta ficava, e comecei a pedalar rumo ao endereço anotado. Seria uma grande caminhada.
Pov Heideguer
A papelada das transições de cocaína pro sul do Brasil estavam me deixando absolutamente louco. Faziam mais de 24 horas que não levantava daquela mesa, somente assinando e fazendo ligações, puramente a base de café e whisky eu me mantinha em pé.
– Doutor Heideguer? – minha secretaria gostosa, qual era o mesmo o nome dela? Não lembro, mas ela estava chamando.
– Espero que esteja me chamando pra algo muito urgente, estou muito ocupado.- disse já a dispensando com as mãos.
– Eu não sei dizer se é urgente... mas no mínimo é estranho.-
Comecei a me interessar, aquela secretaria já tinha visto muitas coisas horríveis desde quando chegou, para achar algo estranho...
– Diga exatamente o que é . –
– Tem uma garota lá fora, que implora pra falar com você. –
– Descrição. –
– Loira, baixa, uns 18 anos já deve ter, um pouquinho transtornada também. –
– Você sabe que quando eu digo “descrição”, me refiro ao corpo. – Será que aquela piranha ainda não tinha aprendido?
– Oh, desculpe doutor. Corpo de dar inveja, a achei muito bonita. –
Interessante... o que essa moça estaria fazendo na minha casa agora?
– Mande-a entrar por favor. – fui vencido pela curiosidade.
Depois de alguns minutos alguém adentrou minha sala. Levantei meus olhos dos papeis e me deparei com uma linda cena. Realmente a mulher era muito bonita, sua cara estava um pouco inchada, mas nada desviaria a atenção dos seus olhos azuis, das suas pernas expostas e da sua bunda.
– Desculpe o atrapalhar... – ela tremia, isso era bom, tinha medo de mim.
Me levantei e puxei a cadeira.
– Sente-se por favor. – a garota obedeceu e se sentou, pegando sem parar numa pulseirinha, aquilo já estava me dando agonia.
– O que veio fazer na minha casa?. – fui direto ao ponto.
– A..aaa. An, eu, eu conheço o Alan. – seus olhos demonstravam medo.
– Sim, meu filho. –
Ela suspirou cansada, soltando tudo de uma vez.
– Senhor, eu vim até sua casa porque gostaria muito de virar prostituta na Wild Passion e ninguém me deu essa oportunidade. –
Ok, aquilo sim era surpreendente! A moça parecia bem estudada, era bonita, porque...
– Você vai me ajudar? – implorou.
– Obvio! – não me importava seus motivos, a questão era ganhar dinheiro, e aquele seria um ótimo negocio.
– Espere eu redigir o contrato. –
A moça abriu um sorriso lindo, que me deixou feliz pela primeira vez desde o inicio do trabalho exaustante. Assim que terminei de digitar tudo, imprimi e coloquei na frente dela.
– Achei que não fosse nada muito oficial sabe... – estava preocupada.
– Que isso princesa! E não é, é só pra manter na lista e ter controle das profissionais que entram e saem. –
– Hmm.. ok. – ela pegou a caneta e já estava assinando.
– Acho melhor eu ler antes né. – sorriu
Maldita. A garota avaliava o contrato quando perguntou chocada:
– Como assim os meus descendentes serão propriedade da Wild Passion?-
– Isso ai é porque já tivemos muito problema com prostitutas que engravidaram de clientes pra dar o golpe, meio que evita golpes da barriga se a criança no contrato nos pertencer, pensam duas vezes antes de agir. –
–Aaaaa, desculpe a burrice! É que eu não manjo dessas paradas. – manjo? Paradas? Estava perdido um pouco com aquele vocabulário.
– E esses 500.000 aqui? – droga, era esperta.
– Nada demais, acho melhor você assinar logo porque estou cheio de serviço! – pressionei.
– Eu vou poder sair amanha se eu quiser? –
– Claro! Agora assine. –
A loira assinou vacilante e um sorriso tomou conta do meu rosto, aquilo foi muito estranho mas muito excitante.
– Posso começar hoje? – me perguntou sorrindo também.
Pov Karina
O pai do Alan parecia ser muito legal, primeiro eu até achei que não fosse me atender, mas logo depois já estava na sua sala sendo super bem recebida! Foi tudo muito rápido, e além de tudo já estávamos chegando na Wild porque o bom homem me ofereceu carona. Eu estava animada pra chutar o balde.
