Wicked Game

1 The world was on fire


Notas iniciais
Olá,

A história leva o nome da música: Wicked Game - na versão de James Vincent (https://www.youtube.com/watch?v=uUaRPpnsfb4)

Boa Leitura!

Regina Mills estava em seu escritório, o coração acelerado e a mente perdida em um turbilhão de pensamentos. Haviam salvado o dia, Emma Swan mais uma vez salvara sua vida, perguntou-se quantas vezes mais ela teria que ser salva por ela.

Quando Regina lançou a maldição e levou todos para aquela terra inóspita, o mundo real, sabia que nenhum dos heróis seria feliz. Mas ela havia se enganado, todos pareciam ter encontrado seu final feliz, com exceção dela. Todos diziam “Regina, vai dar tudo certo” ou “Você vai encontrar seu final feliz”, estava cansada de insistir. Seu final feliz parecia perdido, e então ela recordou do exato momento em que constatou isso, com total certeza do porquê.

***

Ela estava sentada naquele carro ao lado de Emma Swan. Iria a Nova York encontrar Robin e livrá-lo da armadilha de Zelena, devia isso a ele. Era o certo a se fazer, não era?

Emma estava em completo silêncio, o que era incomum. Regina sabia que ela não estava vivenciando seu melhor momento, a morte de Cruella trouxera uma torrente de culpa e medo, e agora precisava reviver suas antigas memórias sobre Lily, e saber da morte dela não facilitou em nada para Emma.

− Você quer conversar sobre o que aconteceu? – Regina perguntou preocupada com o silêncio da outra.

− Não.

− Você quase enfiou aquele cara na parede.

− Eu sei o que está pensando, não fiz aquilo por maldade. A minha amiga morreu, dá pra entender? – Emma parecia magoada.

− Você não é responsável pelo que aconteceu com ela.

− Tem certeza? Ouviu o que aquele cara falou? A vida dela era bem sombria. E essa vida devia ser aminha. Ou poderia ter sido... – Emma falava a encarando.

− Emma! – Gritou Regina quando avistou um lobo na pista.

O carro derrapou nos dendritos espalhados pelo asfalto.

− Você está bem? – Ela perguntou a Emma quando desceram do carro.

− Isso já aconteceu comigo. Um lobo na estrada e o acidente, na primeira vez que tentei sair de Storybrooke. – Emma murmurava com o olhar perdido no horizonte.

Regina caminhou ao lado do carro avaliando os prejuízos.

− Pare de falar nisso, não foi o destino, só um pneu estragado.

Enquanto caminhavam em direção ao posto de combustível, Regina não conseguia conter os olhares preocupados em direção à outra. Emma estava mudando, lentamente entregando-se as trevas, ela sabia disso, ainda que negasse veemente.

Tornou a observá-la, séria e perdida, parecia fadada a pender para o lado sombrio. Regina sabia que a partir do momento em que ela cruzasse aquela linha tênue entre luz e trevas, Emma Swan não seria mais a mesma. Sua cabeça perdeu-se em um emaranhado de memórias. Não seria aquilo o destino dela, parte dela? Quem era Emma Swan?

Lembrou-se de quando a conheceu e todo o processo que veio a seguir, as brigas, lutas, discussões e momentos estranhos de compreensão e companhia. Ela era a mãe de seu filho, e agora Regina se via apegada aquela pessoa, Emma era uma constante em sua vida.

Após solicitar os serviços de um guincho para buscar o carro na estrada foi à lanchonete pegar um café, sua mente a bombardeando incessantemente com pensamentos temerosos sobre o futuro da Salvadora.

Tudo a seguir foi confuso e muito rápido para processar qualquer ideia. Já estavam no meio do nada, quando Emma apontava uma arma para Lily.

Ela nunca sentiu tanto medo de perder alguém. Já perdera pessoas antes, mas a angústia e a ansiedade de presenciar o exato momento em que isso ia acontecer eram intensas demais. São os segundos que antecipam os fatos que causam a sensação de pânico, porque depois da perda você sente a dor, mas antes da dor é a impotência, ver tudo prestes a mudar e não poder fazer nada a respeito.

− Emma, você é melhor do que isso. – Era tudo o que restava dizer a outra, o que pareceu ser uma eternidade. Olhou em seus olhos, verdes, perdidos e assustados.

