– Oi. – Emma disse sorrindo, era tão maravilhoso acorda e dar de cara com Regina que ela não conseguia se conter.

– Oi meu amor. – A morena disse em um tom doce e preguiçoso.

– Você não sabe quantas vezes eu sonhei com isso. Acordar assim ao seu lado, depois de passar a noite fazendo amor com você. – Emma acariciou gentilmente o rosto de Regina, que fechou seus olhos se entregando ao toque.

– Como você consegue me deixar maluca na cama daquele jeito e agora me deixar toda derretida com essas palavras doces, em senhorita Swan?

Emma sorriu. – Por você eu posso ser tudo. Doce, louca, o que você quiser de mim.

– Não sabia que era possível amar alguém tanto assim como eu te amo. Chega a doer no peito. – Regina disse puxando a garota para os seus braços. – Eu ainda não sei como vou resolver tudo isso, mas eu não vou desistir de você, do nosso amor. – Ela se afastou e encarou bem a garota. – Você é a pessoa mais importante em minha vida, Emma. Me entendeu?

Emma a encarou em silencio, seu lábio tremia brevemente, estava se segurando para não chorar, ou não seria capaz de dizer o que queria. – Eu nunca, nunca, tive alguém como você. Alguém em quem eu confio, alguém a quem eu amo com todas as minhas forças. Eu nunca me senti parte de nada, mas quando estou com você eu tenho esse sentimento de que você é minha família, de que é tudo que eu preciso.

Regina plantou um beijo na testa de Emma. – Eu sinto o mesmo e um dia nós seremos uma família de verdade, com filho, cachorro e tudo que temos direito. Porque eu sei que é você Emma, que eu quero pro resto da minha vida.

Emma ergueu a sobrancelha — Você está me pedindo em casamento? Eu ainda nem te pedi pra namorar comigo.

– Ainda não, mas você fique sabendo que vai acontecer.

– Mal posso esperar.

***

Emma tinha noção de que estava com um enorme sorriso bobo no rosto quando saiu do quarto de Regina, mas ainda assim atravessou os corredores apreensiva. Pra sua sorte era cedo e ela não cruzou com ninguém ate sair do prédio onde ficavam os dormitórios dos professores.

– Emma?

Emma se deteve, seu instinto inicial foi rezar para que um buraco negro a sugasse dali, mas não aconteceu. – Oi senhora Mills.

– Você estava com Regina?

– Hum... sim, eu vim entregar uns papeis que ela me pediu.

Cora a encarou em silencio. Emma estava prestes a dizer que tinha que ir embora, mas a mulher falou primeiro. – Você deve achar que eu sou idiota não é?

– O que? Não. Por que eu acharia isso?

– Porque eu sei que passou a noite ai.

– Você estava vigiando sua filha senhora Mills? – Emma logo transformou seu tom de apreensão em insolência.

– Claro que não. – A mulher sorriu desdenhosamente. – Mas meu segurança estava. Agora eu sei porque Regina não que ir embora.

– Bom, se sabe então melhor deixá-la em paz.

Cora sorriu. – Você é bem atrevida em garota? Vamos conversar.

– Eu não tenho nada pra conversar com você.

– Ah você tem muito o que conversar comigo. E vamos conversar agora, caso contrario o reitor vai ficar sabendo da sua pequena aventura na noite passada.

– Você não faria isso, prejudicaria sua filha.

– O reitor é meu amigo, Emma, ele demitiria Regina sem fazer alardes e eu a levaria comigo como planejado. Ate que é uma ótima ideia.

– Não, não faça isso.

– Então vamos conversar.

Emma seguiu Cora ate o carro. O motorista estava parado em frente porta e a abriu para que elas entrassem.

– Bem, vamos conversar. Há quanto tempo isso está acontecendo?

– Não te interessa.

Cora sorriu. Ela se divertia com a rebeldia de Emma. – Isso não importa mesmo. Porque você vai terminar com ela.

Foi a vez de Emma sorrir com desdém. – Não tem nada que você possa fazer que me faça terminar com Regina.

