Wide Awake
4 Bar de Karaokê
– Para aonde?
Eu já ía responder para qualquer lugar longe dali, mas me contive. Em vez disso, dei o endereço do meu apartamento. Quando o táxi estacionou em frente ao prédio, eu já estava aos prantos. Paguei o motorista que olhou espantado para minha blusa suja de sangue e subi pelas escadas, com temor de encontrar algum vizinho pelo elevador. O que eu mais queria era ficar sozinha. Entrei e tranquei a porta, me despi na sala e fui para o banheiro. Entrei na banheira de água quente e só acordei muito tempo depois com a águe fria envolvendo meu corpo. Sequei-me e saí. A sala tinha virado um pândemonio de sons: o telefone, o celular e o interfone tocavam juntos melodias diferentes, o que só piorou minha dor de cabeça. Desliguei o celular e tirei da tomada o interfone e o telefone. Fechei as cortinas e fui para o quarto. Me vesti ( http://www.polyvore.com/wideawake_two/set?id=49973851&.locale=pt-br ), e arrumei todas as minhas roupas numa mala, peguei meus sapatos e joias. No total usei três malas e minha bolsa que carregava a tiracolo. Deixei todo o apartamento arrumado, apaguei as luzes e tranquei a porta. Não pretendia voltar tão cedo.
Saí do prédio pelos fundos, coloquei as malas no porta-malas do carro, liguei-o e como estava escuro consegui passar despercebida pelos moradores e pelos dois rapazes que me esperavam na portaria. Sim, eu estava fugindo, sabia disso. Estava determinada a esquece-los. E eu conseguiria.
Andei pela cidade até chegar a auto estrada. Estava muito escuro e a paisagem que eu via era de árvores altas e negras. O combustível estava acabando, então parei num posto de estrada para abastecer. E segui até Nova York.
Quando cheguei na bela cidade era madrugada e estava muito frio. Me hospedei num hotel não muito luxuoso, só para passar a noite. Não durmi nada. De manhã fui procurar algum apartamento para alugar, consegui um razoável, não era muito bem localizado, mas era bonito e aconchegante. Meu dinheiro estava acabando, então fui procurar algum emprego, e nada. Nenhum dos lugares aonde liguei queriam contratar uma mulher de vinte anos, vinda recentemente de Nashville. Tentei uma agência do banco aonde trabalhava em Nashville e nada. Me desesperei, no terceiro dia em Nova York eu já estava sem dinheiro. Vesti um sobretudo e saí para caminhar pelas ruas da cidade iluminada artificialmente. Entrei em um pequeno bar, atraída pelo cheiro da comida vinda lá de dentro, não me senti repugnada pelo bando de homens que bebiam sem parar. Sentei no balcão e pedi um lanche. Paguei com o pouco dinheiro que me restava. Estava ótimo, decerto porque eu estava faminta. Era um bar de karaoke, tocava uma música legal, mas a mulher que cantava tinha uma voz terrível. Depois de comer continuei sentada no balcão cantando junto as músicas que as pessoas cantavam, ou tentavam cantar. O barman ouviu-me e disse-me para ir cantar. Eu respondi que estava com pouco dinheiro e ele disse que era por conta da casa. Me animei, subi ao palco e começei a cantar. No começo ninguém prestou atenção, depois todos olharam para onde eu estava. Quando acabei, todos no pequeno bar, aplaudiram-me de pé. Me senti lisonjeada e olhei para o barman que fazia sinais para eu cantar outra música. E assim foi, eu passei a noite toda cantando e o bar se enchia cada vez mais. Quando acabei a sétima música era uma gritaria, aplausos, assovios, etc. Vi que já era tarde, agradeci ao barman, que me deu cinquenta doláres dizendo que atraí muitos clientes e que merecia mais, mas só podia me dar aquilo e fui cercada por homens, que me convidavam para jantar com eles, eu recusei todos os convites e saí devolta ao apartamento, feliz da vida. No caminho um homem de terno segurou-me o braço. Me assutei já que não o conhecia. Ele parecia importante. Deu-me um cartão no qual se lia:
" Jeff Stevens. Produtor e Agente Musical."
– Você tem uma voz maravilhosa.
– Obrigada.
– Já tens um agente?
– Não, eu...
– Então ótimo começaremos amanhã.
– Mas eu não tenho como pagar-lhe
– Não se preocupe com isso, vai ganhar muito ainda menina, depois poderá me pagar.
– Eu não sei como agradecer.
– Basta ir ao endereço que está no verso do cartão amanhã ás oito horas.
– Obrigada!
– Até amanhã, durma bem menina.
E o homem de cabelos negros e olhos verdes com trinta e poucos anos seguiu pelo outro lado da rua. E eu fiquei ali, parada, com um sorriso de ponta a ponta do rosto. Depois segui para meu apartamento. Nunca dormi tão bem em toda a minha vida...
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