Não tiveram tempo de processar tudo aquilo, Regina queria ter dito a ela o quanto estava preocupada, o quanto ela gostaria de cuidar de Emma. Sim, cuidar. Era uma ideia estranha na cabeça dela. Regina questionou sua sanidade. Tudo bem que se importava com Emma, importava-se muito na verdade, mas daí a cuidar dela?

***

Sentada sozinha em seu escritório, viu que todos aqueles problemas pareciam distantes agora, ela não só conseguiu lidar com seu lado sombrio, como também salvou mais uma vez a vida de Regina. Tudo isso parecia um jogo perverso na cabeça dela agora. Gostava de Emma, de uma maneira que não podia controlar.

− Hey, você. – Emma disse aparecendo de repente na porta do escritório.

− Algum problema? – Ela perguntou confusa.

− Nós estamos indo na vovó, sabe pra comemorar que tudo tenha dado certo.

− Está certo. – Concordou também com a cabeça.

Encararam-se em silêncio, antes que Emma pudesse perceber algo diferente no ar.

− Você está bem?

− Estou.

− Quer falar sobre isso?

Regina ponderou alguns segundos se poderia ou não falar algo.

− Emma, eu queria agradecer por salvar minha vida, mais uma vez. Parece não que há ninguém para fazê-lo, apenas você.

− Somos amigas, a salvarei quantas vezes puder.

Regina levantou-se e caminhou até a outra parando a sua frente, não pensou em nada e apenas a abraçou forte, e esperou até Emma retribuir.

− Regina, você quer falar sobre isso? – Swan devolveu a pergunta que recebeu há alguns dias, ainda abraçada.

− Você.

− Como é? – Emma perguntou confusa, soltando-se do abraço.

− Você... – Ela respondeu a segurando pela borda da velha jaqueta de couro vermelho. – Você me deixou louca... de preocupação... está salvando todo mundo, o tempo todo, mas Emma, quem vai salvar você?

Emma pareceu surpresa com aquilo, talvez jamais houvesse percebido os anseios e preocupações de Regina.

− Não preciso ser salva, não agora. E bem, tem tantos heróis nessa cidade, eu não me preocuparia com isso. – Ela a olhou profundamente com seus olhos verdes. Regina sentiu uma comoção crescendo em seu peito, lenta e subitamente subindo por sua garganta. Um desejo contido, meio secreto, rejeitado e proibido. Sentiu que estava prestes a chorar, coisa que ela achava extremamente vulnerável e desnecessário.

− Heróis precisam de salvadores, do que uma salvadora precisa?

− Se eu precisar tenho certeza de que você vai me salvar, pode ser minha salvadora Regina?

− Não sou uma heroína Swan.

− Eu realmente não entendo aonde você quer chegar com essa conversa, eu... – Regina não deixou que Emma terminasse a frase e colou seus lábios ao dela, espontaneamente. O tempo pareceu suspenso, e as palavras não ditas perderam-se naquele desejo compartilhado.

Ao se afastarem, não havia nada a ser dito, pelo não algo que elas pudessem dizer naquele instante. Regina afastou Emma e trancou a porta do escritório.

− Regina? – Ela chamou do lado de fora.

− Vá embora Emma.

− Eu vou esperar.

− Saia daqui.

− Conversamos depois então. – Pareceu desapontada.

A prefeita se perdeu em pensamentos confusos e amontoados, “Não posso estar me apaixonando por ela, não” lamentou baixinho.

A noite foi longa, caminhava ao lado de Robin, ele parecia interessado em manter uma conversa animada, enquanto ela apenas sorriu parecendo feliz, embora Emma e aquele beijo não saíssem de sua cabeça. O que diria a ela? O que faria? Aquilo deveria significar algo?

Foi então que a avistou, seu coração pulou no peito. Mas havia algo errado, os outros também estavam ali, algo não ia bem.

− O que está acontecendo? – Regina perguntou ao se aproximar.

− O Ser das Trevas. – Alguém respondeu.

Ela pareceu confusa, e tudo a seguir foi extremamente surreal.

A salvadora, salvando sua vida outra vez, mas agora ela precisava ser salva. Regina viu o medo em seus olhos, às trevas a envolveram em escuridão completa, e então ela se foi.

Era o que ela sempre temeu, ceder as trevas, mas ela não cedeu, tomou para si. Poupou a vida de Regina. Ela queria poder ter dito, que isso não traria um final feliz, como poderia ser feliz sem Emma?

Agora tudo parecia perdido, e Regina viu seu final feliz ser destruído mais uma vez.

Notas finais
Olá

Que tal um comentário para dizer o que achou?

Obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!