Colégio Santo Agostinho, Leblon, 1997.
– Sabe do estereótipo de carinha de subúrbio que estuda pra cacete e se debanda pruma escola que dizem que é boa? Então. Não sou eu. Começa pelo nome: Rafael Pereira Guilherme de Queiroga. Meu pai é vereador...

- É, eu sei.

- Não tem dinheiro pra pagar escola boa, andar assim de Sergio K, esse Nike bonitinho que tu ta vendo aí, ó... Vou te contar mas tu nãofala pra ninguém não, hein, ô virjão.- Arrã.- A minha mãe, ela recebe por cima.- Como assim?- Tipo, bolsa família dos pivete, dinheiro dos véio... Passa a mão, ta entendendo? Inventa lá um nome, inventa um número de CPF e cadastra, meu pai sabe umas gambiarras. Aí inventa o nome, mó galera, só que nenhum existe.

- Laranja.

- Espertinho, hein? Tu também ta metido nessas, Marça?

- Não. Meu pai faz uns jingles. Música de sabão. E meu nome é Marcelo França Adnet, po, ta me tirando?

- Ó o marrentinho da Zona Sul... – Rafael zombou.- Mas ó... Se tu contar... Eu to falando, eu te mato. E tu morre virgem, então é bom tu ficar caladinho aí desse jeito que tu é.

- Quê isso.

- Também tem outro esquema lá, eles pegam os cartões dos... Oi princesa!

- Oi Mari

.- Oi Marcelo. Oi amorzão!
A conversa é interrompida por uma garota linda, de cabelos vermelhos. Mariana, que dá um beijo apaixonado em Rafael.


Existe uma teoria de que toda patricinha adora um cafajeste. Mariana e Rafael fazem parte das estatísticas. Ela é de São Conrado, ele é um carinha ali da fronteira, entre Vidigal e São Conrado. Malandro, espertão... Elas adoram. E o carinha estranho ali, o Marcelo, gosta dela. Desde a quinta série. Só que ele nunca disse nada. Ela não gosta de certinho, arrumadinho, inho.

– Tô indo, Rafa. Bateu o sinal, já já passa aquele padre chato lá mandando todo mundo entrar.

- Vai lá, virjão. — Rafael despediu-se por fim, rindo.
Marcelo se retira e Rafael continua a beijar Mariana.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.