Notas iniciais
Mais um cap, espero que curtam ele ^^

Eu estava deitado debaixo de uma frondosa árvore que ficava no pátio do meu colégio. Sempre que conseguia, eu matava alguma aula chata e ia para cá, tentar dormir um pouco. Sorte é que essa árvore era grande o suficiente, para que ninguém me visse por ali.

Ajeitei-me melhor, deitando minha cabeça na mochila, e quando estava conseguindo pegar no sono, eu escutei passos vindo em minha direção. Abri os olhos para ver se não era o diretor, mas nem tive tempo para pensar direito, pois no mesmo instante, senti meu melhor amigo sentando-se com tudo, em cima de mim.

- Ittai... Mais cuidado aí, Nino! Você sentou com toda a força numa área sensível, sabia? – reclamei, mas ele só fez abrir um sorriso sapeca.

- O que foi? Está falando daqui? – perguntou sarcástico, pondo a mão entre minhas pernas. Corei, tirando-o de cima de mim e fazendo-o rir.

- Olha essa mão, folgado!

- O que foi? Eu machuquei o seu precioso?

- Engraçadinho você, né?! O que quer aqui? – perguntei mais para mudar de assunto, pois estava ficando constrangedor.

- Nada, só senti saudades! – piscou travesso. Eu, no máximo, revirei os olhos e voltei a deitar.

Ninomiya Kazunari é meu melhor amigo desde sempre. Eu sou dois anos mais velho do que ele, porém ele nunca se importou com isso. Ainda mais que crescemos juntos, graças a amizade de nossas mães.

Só que nessa história toda, sempre tem um “mas” e o meu, é que com o passar dos anos, o sentimento de amizade que sempre senti por ele, subiu de nível. Sim, foi o que entenderam, eu era e, ainda sou, apaixonado por aquele garoto viciado em games e programas de computação.

O problema era que achava que ele não gostava de mim. Pelo menos não do jeito que gostava dele.

- Então, já matou a saudade? – perguntei me fingindo de sério, sem abrir meus olhos.

- Não matei não! – ele se deitou ao meu lado e ficou cutucando minha bochecha com um dedo – Oh-chan está bravinho, é?

Eu não disse nada, só me virei de costas para ele, fingindo que iria dormir. Mas sabia que ele não respeitaria aquilo e me provocaria até me ver rindo.

- Oh-chan está bravo comigo, acho que vou chorar. – falou Nino e tive que fazer um esforço sobre-humano para não rir – Fica assim não, eu prometo que serei um bom menino se o Oh-chan falar comigo.

Fiquei quieto só escutando-o usar aquela vozinha manhosa dele. O esperto sabia que aquilo me derretia, mas daquela vez decidi ser forte, só para ver a próxima tática dele. Algo que nunca pude descobrir, já que, como disse, me rendia fácil pela voz manhosa.

- Hum... Estou vendo que dessa vez será mais difícil, então irei usar minha arma secreta. – mal falou e começou a me encher de cócegas.

- Para... Para... Isso é golpe baixo! – falei entre risos.

- Até que enfim, já estava achando que estava bravo mesmo! – disse fazendo um bico.

Céus, como era difícil me controlar para não agarrá-lo! Mas eu sempre conseguia resistir, ao lembrar de que poderia perder a amizade dele, caso ele descobrisse meus sentimentos. Ficamos deitados, lado a lado, só apreciando a presença um do outro. Foi nesse silêncio todo, que me lembrei de algo.

- Nino, você não estava na aula? Como conseguiu sair? – perguntei, olhando para ele, curioso.

- Estava sim, mas comecei a ficar entediado e fingi que estava passando mal, então o sensei me liberou. – respondeu com um sorriso inocente.

Revirei os olhos, mas logo nós dois caímos na gargalhada. Ficamos lá, conversando por um bom tempo.

Tempo suficiente para o sinal tocar para o intervalo. Logo nossos amigos apareceram. Primeiro foi Jun, ele é o caçula da turma, sempre foi cheio de frescura, mas é gente boa. O legal, é que ele tem uma especialidade incrível. Matsumoto Jun consegue destrancar portas sem o auxílio de uma chave. Era muito útil quando queríamos saber os resultados das provas, ou nosso boletim.

Ele chegou todo emburrado e sentou-se ao meu lado, ou melhor, praticamente se jogou e cruzou os braços. Das duas uma, ou ele queria atenção ou alguém da sala dele o irritara. Achei melhor nem perguntar, preferi fazer aquilo quando os outros chegassem, assim não precisaria dar conselhos ou consolá-lo.

Não que eu não gostasse de meu amigo, mas é que nunca soube dar bons conselhos e muito menos consolar alguém. Sempre fui um zero à esquerda quando se tratava de algo parecido. Nino, que estava deitado ao meu lado, só deu um “oi” e deitou a cabeça em meu peito. Sério, aquele garoto estava me provocando, só podia!

