Wild Passion

22 Quer casar comigo?


Notas iniciais
É com muita honra que posto este capítulo sofrido de Wild Passion. Sofrido não o capitulo em si, que está perfeito e maravilhoso como sempre. Mas só eu sei o quanto a Winnie sofreu pra escrevê-lo e só eu sei o quanto sofri pra postá-lo. Ela fez a promessa de que postaria na sexta. E como eu não dormi, ainda é sexta. A promessa está cumprida. O aniversário dela é hoje e não teria presente melhor do que ser presenteada por ela com a oportunidade de escrever o que eu quisesse aqui. Com essa permissão que tenho eu diria que esses mais de três meses que te conheci, passaram voando assim como EMAG. Falar de EMAG é dificil, e não falar de EMAG é mais dificil ainda. Eu me apaixonei não gradativamente, mas instantaneamente por EMAG. Desde o primeiro capítulo mais louco que eu já vi na vida eu vi que não dava pra largar. Eu ri, chorei, fiquei com muita raiva, surtei e me senti realizada com EMAG. E Com WP não é diferente. Esta semana mesmo eu tweetei que me declarava apaixonada por WP na mesma medida que sou por EMAG. Você conseguiu. Duas vezes. "Hoje o amor transbordou. E a culpada foi você." Ao falar dessas fanfics perfeitas o amor transborda sempre, porque por mais que todos digam, por mais que eu diga todo santo dia, você parece não entender: VOCÊ É PERFEITA! Perfeita à sua maneira. "Você escreve tão bem, mas tão bem, que chega dá raiva" foi o que eu disse hoje e você até me chamou de recalcada. Mas é isso que a sua perfeição causa: Recalque! Quem não ficaria recalcada com uma escrita tão perfeita, criativa, completa, limpa, suave, doce, dramática, esquisita, louca, surpreendente, apaixonante, instigante, angustiante, emocionante e que bagunça com os sentidos de qualquer um? Você escreve muito bem Winnie. E você sabe disso. Mas é claro que precisa sempre da gente aqui, pra lembrar. Você é a pessoa mais estranhamente fofa e escrota do mundo. Você tem muito pra mostrar e é através da escrita que isso flui. Então nunca deixe o rio secar. Deixe que ele flua e se possível: INUNDE! Todas as homenagens e textos e poemas e músicas que você merece, não cabem aqui. Mas talvez caibam no seu coração. Eu deixo aqui esse texto e te digo que vão ter muito mais como esse: cheios de amor, afeto, admiração e carinho pra progenitora do rebanho. Sinta-se espremida pelo me abraço, A Garota do Forninho. P.S.: Eu te amo Nota da Autora: Geeeeeeeeente! A historia tava todinha pronta desde as 2 da tarde, tentei de toda forma postar pra voces, chorei, me irritei, quase joguei o computador do outro lado da rua, but, de nada serviu, e a unica coisa que me restou foi: um carregador quebrado. Ou seja, também tenho pouco de bateria pra mandar esse email pra Gilvana, que ela deve estar postando pra voces agora E ME SALVANDO! Afinal, a votaçao foi unanime: eu postava na sexta e depois respondia voces, ou seja, PRECISAVA POSTAR HOJE DE TODO JEITOOOOOOOOOOOO! PRECISO. P-R-E-C-I-S-O DIZER QUE LI TODOS OS COMENTS DE VOCES! E QUE TO VERDADEIRAMENTE EMOCIONADA! Com tudo, por ter emocionado vcs tbm, pelos desejos de feliz aniversario, pelos comentarios trilooooooooooouquissimos pelo cap, e gostaria de dizer que um coment. em especial ( POR FAVOR, SEM RECALQUE MENINAS) me tocou de uma forma muito muito muito profunda, a ponto de me arrancar lagrimas! Foi o da Leticia. Leticia, gostaria de te dizer que EU SOU a privilegiada por ter feito isso na sua vida, QUE EU SOU, A UNICA, A UNICA LHE DEVE UM GRANDE ABRAÇO, E UM GRANDE BEIJO! E que nunca vou parar de escrever, porque sei que existe gente como voce, que precisa de mim, e que eu preciso, pra continuar vivendo. AAAAAAAAAAAAAI COMO EU TO VIADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! E AINDA TO ME COÇANDO PQ ACABEI DE DESCOLORIR OS PELOS TBM, AFINAL VOU PRA PRAIA, E GOSTARIA DE DEIXAR CLARO QUE MESMO COM TANTOOOOS DESEJOS DE FELIZ ANIVERSARIO, MEU ANIVERSARIO VAI SER UMA GRANDE BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOX-TAAAAAAAAAAAAA! ODEIO CALOR, ODEIO MUVUCA, ODEIO GRUDE, ODEIO AQUELE POVO FAROFEIRO, E NEM SALVA-VIDAS GOSTOSOS TEM NAQUELA POHA. ENTAO ESTOU ODIANDO TUDO! E SO AMANDO VOCES S2 BEIJOOOOOOOOOOOOOOOOOOS E CURTAM MUITO! Pq tentei fazer um cap que conseguisse surpreender depois de TODAAAAAAAAAAS AQUELAS SURPRESAS E TIROS DE ONTEM! ENTAO TO ANSIOSA, E NERVOSA COM O QUE VAO ACHAR, E SE VAI SUPRIR AS EXPECTATIVAS S2 S2 S2 BJBJBJBJBBJBJBJBJBJBJBJBJ NO CU E NO LACRE DE CADA UMA ( PQ SEI Q SAO TODAS UMAS VIRGENS FOGOSAS LACRADAS) PS: essa é a musica que Pedro vai tocar, SEI QUE VCS SAO UMAS PUTAS E QUE NINGUEM OUVE, MAS MESMO ASSIM VOU DEIXAR O LINK: http://www.vagalume.com.br/engenheiros-do-hawaii/eu-que-nao-amo-voce.html

Pov Escritora

Na casa dos Duarte, ultimamente tudo estava sendo motivo de comemoração.

Após as festividades de Natal e Ano Novo, Dandara resolveu que um novo jantar em família era o melhor a se fazer, pois, mesmo com informações por meio de Fabi sobre sua filha, Gael continuava estressado e irritadiço, a ponto de explodir a qualquer momento.

Era isso que as festas causavam no mestre de muai thay. Lembranças de um passado não tão distante, mas que para ele doía de uma forma, que parecia haver passado décadas.

– Dandara, me passa o molho?

– Tudo bem, meu amor.

– Bianca, poderia me passar uma colher limpa?– Dandara pediu, mais pra render assunto do que por querer. Suas intenções eram boas, mas a tristeza ali era muito grande pra se tocar em qualquer assunto.