Cora considerou por um momento oferecer dinheiro a garota, mas logo descartou a ideia. – Olha Emma, eu poderia te ameaçar, já te disse que poderia te entregar para o reitor e que minha filha não sofreria muitas consequências por isso, já você seria expulsa, perderia sua bolsa e muito dificilmente seria aceita em qualquer faculdade renomada como essa.

– Eu sei que você pode fazer isso. Mas ainda assim... eu não vou terminar com sua filha. Você acha que ela vai embora com você se fizer isso?

– Ela não vai ter escolha.

– Se você fizer isso, nós não teremos mais nada a perder. Isso só apressara o momento que poderemos ficar juntas de verdade.

– Você é uma boa jogadora em garota. – Cora se moveu inquieta. – Eu não queria ter que apelar para isso. Mas visto que você está tão disposta a arriscar tudo que conseguiu por minha filha.

– Não me importa o que você jogar em mim, Cora. Eu não vou desistir dela. Eu a amo e ela me ama.

– Que comovente. – Cora caçoou. – Você se acha muito especial não é? Porque ela te disse que te ama.

– Você não faz ideia do que sentimos uma pela outra. Também não esperaria que entendesse.

– Ela te disse que você não foi a primeira?- Emma recuou e Cora sentiu isso. –Você achou mesmo que era a primeira garota a se apaixonar pela linda professora?

– Eu... – Emma gaguejou. Regina já tinha deixado claro varias vezes que ela era a primeira.

– Claro que pensou. Mas deixe-me te contar uma pequena historia. No primeiro ano em que Regina começou a ensinar aqui teve outra garota, não muito diferente de você na verdade. Os mesmos cabelos dourados, acho que minha filha tem um tipo. Katherine se não me falha a memória.

Katherine? Emma vasculhou a memória. Ela conhecia Katherine, a garota estava no ultimo período da faculdade. Já tinha sido assistente de Regina, a historia conferia. – Como eu posso saber se você não está mentindo?

– Ah eu nunca venho para o campo de batalha desarmada. – Cora abriu a bolsa e tirou o celular, entregando-o a Emma.

A garota encarou o aparelho perplexa. Uma imagem de Regina e da garota abraçadas estava na tela, as duas sorriam e olhavam uma pra outra. – Isso não comprova nada.

– Não comprova? Então porque você está com essa cara de quem acabou de descobrir que o papai Noel não existe? Termine com ela Emma. Você não significa tanto pra ela quanto acha que significa. E se você fizer isso, vou me assegurar de que terá um futuro brilhante. Você só precisa esquecer minha filha.

– Por que quer tanto ela perto de você? Você sabe que ela nunca quis assumir a empresa.

– Ah a empresa. – Cora sorriu. – Eu tenho planos maiores para ela do que isso.

– E pra isso precisa de mim fora do caminho.

– Exatamente. E você sabe que eu sou poderosa, posso fazer da sua vida um inferno. Será que vale a pena enfrentar tudo isso por alguém que mentiu pra você?

A cabeça de Emma estava a mil, mal conseguia distinguir seus pensamentos, a única coisa que queria era chorar. Não podia ser verdade, Regina não podia ter mentindo pra ela daquela forma. – Eu vou pensar.

– Não demore muito, porque eu não sou paciente.

***

Emma saiu do carro e praticamente correu para o seu quarto, segurando suas lagrimas só o tempo suficiente para chegar lá.

– Emma, o que houve? – Ruby disse aflita acolhendo a amiga. Então Emma desabou, não aguentou mais suportar tudo sozinha, tinha que dividir aquele peso, por sorte Ruby estava ali. Então ela contou tudo pra amiga.

– Você acha que essa historia da Katherine é verdade? Ela pode ter inventado isso só pra te afastar de Regina.

– Eu sei, mas... eu não tenho forças pra perguntar a ela. Por que se for verdade... tudo que vivemos ate aqui foi uma mentira, Ruby.

– Mas você tem que saber a verdade. De algum modo. Você poderia... perguntar pra Katherine então.

– Você acha que ela contaria que teve um caso com a professora pra uma desconhecida?