– É sua primeira vez como garota de programa? – ele me perguntou.
– Obvio que não! – minto pra parecer experiente.
– Acho melhor você só servir as mesas por hoje, amanha pode começar a trabalhar normalmente, preciso te testar. – me arrepiei com o “ preciso te testar”, mas adorei o fato de começar servindo mesas, isso mesmo! Ia começar do mais baixo nível, e mostrar pro mundo que eu podia ser qualquer coisa, e que ninguém me impediria.
– Tudo bem. – fomos em silencio até o fundo da Wild ( que agora eu sabia ser a frente), lá ficava a ala das mulheres, e era o triplo do tamanho da dos homens!
– Uau! –
Olhava bestificada para o ambiente luxuoso da entrada, e isso porque era só a entrada! Alguns homens velhos compravam tíquetes na recepção pra poderem adentar o local, o doutor cumprimentou eles e finalmente andamos por um corredor que chegava nos camarins.
– Vou te deixar no camarim do Igor, ele vai te arrumar e depois te espero no salão de festa. –
Assenti com a cabeça, e de repente, levei um grande susto. Heideguer veio se aproximando, se aproximando e me deu um selinho. Fiquei sem reação. MAS CALMA KARINA, VOCÊ AINDA VAI FAZER COISAS MUITO PIORES! ARRRRRAAAAAAAAAAA VOCÊ PEGOU O PAI DO CRETINO 2, PORQUE AQUI NÃO PODIA TER CÂMERAS?
O homem saiu andando e eu abri a porta do camarim ansiosa.
– O-o-oi? –
– OLAAAAAAAAAAA! O QUE é ISSO BRAAAAAAAAAAAAASIL?? QUE LINDAAAAAAAA! MENINAS, MENINAS, CORRAM PRA VER CARNINHA NOVA! –
Corei forte quando o homem, quer dizer o gay, fez o maior alvoroço por eu ter chegado. Tinha mais outro rapaz ali, quer dizer, outro gay e uma moça e eles estavam em cima de mim me avaliando. Fiquei com tanta vergonha!
– Eu sou novata, o doutor Heideguer disse que vocês iriam me arrumar. – disse tímida e eles fizeram “ ooooooooooown”.
– Você é tão novinha! Qual o nome? Quantos anos tem? CONTE-NOS SUA HISTORIA DE VIDA! ADORAMOS DRAMA! – o outro gay que não sabia o nome pirava enquanto me conduzia até uma cadeira fofa.
– Sou a Karina. Eu tenho 20. Desilusão amorosa... –
– NAOOOOOO! – a mulher colocou a mão na boca e eu sorri de sua expressão.
– Do que a gente vai vestir ela ein? – Igor perguntou.
– Como assim do que? Não é só por uma lingerie e essas coisas? – aquele dia estava absolutamente estranho.
– Normalmente sim, mas como hoje é Halloween cada moça vai estar vestida de um personagem diferente. –
– EEEEEEEEEU JÁ SEI! TENHO UMA FANTASIA PERFEITAA PRA VOCÊ! – Igor endoidava enquanto corria para um grande armário cheio de plumas.
– ARRASOU IGOR! COELHA DA PLAYBOY VAI COMBINAR SUPER COM ELA! – a mulher fez um toque estranho com ele.
Sinceramente, conhecer aquele pessoal foi demais! Toda a insegurança que eu sentia sumiu, acho que meu trabalho ali seria no mínimo muito engraçado e extrovertido. Eles cuidaram do meu cabelo, deixaram solto e um pouquinho amarrado na frente, com a franja caindo. Depois me pediram pra tirar a roupa, fiquei extremamente vergonhosa mas eles riram da minha cara dizendo que eu faria coisa pior e realmente faria... então aquilo era o mínimo. Livrei da minha roupa rapidamente e eles começaram a me vestir, eu fiquei um pouco incomodada é claro.
– Nossa mas você é gostosa ein.- Igor disse malicioso, muito perto, enquanto fechava meu sutiã com lantejoulas.