– Aqui Dandara. João me pega o arroz?

– Toma Bianquinha... gostosa.

– O que foi que esse moleque disse?– Gael perguntou, virando-se devagar e parecendo ter acordado de um transe.

– Eu disse toma Bianquinha... A TORTAAAAAA!

– Ah sim.– o homem respondeu avulso, enquanto o nerd ria animado e sua mãe lhe lançava um olhar repreensor.

– Ooow mãe, será que você pode me passar a Bianca? To morrendo de fome.

– JOÃO!

– EU VOU DAR NA CARA DESSE MOLEQUE, PAI!

Bianca se levantou, preparada pra voar no pescoço de João, mas Dandara impediu.

– Por favor, crianças! SEM BRIGA.

– ELE SÓ FALA MERDA!

– Admita logo de uma vez, que me quer nu na sua cama, todo melado de óleo e essências.– João jogou um beijinho, e recebeu uma pratada de feijoada na cara.

– Isso. É pra você aprender. A parar. De ser otário.

Lágrimas brotaram dos olhos verdes do garoto, que havia achado um jeito de colocar no sarcasmo seus sentimentos pela atriz, com medo que ela a destratasse como todos os destratavam, mas aquilo pelo visto não estava adiantando tanto assim.

– Preferia um soco do mestre do que essa humilhação. To indo embora pra outro universo paralelo, mãe.– disse, azedo.

Dandara pela primeira vez desde que a discussão começou, olhou para o namorado que estava quieto de botar medo, mesmo com toda aquela briga rolando, e logo se preocupou.

– Gael? Aconteceu alguma coisa?

O olhar de Gael estava fixo na janela, e até João e Bianca que antes se sarravam de lado, soltando faíscas de raiva, pararam pra observar a cena.

– Karina...

– Meu amor...– Dandara segurou forte o seu braço, tentando transmitir apoio, mas ele estava realmente focado em algo inatendível a eles.

– A Karina... eu não sei...– Gael passou a mão no rosto, sentindo o mundo girar, e suas forças esvaírem.

– Ela ta bem Gael, a Fabi passou aqui ontem dizendo que...–

Antes que Dandara pudesse terminar a frase, o copo que o pai de Karina segurava caiu no chão, causando um estardalhaço de vidro. E ele também.

– PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI????? PAIZINHO? PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI!!!– Bianca foi a primeira a começar a gritaria, tirando o sossego do bairro inteiro.

– ELE MORREU?– João cutucou Gael com o pé, sentindo algo que nunca havia sentido antes por ninguém. Medo da perda.

– GAEL! GAEL NÃO BRINCA COMIGO!– Dandara o sacudia desesperada, sem sucesso de resposta.

– DANDARA, EU VOU LIGAR PRA UMA AMBULÂNCIA!

– CORRE BIANCA! RAPIDO!

– AI MEU DEUS O QUE EU FAÇO? – João pirava, andando de um lado pro outro com sua roupa suja de feijão, enquanto Dandara ajeitava a cabeça de Gael em seu colo e tentava prender o choro e o pavor que sentia, pra não deixar as crianças mais atormentadas ainda.

– REZA JOÃO! REZA MEU FILHO!

Falou, se apegando ao fato do coração do seu futuro marido, continuar batendo acelerado e vivo.

Pov Karina

Fechei os olhos, desistindo da luta, e permitindo que Alan terminasse de puxar o vestido já todo rasgado.

Eu permaneceria daquela forma, sem gritos, sem lágrimas, sem emoções. Passaria por aquilo pensado em coisas bonitas, pensando na primeira vez que vi Pedro se expondo na Wild Passion, na primeira vez que fomos para aquele quarto escuro, que chorei contando para um rapaz que nunca vi, todos os problemas da minha vida. Na primeira vez que marcamos de sair, na primeira vez que saímos e o vi com algo que não fosse apenas um cueca boxer. Na primeira vez, das minhas primeiras vezes. Na primeira vez que recebi uma mensagem sua, dizendo que desistiria do seu próprio trabalho por mim. Na primeira vez, da minha primeira vez de verdade, no seu colchão pequeno de solteiro, na sua casa caindo aos pedaços. Na primeira vez que chegamos à mansão, contentes com as possibilidades maravilhosas que tínhamos em morar aqui. Na primeira vez que ele se abriu, que teve coragem e honra em me contar do seu passado. Na primeira vez, que fizemos o melhor amor das nossas vidas, mesmo que ele tenha ido embora logo após.

Comecei a sorrir, com as lembranças das nossas primeiras vezes me acalmando, e Alan considerou que fosse por ele.

– Eu sabia que você ia se lembrar, Katrina...– disse, cheirando meu pescoço, e puxando o fecho do meu sutiã.

Foi então que abri os meus olhos, e vi algo que NUNCA, NUNCA esperei que fosse ver na vida. Ainda mais naquela hora.

Uma vaca segurando uma frigideira.

Segurei o grito de susto pra Alan não perceber, e o peguei pelos cabelos, afundando seu rosto no meio dos meus seios, para que não pudesse sentir a aproximação de Priscila.

– Hmmmm... cachorra.– Alan gemeu, avulso a menina que vinha rastejante e silenciosa.

“Bate na cabeça deleee” movimentei os lábios, sem pronunciar a frase, e ela entendeu, fazendo sinal de positivo.

Um segundo foi o que bastou, para a secretária firmemente tacar a panela na cabeça de Alan e ele cair no chão desmaiado.

– O QUE VOCÊ TA FAZENDO AQUI?– perguntei, desesperada, ajeitando a roupa.

– Primeiro corre. Depois me agradece.

Em outra condições, eu lhe aplicaria um jeb cruzado bem no meio daquele nariz empinado, mas naquela, a obedeci, correndo e trancando a porta com o nojento lá dentro.

– Me segue.

Sem dizer uma palavra, desci com Priscila até o porão, enquanto ela fazia não sei o que no celular, e eu tentava olhar de soslaio o que tanto conversava. Abri a porta do meu quarto em seguida, deixando espaço para que ela entrasse, e tentando me manter o mais longe possível antes que minha mão sem querer pairasse na sua cara de bruaca.

– Hmmm... que lugarzinho fedorento.– virei-me olhando mortalmente para aquela recalcada, e ela continuou com a pose de madame me encarando, superior.

– Desculpe, queridinha, mas só mora aqui quem não é metido a besta, ou patty.– joguei a direta me sentando na cama com as pernas cruzadas, e analisando o estrago das marcas provocadas por Alan em todo o corpo.

