Why do you Refuse?
8 Chapter 8 - Extra - Hisory of Lonely Boy
Notas iniciais
Why do you Refuse?
Chapter Extra – History Of Lonely Boy
Era a história de um garoto solitário, um tanto triste. Um garoto privado de seus próprios desejos. Esse garoto nasceu de uma prostituta com um homem muito rico.
“Só aguentei os nove meses por você ter me pagado favoravelmente, então cuide desse merda.”
As palavras ditas foram guardadas tristemente na memória.
Para fingir ser filho de uma descente, o pai contratou a mesma prostituta para agir como “mãe” do garoto. Pelo preço tão favorável ao seu dispor, a mesma aceitou. Uma mãe ausente, mas ainda era a “mãe” que “deveria” ser.
O motivo de ainda continuar ali como o “filho” do casal, é que a beleza daquela jovem criança era incrível. A sabedoria resplandecente, e o dom infinito, cuja nunca pareceu ser um talento aos olhos da mãe, e que aos olhos do pai, era só algo a mais, que não faria diferença alguma. Mas claro, ele estava ali apenas se tiver um “futuro” já definido, cujo deveria ser incrivelmente perfeito. Um futuro que ambos os “pais” desejariam.
A criança, tão solitária cresceu isolada do mundo exterior, sem amigos, sem alguém com quem falar. Ali naquela enorme e solitária mansão, sua única forma de se consolar, seria apenas com aquele simples e velho piano preto, que na visão daquele menino, era tão incrível, perfeito e insubstituível, já que aquele era o único que se permanecia ali perto quando precisava, mesmo sendo apenas um simples objeto.
O mesmo, ouvindo as músicas vindas de pianos seja na televisão ou no rádio, acabou por distinguir cada nota do instrumento sozinho. Aprendendo rapidamente e facilmente as melodias ouvidas, passando a tocá-lo sempre que seus pais não se encontravam ali.
“Eu não quero incomodá-los ainda mais.”
Pensava, já sabendo que o mesmo era um incômodo só por estar ali presente, ali vivo. O pequeno já não sentia mais o privilégio de se perguntar o simples por que de ele estar ali. Ele já tinha total sabedoria que ele, era alguém que não nasceu para satisfazer a si próprio. Já tinha noção que era seu dever obedecer a seus pais sem expor suas necessidades e até mesmo seus sentimentos.
Às vezes, o garoto tão privado tinha a única e simples diversão de simplesmente observar o mundo lá fora, daquela janelinha tão pequena de seu quarto tão sem graça. Vez ou outra lia a incríveis livros do mundo em si ou ora alguns poéticos, e talvez, algum sobre mistérios, deixando sua mente aberta, imaginando o quão calmo ali fora seria, ao contrário daquele quarto tão sem graça, branco, que sempre sentia desespero... em que sempre estava.
“Era como um pássaro que não podia voar”
Era muito doente para poder enfrentar o mundo lá fora. Qualquer esforço lhe trazia enjôo ou até mesmo, desmaio. Mas, mesmo tendo a saúde tão fraca, sua mãe lhe forçava ser uma pessoa perfeita. Tanto fisicamente quanto sua forma de agir. E claro, isso só fez com que suas condições piorassem.
“Um fraco ser, doente e solitário...”
Sua pele tão alva como a neve, entrava em contraste bonito com seus cabelos escuros, tão negros. Trazia-lhe a imagem de alguém frágil, cansado. É claro, mesmo sendo uma criança, esta seria a verdade. Seus olhos azuis acinzentados traziam a imagem “solitária” que era tanto verdadeira.
Aquele pequeno garoto tinha o simples objetivo de vida: Realizar os desejos egoístas daqueles envolta de si. A pergunta seria: “De quem?” Seria de todos aqueles adultos imundos, que conviviam com o garoto como obrigação. “O motivo disso?” Apenas que aquele garoto tão solitário não era “digno” de felicidade própria.
“Uma pessoa que tudo realizava, e nada desejava”
Incontáveis vezes eram aquelas que sua mãe, sem motivo algum, subia até o quarto do garoto, e o surrava, deixando palavras cruéis escapar de seus lábios, fazendo o menino afundar-se ao desespero, sem pronunciar algum som, nem mesmo gemidos. O mesmo privava-se até mesmo de suas lágrimas.
Incontáveis vezes eram aquelas que seu pai, ouvia os gritos altos da prostituta, escutava os sons violentos, presenciava a cena, olhava aquela face do menor tão inexpressível, afundando-se cada vez mais ao seu próprio desespero. Incontáveis vezes eram aquelas que aquele homem imundo ignorava o simples fato daquele menino ser um ser vivo.
