Wild

2 Capítulo 2


— Ely, diz alguma coisa!
Eu pisquei algumas vezes, ainda tentando processar a nova informação. Minha cara de surpresa (olhos arregalados e o queixo tão caído que abriria um portal pra China a qualquer momento) não estava ajudando, então respirei fundo e fiz a única coisa que me veio à cabeça: abracei Miles. Mas não um abraço de bro, não. Um abraço longo e apertado, pra mostrar à ele que eu estava ali e que jamais sairia do lado dele. Uma pitadinha de “eu tenho uma crush em você desde que passamos pela puberdade juntos e você ficou incrivelmente gostoso” entrou no meio do abraço também, mas isso não vem ao caso nesse momento.

Quando nos afastamos, Miles estava chorando e a visão das lágrimas escorrendo pelo seu rosto partiu meu coração.
— Ei... — Sussurrei suavemente, limpando suas lágrimas. — Não chora, M. Pensa bem, agora nós podemos ir nas baladas gay juntos, olha que beleza! Dançar Beyoncé e Gaga a noite toda, que tal?
Miles riu baixinho e eu sorri.
— E, o que eu vou fazer? — Ele sussurrou, deitando na cama. Me ajeitei ao lado dele enquanto pensava numa resposta. — Meu pai, E, ele vai querer me matar se souber...
Abracei Miles e ele apoiou a cabeça no meu peito.
— Ele não vai te matar, Miles. A) Porque eu não vou deixar e B) porque ele é seu pai, ele te ama e quer o melhor pra você.
— É o que eu espero, E...

Eu estava quase apagado quando Miles cutucou minha perna. Abri os olhos com dificuldade e a primeira coisa que eu vi foram as costas nuas dele, o que me fez rapidamente olhar para o outro lado. Se eu continuasse encarando, outra parte do meu corpo também acordaria, se é que você me entende. Levantei um pouquinho, me apoiando nos cotovelos e pigarrei pra mostrar que estava acordado.
— Que horas são? — Perguntei quando M virou o rosto em minha direção.
— Seis? Não sei. — Ele suspirou e engatinhou até onde eu estava deitado e sentou com as costas encostadas na cabeceira. Me sentei imitando Miles e ele apoiou a cabeça em meu ombro. — Você vai pra escola hoje?
— Aparentemente não, né, M. Já são seis horas e eu não dormi nada.
— E, posso te perguntar uma coisa?
— Obvio.
— Se eu te beijar aqui e agora, você vai deixar de ser meu amigo?
Dizer que eu fiquei sem palavras seria um puta eufemismo. Arregalei os olhos, engoli em seco e respirei fundo enquanto pensava em uma resposta coerente. Deus sabe o quanto eu queria beijar a boca do Miles, mas eu não podia entregar que eu estava mais animado do que eu deveria estar.
Então Miles cometeu o erro de morder o lábio inferior, ato que o deixava oitocentas mil vezes mais sexy. Não pude mais me conter, segurei seu rosto com as duas mãos e o beijei como fiz tantas vezes em sonhos. Seus lábios eram mais macios do que eu imaginava e eu não pude deixar de sorrir, eu estava realizando um sonho. Deixei minha mão esquerda passar pelos cabelos ondulados dele, puxando levemente.
Soltei um pequeno gemido quando Miles mordeu meu lábio suavemente, enquanto suas mãos passeavam pelo meu torso. As pontas geladas de seus dedos percorriam minha pele, parando apenas para brincarem com o tecido da minha cueca. Suas mãos estavam perigosamente próximas do meu pênis, que, por sua vez, começava a dar sinal de vida. Desci minha boca até o pescoço de Miles, deixando uma trilha de beijos por seu maxilar, e comecei a dar mordidinhas ali. As mãos de Miles puxavam meu cabelo enquanto eu beijava um lugar sensível em seu pescoço, fazendo-o tombar a cabeça para trás.
E assim, como começou, a sessão de beijos terminou subitamente e, quando me dei conta, Miles já estava vestindo a camisa e pulando pela janela do quarto. Me deixando sem ar, excitado e sozinho na manhã de segunda.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.