Há coisas que nem o tempo pode curar, perguntas que nem os mais sábios podem responder, coisas na vida que acontecem e ninguém sabe explicar.

Estava frio lá fora, a noite trazia consigo o frio e algumas poucas estrelas visíveis, a lua estava quieta e escondida em algum lugar do cenário. Um carro passou, deixando uma curta e escura nuvem de fumaça que Allexandra abanou para longe com a mão, ouviu a porta se abrir atrás de si, mas não virou, não precisava, o perfume conhecido denunciava a presença de sua irmã, essa olhou em volta, procurando por movimento na rua, sempre cautelosa; antes de descer alguns degraus e sentar ao lado da gêmea de olhos azuis acinzentados, que, às vezes, faziam Ruby achar que eram verdes, outras que eram azul.

– Hey. — disse Ruby para a quieta e frustrada irmã.

– Hey. — Allex suspira. — Está frio, não é mesmo?

Ruby suspirou de volta e olhou para frente.

– É. — ela levou alguns instantes, então fitou Allex – Como fez aquilo?

– Não faço a mínima ideia. Eu só tive vontade de acabar com ela e então aconteceu. — Allexandra fitou o céu. — A raiva passou, não muito, mas agora estou meio assustada com tudo isso. E como você está?

– Sabe como eu sou, não estou com medo. Na verdade, estou extremamente interessada.

– Não aconteceu com você… Será que é algo que só eu posso fazer?

Ruby olhou na direção de uma planta no vaso, a favorita de Tânia; precisou de alguns segundos, então as duas viram as folhas da planta queimarem a partir de uma chama surgida do nada.

Allex olhou surpresa para a irmã, recuando um pouco.

– Merlin...

Ela levantou, agitada. Começou a andar em círculos, procurando algo.

– Ruby! — exclamou a garota de óculos, correndo para checar a planta. — Ela... Ela...

Tocou as cinzas, concentrada. Não sabia exatamente o que queria fazer, mas, após alguns instantes, a planta restaurava sua forma, logo, voltando a como era antes de ser queimada.

Ruby ficou surpresa, porém, também frustrada por perder a diversão. Pensou um pouco e encarou a irmã.

– Sabe o que isso significa? — falou a morena dos olhos escuros com um sorriso largo. — Quer dizer que não temos mais de nos submeter às vontades de Tânia. Podemos fazer o que quisermos.

O par de olhos cinza de Allexandra brilharam levemente e uma sugestão de sorriso aliviado apareceu em seus lábios. Olhou Ruby por cima de seus óculos, caminhando até ela.

– Absoluta certeza. Podemos ir, minha irmã. Podemos ir embora e não voltar!

Ruby sorriu e seus olhos pareceram brilhar por um instante.

– Vamos dar o fora daqui. Vamos conquistar o mundo… — a jovem percebeu que se empolgara — Ou apenas a liberdade, mas a escolha e o poder são nossos.

– De fato. — disse a outra gêmea. — Partiremos logo.