Wicked Game
18 Capítulo 18
Notas iniciais
– Eu não sei porque aceitei isso. – Emma disse encarando o irmão. Os dois estavam em uma loja sofisticada na qual Emma nunca tinha entrado antes
– Porque vai ser ótimo e é o melhor jeito de todo mundo saber que nossa família tem mais um membro.
– Eu não gosto dessas coisas, David. Não pertenço a esse mundo de festas glamurosas.
– Você vai se acostumar. E imagina só a cara da Regina, quando ver você usando isso. – Disse indicando um vestido vermelho estonteante.
– Eu não vou usar isso. Deve ser mais caro do que tudo que eu tenho na vida.
– Você vai sim, porque é um presente do seu irmão e porque você vai ser a mais linda da festa.
– Você sabe que não precisa ser minha fada madrinha, não sabe?
– Eu só estou sendo um bom irmão, Emma. Eu falei serio quando disse que sempre quis ter uma irmã, Regina foi o mais perto que eu tive disso. E quando você me disse que era minha irmã... nossa, eu fiquei tão feliz, porque eu gostei de você desde o primeiro segundo. Eu não entendia antes que conexão forte era essa que nos unia, mas agora eu sei.
Emma tinha um meio sorriso, não esperava ouvir aquilo. Nunca havia imaginado em sua vida que teria uma família de verdade. – David... – ela disse não conseguindo se impedir de abraçar o irmão.
– Não chora, irmãzinha. Agora eu vou cuidar de você.
***
– Que loucura essa historia da Emma ser irmã do David. – Ruby disse a Regina, as duas tomavam um café no refeitório da faculdade.
– Pois é. Mais loucura ainda vai ser quando minha mãe descobrir.
– Mais loucura ainda vai ser quando os pais de vocês descobrirem que estão mentindo.
– Nem me fala, eu quase não consegui dormir ontem pensando nisso.
– Bom, agora que Emma, tecnicamente é rica, talvez sua mãe não a odeie.
– Quem me dera fosse simples assim.
– O que acha que ela vai fazer?
– Não faço a mínima ideia, mas a essa altura George já deve estar contando pra ela.
***
A mansão dos Nichols estava lotada, todos queriam conhecer a filha perdida de George. Foi assim que os tabloides da cidade chamaram Emma. Como se ela tivesse ficado realmente perdida por todos esses anos e não como se o empresário a tivesse abandonado. Era uma hipocrisia social.
Emma encarou a escadaria a sua frente, suas mãos tremiam e soavam. Queria que David estive ali ao seu lado, mas quem estava era o seu pai. – Você está linda. Você é linda como sua mãe.
Emma conseguiu formar um sorriso. – Obrigada.
Os dois desceram devagar ate o meio da escada, de onde podiam ver todos os convidados abaixo deles. Os flashs das fotos vinham de varias direções e Emma já estava incômoda com aquilo.
– Não é todo dia que temos a surpresa de descobri que temos um filho. Ainda mais uma filha como essa. – George começou e Emma logo percebeu que ele falava como se nunca tivesse sabido de sua existência ate o dia que ela bateu a sua porta, o que era uma mentira. – Emma foi a melhor surpresa que aconteceu em minha vida. Imaginem só eu descobrir que tenho uma garota. E não só uma garota, uma garota que está seguindo os passos do pai, que entrou como bolsista na melhor faculdade do pais. Isso me deixa muito mais que orgulhoso. E é por isso que estou muito feliz em comemorar esta noite com vocês. – O garçom se aproximou dos dois entregando a elas taças de champagne. George a pegou e Emma o imitou, erguendo a taça no ar. – A Emma! – disse e todos os convidados o acompanharam.
Os dois desceram o resto das escadas e Emma se viu cumprimentar tantas pessoas que sua mente nem conseguia captar mais os nomes. A musica tocava ao fundo em um tom agradável, que permitia a conversa. A garota não pode se impedir de ficar analisando todas aquelas figuras em suas roupas e cabelos perfeitos, tudo era muito diferente do que ela estava acostumada.
– Emma, eu quero te apresentar ao filho de um grande amigo meu. Tenho certeza de que vai adorá-lo.
– George, antes que tenha alguma ideia é melhor você saber. Eu não beijo garotos.
– Hum... – O empresário disfarçou bem a cara de choque, mas Emma sabia que o pai não esperava por isso. – Esta tudo bem... eu não me importo.
– Se você se importasse, ainda não faria diferença.
– Claro que não.
O silencio caiu entre eles, ate que David o alcançou. – Belo discurso, pai. Não perde uma chance de me alfinetar porque não segui os seus passos não é?
– Eu não estava falando sobre você, estava falando sobre Emma, David.
– Claro. Então já terminou com essa chatice de apresentar Emma pra todo mundo, porque eu quero levá-la la fora onde a festa acontece.
***
O jardim da mansão era enorme e no meio dele uma tenda estava montada, onde um DJ tocava musicas muito diferentes das que tocavam dentro da casa.