O tempo se passou aos olhos de todos. Mas nos olhos tão privados do garoto, não. Sentia como se ainda tivesse quatro anos. A idade em que começara a apanhar sempre da sua “mãe”. Naqueles tão opacos olhos escuros não tinham mais o desespero que sempre tivera. Que bom seria se tivesse...! Àquela expressão tão perdida do garoto não parecia ter mais sentimentos. Não pareciam estar tristes. Isso... já era passado. Seus olhos de agora eram sem vida. Sem esperança. Seu “fio” sem desejos ainda estava ali.
Já, ou até mesmo “ainda” tinha treze anos. Foi quando o garoto finalmente teve um momento em que pode se sentir “aliviado” pelo menos uma vez. Em uma reunião de negócios, o “pai” convocou uma reunião. Foi quando ele finalmente teve alguém para trocar “palavras”. E este alguém, era nada menos que Hanji Zoe e seu amigo Erwin Smith, que a acompanhava. A princípio, foi complicado os dois se aproximarem do pequeno, e foi muito mais difícil, fazê-lo sentir-se seguro. Mas, de pouco em pouco, os três foram se tornando amigos.
E, aos quinze anos de idade, o menor dos três, deu seu primeiro “sorriso”. Um de canto, um sorriso simples e fechado. Mas aquilo o fez... bem. Hanji, o motivo do seu pequeno sorriso, se sentiu as nuvens. E mal percebeu que aquele rapaz estava já em seus sonhos.
O tempo se passou ainda mais. O rapaz virou um adulto. Já era músico, escritor, pintor e se não fosse por seu pouco tempo, seria também um ator. Sempre fora um homem fechado, que escondia seus próprios sentimentos. Seus próprios problemas. Era considerado misterioso até aos olhos de seus amigos. Mesmo que já tenha crescido, ele não foi “forte” o suficiente para aguentar sua saúde e ao mesmo tempo as agressões de sua “mãe” que não parou por nenhum momento.
Incontáveis eram as vezes que o mesmo parou no hospital. Incontáveis eram as vezes que o mesmo desmaiou. E claro, também eram incontáveis as vezes em que seu mundo desabava, somente em seus olhos, em sua cabeça.
Mesmo um adulto, o dono dos cabelos negros ainda tinha sentimentos. Por escondê-los tanto dos outros, por sofrer tanto, seus mais tristes sentimentos se puseram a crescer cada vez mais. Até que em um ponto, poucas palavras ditas por sua mãe o fez cometer o ato de querer “partir” mais cedo.
(...)
Aos 34 anos, o homem já havia parado com as músicas, por estar tão dificultado. Sua saúde piorara. Mas devido a uma sequência de lindos sonhos que tivera, ele se firmou. Ergueu-se. Ainda maltratado, o mesmo conseguiu se sentir bem em todas as noites em que se deitava em que pensava no sonho, sempre que acordava.
Lembrava-se daquele garoto que era mais novo presente ao sonho. Aqueles lindos olhos verdes azulados, com aquela pele incrivelmente bonita, com seus cabelos curtos e marrons. Com seu corpo magro e esguio, e seus lábios avermelhados. Com aquela voz grossa e confortante o chamava. Jamais teve interesse em algo, ou alguém além de seu piano e alguns outros instrumentos, de livros ou de novas pinturas. Mas... aquele garoto... ele era único. Ele unicamente o afetou de um modo intenso, inexplicável.
Foi a primeira pessoa que tinha lhe agradado tanto. Que o fizera se acalmar, apesar de tudo. Que o fizera se sentir bem, apesar de tudo. Mas... era triste. “Era só um sonho” pensava, mal se lembrava do nome do seu Herói. Mal sabia se havia uma possibilidade daquele garoto existir.
Ao lhe invadir esses pensamentos, o homem se sentia solitário, voltando às pinturas, às músicas e aos livros. Mas... esse sentimento de solidão... não se acalmava. Não se diminuía.
“Estou... tendo-o como um desejo...?”
O mesmo se assustou com sua própria conclusão. Então, ele finalmente havia desejado algo?... E sobre esse sentimento de desejo... sempre fora tão triste assim...? Sempre fora tão doloroso assim...? O mesmo se sentia doído, de uma forma inexplicável. Aquilo não se comparava à antes. Não mesmo. Nunca havia doído tanto. Mas como explicar...? Por que é uma dor diferente?... Tão quente?...
O final dos consecutivos sonhos foi horrível. Aquele tão iluminado, tão angelical ser, havia morrido. Uma morte horrível. Uma morte assombrosa. Uma morte dolorosa. Não imaginava que teria um final triste assim. Muito menos que sofreria tanto com um simples sonho.