– Ou então... quem assinou um contrato pra ser prostituta e precisa se esconder do homem mais poderoso do Brasil. Acho que existe muitos tipos e níveis de burrice, mas você é o cúmulo.– Priscila disse vitoriosa, e foi aquilo que bastou pra sentir o sangue subir pelo meu rosto e a raiva me dominar.

– Aaaaaaaaaa... sua PRIriguete DO CAPETA!– me levantei, já ajeitando os punhos, e ela foi pra porta, correndo de medo.

– OLHA COMO ME CHAMA! EU ACABEI DE TE SALVAR DE UM ESTUPRO!

– E DAÍ? VOCE. BEIJOU. O. MEU. NAMORADO! NEM QUE ME SALVASSE DE SATANÁS ME FARIA MUDAR DE IDEIA SOBRE VOCÊ SER UMA VACA, DA PIOR ESPÉCIE! SUA SEM LEITE.

– Sua... sua... INGRATA!

– Não sabe nem xingar... coitadinha! Típico comportamento de uma prostituta de motel de esquina.– falei, sínica e fazendo biquinho provocativa.

Priscila foi ficando nervosa, enquanto eu me deliciava e gargalhava observando-a arfar de raiva. Ela não devia ter tanta experiência em barracos quanto eu, era esse o preço por ser namorada de um ex-gogoboy como Pedro.

– E quem disse que eu preciso xingar, Karina?

– Do que ta falando?

– Ta muito óbvio pra mim o que anda acontecendo aqui. Pedro te deixou. Não foi? Alan não se arriscaria a fazer nada se ele estive aqui.

Engoli em seco, não me permitindo chorar na frente da recalque.

– Pedro não me deixou. Ele só foi dar uma volta.– falei, já soluçando, e agora quem sorria abertamente era ela. Havia descoberto meu ponto fraco.

O toque de mensagem do telefone da puta apitou, a impedindo de falar a frase que já se formava na boca. A vi murchar, e a expressão ficar azeda assim que visualizou o torpedo, e fiquei louca de curiosidade pra saber o que estava acontecendo e jogar aquilo contra ela.

– O que foi Priscilinha? Alguém desmarcou O PROGRAMA que você ia fazer?

– Na verdade, o Pedro não desmarcou nada.

COMO ASSIM? O PEDRO?

Sem aguentar mais nenhuma provocação, fui pra cima dela, e a segurei fortemente pelo pescoço, prendendo-a na parede. Priscila já estava sem ar, do jeitinho que eu queria, quando falei:

– O Pedro não troca mensagens com você, sua mentirosa, SONSA. TA SENTINDO ESSA MÃO APERTANDO SUA GUELA??? Ela vai se fechar mais, e mais, e mais, e mais. – Priscila arregalou os olhos apavorada, enquanto eu dizia os “mais” e lhe esganava bem esganada. Coisa que sempre sonhei em fazer, desde aquela maldita noite.

– Mas... é verdade...– disse tossindo, e afrouxei o aperto.

– PASSA O CELULAR!

– Não...

– PASSA ESSA POHA, SUA PRIRANHA!– gritei, sacudindo seu pescoço, mas ela era irredutível.

– Já disse que não...

QUEM AQUELA KENGA PENSAVA QUE ERA? ESTAVA QUASE MORRENDO, E NÃO QUERIA ME DAR O CELULAR? Será que era verdade as mensagens de Pedro... Será que ele realmente tinha me traído? Mas eu descobriria agora, lendo elas, se é que existiam.

Num puxão, tomei o celular de Priscila, ouvindo em seguida ela tossir alto e gritar para que a devolvesse o aparelho.

Senti uma dor profunda, e os olhos marejarem com lágrimas, quando constatei que aquele realmente era o número de Pedro, e que realmente eram muitas as mensagens que eles haviam trocado.

Já estava digitando “Você é um desgraçado, e espero que queime lento e devagar nas profundezas do Inferno junto com a sua putinha magrela” quando por curiosidade, li a última mensagem enviada por ele.

Pedro: Diga a Karina que eu estou voltando.

Fiquei paralisada, olhando pra tela, e provavelmente sorrindo igual uma boba, enquanto a louca gritava:

– EU MENTI! ESSE NÃO É O NÚMERO DELE! ELE NÃO VAI VOLTAR.

“Diga a Karina que eu estou voltando, diga a Karina que eu estou voltando, diga a Karina que eu estou voltando” fechei os olhos, imaginando sua voz grossa e ao mesmo tempo tão doce, dizer aquelas palavras.

– VOCÊ ESCUTOU ISSO KARINA? ELE ME AMA! ELE DISSE QUE ME AMAVA!

Com o meu ser inteiro brilhando de felicidade, dirigi-me a Priscila, inconscientemente segurando a barriga.

– Rala daqui sua mandada.

Joguei o celular pra ela, e não precisei mandar duas vezes pra vadia ralar fora, Priscila seguiu o caminho da rua sozinha, derrotada, e segurando o pescoço machucado.

– Ele vai voltar...– sussurrei sozinha, esparramando na cama, completamente feliz e alegre. Deixando minhas próprias palavras invadirem meus ouvidos.

– Ele vai voltar pra mim...– Pedro, iria voltar pra mim, quando toda e qualquer esperança de que isso fosse acontecer havia desaparecido.

– ELE VAI VOLTAR PRA MIM! ELE VAI VOLTAAAAAAAAAAAAAR!!!

– KARINA?– Beth entrou no quarto preocupada, mas nem olhei pra ela, estava ocupada demais em ser feliz e realizada.

– Ele vai voltar LALALAALALA! ELE VAI VOLTAR LALAALALALALAL! ELE VAI VOLTAAAAAAAAR!

– Ele quem menina? Ficou doida? E esse vestido rasgado?

– O PEDRO BETH! ELE VAI VOLTAR!– pulei da cama, e comecei a abraçá-la e a encher de beijos, Beth sorria sem parar do meu agito. Ela devia sentir falta disso, depois de tanto tempo só me vendo chorar ou comendo porcarias e reclamando da vida.

– E como tem tanta certeza?

– ELE MANDOU UMA MENSAGEM PRO CELULAR DA PUTA DA SECRETÁRIA DA WILD PASSION, DAÍ ELA CHEGOU COM UMA FRIGIDEIRA E ACERTOU O ALAN, QUER DIZER, EU NÃO SEI A ORDEM DOS FATOS MAS EU SEI QUE O PEDRO VAI VOLTAAAAAAAAAAAAAAAAAR PRA MIM, PRA MIM BETH, PRA MIM!!!– falei tudo sem pausa pra respirar, deixando ela confusa.