– Achei que você fosse gay? –
– E sou. –
Sorrimos e eles terminaram a produção. Minha roupa se resumia em uma calcinha-shorte preta de cintura alta com um rabinho felpudo de coelho atrás, o que deixava minha bunda muito sugestiva e um sutiã também preto de lantejoulas que não cobria quase nada. Pra ser sincera, a única parte devidamente coberta do meu corpo se resumia na bota de couro preta que chegava até os joelhos. Levantei meia cambaleante por causa do salto e parei na frente do espelho. Os três rostos me olhavam ansiosos esperando minha avaliação. Sorri e disse:
– ESTOU LINDA! Pena que fiquei muito branca, olha minha cor... –
– VOCÊ TA MARAVILHOSA KARINA! – a moça me rodou, e eu pude me ver inteira. Realmente, eu estava me sentindo poderosa. Será que era isso que o Pedro sentia? TIRA O PEDRO DA SUA MENTE AGORA!
– Ai gente, vocês são demais! –
Demos um abraço grupal.
– Agora a maquiagem! Vamos realçar esses olhos azuis. –
Me sentei na cadeira novamente enquanto mãos habilidosas faziam a maquiagem, pensei que não fosse conseguir me achar mais bonita ( e olha que tinha problemas de auto-estima), mas eu consegui! Eles fizeram uma maquiagem preta esfumaçada que deixou meus olhos gigantes e perturbadores, e o famoso nariz e bigodinho de coelho.
– Agora só falta a tiara! –
Colocaram a tiara com as orelhas e eu parecia ter saído de um filme.
– Ta na sua hora gatinha, melhor, coelhinha. Ta preparada? – Igor me perguntou enquanto eu o abraçava agradecendo.
– Acho que sim, hoje eu só vou servir mesas, se eu não gostar amanha saio do emprego. –
– Sair do emprego? – o outro rapaz me perguntou curioso.
– Anrram, o Heideguer que disse. Agora é melhor eu ir né gente! – me despedi mais uma vez de todos e fui seguindo plaquinhas nos corredores que apontavam o salão principal.
Antes de sequer chegar já tinha passado por pessoas e visto algumas cenas chocantes. Homens bêbados sendo carregados por prostitutas fantasiadas que roubava suas carteiras, mulheres praticando sexo ali mesmo ( evitei olhar e acelerei o passo), passei até por algumas nuas, mas em nenhum dos casos encarei demais. Comecei a escutar um blues alto enquanto me aproximava de uma pequena porta que dava entrada, o som foi aumentando, aumentando, até eu finalmente parar de frente pra porta. Vamos lá Karina, invoque alguma coisa, não demonstre medo! VAMOS LA, VAMOS LA, VAMOS LA! Coloquei um sorrisinho safado no rosto e passei a andar decidida, entrando no local que cheirava a bebida.
Alguns homens mexeram comigo enquanto eu passava, um até bateu no meu bumbum e saiu sorrindo. A estrutura era totalmente diferente da ala dos homens, no palco principal haviam umas 40 mulheres fazendo pole dance e outros 100 homens gritando e jogando dinheiro. Porém, alguns mais poderosos, sentavam nas mesas espalhadas fumando charutos e bebendo conversando, enquanto algumas mulheres lindas se ofereciam, ou eram dispensadas, ou logo depois saiam de mãos dadas com o rapaz. E era exatamente aquelas mesas que eu precisava servir.
Continuei andando decidida fazendo carão e jogando o cabelo como num clipe, fui direto ao bar e pedi a moça que me desse um planfetinho para anotações. Ela me olhou invejosa com a cara feia, estava vestida de onça, mas me entregou o planfeto e a caneta. Decidi começar o trabalho pela mesa que mais me chamou atenção : a mesa de Wallace, Duca, e Lírio. Adoraria ver suas expressões, adoraria que contassem a Pedro. Fui sorrindo e quase saltitando com minha sorte.
– Que surpresa vocês por aqui rapazes! Vem aqui sempre entre amigos? Qual o seu pedido? – me deliciei quando os três viraram me encarando, reconhecendo a voz animada. Ok que Lírio encarava minhas coxas, mas as expressões de Duca e Wallace eram impagáveis.
– KA, KA KA KA KARINA? – Duca conseguiu dizer depois de muito gaguejar.
– Sim, qual o pedido mesmo? – batia nervosa com a caneta.
– MEU DEUS, O QUE ACONTECEU? –
– Nada que interesse Wallace, poderia falar seu pedido? –
– EU VOU LIGAR PRO PEDRO AGORA! VOCE PIROU! –
– Tanto faz. – tentei não transparecer, mas por dentro estava louca de felicidade! Queria aquele ordinário aqui, vendo eu fazer tudo.
– Meu pedido é um boquete. – Lírio se pronunciou babando.