– Bom, se você afirmar que já sabe a verdade talvez.

– Se ela confirmar eu vou querer matar essa garota.

– Que bom que eu vou estar lá pra te impedir de fazer isso.

***

Katherine era a criatura mais dissimulada que Emma havia conhecido. Ela não negou por um segundo que teve algo com Regina. – Por que estão tão interessadas nisso? Alguma de vocês esta querendo tentar a chance com a professora Mills? Porque se for isso, só digo uma coisa pra vocês, estejam preparadas, porque aquela mulher é uma loucura. É serio, não é qualquer um que dá conta de tudo aquilo.

– Cale a boca! – Emma não se conteve e empurrou a garota contra parede.

– Devo supor que é você que está interessada? Ou talvez ate apaixonada. – Katherine sorriu. – Deixe-me te dar um conselho, ou melhor um aviso. Ela vai apenas te usar como fez comigo. E no final quando enjoar de você vai mandar a mamãezinha pra se livrar de você.

Emma, que ainda mantinha a outra garota contra a parede recuou. Saiu andando apressada, Ruby logo estava atrás dela. – Ela também pode estar mentindo Emma.

– Ela não tem motivo nenhum para mentir, Ruby.

– Talvez tenha uma explicação para Regina não ter te cotado sobre Katherine.

– Eu não quero uma explicação. – As lagrimas que corriam no rosto de Emma agora eram de raiva. – Toda aquela encenação de que era primeira vez dela com outra mulher. Quando ela disse que nunca tinha se entregado para alguém como se entregou para mim, tudo mentira!

– Fique calma.

– Eu não quero ficar calma! Aquela filha da mãe partiu o meu coração.

– Emma, vocês tem que conversar, as coisas ainda podem se resolver.

– Ah nós vamos conversar. Eu vou fazer o que Cora quer. E vou pegar tudo que ela tiver pra me oferecer. Talvez isso machuque Regina o suficiente.

– Emma! – Ruby gritou, fazendo a loira parar. – Me escuta, você não pode ir ate Regina assim. E se tudo for só um mal entendido.

– Claro que não é, você ouviu o que a Katherine disse. Eu não sei porque eu achei que algo bom finalmente tinha acontecido em minha vida, que alguém realmente me amava. Isso nunca aconteceu antes, não seria agora que iria acontecer.

– Não diga isso. – A voz de Ruby estava cansada, ela não sabia mais o que dizer para impedir a amiga de fazer uma besteira.

Emma começou a andar a passos apressados, não queria esperar, a magoa e a raiva queimavam dentro dela. Quando ela entrou em disparada na sala de Regina, a morena não fazia ideia de que o mundo iria desabar em sua cabeça.

– Você mentiu pra mim! – Emma disse acusatoriamente.

– Emma, o que está acontecendo? – Regina levantou confusa.

– Tudo que nós vivemos foi uma mentira.

Regina lançou um olhar preocupado para Ruby que estava na parada na porta.

– Ah não se preocupe com ela, ela já sabe de tudo, assim como sua mãe.

Regina não teve tempo para ficar em choque com a noticia. – Emma, o que está acontecendo? – repetiu forçando a voz para ficar calma.

– Cora me contou sobre Katherine.

Regina encarou a loira em silencio. – Viu, Ruby, ela não está negando nada.

– Emma, eu já te disse que deve ter uma explicação. – A garota encarou a professora, como se implorasse para que ela tivesse uma.

– Não me importa. Ela mentiu pra mim, ela é como todos os outros.

– Emma, eu Katherine não significou nada.

– Assim como eu não vou significar quando você se cansar de mim?

– Eu não vou me cansar de você sua idiota, eu te amo, você sabe disso.

– Disse para a Katherine que também a amava? Cora me mostrou como vocês eram felizes juntas, pelo menos ate você enjoar da pobre garota não é? Katherine me disse que você a descartou assim que se cansou dela.

Regina franziu a testa, nada daquilo tinha acontecido, nunca tinha tido nada com Katherine, a garota tinha se apaixonado por ela e tentando beijá-la uma vez. Era só isso. – Emma, Katherine te disse que nós estivemos juntas?