– Como assim acertaram o Alan com uma frigideira?

– Ta vendo isso?– apontei pra minha roupa e ela balançou a cabeça pra cima e pra baixo.

– Alan.

Beth levou as mãos à boca, chocada, mas eu nem estava ai pra nada, PRA NADA QUE NÃO FOSSE UMA COISA: ele estava voltando.

– Eu vou ver como ele ta, Karina...

– PARADA!

Beth virou estátua e sorri animada.

– Você não vai sair daqui até me deixar linda. Olha pra mim! O Pedro não pode me ver desse jeito.– apontei pra minha cara.

– Ai meu Deus... vamos ter um trabalhão e tanto.

– Sua ridícula!– disse brava e ela logo veio me abraçar gargalhando, e desmontando minha carranca.

De repente, senti a necessidade de dizer algo que há muito tempo guardava. Beth com certeza foi uma das únicas pessoas que me ajudaram a não virar uma louca de pedra, a suportar tudo durante os dois meses sem ele, e a querer ainda que fosse pouco, lutar. Ela com certeza tinha se tornado algo, que nunca imaginei que aquela empregadinha que cantava meu namorado descaradamente, tornaria: uma amiga.

– Beth, acho que eu te amo.

Pov Esther

Cantarolando o novo sucesso do carnaval de 2014, entrei na casa carregando o bichinho mais fofinho que consegui encontrar no petshop, dentro de uma caixa.

De início achei muito estranho chegar e não escutar nenhum barulhinho de televisão ligada (Jade era viciada em desenhos), mas daí, vi uma coisa que poderia ser considerada muito mais estranha que aquele silencio perturbador.

Jade se encontrava deitada, com os cabelos todos bagunçados, e um sorriso bobo no rosto, enquanto olhava pensativa pro teto e não movia um músculo.

– Ué Jade, cadê o Cobra?

– Ta no quarto.

Ok, aquilo sim era MUITO MUITO MUITO MAIS ESTRANHO! Desde o dia que viemos morar aqui, todo o tempo livre dele era do lado dela. Sem exceções.

– Fazendo o quê?– perguntei, estava curiosa demais com aquela situação nova.

– Arrumando minhas roupas.

– ESPERA. VOCÊ VAI DORMIR LÁ?

Jade se sentou meia grogue, enlarguecendo mais ainda o sorriso, e me deixando com a certeza que algo rolou ali. Eu não era boba, mesmo com a pouca idade, sabia de tudo o que ela nem sonhava saber.

– Vou sim... eu acho que preciso te contar umas coisas Esther... e elas são bem loucas... O QUE É ISSO?– apontou pra caixinha, interrompendo o pensamento.

– Esse é o Negresco.– falei, tirando o gatinho pretinho e orelhudo da caixa, entregando a ela com cuidado.

– AI MEU DEUS! COMO ELE É FOFOLETI!– Jade pirava, matando o gatinho de tantos abraços apertados, e resolvi pegá-lo de volta antes que o “MATANDO” saísse de figura de linguagem para realidade.

– Deixa o Negresco brincando dentro da caixa e me conta TUDO o que aconteceu aqui. TUDO.

– Eu tenho tanta vergonha...– Jade corou, e todas as minhas ideias se confirmaram. MEU SHIPP FAVORITO TINHA TRANSADO!

– Eu sei exatamente o que houve Jade, não precisa ter vergonha.– falei, segurando suas mãos, e vendo ela suspirar algumas vezes antes de desembuchar:

– Eu descobri o que os meninos têm embaixo.

Segurei o sorriso pra não constrangê-la mais ainda, e comecei a incentivá-la a contar.

– Eeeee.... O que houve depois? Ele tirou sua roupa? – AQUILO ERA TÃO EXCITANTE! UAU, NUNCA PENSEI EM TODA MINHA VIDA QUE CONVERSARIA UMA COISA DAQUELAS COM JADE! Até porque, eu era proibida por Pedro a conversar sobre essas coisas com ela, mas agora era diferente, agora Pedro sumiu e tínhamos liberdade para ser amigas por completo.

– Ele tava com toalha, e tirou ela primeiro. Então eu peguei...

– E foi bom?

– Foi. Muito bom. Até senti o amor...

– O amor? Como assim?

– Aquela coisa que a gente sente embaixo das pernas.

– Aaaa sim... o tesão. Nossa, Cobra se saiu muito bem nas explicações hein.

Sabia que ele iria poupá-la das safadezas, mas poxa! Era injusto com o Cobra também! Ter que ensinar pra uma mulher tudo o que ela já deveria ter no mínimo uma pequena noção. Eu o ajudaria com isso, não me servia com essas injustiças.

– Vou te ensinar umas coisas, Jade.

– O quê?

– Como fazer o seu namorado “sentir o amor”.– sussurrei baixinho, e sorrimos cúmplices.

– E como eu posso fazer isso?

– Linda você já é. Perdidamente apaixonado por você, o Cobra também já é. Então vai ser tudo muito fácil, vou te ensinar umas expressões pra falar na hora do “amor”, comprar umas roupas pra você quando for dormir com ele, e explicar exatamente o que deve fazer. A GENTE VAI DAR UM SUSTO NO COBRA! HAHAHAHAHAHAHA.

– Mas eu não quero dar susto não!– gritou, inocente.

– Falei errado Jade, eu quis dizer surpresa, mas me conta mais! Ele enfiou alguma coisa em você?– encostei pra mais perto dela, não queria perder nada do que falasse.

– Não, não! Eu até pedi na hora... não sei porque queria aquilo, mas Cobra não quis enfiar nada.

AAAAAAAAAAAAFF! Então eles não tinham transado. Mais trabalho pra babá.

– Regra número 1 pra quando você quiser que o Cobra sinta o amor: peça pra ele enfiar, arfando.

– An?

– Isso, você vai falar coisas como: “ me come”, “mete em mim” , “me fode inteira, por favor”.

– Não entendi.

– E NEM PRECISA ENTENDER NADA! Só falar! Confia em mim?

Jade balançou a cabeça que sim, mas eu planejava explicar muitas outras coisinhas durante nosso passeio.

– Agora vamos pra segunda parte do plano. Produção. VAMOS AS COMPRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAS!

– EU AMO COMPRAS!

– E VAI ADORAR UMA LOJA INCRÍVEL PRA QUAL EU VOU TE LEVAR!

A Fábrica de Calcinhas da Winnie, com certeza seria nossa próxima parada.

– COBRAAAAAAAAAAAA! Eu e Jade estamos indo passear.

– Aonde vocês vão?– ele perguntou, saindo do quarto, com o mesmo sorriso bobo que vi em Jade quando cheguei.