Para minha sorte, Aiba e Sakurai apareceram. Eles sempre foram um grude só e todos desconfiavam que eles se gostavam. Aiba Masaki era o mais alto de todos, e também o mais alegre, até parecia uma criança grande e para o desespero de todos nós, ele usava toda sua energia pra fazer vários tipos de experiências.

Naquela época, ele dera de querer tentar fazer bombas caseiras. Se ele iria conseguir, eu não sabia, só esperava que ninguém saísse machucado.

E ao lado dele, estava Sakurai Sho. Ele é super inteligente, bastava-lhe dar um mapa de qualquer coisa, como construções antigas, ou modernas, mapas de cidades, e outros tipos de documentos, que aquele cara memorizava tudo. Só não entendia para que ele adquirira aquela habilidade.

Em poucos minutos, os dois já estavam sentados a nossa frente.

- O casalzinho, vai ficar dormindo mesmo? – perguntou Aiba, como quem não queria nada, mas o que ele falou, me fez corar.

- Você fala isso, porque está com inveja. – disse Nino, mostrando a língua sem fazer qualquer menção de sair de cima de mim.

- Jun, por que essa cara? – resolvi mudar de assunto.

- Nada de novo... aquele grupo popular novamente... os riquinhos...

- Nossa, o que fizeram dessa vez? Falaram mal do seu cabelo, foi? – perguntou Nino, divertido.

- Também. – escutei Jun resmungar, coisa que nos fez rir – Mas não foi só isso. A líder, aquela garota entojada e metida a besta, só porque tem grana, acha que pode destratar todo mundo!

- Ei, eu também tenho grana e não faço nada disso! – reclamou Sho. Esqueci de dizer, ele é rico, mas nunca agia como um, chegava até ser engraçado.

- É que você deu sorte de parecer gente, ela não. É só uma vaca com joias no pescoço!

- Joias? Está dizendo que ela teve coragem de vir à escola com joias autênticas? Nada de joias falsas? – disparou Aiba a perguntar. Ele estava pasmo com aquilo.

- É sim! E eu sei, pois uma das alunas perguntou a ela se eram reais e a vaca ousou dizer “Acha mesmo que eu andaria com coisas vagabundas? Deixo isso para os pobres”. Quase a soquei! – disse todo irritando e encostando-se à árvore.

- Bom... não é tão estranho que ela use suas próprias joias, não é? – ponderei. – Tudo bem que uma escola secundária não é um lugar adequado para isso, mas...

- O problema não é o fato dela ostentar sua riqueza, Satoshi-kun – interrompeu Jun, emburrado. – O que ela e seu grupinho de esnobes não podem fazer é zombar dos que não têm condições. Conhece Toma-kun, da minha classe?

- O bolsista?

- Sim. Eles o ridicularizaram na frente de todos, exigindo que não ficasse no mesmo ambiente que eles, pois estava “infectando” o lugar com sua pobreza... Eu o defendi, mas os outros da classe não ousaram abrir a boca. Estou cansado disso! Queria tanto dar-lhes uma lição...

- Às vezes eu penso que essas pessoas têm que serem roubadas, para aprenderem um pouco de humildade! – disse Nino ao ajeitar a cabeça em meu peito, o que me fez querer agarrá-lo.

Depois do que ele falou, ficamos em silêncio um pouco. Sabíamos que MatsuJun tinha que recuperar a calma e só o silêncio o ajudaria. Aiba, que era o único que conseguia acalmar a todos, foi para perto dele e começou a fazer um cafuné no caçula.

Sho-chan só ficou olhando meio emburrado. Assim, minhas suspeitas de que eles se gostavam, só aumentavam a cada dia e nem precisava investigar, como o Nino adorava fazer.

Continuei quieto, pensando no que Nino havia dito. Sim, aqueles riquinhos precisavam de uma lição! Sabia que roubar não era certo, mas também aquele tipo de coisa não podia ficar impune.

Fiquei pensando nisso, até que uma lâmpada se acendeu em minha cabeça. Tive a ideia perfeita!

- Rapazes, e se nós dermos uma lição nesses riquinhos? – perguntei, me sentando rapidamente. Quase machuquei Nino no processo.

- Tomou o que no café da manhã, hein? Como é que vamos dar uma lição neles? – perguntou Nino, sentando-se também.

- Vamos usar sua ideia. – disse sorrindo, mas ele me olhou sem entender – Vamos roubá-los!

Sim, era uma ideia louca, mas só precisávamos montar um esquema, já que tínhamos as habilidades perfeitas para executarmos aquele plano.

Notas finais
Demorei? Rsrsrrs... Espero que tenham gostado desse cap, estou indo fazer o próximo xD
E pra lembrar...
DEIXEM REVIEWS E FAÇAM UMA AUTORA BAKA FELIZ!!!