– Nossa, isso sim é uma festa. – Emma sorriu.
– Que bom que gostou, essa é minha parte da festa pra você.
– É cedo pra eu dizer que você é o melhor irmão do mundo?
– Acho que é, porque você ainda não viu como ele pode ser chato. – A voz de Regina soou atrás dos dois.
Emma se virou rapidamente e as duas sorriram. – Você é a criatura mais linda que já andou sobre a terra, sabia, menina? – Regina disse encantada com como sua namorada estava perfeita.
A garota andou ate ela e a pegou pela cintura, por um segundo esquecendo de tudo a sua volta. – Você é quem está perfeita.
David pigarreou fazendo as duas se lembrarem que estavam em um jardim lotado de gente.
– Onde está a Mary? – Perguntou curioso.
– Eu a deixei no seu quarto.
– No meu quarto? Ta fazendo entregas agora, Mills? Você é a melhor noiva do mundo sabia?
– Seu sem vergonha, ela ta no seu quarto, mas você tem que se comportar. Não trouxe ela pra cá, porque, bom, vocês não poderiam ficar juntos direito.
– Bem, pensado. Eu vou até lá. – Disse desaparecendo no meio das pessoas.
– Posso te mostrar uma coisa? – Regina perguntou assim que David saiu.
– Claro.
As duas andaram pelo jardim se afastando da multidão. Emma parou encarando a parede de plantas a sua frente.
– Isso é o que eu to pensando?
– Sim, é um labirinto.
– Meu deus.
– David e Eu costumávamos brincar aqui quando crianças. Eu conheço cada curva. E melhor, sei como chegar ao centro. Me acompanha? – Estendeu a mão para a garota.
– Sim. – Emma sorriu e enlaçou sua mão a de Regina.
Quando as duas chegaram ao centro Emma ficou deslumbrada, uma fonte jorrava água que refletia luzes de todas as cores, o que dava um aspecto mágico ao lugar. – Esse lugar é lindo.
– E reservado. – Regina acrescentou.
Emma se virou para ela. – Não acredito, que eu tava aqui toda ingênua e você me trouxe aqui pra...
Regina a interrompeu, pegando-a pela cintura e selando seus lábios aos dela. Sua língua dominando a da garota com facilidade, seus lábios devorando os delas, com a fome que sempre tinha quando estavam juntas. – Não podia perder a oportunidade de te beijar quando você ta linda desse jeito.
– Ah quer dizer que quando eu estou com minhas roupas normais vocês não me acha linda. – Emma brincou.
– Claro que eu acho sua boba, alias, você é mais linda ainda sem roupa alguma. Se eu tivesse que escolher essa era minha opção.
Emma sorriu jogando a cabeça pra trás. – Amor, você ta ficando tão atiradinha, não é?
Regina a puxou, colando seus corpos ainda mais. – Vai me dizer que você não gosta.
– Ah eu to adorando. Nossa, por mim você pode só piorar, ficar cada vez mais e mais safada.
– Se for assim nunca mais vamos sair da cama.
– Você vê algum problema nisso? Porque eu não vejo nenhum problema nisso. E falando em cama, acho que você ainda não conheceu o meu quarto. Você bem que podia dormir aqui hoje.
– Emma querida, não podemos ficar dando bandeira, seu pai pode perceber alguma coisa.
Emma fez beicinho. – Mas é minha festa e eu não vou poder ter você.
– Eu estou aqui agora. – Regina ergueu a sobrancelha desafiando-a.
– Você quer fazer? Aqui?
Regina começou a se aproximar de Emma para beijá-la, quando seu celular tocou. – Droga. – Murmurou e o atendeu. – Sim, claro. Mas que droga em? Estamos indo.
– O que foi?
– Era o David. Estão procurando a gente pra tirar uma foto de família.
– Droga.
***
Nem um dos três esperava por isso, mas George e Cora aproveitaram a ocasião pra anunciar o noivado de Regina e David. Regina não tinha duvida de que a ideia partira de sua mãe. Os cinco sorriram e posaram pra foto como uma grande família feliz.
– Agora uma foto dos noivos. – O fotografo sugeriu.
George e Cora se afastaram levando Emma com eles. – Um beijo seria ótimo pra primeira pagina do jornal, não acha? – Cora sugeriu e o fotografo logo concordou. Logo estavam puxando um coro de “beija, beija...”
O sangue de Emma estava fervendo, ela se moveu em direção aos dois, mas sentiu uma mão em seu braço a impedindo. – Fique onde é o seu lugar. – Cora disse em um tom frio. – Já devia estar mais do que satisfeita por chegar onde chegou. Você acha mesmo que um dia vai poder estar no lugar que seu irmão está, ao lado dela? Isso nunca vai acontecer, não é assim que funciona pra nós. Regina pode ate gostar de você, mas no fundo ela ainda é uma garota rica que foi criada em um mundo onde as aparências importam e muito. – Emma a encarou com uma resposta pronta, mas foi distraída pelos aplausos, os noivos finalmente tinham dado a multidão o que ela queria. A garota deu meia volta e saiu da sala, indo para os jardins, seus olhos queimavam com as lagrimas que se pronunciavam. Não pertencia aquele lugar, nunca pertenceria, aquela noite foi só a prova disso. Todas as pessoas naquele mundo eram tão falsas. E ela podia incluir Regina e David nessa lista. Como tinham coragem de fingir daquele jeito na frente de todo mundo?