– Fazer compras.

– Ah nãaaaaao Esther... vai sozinha, deixa a Jade comigo. To com sono e quero dormir.– implorou manhoso.

AQUELE SAFADO TINHA AUDÁCIA DE MENTIR DESCARADAMENTE SOBRE O QUE FARIA COM JADE DEPOIS? Coitado, mal sabia a surpresa que teria mais tarde.

– Você não vai ficar sozinho.– arqueei a sobrancelha e ele fez cara de confuso.

– Vai ficar com o Negresco.

– Quem é Negresco?

E como se pra responder sua pergunta, o gato lhe deu uma mordida no pé, ficando pendurado pelos dentes enquanto Cobra se sacudia inteiro e gritava para que o ajudassem a tirar aquele demônio da sua pele.

– Esse é Negresco.– confirmei, imaginando como aquilo parecia ser, o início de uma grande amizade.

Pov Pedro

– Quer casar comigo?

Levantei o anel de brilhantes azuis, olhando pro meu reflexo no espelho e imaginando Karina.

– Isso ta uma MERDAAAAAAAAA. RAM RAM.– pigarreei, me ajoelhando e fazendo minha melhor cara de apaixonado, e um bico sedutor.

– Karina Duarte, você aceita ser minha esposa?

Mas a maldita cara de apaixonado logo mudava pra: “DIGA QUE SIM PELO AMOR DE DEUS, PELO AMOR DE DEUS!”

– DROGAAAAAAAAAAAAA!

Guardei o anel de novo na caixinha, e comecei a jogar água no rosto, pra ver se melhorava meu estado, que estava deplorável demais pra pedir a mulher da vida em noivado. Então, ligeiro, fiz a barba e cortei o cabelo para parecer no mínimo apresentável. Tinha que ser rápido, precisava ver se Karina estava bem, se não estava machucada, se não sentia medo.

Precisava chorar se for preciso, me arrastar, me humilhar para que ela me perdoasse pelo grande mal que a fiz, deixando-a com um doido, que nunca deveria ter levado a sério.

Eu não fui homem para Karina, e tinha que reverter aquilo o mais rápido possível, sendo um de verdade. Sabia que aquele era o pior momento pra pedir ela em casamento, ou qualquer coisa, mas durante esses meses aprendi algo valioso: não deixe pra fazer depois, o que você pode fazer agora.

Decidido, joguei mais um pouquinho de água, suspirando fundo e pegando o pacotinho com o anel e a carteira.

Deveria estar mais preocupado em bater em Alan e arrancar suas tripas do que qualquer coisa, porém, depois da decisão enquanto enlouquecia no sofá, aquilo de casamento não saia da minha cabeça de jeito nenhum. Como eu pediria? Seria perfeito? Pior, ela aceitaria? Ela me perdoaria por aquilo? Ela...

– Para, você vai ficar pirado.– falei, segurando minha cabeça, e saindo pela porta no ar gelado da noite.

O plano era: pegar uma condução, chegar naquela mansão quebrando tudo, matar Alan com qualquer objeto cortante que achasse pela frente, sequestrar Karina, pedir ela em casamento, se ela aceitasse, endoidar muito e se não... E se não?

Certo Pedro, primeiro foque na primeira parte do plano. Pegar uma condução.

Ansioso e tremendo, enxuguei o suor das mãos na calça, e parei em frente ao ponto de ônibus. A rua estava deserta e de botar medo, deviam ser por volta das 2 da manhã, e não se via nada a não ser um garotinho andando de bicicleta de rodinhas pra lá e pra cá e um senhor que parecia ser seu pai o vigiando pela janela.

AN? ANDANDO DE BICICLETA ÀS 2 DA MANHÃ? E depois eu que era o anormal.

Esperei 1, 2, 30 minutos e nada do ônibus chegar, pra piorar mais ainda minha situação de quase noivo desesperado.

Quando não aguentei mais a espera, fui até a janela pedir informação para o senhor.

– Moço, você sabe que horas a condução vai passar hoje?

– Ela não vai passar mais hoje, garoto.

– O QUÊ?

– Não ta mais rodando à noite.

– ISSO NÃO PODE ESTAR ACONTECENDO!– pirei. Não sairia nem da primeira parte do plano.

– Pra que tudo isso? Tem alguém morrendo do outro lado da cidade?

– PRECISO PEDIR UMA MULHER EM CASAMENTO! VOCÊ NÃO TA ENTENDENDO O DESESPERO AQUI.

– Olha... já passei por isso rapaz, na minha época de jovem...

O homem começou a contar toda a sua história de vida, desde pequeno, e eu só conseguia olhar pra todo lado desesperado, esperando que pelo menos uma nave espacial estacionasse ali e me levasse até a mansão. Mas isso não ia acontecer, eu não iria conseguir chegar lá andando aquela hora da madrugada, teria que ir amanhã de manhã.

– ... mas se o meu filho permitir, você pode pegar a bicicleta dele emprestada, isso tu vai ter que resolver com ele!– prestei atenção somente na última frase, e agradeci a todos os santos de que lembrava o nome, por aquela bicicleta ter rodinhas.

– VALEU!

Correndo desesperado, parei na frente do garotinho com os braços abertos, impedindo ele de desviar.

– PRECISO DA SUA BICICLETA!– pedi, melhor: eu ordenei, e o menino de uns 8 anos sorriu achando graça.

– E o que te leva a pensar que eu vou emprestar?

Suspirei, colocando as mãos na cintura. Aquela seria uma negociação difícil, mas nada era fácil pra Pedro Ramos mesmo. Estava começando a achar que tinha alguma Síndrome de azar.

– Te dou 50 reais pelo empréstimo.

– Isso é muito pouco – o garoto alargou ainda mais o sorriso. Parecia um mini demônio dos negócios. ARRRRG!

– 100 reais, é tudo o que eu tenho.– peguei o dinheiro da carteira e o estendi, mas ele recusou.

– Minha bicicleta é muito valiosa pra isso.–

E o que seria bom o suficiente pra um menino da idade dele? Comecei a trabalhar com a cabeça, pensando até soltar faíscas.

Doces? Não, já devia ter passado dessa fase.

Dinheiro... ele já tinha rejeitado.

Mulheres? Não custava tentar.

– EI MENINO!– gritei, quando ele já ia dar a ré pra entrar em casa.

– Não enche o saco.

– Você já viu uma mulher pelada?

Os olhos sapecas do garoto se arregalaram, e em segundos ele estava do meu lado, desmontando da bicicleta.

– Quer me mostrar uma?– perguntou, malicioso.