– O que, você achou que ela iria esconder isso pra sempre?

– Emma, isso nunca aconteceu. Eu nunca fiquei com a Katherine.

– Você vai mudar de estratégia agora? Vai mentir? Porque caso você tenha esquecido, já me confirmou que teve algo entre vocês.

– É, mas não como você pensa, me deixe explicar.

– Estou cansada de mentiras.

– Você acha que tudo foi mentira. Você não acredita em nós?

– Porque acreditar em algo fadado ao fracasso?

– Se você não acredita em nós, então está certa, tudo que vivemos foi uma mentira.

– Você entende muito bem disso não é?

Regina tinha cansado de ser paciente, ela andou ate ficar diante de Emma. – Eu nunca menti pra você. Katherine foi minha aluna e ela se apaixonou por mim, mas eu nunca a correspondi. Eu não sei o que deu nela pra mentir pra você, alias eu sei, foi minha mãe. E você caiu direitinho.

– Eu... – Emma recuou sem saber mais no que acreditar.

– Você preferiu acreditar nelas do que em mim. Você escolheu uma mentira ao invés do nosso amor.

– Sua mãe iria nos separar de qualquer jeito.

– E você preferiu logo desistir não é sua covarde?

Finalmente a ficha de Emma caiu, ela tinha se deixado manipular tão facilmente, Cora deveria saber que a mentira não iria se sustentar, mas sabia que seria o suficiente para destruir a confiança que Emma e Regina haviam construído. – Ela ameaçou nós entregar ao reitor. – Emma se sentiu uma boba por dizer aquilo, não explicava nada, mas ela esperou que mostrasse a Regina como ela estava acuada.

– Deixasse ela fazer isso, pelo menos estaríamos juntas.

– Ela ia destruir sua carreira, pra conseguir o que quer.

– Você acha que eu estava me importando com isso? Eu te disse hoje de manhã que você era a coisa mais importante na minha vida, Emma, você deveria ter acreditado nisso, confiado em mim, no nosso amor.

O silencio se apoderou da sala. Regina se recostou contra a mesa, pois sentia que iria desabar ali mesmo se não tivesse apoio. – Me desculpe... – Emma disse baixo demais, seu rosto estava coberto por lagrimas.

– Por que você não acreditou em mim, Emma? – A voz de Regina era fraca e carregada de decepção. – Você só tinha que ter acreditado em mim e as coisas não teria chegado a esse ponto.

– Eu sinto muito, eu acho que eu não sei bem como confiar. Eu nunca tive ninguém que merecesse minha fé.

– Você teve a mim.

– Mas eu perdi você não foi?

Regina não respondeu, mas também não precisou. Emma não conseguiu mais sustentar o olhar da mulher a sua frente, então se virou pra sair da sala, sem nem mais uma palavra.

Regina encarou a outra garota ainda parada em sua porta. – Ruby, espero poder contar com sua descrição pra tudo isso.

– Não se preocupe. – Ruby se virou pra sair, mas então se deteve. – Você sabe que ela te ama não sabe?

– Isso importa agora?

– Deveria. Porque... bom, se você não sabe, acho que você foi a primeira pessoa que Emma amou de verdade. Ela não é como nós, não teve ninguém a quem pudesse amor, não teve uma família pra cuidar dela. É de se esperar que ela não acredite muito que de uma hora pra outra tem amor em sua vida.

Regina respirou cansada. – Você é uma boa amiga, Ruby. Mas tudo que você disse não justifica o fato de ela não confiar em mim.

– Eu sinto muito por isso.

– Eu também sinto.

Notas finais
Ok, sem ameças meninas haha. Eu sei que o capitulo ta tenso e dramatico, mas não vale brigar com a autora, descontem sua raiva na Cora a culpa é dela kkk Ate o proximo capitulo :* PS: Eu dedicaria o capitulo a Florence Queen, mas não sei que ela ficaria feliz com isso dada a situação. Mas de qualquer forma muitíssimo obrigada pela linda recomendação