***
– Emma? – Regina e David alcançaram Emma assim que puderam.
– Me deixem em paz!
– Emma, você sabe que não sentimos nada um pelo outro, não desse jeito. O beijo foi só pra disfarçar. – David disse aflito.
– Eu sei, não é por isso que estou com raiva.
– Não? – Foi Regina quem falou.
– Esse mundo de vocês é muito diferente do meu. Cheio de interesses e mentiras. E vocês... vocês mentem igual a todos os outros.
– Estamos mentindo por uma boa causa. – David ponderou.
– Eu sempre vivi sozinha e foi assim que eu aprendi que tudo que envolve mentira leva pra um caminho sem volta. Eu não pertenço ao mundo de vocês, não quero pertencer.
– David, você pode nos deixar a sós? – Regina disse tocando no ombro do amigo, que assentiu e as deixou.
Regina andou até Emma e tomou suas mãos. – O que foi que realmente aconteceu?
– Eu só percebi o quanto nós duas somos diferentes.
– Isso nunca fez diferença antes.
– Porque eu não conhecia como era sua vida direito.
– E agora o que? Vai dizer que não podemos ficar juntas?
– Você é uma garota rica Regina.
– Bom, você também é.
– Não foi isso que eu quis dizer. O que eu quero dizer é que... eu vi você lá no meio de todo mundo, vi você com seus amigos, posando ao lado de David para aquele fotógrafo. Você fica bem fazendo essas coisas, você gosta disso. E eu... eu não quero nada disso pra mim, não quero ter minha vida manipulada desse jeito, tudo por dinheiro, por aparência.
– Você acha que eu me importo com alguma dessas coisas? Se você quiser eu simplesmente deixo tudo por você. Menina, você ainda não entendeu que eu te amo? Eu sei que não faz parte desse mundo, mesmo que tenha descoberto que sua família faz. E quer saber? Eu te amo muito mais, exatamente porque você não é como todos que eu conheço. A sorte que eu tenho por ter te encontrado é tão grande, que eu não sei nem como agradecer ao universo por ter te posto no meu caminho. A única coisa que posso fazer pra retribuir é te amar com todo o meu coração. E pra fazer isso não importa de onde eu vim, de onde você veio, a única coisa que importa é o quanto nos amamos.
– Se tudo isso é verdade, então pare de fingir que está com David.
– Mas nós temos que fazer isso.
– Não, não tem. Tenho certeza que sua mãe sabe que estão fingindo, se ela não sabia antes, soube hoje quando viu minha reação ao ver vocês se beijando. Regina ponderou por um momento. – Tudo bem, que se dane. – resmungou e então pegou o celular e discou um numero. Emma ficou a encarando sem entender nada. Alguns minutos depois o repórter e o fotografo apareceram diante delas.
– Oi Pablo. – Disse se dirigindo ao repórter do jornal mais lido da cidade, que estava fazendo a cobertura exclusiva do evento.
– Oi Regina. Em que posso ajudá-la?
– Quer uma matéria que realmente vale a capa do seu jornal?
– Mas que pergunta. Claro que eu quero.
– Então diga para o seu fotografo preparar a câmera. – Regina disse e então se virou pra Emma e a puxou para seus braços, beijando-a sem se importar com quem estivesse em volta. O fotografo não perdeu tempo e tirou varias fotos delas.
Regina se afastou de Emma e se virou para Pablo. – Esqueça essa historia do noivado com o David, nunca aconteceu, ok? Se fizer isso vou ficar em divida com você.
– Como quiser, senhorita Mills.
– Você é maluca?! – Emma disse quando o repórter se foi.
– Maluca por você. – Regina sorriu. — Quer mais alguma prova de amor? Porque eu estou pronta pra sair por ai dizendo pra todo mundo que você é minha.
Emma sorriu e balançou a cabeça. — Só quero ir pra casa.
– Qual casa?
– Bom, pro meu quarto na faculdade, na verdade.
– Então vamos. Depois do que eu fiz acho que posso me dar ao luxo de dormir com você.
– Eu não acredito que fez aquilo sua maluca, sua mãe vai surtar, o reitor também.
– Disse pra você que não me importava com nada alem de você. Queria te mostrar que não sou como eles também, que não me importo com as aparências. Eu só quero ser feliz e você é minha felicidade.
Emma se inclinou e plantou um beijo nos lábios da morena. – Acho que eu sou uma má influencia, porque você ta ficando maluquinha que nem eu.
As duas sorriram e Regina beijou Emma de novo. – Se a insanidade é a medida do amor, então eu não quero ser sã.
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