Sim, eram as mulheres, EU TINHA ACERTADO EM CHEIO!

– Eu te mostro. Mas você precisa prometer que não vai descrevê-la pra ninguém, e que vai me emprestar sua bicicleta.

– Fechado.

Ele estendeu a mão, parecendo um adulto, e eu apertei, fechando o contrato. Karina não precisava saber daquilo.

– Só que se ela não for gostosa...

– Ela é gostosa. Confie em mim.– respondi, procurando a única foto que tinha de Ka no meu celular.

Achei a foto, porém antes de entregar o celular, deixei as ultimas instruções:

– Tem 10 segundos para olhar, e depois me devolve.

– 10 SEGUNDOS É POUCO!

– Quer que eu conte pra seu pai que fechou contrato pra ver mulher nua?– ameacei.

– Você é sujo, muito sujo.– o menino falou ácido, me olhando mortífero. E eu sorri, imaginando que experiência incrível seria ter um filho assim. Só que fora de cogitação.

– Toma.

Entreguei o telefone e vi o menino babar, pregando os cílios na tela. Claro que senti um pouco de ciúmes, mas eram apenas 10 segundos, e por uma causa nobre.

– Cara, olha o tamanho dos peitos dela.

Aquele pirralho estava abusando da sorte.

– Me dá esse telefone, já passaram os 10 segundos.

– O QUÊ?– ele gritou, quando tomei o celular e montei na bicicleta, tentando me equilibrar meio torto.

– MAS EU CONTEI E NEM FORAM 5 SEGUNDOS!

– PERDEU PLAYBOY!– gargalhei, dando as primeiras pedaladas, e sentindo o ar balançar meus cabelos.

– SEU DESGRAÇADO! ELA NEM ESTAVA SEM CALCINHAAAAAAAAAaaaaaaaa...

Escutei o grito final ir se perdendo, e ir se perdendo, e aquilo confirmava que eu estava me afastando. Me afastando da favela, da vida antiga de solidão, me afastando das coisas, e voltando para as que me faziam bem. Ou melhor, para a que me fazia bem.

– KARINAAAAAAAAAA! EU ESTOU VOLTANDOOOOOOOOOOO PRA VOOOOOOOOOOOOOCÊ!– gritei sorridente, pro vento levar minha mensagem.

Então, a partir de hoje, se alguém lhes contar que numa noite quente de 25 de janeiro de 2014, viu um rapaz, montado em uma bicicleta de rodinhas (roubada), gritando sozinho pelas ruas do Rio que estava voltando pra uma tal de Karina, acreditem, este rapaz fui eu, e isto aconteceu.

Eu era oficialmente, um desesperado por um “Sim, eu aceito!”

Pov Karina

– ELE NÃO VAI VOLTAR! ELE DESISTIU! EU SABIA QUE ELE NÃO VOLTARIA! – era a quinta vez que eu gritava a mesma coisa, fazendo um furo no chão de tanto andar, e Beth batia na própria testa, cansada de me acalmar.

– Karina, só fazem duas horas.

– DAQUI A POUCO SÃO DOIS DIAS BETH! DOIS MESES! DOIS ANOS! DUAS VIDAS!– me joguei na cadeira, olhando pro espelho redondo e pras minhas olheiras persistentes.

– Não dá pra se apegar a Deus um pouquinho?

– Estou desesperada...

– To vendo.

– Você acha que ele vem mesmo?– virei com cadeira e tudo, procurando uma palavra de confiança pra suprir toda aquela ansiedade.

– Eu tenho certeza que ele vem.

Beth se aproximou, pegando a escova de cabelo e indo pra trás de mim.

– Agora vamos arrumar esse cabelo. Como você quer?

– Não to preocupada com o cabelo. To preocupada com a roupa. Acha que ele vai gostar dessa blusa vermelha?

– Acho que ele gostaria que você aparecesse nua.– Beth falou debochada, rindo.

– SA-CO BETH! FAZ LOGO UMA TRANÇA EMBUTIDA AÍ!

– Mandona.

Beth bufou com a boca, me obedecendo e penteando o cabelo suavemente. Os movimentos das suas mãos era a única coisa que me acalmavam naquele instante. Eu pressentia que algo estava prestes a acontecer, algo que mudaria minha vida pra sempre, mas não sabia exatamente o que era. Estava agoniada.

– Pronto. Ficou linda.

Fiquei em pé, avaliando-me por completo. Os braços gordinhos, a barriga estufada, os peitos querendo sair da blusa, e até minhas coxas estavam saltando no short.

– Beth. Se você fosse um homem... se voltasse pra ver a mulher que sente atração, a que eu era antes, chegasse e se deparasse com essa daqui... – apontei pra mim. – Desistiria dela?

– Posso ser sincera?

– É a única coisa que quero que seja.

– Você ta pirando por algo que nem faz sentido pirar. Pedro é louco por você, e continuaria sendo nem que estivesse toda desfigurada.

As palavras dela me soaram como sinos da calmaria, e logo relaxei.

– Normalmente, quando uma relação começa por causa da carne e da paixão, não dura muito. Nesses meses pensei que talvez fosse isso que aconteceu com a gente.– me abri.

– O relacionamento de vocês pode até ter começado por conta disso, mas acredito eu, que ninguém assinaria um contrato daquele por causa da carne, que ninguém largaria a irmã doente por causa da carne, que ninguém faria um terço das coisas que os dois fizeram por causa da carne. Karina, isso é amor.

Assim que Beth terminou de fazer seu discurso, escutamos algumas notas agudas de piano vindas de cima do teto.

Joguei a cadeira longe, e sai correndo pela porta antes que ela pudesse soltar até o ar preso nos pulmões.

– Pedro. É ele.– sorri nervosa e boba, e ela retribuiu o sorriso.

– Corre! Deixei o piano na sala principal.

– TO INDO!

– ESPERA, KARINA!

Só o grito de Beth me fez permanecer parada, quando todos os músculos do corpo eram puxados para ir de encontro ao dele, no andar de cima.

– O quê?

– Ta faltando isso.

Beth tirou algo do bolso, que pensei que nunca mais teria a oportunidade de ver.

A pulseira de Mogno.

– AONDE VOCÊ ACHOU ISSO? PROCUREI A CASA INTEIRA!– realmente tinha ficado desesperada, quando me dei conta da merda que havia feito jogando-a fora.

– Eu tava guardando, caso você decidisse querer quebrá-la de novo. Achei varrendo seu quarto e consertei.

– BETH, VOCÊ É UM ANJO!