– Hoje eu estou só atendendo , gatinho. – toquei seu rosto e vi Wallace falando no telefone, resolvi provoca-lo, pra ele contar tudo para o Maldito.
– Mas quem sabe... –
Sentei no colo de Lírio de vez, bem em cima do seu membro, e ele gemeu em surpresa. Mas logo depois já passava as mãos pela minha barriga, fazendo carinho. E eu gargalhava, enquanto ele chupava meu pescoço. Observei Wallace desligar o telefone e voltei a ficar em pé, Lírio tentava me puxar pela cintura mas eu não precisava mais dele.
– Volta, vem coelhinha. –
– Não. E se vocês não vão pedir nada, vou atender outra mesa! Beijos. – joguei beijos para os bobos parados e fui para a próxima mesa. A noite só estava começando.
Pov Pedro
– WILD PASSION AGORA! ELA CONSEGUIU! -
Alan deu uma rasteira no carro dando o contorno. E seguíamos em disparada para o local. Eu nem sabia descrever o misto de sensações que estava sentindo, parecia um pesadelo, como tudo em uma noite poderia ser tao perfeito e na outra um desastre?
– CORRE ALAN, ANTES QUE SEJA TARDE! -
– ESTOU INDO O MAIS RÁPIDO QUE POSSO! -
– Você não ta entendendo cara, a Karina é virgem, se ela fizer... se ela se entregar pra qualquer idiota nojento... vai ser perturbador. — soltei e Alan quase bate o carro.
– ELA é VIRGEM?-
– Sim... -
– Achei que vocês... -
– Quase. -
Comecei a me lembrar da nossa noite enquanto Alan dirigia. Karina me esperando na porta da sua casa com aquela camisola transparente, Karina chorando porque esqueceu a camisinha, Karina gozando enquanto eu a chupava... Karina gritando e me dando prazer, Karina, Karina,Karina.
– Chegamos. -
Desci do carro correndo e meu amigo veio logo atras.
– BOSTA, NÃO TENHO DINHEIRO PRA COMPRAR TÍQUETE! — comecei a entrar em desespero.
– Qual é Pedro, eu pago! — Alan comprou nossos tíquetes enquanto eu agradecia muito.
Entramos no salão e eu olhava todas as loiras que passavam, mas nenhuma era ela.
– SERA QUE ELA TA NO POLE DANCE? -
– Calma cara! -
– PEDRO! — Duca acenou e eu fui correndo até eles.
– Lirio, sua morte ta próxima, mas depois, agora eu quero saber CADE A KARINA! -
– Ali. — Wallace apontou para uma mesa com 5 homens fumando charutos e uma garota vestida de coelha anotando pedidos enquanto era molestada.
– Uau. — Alan suspirou do meu lado.
Se não fosse toda aquela situação... eu juro que levarei Karina para um quarto daqueles e a possuiria ali. Ela estava absolutamente sexy, a sua bunda estava gigante, sua barriga exposta, a bota de salto alto, os seus olhos que viravam me encarando, o sorriso que ela colocou no rosto quando me viu...
Foi quando começou a tocar Paradise City, e alguns segundos depois só se ouvia Karina gritando " EU AMOOOOOOOOOOOOOO ESSA MUSICA" e chamando a atenção de todos do local, era o que eu mais pedia a Deus pra não acontecer, ela chamar atenção, mas ali estava minha namorada, vestida de coelha numa boate de prostituição cantando Paradise City na maior altura do mundo enquanto homens se aproximavam cantando junto e se divertindo.
– TAAAAAAAAAAAAAAKE ME DOWN TO THE PARADISE CITY WHERE THE THE GRASS IS GREEN AND THE GIRLS ARE PRETTY, WON'T YOU PLEAAAAAAAAAAAAASE TAKE ME HOMEEEEEEEEEEEE! -
Karina estava completamente louca, se esfregando naqueles homens nojentos, e sua cara era de quem estava adorando... nem preciso dizer que os rapazes também estavam amando a doida cantante.
– Pedro, tira ela de la que eu vou ter uma conversa com meu pai, depois a gente se encontra. — assenti para Alan e fui me aproximando daquela palhaçada.
Puxei Karina pelo pulso que me olhou chocada, furiosa. Os homens gritavam me xingando por estar a carregando enquanto eu a puxava boate a fora.
– ME SOLTA SEU CRETINO! -
– Cala a boca. — eu estava me controlando para simplesmente não mata-la.