(...)
Sofrera... sofrera muito.
Sua “mãe” voltara com um ódio inevitável, sobrando assim para ele acalmá-la, entregando-lhe seu próprio corpo, sua própria mente, sendo recebido por agressões físicas quanto verbais. Dessa vez, não tinha nenhum anjo para lhe salvar. Havia voltado ao começo. Cada vez mais se afastando do mundo em si. Cada vez se afastando de seus amigos, da realidade.
Apenas tinha seu único desejo: Encontrar novamente aquele garoto.
Sentia-se mal por isso. Realmente era alguém bom o suficiente para desejar? Se encontrasse o garoto, haveria uma possibilidade de deixá-lo triste? Isso se...
Encontrá-lo.
O homem não aguentou. Depois de tantas batalhas, de si deixar erguido à própria doença, entrara finalmente em depressão. Com suas esperanças mortas. Com seu sorriso como se nunca houvesse existido. Assim como suas palavras. Perdendo a cada tempo, seu ânimo. Perdendo aquela pequena parte que ainda existia de acreditar que algum dia... encontraria aquele pirralho.
(...)
Combatia sua depressão escondido. Sem algum remédio. E ia bem. Mas, era cansativo, e não tinha muito sono. A verdade, é que tinha medo de dormir, e sonhar com aquele garoto de novo, mesmo sendo seu único desejo. Tinha medo de sofrer novamente, ou sonhar novamente algo triste, assim como sonhou. Sendo assim, passava as noites acordado, evitando ficar sempre em casa, indo àquela praça que sempre gostava de ir, para finalmente descansar.
(...)
Passara quatro anos de madrugadas mal dormidas. Quatro anos lutando contra a sua dor. Quatro anos suportando sua mãe. Até que... em uma gelada madrugada, encontra alguém sentado no banco da praça em que sempre sentava-se para acalmar-se, com um violão ao colo, tocando algumas músicas tristes e belas.
Uma sensação estranha lhe passou ao corpo, como se seu estômago embrulhasse de uma forma gostosa. Como se aquela gélida brisa presente o esquentasse. E em passos lentos se sentou no mesmo banco, ao lado daquele ser que lhe trazia tantas sensações, distanciado do mesmo que tocava seu violão, permanecendo assim, sentado, navegando naquelas tão estranhas e diferentes sensações, em torno de 20 minutos que se passaram incrivelmente rápidos aos seus olhos.
“Estou te atrapalhando?”
Aquelas poucas e simples palavras o fizeram hesitar, sentir revira-voltas em seu estômago, suas pupilas se dilatarem e seu coração palpitar mais rápido. Acabara de reconhecer aquela tão familiar voz. Aquela grossa, rouca, bonita e confortável voz. Mas não deixando transparecer sua surpresa, pronunciou rapidamente curtas palavras.
“Não.”
Sentia-se um tanto embriagado, se forçando a permanecer seu olhar indiferente, em direção à rua. Estava escuro, não reconhecia o rosto do dono daquela voz, mas recordava-se muito bem daqueles poucos, finos e belos traços que foram possíveis de se visualizar. Se fosse quem estava pensando... Não. Ele tinha quase certeza. Esse garoto... era sim o mesmo que invadira seus sonhos.
Mesmo com algumas discussões, mesmo tendo acabado de se falarem, mesmo sendo a primeira vez que se encontraram, o menor se sentira tão bem... se sentia seguro, relaxado. Sentia-se tão confortável, como jamais sentira antes. Como isso fazia lhe falta...! E isso, fez com que ele fizesse um próximo convite.
“Encontra-me aqui amanhã, no mesmo horário.”
Sua tão fechada personalidade o fez esconder aquela ansiedade de encontrá-lo novamente. Grosso, ríspido, o menor e mais velho agia, acabando por assustar o mais novo, mas que simplesmente aceitou. Comparecendo assim, como o mandato, na praça, na madrugada seguinte.
Ocorreu tudo como um momento mágico aos olhos do mais velho, que nunca presenciou algo assim. Pela primeira vez, gargalhou com alguém. E não foi somente uma vez. Aquele rapaz... tinha o simples dom de fazer o alheio se sentir bem, de uma forma incontrolável.
Já o considerando de forma tão intensa, aceitou sua proposta de dormir em sua casa. E foi como se... ele tivesse lido seus pensamentos.
“Se for medo, estou aqui...”
Como alguém pode perceber rapidamente seus sentimentos, sem mesmo dizer...?
Mas será... que ele sabia que esse medo que sentia... é por não querer se afastar de si...?
Hu.
.
Não.
.
Não sabia.
.
Se soubesse...
.
Não teria feito o que mais pra frente teria em mente.
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