Voltei , peguei a pulseira, coloquei-a no braço (lugar que não deveria ter saído) e enchi Beth de beijos pela milésima vez no dia.

– Para de grude. CORRE PRO PEDRO!

Assenti sorridente e completa com a minha pulseira, fazendo exatamente o que ela ordenou.

Corri para Pedro. Corri para o começo da minha nova vida.

Pov Pedro

Já estacionei a bicicleta caindo e derrapando no jardim. Ótimo! Agora eu seria um pretendente sujo de terra.

Limpando a lama da calça, olhei pra frente, me deparando com a calcinha de Karina. Ninguém tinha tirado aquilo dali ainda?

– Argg que bosta.– resmunguei, ainda batendo a calça suja, até sem querer pisar numa tulipa vermelha.

Peguei a tulipa do chão e fiquei observando ela, olhando assim sem interesse algum, como se eu devesse fazer algo com aquela coisa... mas o quê?

– Pedro seu otário... tá óbvio. TÁ ÓBVIO COMO VOCÊ VAI PEDIR PRA ELA!– disse a mim mesmo, animado por tudo finalmente estar dando certo.

Com pressa catei umas 30 tulipas e fiz um buque, indo em direção a porta de entrada da mansão e a abrindo.

Não esperava que ali estivesse tudo arrumadinho, bonitinho, e no lugar, mas também não estava preparado para o que vi. Senti uma coisa estranha vendo aquelas teias de aranha dominarem cada espaço existente da sala, vendo que retiraram todos os móveis e só permaneceram alguns quebrados ou mofados. E o pior, vendo que um dos quebrados, era o meu piano.

– O que foi que fizeram com você?– perguntei ao meu amigo, sentindo uma dor tremenda que ocupava todo o meu ser.

Passei meus dedos sobre a superfície quebrada da cauda, que pelo menos, não tinha afetado as teclas e nem o som que o piano produzia.

Ainda muito triste, e com um pesar grande no coração por aquele estrago, me sentei no banquinho, e inalando profundamente o cheiro da noite e do mofo de coisas velhas e esquecidas, cantei e toquei o que queria transbordar de todo jeito da alma.

– Eu que não fumo, queria um cigarro. Eu que não amo você... envelheci, dez anos ou mais, nesse último mês...– os dedos se moviam ágeis no teclado já tão conhecido por mim. Enquanto eu continuava cantando a dor e a sinceridade.

– Senti saudades... vontade de voltar. Fazer a coisa certa. Aqui é meu lugar... mas sabe como é tão difícil encontrar aaaaa... a palavra certa, a hora certa de voltar.

– A porta aberta, a hora certa de chegar.

Fiz o dedilhado final, deixando o doce som invadir meus ouvidos. Mas nada tão doce do que escutei em seguida.

– Pedro?

Karina me chamou pelo nome, de cima da escadaria. E ela estava tão linda quanto eu me lembrava que era. E OS PEITOS ENORMES MESMO! MEU PAI.

– Me desculpa.

Foi a primeira coisa que consegui dizer, antes das lágrimas de remorso me possuírem, e eu cair nos prantos. Aquilo era uma merda, porque não estava no plano ser um chorão babaca.

– Você não tem culpa de nada.– ela respondeu, sincera, sem tirar os olhos de mim, assim como não tirava dos seus azuis.

Sem pensar em mais nada, peguei as flores de cima do piano e corri até as escadas, me ajoelhando aos seus pés, agarrando suas pernas.

– Pelo amor de Deus, Karina, só diz que me perdoa.– implorei, deixando as lágrimas escorrerem pelos seus tornozelos.

– Pedro. Eu já disse que você não tem culpa de nada. Pra quem são essas flores?– ela perguntou, dando um sorrisinho, e eu funguei, parando de chorar, e pela primeira vez a encarando de baixo.

– Acho que alguém gosta de tulipas.

Entreguei as flores e ela sorriu radiante, mas não tão radiante quanto ficaria quando eu fizesse o pedido, que por sinal, estava na hora de ser feito.

– Eu sei que sou um idiota, que fiz coisas estúpidas, que te machuquei durante esses últimos meses, que estou te afundando na desgraça, Karina...

– Pedro...– ela começou a me interromper, ficando brava pelo o que eu dizia, mas precisava falar aquelas coisas pra me sentir limpo.

– Espera, deixa eu terminar.

Tirei a caixinha do bolso, sem perder seu olhar arregalado de susto quando a viu, e sem sorrir da reação que a havia causado.

– Mas se eu ficar longe de você, só vou te afundar mais ainda, e me afundar mais ainda. Esse tempo foi bom apenas pra uma coisa: descobrir que não sou ninguém sem você, e que quero oficializar isso, que sou seu.

Abri a caixa com um dedo, me ajeitando e ajoelhando direito. Ela segurava no corrimão, alguns cabelos saindo revoltos da trança, enquanto sua mão já pairava no coração, e sua boca ficava roxa.

– Quero te fazer uma proposta.

– AI MEU DEUS!– Karina surtava, e tive que rir.

– ANDA LOGO!– levei um tapa forte da minha namorada, bom pra relembrar os velhos tempos, e tratei de parar a tortura.

– Karina Duarte...

– AI SENHOR, AI, AI, AI!!!!!!– Ka gritava, enquanto eu pegava sua mão pequena e delicada, e retirava o anel da espuminha.

Agora, eu não temia de forma alguma um “não”, porque sabia exatamente o que os seus olhos marejados e emocionados me diziam. Um sim, UM SIM!

– Alguns infinitos são maiores que os outros. E eu te amo do tamanho do maior infinito que há.

Ka mudava de branca, pra roxa, pra amarela, pra azul, e seu rosto foi ficando estranho de botar medo. Ela parecia... estar sentindo nojo de mim? ERA MELHOR FAZER O PEDIDO LOGO!

– Você aceita se casar comigo?

Ka abriu a boca pra falar, mas não conseguia dizer, só gaguejava.

– Eu-eu... acho que...

– Acha que? Sim?

Ela se segurou forte, com as duas mãos no corrimão, olhando pra baixo, e corri para segurá-la pela cintura.

– KARINA! O que ta acontecendo?

– Eu...

Ela me deu um arroto no meio da cara e fiz careta. Aquilo era jeito de dizer sim?

– ECA!– resmunguei.

Porém, nada tão nojento, do que a vomitada certeira no meio da blusa que recebi em seguida.

– Pedro... eu acho que vou vomitar.– ela falou, como se eu já não soubesse que tava passando mal.

– VOMITA NO CHÃO!

Segurei sua trança, apontando a cabeça de Ka pra baixo, e vi mais 2 minutos de vômitos insistentes, de alguma coisa gosmenta e laranja...