Karina fazia birra se jogando no chão, e estava difícil de puxa-la. Então passei meus braços em volta da sua cintura e a joguei nas minhas costas. Ela me esmurrava, me xingava de todos os nomes existentes, mas eu não ligava, para nada.
– Para de se debater. — pra que fui falar aquilo? AI QUE ELA ENDOIDOU! Batia nas minhas costas sem parar.
Até finalmente conseguir chegar na rua e parar um táxi. Joguei Karina la dentro e tranquei a porta antes que ela saísse.
– Isso não é um sequestro não né cara? — o motorista perguntou assustado com a cena.
– Nao, é minha namorada. Pode ir, morro da rocinha. — ele assentiu e começou a pilotar.
– EU NÃO SEI SE VOCÊ PERCEBEU QUERIDINHO, MAS TERMINAMOS! — como conseguia ser tao linda histérica?
– Sério? Então me explica o que essa pulseira de Morgana esta fazendo no seu braço. — tive o prazer de ver sua carranca desmanchar, mas logo ela estava na defensiva.
– SEU CRETINO, MENTIROSO, EU TE ODEIO COM TODAS AS MINHAS FORçAS PEDRO, TE ODEIO E SEMPRE VOU TE ODIAR! -
– Se você não ficar quieta, eu te jogo porta a fora. -
Karina viu que eu não estava brincando e fez bico em silencio olhando para a janela do outro lado, sentando bem longe de mim. Nossa trajetória até minha casa foi silenciosa, eu também não queria olhar pra ela ou a agarraria... mas as vezes dava uma escapada e olhava de soslaio para suas pernas. Numa das vezes ela me pegou no flagra e me deu dedo, voltando a virar para a janela.
Finalmente chegamos e Karina saiu do táxi batendo as botas alto no calçamento. Consegui fazer ela entrar ainda a puxando pelo braço, e a joguei rudemente no sofá assim que adentramos a casa.
– ESTER! TRAGA A JADE AQUI! — gritei alto.
– Nao acredito que você ainda vai me humilhar na frente da sua mulherzinha. — Karina falou ferida e seus olhos começaram a lacrimejar. Fiquei quieto.
Jade entrou com a mesma camisola de mais cedo dizendo e sorrindo:
– Pedrinho, o o moço bonito já foi embora. -
– MOçO BONITO? AI JADE! PELO AMOR DE DEUS! — ela tampou os ouvidos e fechou os olhos, e eu logo me arrependi.
Karina observava tudo quieta, e infelizmente para minha concentração, sentada com as pernas abertas.
– Olha quem eu trouxe aqui. — apontei para uma Karina que fazia careta quando Jade a olhou.
– OH! UMA COELHINHA DE VERDADE! — Jade correu sentando-se do lado da minha namorada e mexendo na sua tiara de orelha. Karina se encolheu um pouco assustada com aquela reação.
– O que é isso Pedro? — perguntou.
– Era o que eu estava tentando explicar. Jade é minha irma, e é autista. -
Vi Karina ir na bosta e voltar, me deliciei na verdade, ela tinha tomado uma atitude bastante precipitada, e sabia disso.
– Ela não, não é??? — me perguntou lacrimejando.
– Nao, ela não é minha mulher. E por favor né Karina, olha a cara dela! O cabelo, os olhos, somos quase iguais. — cruzei os braços na defensiva e observei minha namorada olhar de mim para Jade umas mil vezes, tentando captar tudo.
– Agora me diga, qual o tamanho da burrada que você fez? Quanto o Heideguer cobrou pra gente encerrar esse contrato? Vamos fazer isso agora. — uma lagrima caiu do seu olho, e eu instintivamente me ajoelhei do seu lado e a limpei.
– Como assim quebra de contrato? Ele disse que eu poderia sair quando quisesse... -
– Nao vai me dizer que você caiu nessa. — Meu coração apertou, eu sentia um medo terrível percorrer minha espinha, ELA NÃO TINHA LIDO O CONTRATO DIREITO!
– So vi um valor la Pedro... -
– Quanto Karina? PELO AMOR DE DEUS, FALA LOGO! EM ALTO E BOM SOM. — eu pirava.
– 500 Pedro... — Karina passava as mãos no cabelo tirando a tiara e enlouquecendo.
Fechei meus olhos e suspirei fundo, me apegando a pergunta que faria.
– 500 reais? -
– 500 mil. –
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