– O que diabos você anda comendo?

– Abocolatetatinha.– conseguiu falar, antes de outra jorrada de vômito.

Já estava começando a ficar extremamente preocupado, Karina estava vomitando tudo o que tinha no corpo, e não parava, não parava.

– Acho que terminei.– Ka disse, se sentando no degrau com a mão na barriga.

– Você ainda não me deu a resposta.

Sabia que não era o momento de insistir, MAS EU PRECISAVA!

– Pedro...

Ka apoiou a cabeça no meu colo, fechando os olhos calmamente. Passei o dedo pelo seu pescoço, e ela suava frio.

– Fica acordada. Vou te levar pra um hospital.– avisei, mas Karina balançava a cabeça e sorria.

– Eu aceito Pedro. Eu aceito.

Falou de repente, me fazendo o homem mais feliz do mundo, e depois, o mais desesperado.

– KARINA?– bati levemente no seu rosto, só que ela não acordava.

– ME RESPONDE!– eu a sacudia, transtornado, mas Karina continuava desmaiada com o sorriso no rosto.

– SOCORROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! BEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEETH!– gritei.

– ALAAAAAAAAAAAAAAAAN!– gritei mais.

QUE INFERNO DE CASA ERA AQUELA QUE NINGUÉM RESPONDIA?

Enlouquecido, peguei minha noiva no colo, e sai correndo em disparada pelo jardim, pra pedir ajuda no meio da rua se fosse preciso. Mas não, sem antes, colocar o anel de noivado no seu dedo sem vida e adormecido.

Pov Alan

Acordei zonzo escutando algo que parecia ser gritos de Pedro. Passei a mão pela nuca aonde sentia doer, e ela voltou toda suja de sangue. Então comecei a tentar me lembrar o que teria causado aquilo... teria sido Pedro? Aquele desgraçado teria atrapalhado meu momento com Karina e batido em mim??

Ainda tonto, fui tentar abrir a porta, mas a bosta estava trancada, e sem a chave.

Tomando coragem e impulso, corri pra trás me jogando contra ela, e conseguindo arrombá-la logo na primeira tentativa.

– Alan?– Beth me chamou pelo nome, assim que sai no corredor.

– O que foi que aconteceu aqui?– perguntei, avulso a absolutamente tudo o que se passava.

– Pedro gritou!

– Ele ta aqui? EU VOU MATÁ-LO BETH!

– PELO AMOR DE DEUS, NADA DE BRIGA!

Sem escutar a empregada, desci furioso soltando foguete pelo nariz, o corredor, e a escada, pronto pra acabar com a vida de Pedro se ele tivesse ousado encostar em Karina.

– ALAN, VOCÊ ME OUVIU? SE FOR PRA BRIGAR, EU JÁ LIGO PRA POLICIA!

Bati com vontade a porta de fora, vendo aquele palhaço gritar no meio da rua por socorro. Mas que diabos era aquilo... ele estava segurando Karina?

Corri rapidamente até me aproximar o bastante pra ver ela morta nos braços dele, e perceber que minha vida tinha acabado ali também.

– O QUE FOI QUE VOCÊ FEZ COM ELA?– gritei, sentindo medo de perdê-la e as lágrimas escorrerem pelas bochechas.

– Não grite comigo. Karina só ta desmaiada, precisamos levar ela pra um hospital, urgente.

Só não dava um murro na cara de Pedro, e o jogava do outro lado da calçada, porque estava segurando ela.

– Vou buscar o carro.– falei afobado, pronto pra sair correndo de voltar e buscar as chaves.

– ESPERA ALAN!

– O que foi?– virei-me pra Pedro, olhando-o com minha melhor cara de desprezo, e ele revidava, também sentindo nojo.

– Ta vendo isso aqui?

Pedro suspendeu a mão amolecida de Karina, me mostrando um anel.

– Karina é minha noiva agora, e se antes eu já não queria você por perto, devo dizer que agora o quero LONGE DELA. OUVIU BEM? LONGE!

Escutar aquilo, foi como sentir o meu próprio coração se despedaçando em cinco. Tinha que ser mentira, ela não podia ter aceitado ficar com ele. Pedro iria me pagar por mentir daquela forma.

– Colocar um anel na mão de uma garota desmaiada é meio psicótico, não acha?– falei, vendo Pedro cerrar os dentes, e quase colocar Karina no chão pra voar em cima de mim.

– PSICÓTICO, É TENTAR ESTUPRÁ-LA, SEU FILHO DA PUTA!

– POR FAVOR, VOCÊS DOIS, A MENINA PRECISA DE UM MÉDICO!– Beth interrompeu, me lembrando da prioridade.

Sai correndo de volta pra casa, mas não sem antes escutar o grito final de um Pedro revoltado e decidido, no meio da rua:

– ESPERE SÓ DESCOBRIRMOS O QUE ELA TEM E VOLTARMOS PRA CASA ALAN! SIM, PORQUE EU VOLTEI E PRA FICAR! E QUANDO TUDO ISSO ACABAR, VOU PARTIR SUA CARA NO MEIO E AINDA CHORAR FALSAMENTE NO SEU ENTERRO!

Notas finais
EU PROMETO, COMO FUTURA ENGENHEIRA, QUE MESMO QUE O PRÓXIMO CAPÍTULO DEMORE A SAIR, QUE MESMO QUE EU DEMORE A RESPONDER VCS, QUE MESMO QUE EU PRECISE MORAR NA CASA DO TÉCNICO QUE CONSERTA O COMPUTADOR... O PRÓXIMO CAPÍTULO SERÁ O QUE MAIS ME DEDICAREI A VOCÊS. O.MELHOR.CAPÍTULO.DA.MINHA.VIDA. PEÇO QUE CONFIEM EM MIM E NÃO LHES DECEPCIONAREI. O PROXIMO CAPITULO SERÁ DAS DESCOBERTAS E REVELAÇÕES, E LÁ VAI MEU SPOILER: QUEM É IRMÃO DE QUEM? QUEM TRANSOU COM A MULHER DE QUEM? QUEM VAI PERDOAR QUEM? QUEM TÁ GRÁVIDA DE QUEM? QUEM VAI DESCOBRIR QUE A FILHINHA TA GRÁVIDA E NÃO SABE QUEM É O PAI DE QUEM? Isso, eu já sei. Mas vocês, só vão descobrir: no próximo capítulo da fanfic mais sem noção do Brasil. MORREREI DE SAUDADES DE CADA UMA. CADA UMA. E NUNCA DUVIDEM DISSO! #partiu #achar #meu #diego #amaral